PESQUISANDO O MOSQUITO DA DENGUE


Apresentação

Este trabalho tem por objetivo dispor à população não acadêmica o enredo que envolve as arboviroses e a demanda gerada pela quantidade de pessoas atingidas, sem excluir a questões que envolvem as responsabilidades seja dos representantes públicos ou do povo comum.

Não há a intenção de postá-lo em meios onde os mais letrados costumam encontrar seus objetos de pesquisa, mas, deixá-lo acessível nas mídias mais populares, para que dê frutos e que suas informações alcancem aqueles que delas necessitam.


Autor:

Jailton José da Silva - (Agente de Endemias/Técnico de Vigilância em Saúde/ Estudante de CST Gestão Ambiental)

Co-autores:

Antonio Marcos Costa Lima - (Agente de Endemias/Técnico de Vigilância em Saúde)

Camila Hungaro Munhoz - (Bacharel em ciências biológicas pela uniabc; Bacharel em medicina veterinária pela Universidade Anhanguera)

Gervásio Pinho - (Agente de endemias, Técnico de Análise  clínicas laboratoriais).

Antonio Fernandes de Oliveira Sobrinho - ( Agente de Endemias, Técnico em Análise Clínicas e Aux. de Enfermagem,

São Paulo,

11/2018                                                                        

Resumo


O mosquito Aedes Aegypti, é responsável pelas arboviroses Dengue, Zika, chikungunya e em alguns territórios também é acusado de transmitir o vírus da febre amarela urbana. Conforme os historiadores é também o motivo de prejuízos aos cofres públicos e acima de tudo, em ocasiões, motivo de discórdia entre o poder público e a população, já que ambos os segmentos, segundos os estudiosos pesquisados, têm deveres não cumpridos e por esse fato permitem ao mosquito viver e sobreviver mesmo contra a vontade humana, causando transtornos e óbitos.

 
Palavra chave : Mosquitos; Arboviroses: Combate.

Introdução


O mosquito Aedes Aegypti é responsável por muitos danos à saúde em todo o planeta. Mesmo assim, ainda não tem a devida atenção da humanidade.

Nosso trabalho tem por objetivo demonstrar através de pesquisas em sites, a história, os costumes e quais as estratégias usadas por esse vetor para continuar próximo e próspero junto à população humana. Descobriremos juntos, de forma simples, medidas que podem ser tomadas e que já são executadas, seja pelos cidadãos, seja pelo poder público.

Buscaremos esclarecer porque o “Odioso do Egito”, como é conhecido esse inseto, tem predileção por recipientes de cor escura e qual seu potencial de voo. No ensejo encontraremos a resposta para um discurso comum, o  de que as prefeituras não fazem nada para diminuir o número de mosquitos. Também, paralelo a isso buscaremos entender porque quando há reclamação de mosquitos em uma certa região a equipe de zoonoses não vai imediatamente jogar veneno para matar os mosquitos. Descobriremos quais são as vantagens e desvantagens de usar produtos químicos para matar esses vetores, a quem estamos beneficiando? Esses produtos matam apenas os mosquitos? Qual a melhor forma de combatê-los e qual será a responsabilidade de cada um?

PESQUISANDO O MOSQUITO DA DENGUE


https://www.google.com/search?q=imagens+aedes+aegypti&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=R2QGO0Sw7nXqmM%253A%252CvbC76w-vYdhpLM%252C_&usg=AI4_-kTzaQNT01Uk8tDeY7NJx397a6OXpg&sa=X&ved=2ahUKEwiZzNrv7K7eAhWHiZAKHXdJB7oQ9QEwCXoECAMQFg#imgrc=rxYsNM8q48yuxM :


Aedes aegypti

(o vilão da vez)

Este inseto é típico de regiões urbanas de clima tropical e subtropical, não consegue viver em regiões frias. É de tamanho pequeno, mede em média 0,5 cm de comprimento, Possui cor preta com manchas brancas (riscos no dorso, pernas e cabeça); Linhas em forma de lira (instrumento musical) em seu dorso; “(...) Nos insetos mais velhos, o desenho some e aparecem dois tufos de escamas branco-prateadas. Suas asas são translúcidas e o ruído que produzem é praticamente inaudível ao ser humano”. (http://www.ciencias.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=227 )

Segundo a Doutora Karlla Patrícia (Bióloga, Mestrado e Doutorado pela UFRJ), macho e fêmea alimentam-se de seivas, néctar, sangue e outros. A fêmea torná-se hematofaga, quase que exclusivamente, pelo fato da necessidade das proteínas para o desenvolvimento dos ovos.

Esse indivíduo, vive próximo às pessoas/criadouros e costuma alimentar-se no início do dia e no final da tarde.

É capaz de deslocar-se a contar do seu nascimento e postura de ovos até 1000m ou seja 1Km;

Conforme site da Secretaria de Educação do Paraná esse mosquito vive muito bem em temperaturas entre 26 e 28° celsius, sendo sensível a temperaturas acima de 42°.

Pode ser encontrado em várias regiões da África e América do sul, além do Brasil demonstrando sua predileção pelas regiões quentes e úmidas.

É o transmissor dos vírus da Dengue, Chikungunya, e Zika, também é transmissor da febre amarela urbana em algumas regiões.

Uma fêmea pode dar origem a 1.500 mosquitos durante a sua vida, sendo 450 ovos por vez. A Doutora Karlla Patrícia afirma que: “A fêmea do Aedes vive cerca de 30 a 45 dias. Para um inseto é um tempo de vida relativamente longo. Nesse período, pode contaminar até 300 pessoas”. Patricia Karlla (Biológa, Mestrado e Doutorado pela UFRJ) https://diariodebiologia.com/author/karlla/

https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjToNHVk6_eAhWFC5AKHfTwAAYQjRx6BAgBEAU&url=http%3A%2F%2Fwww.acadciencias.org.br%2Fnews%2F687%2Fzika%3A-cientistas-anunciam-m%25C3%25A9todo-mais-eficaz-para-destruir-ovos-do-mosquito&psig=AOvVaw0bSlrBFc7JONSblHEmP_M6&ust=1541022847915097 acesso 01/11/2018

Ovos

A fêmea desse mosquito não põe seus ovos em um único recipiente, ela os distribui (450 ovos) em recipientes disponíveis com água, todavia, não os deixa diretamente na água, mas na parede dos recipientes, os quais só terão contato com o líquido, caso, ou quando esse se elevar. Esses ovos são postos em água limpa ou pouco poluída e parada. Todo esse processo é a base para o sucesso da estratégia de sobrevivência da espécie.

Fonte: http://www.ioc.fiocruz.br

Inicialmente, os ovos possuem cor branca e, com o passar do tempo, escurecem devido ao contato com o oxigênio. O ovo do A. Aegypti mede aproximadamente 0,4 mm de comprimento e é difícil de ser observado. Conforme o Dr. Drauzio Varella, em site, os ovos adquirem resistência e podem esperar por um contato com água por muitos dias. Podem sobreviver em recipiente seco por até 450 dias.                                         ( https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/doencas-transmitidas-pelos-aedes-aegypti acessado em 30/10/2018)

“A resistência à dessecação permite também que os ovos sejam transportados a grandes distâncias, em recipientes secos. Esse aspecto importante do ciclo de vida do mosquito demonstra a necessidade do combate continuado aos criadouros, em todas as estações do ano”. .(http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/oportunista.html )

Esta resistência é uma grande vantagem para o mosquito, pois permite que os ovos sobrevivam por muitos meses em ambientes secos, até que o próximo período chuvoso e quente favoreça a eclosão. O pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz(IOC/Fiocruz) José Bento Pereira Lima afirma: “(...) em apenas 10 minutos de contato com água, ovos do mosquito que podem ter sido colocados a um ano eclodem dando origem a uma larva”.

Conforme a FioCruz, em condições favoráveis de umidade e temperatura, o desenvolvimento do embrião do mosquito é concluído em 48 horas. (http://auladengue.ioc.fiocruz.br/?p=78 acesso em 01/11/2018)


Larvas

http://www.jujuyaldia.com.ar/wp-content/uploads/2011/02/larvasdedengue.jpg

As larvas são brancas, mas tornam-se pretas após algumas horas.

O ciclo de vida desse inseto pode variar segundo a temperatura, número de alimentos e quantidade de larvas em um mesmo recipiente. A competição suscitada pelo pouco alimento e ou pouca água pode causar impedimento entre a fase larval e fase adulta.

Há estudos que indicam a possibilidade da chamada transmissão vertical, a qual se concretiza com a possibilidade de uma fêmea, uma vez infectada, suas larvas já nascerem com o vírus da dengue. ( https://diariodebiologia.com/2009/12/10-perguntas-sobre-mosquito-da-dengue/

CICLO DE VIDA DO MOSQUITO

Do ovo à fase alada pode chegar a 10 dias, por isso a eliminação de criadouros nesse período trará maior eficácia no controle do inseto, interrompendo seu ciclo de vida.

Fonte: http://endemiasielmomarinho.blogspot.com/

Fonte: http://3.bp.blogspot.com/-aPS39kHN2oA/VUrTgcRyFuI/AAAAAAAAAX4/iuMULUl3xEI/s1600/fases%2Bdo%2Bmosquito.jpg acesso 01/1/2018

Breve História

Conforme a Fiocruz, o Aedes aegypti foi descrito em 1762, no entanto, seu nome só seria estabelecido definitivamente em 1818. “(..) a origem etimológica do termo vem do grego “odioso”, “desagradável”, e do latim, “do Egito”. Ainda conforme a Fiocruz, o mosquito originário do Egito, espalhou-se pelas regiões tropicais e subtropicais desde o século XVI e chegou aqui no Brasil com os navios negreiros, entretanto os primeiros relatos por conta da dengue são do final do século XIX, em Curitiba e depois no Rio de Janeiro, em Niterói e, no início do século seguinte  o mosquito já era problema, mas não como vetor do vírus da Dengue, e sim, como Transmissor da febre amarela urbana, sendo erradicado em 1955 e re-apresentando-se em 1960. A partir daí espalhou-se por todo território brasileiro. (http://auladengue.ioc.fiocruz.br/?p=68 acesso em 01/11/18)


/www.google.com.br/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwi94O7XkbTeAhWJHJAKHVtqB7QQjRx6BAgBEAU&url=http%3A%2F%2Fbomjardimnoticia.com%2F2015%2F12%2F12%2Fconfirmado-virus-chicungunha-em-exames-de-tres-bebes-com-manchas-e-bolhas%2F&psig=AOvVaw3bhe3GWpnNLlxAkG0NYLxC&ust=1541194063946045 acesso01/11/2018

ARBOVIROSES- Patologia provocada por um arbovírus, sendo transmitida por um artrópode, geralmente por um inseto: a febre amarela e a dengue são tipos de arboviroses.

(https://www.dicio.com.br/arbovirose/)

https://www.google.com.br/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiDvOWRj7TeAhUHkZAKHU-6C90QjRx6BAgBEAU&url=https%3A%2F%2Fwww.todamateria.com.br%2Fdengue-zika-e-chikungunya%2F&psig=AOvVaw2_KHXEj7R7gXg4ez4uSLZz&ust=1541193278484300 acesso 01/11/2018


COMO EVITAR AS ARBOVIROSE

E COMBATER OS MOSQUITOS

O mosquito que transmite a Dengue e outras arboviroses o Aedes Aegypti, assim como outros como o Culex (pernilongo) e o Aedes albopictus, está relacionado a costumes humanos e é sua história que demonstra isso, aprendeu a conviver com eles. Entretanto enquanto os homens/mulheres têm dificuldades de abrir mãos de maus costumes, esse inseto vai se adaptando à sua evolução.

Conforme a Fiocruz, os mosquitos têm uma predileção por recipientes de cor escura e a justificativa é que esses recipientes absorvem o calor por mais tempo em relação aos outros de outras cores, mas na ausência desses, que são seus prediletos, eles não deixam de colocar seus ovos em qualquer lugar onde exista água parada.

Queremos ressaltar que a questão da água limpa é uma preferência apenas para a fêmea deixar os ovos, pois para as larvas o que importa é a água e o alimento contido nela. Então uma água aparente suja, já foi limpa e há a possibilidade de haver ovos de mosquito nas paredes do vaso.

Segue exemplos de locais favoráveis para a proliferação de mosquitos, potenciais criadouros:

https://i.ytimg.com/vi/QvXSJnnKMdw/maxresdefault.jpg

Conforme site da Secretaria da Saúde do Rio de Janeiro, o Aedes Aegypti vive:

“Em todo lugar onde existe água parada e limpa, em qualquer tipo de recipiente que acumule água. Exemplos: bacias, baldes, bandejas de escorrimento de geladeiras, barris, buracos de árvores, calhas de telhados, canaletas, drenos de escoamentos, garrafas, latas, panelas, pneus, potes, pratos, tambores, tanques, cisternas, urnas de cemitérios, vasos de flores, vidros, caixas d’água, copos descartáveis, casca de ovo, tampa de garrafa. Os locais preferidos para abrigo são armários e lugares escuros dentro de casa. No ambiente externo prefere lugares frescos e sombreados”.

http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=370 acesso em 01/11/2018

Assista ao video :  https://youtu.be/LJpPyqfM58Q acesso em 08/11/2018

Assista  ao video : https://youtu.be/WA7zf_Ip66w

Assista ao video : https://youtu.be/lngm7S04y-4 acesso em 10/11/2018

:

O combate aos mosquitos e consequentemente às doenças que esses podem causar tem a ver com cuidados domésticos.

É comum em se tratando de dengue, ouvir pessoas dizerem que em suas casas não tem dengue! Isso é uma verdade, já que para haver a dengue, primeiro tem que haver o mosquito infectado e posteriormente a instalação da doença, entretanto a ignorância que reina em torno desse assunto dá ao invertebrado chances de sobreviver mesmo em ocasiões onde os poderes públicos buscam sua erradicação.

O mosquito, como foi mostrado anteriormente, tem a seu favor inúmeras possibilidades para se desenvolver, visto que não depende só de um tipo de recipiente para deixar seus ovos. Para vencê-lo, faz-se necessário que povo e representantes públicos tomem atitudes que culminem em mudanças de comportamento, pois ações eficazes no combate aos mosquitos não podem ser pontuais, ou esporádicas, devem incorporar aos fazeres individuais a ponto de tornarem-se costumes.

O hábito de manter garrafas com a boca para baixo, pneus sempre secos e cobertos, caixas d'água, elevadas ou não, devem estar sempre limpas e cobertas, manter calhas sempre limpas e com inclinação a ponto de não permitir o acúmulo de água, manter a atenção com ralos e caixas de passagens, evitar plantas que são criadas diretamente na água e pratos de apoio para vasos de plantas que suportam a água em excesso escorrida, (mantê-los sempre com areia) e acima de tudo, manter o diálogo com familiares e vizinhos, causará um grande transtorno para a vida do mosquito, isso senão extingui-lo por algum tempo.

Todo recipiente deve ser lavado com bucha e sabão para a retirada de possíveis ovos que esteja em suas paredes.

Observação: A água que chega nas torneiras das casas passam por um longo processo de tratamento e a ela é acrescido o cloro como um dos produtos que vai colaborar para torná-la potável. Por esse motivo, inserir qualquer quantidade de cloro a ela, não ajuda, a torna imprópria ao consumo.http://site.sabesp.com.br/site/interna/Default.aspx?secaoId=47

Cuidados caseiros que todos podem ter:

https://i.ytimg.com/vi/QvXSJnnKMdw/maxresdefault.jpg Lavar os recipientes que tenham acumulado água

https://i.ytimg.com/vi/QvXSJnnKMdw/maxresdefault.jpg areia em pratinhos

Sal nos ralos - Essa prática está virando moda. É eficiente em local impossível de remover a água (local com pouca água).

https://www.google.com.br/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiK9YHJt7beAhXEiJAKHYR5BroQjRx6BAgBEAU&url=http%3A%2F%2Flaboratoriosobrinho.com.br%2Fsite%2Fconteudo%2F108-saiba-mais-sobre-a-dengue.html&psig=AOvVaw2DOnYfvtpLP9oBudhH7t7C&ust=1541272866354874

Caixas e tambores fechados e vedados


https://www.google.com.br/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiK9YHJt7beAhXEiJAKHYR5BroQjRx6BAgBEAU&url=http%3A%2F%2Flaboratoriosobrinho.com.br%2Fsite%2Fconteudo%2F108-saiba-mais-sobre-a-dengue.html&psig=AOvVaw2DOnYfvtpLP9oBudhH7t7C&ust=1541272866354874

Pneus acondicionados e cobertos

https://www.google.com.br/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwigxczuurbeAhXLHZAKHQzSC0kQjRx6BAgBEAU&url=http%3A%2F%2Fwww.jequieeregiao.com.br%2Fblog%2Findex.php%2Fnoticias%2F47-home-1%2F7192-campanha-contra-a-dengue-deve-ser-de-janeiro-a-janeiro&psig=AOvVaw1SuAM9KNWV8282


https://observatorio3setor.org.br/wp-content/uploads/2015/04/medidas-preventivas-dengue.jpg

http://www.abroncapopular.com.br/wp-content/uploads/2017/12/limpeza-de-caixa-d%C3%A1gua.jpg Lavar a caixa d’água regularmente, sem esquecer de fecha-la

Ações governamentais contra a dengue

As prefeituras mantêm equipes o ano inteiro trabalhando na educação popular e no combate ao mosquito. Em São Paulo o combate ao mosquito Aedes Aegypti se dá através de visitas domiciliares que tem por objetivo ajudar às pessoas a combater os mosquitos dentro de seus domicílios. Em casos críticos, isto é, quando há casos de arboviroses no território, esse trabalho evolui de uma simples conversa chamada de casa-a-casa, para a fase de bloqueio de criadouros, onde os Agentes de Endemias, buscam com maior insistência adentrar os imóveis e localizar possíveis criadouros e realizando desde o controle mecânico (ação prática que visa eliminar o criadouro), ao uso de larvicida em locais onde não foi possível a eliminação da água parada.

Quando o caso é confirmado a equipe retorna no local, avisa à comunidade, e posteriormente executa uma nebulização, isso visando no momento atingir o mosquito em sua fase alada, interrompendo o avanço da arbovirose. Entretanto essa fase só terá eficácia se as outras fases houver alcançado também seu objetivo maior que é eliminação das larvas naquele território.

Máquina costal usada em nebulizações

Larvicida em pneus (controle de larvas)

Dupla paramentada para a nebulização (em caso de arbovirose confirmada)


Vistoria em carros abandonados (ano todo)                        Larvicidas em pneus

Agentes em casa-a-casa (trabalho independente de haver casos de arboviroses)

Agentes no controle de mosquitos (em bloqueio de criadouros)


Vistoria em pátios (trabalho desenvolvido por todo o ano)                                      // Vistoria em construções


Observação:

Como observado  até o momento não  relatamos ações de combate com inseticida (nebulização), ao mosquito AEDES e seus parentes, sem haver a constatação de caso(s) confirmado(s) de arboviroses.

Mesmo conhecendo o transtorno oferecido pelo número exagerado de mosquitos em alguns territórios é bom salientar que o melhor tratamento para essa praga é o desmonte de criadouros, relembrando que a fêmea  ao picar um mamífero vai procurar água para depositar seus ovos, não havendo água ela terá que ir cada vez mais longe a ponto de não mais voltar no lugar inicial e com isso diminuirá a população até desaparecer.

Os inseticidas usados no combate e controle  do mosquito atuam no sistema nervoso dos insetos e são eficazes até um certo ponto, pois possuem inúmeros protocolos que devem ser seguidos rigorosamente para que se alcance bons resultados. Esses protocolos além de exigirem ferramentas e uniformes adequados, impõem regras quanto aos horários de aplicação, e forma de aplicação, pois o mosquito não morre por porque passou por uma nuvem de inseticida, esse veneno tem que tocar o ponto certo no bicho para que ele o aspire e morra. Além do mais, é a eliminação dos criadouros que trará sucesso à nebulização, quando não acontece a eliminação das larvas nos criadouros o efeito pode ser inverso, como pode ter acontecido em 1986, com aparecimento de insetos resistentes aos venenos utilizados na época.  Melhor controle para o mosquito é sempre a retirada de locais onde eles possam deixar os ovos.

A pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Denise Valle, lembra:

“O controle químico quando usado de forma indiscriminada elimina da população apenas os indivíduos suscetíveis, permitindo a perpetuação dos resistentes. Por outro lado, se o controle mecânico for usado como a principal forma de combate, os mosquitos resistentes não serão selecionados e a população permanecerá vulnerável à ação do controle químico quando ele for necessário, como medida complementar e de forma racional”, a pesquisadora afirma. http://auladengue.ioc.fiocruz.br/?p=86

Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU On-Line), a pesquisadora e professora Lia Geraldo da Silva Augusto,  que atua na área de saúde coletiva e acredita que o uso de inseticidas em particular o Malathion, tem colocado o humano e o meio ambiente em risco maior que o próprio mosquito. Afirma também que as ações devem ser implementadas com maior participação de ambos os lados, governo e população. Diz a pesquisadora, professora e Doutora em ciências médicas:

“Segundo a professora, há meios e abordagens alternativos para modificar as condições que possibilitam a existência dos criadouros do mosquito, os quais não colocariam a população e o ambiente em risco, porém seria necessária uma mudança drástica na mentalidade que embasa o planejamento das ações e a integração entre diferentes instituições e a comunidade. “A população precisa ter um envolvimento proativo e promover cuidados com base em esclarecimentos honestos sobre as razões pelas quais essas epidemias ocorrem”. http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/551319-combate-ao-aedes-aegypti-pode-ser-mais-nocivo-ao-humano-do-que-ao-mosquito-entrevista-especial-com-lia-giraldo-da-silva-augusto  acesso em 04/11/2018

Em participação especial, a Bacharel em ciências biológicas pela uniabc; Bacharel em medicina veterinária pela Universidade Anhanguera, Camila Hungaro Munhoz, trabalhadora da saúde da cidade de São Paulo,  descreve as ações de combate ao AEDES AEGYPTI e salienta que a base do sucesso dessas ações não estão nos inseticidas utilizados , mas na conscientização de cada um:

casa-a-casa

Ação contínua por todo o ano; visa orientar a população quanto a importância do ambiente limpo e sem criadouros para o combate do mosquito e outros sinantrópicos.

Bloqueio de criadouros

Ação desencadeada a partir de suspeita de arbovirose no local: semelhante ao casa-a-casa, tem objetivo de identificar e tratar ou destruir efetivos e possíveis criadouros, seu foco são as larvas dos mosquitos.

Nebulização

Ação posterior ao bloqueio de criadouros; concretiza-se na pulverização de inseticida no ambiente: seu foco é o mosquito adulto(fase alada). Utiliza o organofosforado malathion dentro e fora dos domicílios.

Ações IE

Ação Imóveis Especiais; Contínua por todo o ano; Objetivo: vistorias e orientações em locais públicos(essas visitas podem ser quinzenais, mensais e até bimestrais, conforme a necessidade).

Ações PE

Ações em pontos estratégicos; Consiste na orientação, eliminação de criadouros e na aplicação do bacilo por meio equipamento costal; realizado em pontos de recebimento de produtos  ligados à reciclagem( desmanches, ferro velho, entre outros) suas visitas são quinzenais e utilizam na nebulização local o BTI (Bacillus thuringiensis israelensis), larvicida biológico que atua no sistema digestivo da larva causando sua morte.

Buscando responder à última pergunta elaborada  na introdução da nossa proposta de trabalho, temos aqui o entendimento postado na Revista-ENSAIOS-DIÁLOGOS, por Gustavo Bretas (*Gustavo Bretas é médico, formado na UFRJ, foi residente de Doenças Infecciosas e Parasitárias na UFRJ, tem Mestrado de Epidemiologia na Escola Nacional de Saúde Pública, Mestrado de Medicina Tropical na London School of Higiene and Tropical Medicine, é ex-professor do Instituto de Medicina Social da UERJ, consultor de doenças transmissíveis da Organização Panamericana de Saude no Ecuador e Suriname) que em seu texto  coloca os fundamentos que permeiam a demanda das arboviroses e os motivos dos insucessos alcançados. O relator, em um momento coloca a desordem urbana e a problemática dos resíduos sólidos como participantes ativos dessa guerra:

(...)Como facilitadores da reprodução do mosquito temos no Brasil a desordem urbana, a deficiência na coleta de dejetos sólidos, e o uso excessivo de recipientes plásticos. Faz então sentido gastar recursos repetidamente, desde o início das epidemias de Dengue nos anos oitenta, com visitas domiciliárias, uso de inseticidas e larvicidas, quando não estamos modificando os determinantes que mantém a presença do vetor? Gustavo Bretas (ENSAIOS & DIÁLOGOS. Pág.23)

Em outro momento o Dr. Gustavo Bretas envolve diretamente a população quando cita que os criadouros encontram-se em locais sombrios, intra e peridomiciliar e termina por responder o nosso questionamento sobre onde estão as responsabilidades:

(...)Sabe-se que a maioria dos criadouros de Aedes nos domicílios está na sombra, no entorno ou dentro da casa, a estratégia de controle precisa estar fundamentada numa campanha contínua que responsabilize os moradores. É falacioso propor que o Estado se responsabilize por tudo. O Estado não é capaz de visitar e investigar criadouros em todas as casas com a frequência necessária para mantê-las livres de criadouros! O melhor controle vetorial é a ampliação do saneamento básico e acesso à água potável. (Dr. Gustavo Bretas revista ENSAIOS & DIÁLOGOS, pág 25),


Referências

http://auladengue.ioc.fiocruz.br/?p=78 acesso em 04/11/2018

http://auladengue.ioc.fiocruz.br/?p=86  acesso 04/11/208

http://auladengue.ioc.fiocruz.br/?p=68 acesso em 04/11/2018

http://auladengue.ioc.fiocruz.br/?p=86 acesso em 04/11/2018

http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=370 acesso em 04/11/2018

http://www.blog.saude.gov.br/index.php/combate-ao-aedes/50514-pneus-velhos-pode-ser-local-de-reproducao-para-o-mosquito-da-dengue acesso em 10/11/2018

http://endemiasielmomarinho.blogspot.com/  acesso 04/11/2018

http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/oportunista .html

http://www.ciencias.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=227

https://diariodebiologia.com/2009/12/10-perguntas-sobre-mosquito-da-dengue/

https://diariodebiologia.com/author/karlla/

http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/dengue

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/descricao-da-doenca-dengue

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/perguntas-e-respostas-dengue

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/links-de-interesse/1073-chikungunya/14716 -o-que-e-a-febre-chikungunya

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/links-de-interesse/1073-chikungunya/14718- sinais-e-sintomas

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/doencas-transmitidas-pelos-aedes-aegypti-aedes-albopictus/

https://www.bio.fiocruz.br/index.php/chikungunya-sintomas-transmissao-e-prevencao-3

http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/551319-combate-ao-aedes-aegypti-pode-ser-mais-nocivo-ao-humano-do-que-ao-mosquito-entrevista-especial-com-lia-giraldo-da-silva-augusto acesso 04/11/2018

http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/551319-combate-ao-aedes-aegypti-pode-ser-mais-nocivo-ao-humano-do-que-ao-mosquito-entrevista-especial-com-lia-giraldo-da-silva-augusto  acesso 01/11/2018

http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=370

https://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2016/07/Revista-ENSAIOS-DI%C3%81LOGOS_2_Pag-22-a-25.pdf Acesso 09/11/2018


Jailton/2018