Eu preciso de um tempo pra curar as feridas de um frágil coração. Mas vai ser melhor assim. Com resignação. Sem desespero, sem gritaria, mas com tempo e paciência. Silenciosamente. Às vezes é difícil sabe, reconhecer que está doendo demais, que a tristeza anda sufocando, que os olhos andam copiosos, que o coração é mesmo muito fraco. É feito de uma fragilidade, porque não consegue sentir indiferença àquele olhar, àqueles lindos olhos, àquele jeito carinhoso... O coração é assim, sente e pronto! Que se dane se vai sofrer ou não, mas nesse momento não poderia ter feito isso não é mesmo!? Por isso vai ser difícil curar as feridas... Mas hoje estou aqui, de joelhos, com os olhos vermelhos, de braços, alma e coração abertos. Mas abertas também estão minhas feridas. Já não consigo esconde-las. Diferente do que pensam, não se trata de autoflagelo, é o reconhecimento daquilo que dói, que faz sangrar, que machuca do primeiro ao último minuto do dia. Talvez a falta de atrativos faça o silêncio calar sobre aquele que poderia ser. Não sei... Mas no fim, vai ser melhor assim. Vai ser melhor para quem ficou, melhor para quem, um dia, amou... A saída é pela porta da frente, o rastro, se alguém quiser saber, é das lágrimas, do sangue e do suor que ficaram pelo caminho ao longo de um ano. A luta incessante e diária pelo amor foi inesquecível, mas talvez o melhor que venha agora seja o esquecimento. Não é o mau trato, mas é saber tratar as feridas. Primeiro um "ódio" (ou uma forma estranha de não gostar), depois a indiferença (é o não ligar, o não responder e-mail's ou mensagens, o não aceitar convites para sair ou almoçar... É o continuar colocando à frente de tudo e todos as próprias preferências e prioridades), e depois, por fim, a distância e o esquecimento que sepultará este sentimento (hoje, sufocado e resignado sentimento). Resignação... Pra curar as feridas de um frágil coração vai ser melhor assim. Vai ser melhor a distância, vai ser melhor deixar escondido com mais cuidado, porque os olhos andam denunciando a condição em que se encontra. Tento esconder o que meus olhos dizem. É para reencontrar-se, é para tirar essa angústia do olhar, é para curar de vez as chagas e as manchas deixadas pela vida, pelo "estrago" que ela tem causado, é para, essencialmente, também, agradecer quem não deixa ficar à margem, nos acostamentos, mas que deve compreender que, além do encerramento de um ciclo, de um sentimento e de uma relação sofrível (que teve momentos únicos e mágicos e lindos ? é triste mesmo acabar assim), que tornou-se sofrível pelo vínculo de utilidade em detrimento do significado que um queria, mas não teve, e que outro nunca deu, porque no fundo jamais queria. Acaba aqui o que jamais deveria nascer: um amor resignado, um "sentimento controlado" e um coração bem apertado... E vai ser melhor assim, talvez menos para mim, mas certamente é para, ao menos, tentar curar as feridas de um frágil coração...