O Ensino Gramatical nas Escolas Municipais e Estaduais

Edna Aparecida Ribeiro

RESUMO

 

Este artigo tem o objetivo de demonstrar que qualquer língua apresenta diferenças entre a fala e a escrita. Cada pessoa possui um conhecimento implícito altamente elaborado, embora isso não seja percebido; que é adquirido naturalmente e se adequa perfeitamente á língua.

Palavras-chave= linguagem, produção textual, gramática, oralidade e pesquisa. 

INTRODUÇÃO

            O estudo da linguagem é algo fascinante, pois todos os estudiosos da língua, pessoas de forma geral, a sentem em maior ou menor grau.

            Os estudos sobre os mistérios da linguagem humana levam a refletir sobre qual será a forma “correta” do uso de uma palavra, de uma oração na produção textual. Somos de certa forma, pesquisadores de nossa própria linguagem. Percebe-se, em nosso meio, uma diferença muito grande entre a fala das pessoas (a oralidade) e a escrita. Com isso, Mário Perini (2002, p. 36) diz que: “... a língua falada no Brasil é o vernáculo brasileiro, pois no Brasil, se escreve português, mas se fala o vernáculo brasileiro, que não se usa em Portugal e nem na África”.

Segundo o autor, o “certo” é aceito pela sociedade, escrever português e falar o vernáculo brasileiro. Não pode haver troca, segundo o autor, é “errado” escrever vernáculo brasileiro e também é “errado” falar português. Este é um fato que está arraigado em nossa cultura e temos que conviver com ele.

            Essas línguas têm seu domínio próprio, mas na prática, não interfere uma na outra. O vernáculo brasileiro se usa em falas informais e em alguns textos escritos. Já o vernáculo português é usado na escrita formal, pois só é usado em situações de discursos, situações cerimoniais e etc. Assim, escreve-se o vernáculo português e fala-se o vernáculo brasileiro.

            Os estudantes aprendem o vernáculo português na escola, mas em sua oralidade diária, eles não a colocam em prática. O aprendizado gramatical acaba caindo na tradicional linguagem coloquial, prevalecendo o ensino tradicional da gramática.

ENSINO E APRENDIZAGEM DA LÍNGUA

            Diante da realidade educacional, da reforma que está sendo aplicada á gramática nas escolas e a diferenciação da oralidade para a escrita, fez-se necessária uma pesquisa para que pudéssemos demonstrar através dos dados a real situação da língua materna em Tangará da Serra, Estado de Mato Grosso, envolvendo 150 alunos dentre os quais são: de 7º, 8º, 9º ano, alunos do 1º ano do Ensino Médio e 8 professores formados em Letras.

            Segundo os dados da nossa pesquisa, não foi encontrado ninguém que conhecesse e dominasse o uso de todas as formas gramaticais de forma “correta”, pois ela é um tanto complexa.

            Durante a realização da pesquisa, observamos que há uma grande distância entre o nível popular e o culto, pois a oralidade é completamente diferente da linguagem escrita. Na escola aprende-se a linguagem culta, mas esta não é colocada em prática na oralidade diária de cada indivíduo, prevalecendo á linguagem coloquial.

            A escola ao receber  o aluno já possuidor de um saber linguístico enraizado, ou limitado somente á oralidade, não trata de desenvolver esse saber linguístico, ou seja, enriquecê-lo não só na oralidade, mas na escrita, através de produções textuais diversificadas, tendo acompanhamento do mediador, permitindo enriquecer a expressão oral e escrita desse aluno.

            No ensino da gramática, segundo a pesquisa realizada em Tangará da Serra, está prevalecendo ainda a gramática normativa, isso foi comprovado nas respostas dos entrevistados.

            Vamos aqui analisar os dados colhidos nas escolas: “Fábio Diniz Junqueira”, “Sílvio Paternez”, e “29 de Novembro”.

            Percebemos que as questões elaboradas propiciaram reflexões interessantes sobre a prática pedagógica.

            No decorrer do trabalho foi analisada cada questão formulada na realização deste artigo.

            N a primeira pergunta:

  • Você concorda com a maneira que a gramática é aplicada nas escolas?

Das pessoas entrevistadas, entre alunos do 7º, 8º, 9º 1º  ano do Ensino Médio e professores, há diferenças nas respostas objetivas e subjetivas.

            A maioria dos entrevistados respondeu que não concorda com a maneira que é transmitida a gramática e somente dois deles concordaram.

Os docentes afirmaram que a gramática não deve vir dispersa, solta, mas sempre em junção, dentro de orações, períodos e textos, e que infelizmente na prática é trabalhada pura e isolada.

            Segundo esses professores, o ideal é trabalha-la de forma contextualizada, com recursos áudio-visual, cartazes, etc, deve-se também, trabalha-la de forma interdisciplinar, para que o aluno possa compreender que esta faz parte de todo aprendizado  e não apenas de uma única disciplina.

Os professores que concordaram, afirmaram que, de forma geral, a gramática está sendo trabalhada de forma contextualizada e não mais fragmentada, e afirmam ainda, que os resultados são evidentes e positivos.

Refletindo sobre as respostas acima, podemos notar um contraste entre os próprios professores em relação ao ensino da gramática.

Segundo Augostinos Staub (s.d., p.30) diz:

   (...) “O professor deve ter uma c, concepção instrumentalista da língua que ensina e não uma concepção normativa, (...) O ensino de português deixará de ser caótico quando os professores tiverem melhor formação linguística, e conhecerem a situação linguística dos alunos”

            As aulas de Língua Portuguesa não podem ser pura e restringir somente as regras e decoreba, sem nenhuma aplicação na vida dos alunos.

            Os professores devem ensinar a linguagem culta, contextualizando-as na realidade de sua clientela.

            Em relação á pesquisa feita pelos alunos, cerca de quarenta e um deles, concordaram com a forma que é transmitida a gramática.

            A maioria dos alunos afirma que existem várias formas de aprender a gramática, e esta, está sendo realizada e assim o aluno aprende com facilidade e desenvolve a oralidade dos mesmos. Também argumentaram que como está sendo feita a transmissão do ensino gramatical, faz com que o aluno aprenda com mais facilidade e só não aprende quem realmente não quer, não tem interesse, pois os dirigentes de nosso país, estão colocando profissionais capacitados nas escolas.

            Em relação aos alunos entrevistados, apenas vinte e sete deles não concordaram com esta maneira de expor a gramática, argumentaram que se torna muito complicada e não há um bom esclarecimento. Disseram os professores que pressionam os alunos com regras gramaticais. Afirmaram ainda que os professores ensinam a forma de aplicar, ou seja, as regras mecanicamente, mas não ensinam como deve ser aplicada na realidade diária do educando.

            Outros afirmam que a gramática deve ser mais explicada e exemplificada na oralidade, do que na escrita. Os alunos criticaram argumentando que o ensino gramatical é somente mecânico, e isso faz com que haja total desinteresse, sem ocorrer o aprendizado. Além disso, a matéria é passada rápida demais e muito mal explicada, fora de contextos. Segundo os discentes entrevistados, a gramática é somente exposta e não vivenciada.

            Diante da pesquisa realizada, pudemos comprovar que há um grande contraste entre as respostas obtidas, dos alunos, em sua maioria, e dos professores. O que se percebe, nas respostas dos alunos, é que a maioria se sente acomodado, e que não se mostra muito interessado em realmente aprender. Observe o que diz uma aluna do 1º ano do Ensino Médio:

            “Sim. Me sinto bem do jeito que está”.

            E em outras respostas dos discentes, mostraram que há uma grande preocupação em relação ao ensino da gramática.

            Evanildo Bechara (2001, p. 40) diz que: (...) “caberá ao professor e á escola como um todo transformar o aluno num poliglota dentro de sua própria língua, a portuguesa, em nosso caso” (...)

            É através da interação dos professores e dos dirigentes da instituição escolar, da reflexão dos mesmos sobre o ensino realizado, que ocorre transformações, pois o conhecimento que o aluno traz, é implícito nele, e não fruto de instrução recebida na escola. Cabe à escola, orientar e aperfeiçoar esse conhecimento já adquirido, na linguagem culta, através do trabalho contextualizado. O docente deve saber trabalhar a gramática internalizada no aluno, para levar o mesmo á educação linguística necessária ao uso efetivo do potencial do educando. Mas para isso, é preciso refletir a realidade que temos. Como ensinar gramática contextualizada, numa sala com trinta e cinco a trinta e oito alunos, como aconteceu numa das salas entrevistadas? Como deve ser a postura do professor diante dessa dura realidade?

            Na pesquisa realizada, mesmo com esses fatores negativos, notamos que a mudança do trabalho dos professores em relação ao ensino gramatical está acontecendo, porém lentamente. Foi comprovado quando uma das professoras entrevistadas relatou que: “ diante da prática pedagógica, a gramática chega ao aluno de forma fragmentada”. “A gramática só se aprende através da pesquisa e orientação em sala através de textos com elementos coesivos, e isso não está acontecendo”.

            Segundo Mário Perini (2002, p. 49) diz o seguinte:

(...) O professor de Língua Portuguesa, não pode entrar numa sala de aula, esperando que os educandos dominem parte da gramática. Para ele, o ensino gramatical, possui três defeitos que o inutilizam enquanto disciplina. O primeiro diz que seus objetivos estão mal colocados. O segundo, a metodologia adotada é seriamente inadequada e terceiro defeito, é que a própria matéria carece de organização lógica. “Diante disso o que resta, é uma disciplina da qual todos têm pavor em aprender” (...)

A gramática da Língua Portuguesa não é trabalhada aproveitando o aprendizado que está implícito no aluno. Cabe ao professor conscientizar a sua clientela, de o uso gramatical é contínuo em seu dia-a-dia e, que na escola, irá aperfeiçoar e organizar a gramática já adquirida através de produções textuais escritos e orais em sala de aula sob a orientação do professor regente. Ensiná-los de que a Língua Portuguesa é a nossa língua e devemos aprendê-la com amor.

            Dando continuidade á nossa análise, vamos á segunda questão:

  • Em sua opinião, uma pessoa que sabe gramática fala bem?

Na pesquisa realizada, entre todos os entrevistados, quarenta e oito deles responderam que uma pessoa que sabe gramática nem sempre fala bem.

            Transcreveremos o que algumas delas disseram:

            “Nem todas as pessoas falam o português corretamente, mesmo os que são formados em Letras”.

            “Nem sempre saber gramática é sinônimo de falar bem”. “Falar de maneira clara, simples, de forma que o ouvinte entenda a mensagem que se quer a transmitir, isso é falar bem”.

            “Aquele que fala corretamente o português se torna ridículo”.

            “Apenas saber como funciona a estrutura de uma língua, não significa dominá-la. É preciso saber usá-la”.

            “Falar bem vai muito além da linguagem formal, e além dos padrões perfeitos, é respeitar a regionalização e conhecimento de mundo”.

            Segundo Mário Perini (2002, p. 50) diz que: (...) “as pessoas que escrevem bem nem sempre sabem gramática (...) saber gramática não é garantia de escrever bem” (...). Falar bem segundo a pesquisa realizada é quando há uma comunicação e entendimento entre os falantes, respeitando a regionalização de cada indivíduo.

            Saber apenas as regras, não quer dizer que a pessoa saiba falar bem, é imprescindível saber usá-la em qualquer situação de comunicação, e que seja clara em cada colocação feita em sua oralidade.

            Nesta mesma questão, há trinta e cinco entrevistados que responderam positivamente; uma pessoa que sabe gramática fala bem. Observe o que disse esta professora:

            “Se ela souber empregar bem os elementos gramaticais para que seja algo coerente, mas nem todos fazem isto”.

            De acordo com a falada professora, observe a fala de Mário Perini (2002, p. 67 e 68) diz que:

(...) “para que haja comunicação é preciso que os interlocutores tenham em comum muito mais do que o conhecimento da mesma língua é necessário que compartilhem grandes fatias do conhecimento do mundo em geral (...) as pessoas se comunicam utilizando  o que  ouvem, somando ao que já sabem. E quanto menos sabem, mais difícil fica a comunicação” (...)

            É importante notar que qualquer pessoa quando fala não faz isso sem “regras”. As regras estão implícitas no ser humano. A comunicação se dá, quando há compreensão entre as pessoas.

            Não devemos dizer que uma pessoa pronuncia errado, porque não sabe gramática. A linguagem humana varia muito por diversos fatores, e alguns deles é o regionalismo e o grupo social a que pertencem seus falantes.

            Em sala de aula, depende muito da metodologia que o professor regente utiliza para ensinar a gramática e a oralidade, pois ambas estão interligadas, e é dever do regente, desenvolver essa compreensão no aluno, sendo professor de Língua Portuguesa, e, além disso, é de sua responsabilidade, desenvolver também hábitos de falar com eficiência, desembaraço e ter uma boa assimilação do conhecimento. Com isso o aluno será capaz de transformar as informações e saber se expressar por si mesmo, através de sua competência produtiva.

            Segundo Evanildo Bechara (2001, p. 48) diz que:

(...) “o ensino da língua materna deverá ter como objetivo explicitar ao aluno o sistema linguístico que ele já conhece e especialmente fazê-lo entender que a língua, além de ser um veículo de expressão e criatividade, é também instrumento de comunicação, é instrumento social e que por isso se organiza segundo as funções que deve cobrir” (...)

            Agindo assim, os alunos terão facilidade em suas produções escritas e orais, pois estarão conscientizados sobre a importância da língua materna.

            Na realização de nossa pesquisa, outra questão foi investigada.

  • Os alunos de hoje aprendem gramática?

De acordo com essa pergunta, cinquenta e cinco dos entrevistados, responderam que não. Aqui observamos que as respostas dos alunos ficaram em contraste com a primeira questão feita. Pois nessa, foi constatada que a maioria deles, concordaram com a maneira que a gramática é aplicada, e aqui, responderam que, em sua maioria, os alunos atuais em sala de aula, não aprendem gramática. Argumentaram que o ensino não é expresso direito pelos docentes. É simplesmente jogada a teoria solta, sem uma contextualização e muito mal aplicada e muito pouco exemplificada.

      Segundo uma professora entrevistada, o aluno só aprende gramática através de pesquisa e orientação em sala de aula, através de textos com elementos coesivos e gramaticalmente corretos.

      De forma geral, pelos professores entrevistados e pelos alunos dos anos entrevistados, a forma de transmissão da gramática deve ser transformada urgentemente, o docente tem que estar sempre informado para as mudanças que ocorrem na língua.

      Na metodologia que está sendo aplicada nas escolas deve ser revista, pois foi aprovado em nossa pesquisa que há um desinteresse praticamente por todos os estudantes entrevistados. E isso, porque ocorre?

      Observe o que diz Mário Perini (2002, p. 78):

(...) “Estudar gramática é simplesmente conhecer cada vez melhor o que  os gramáticos disseram. Coisa de velhos irritadiços, professores entediado e alunos desinteressados. Mas existe ainda, muita coisa desconhecida em gramática, e assim faz-se necessário grande quantidade de pesquisa, descobrindo-se novos fatos, e construindo-se novas teorias” (...) 

            Na medida em que vai-se refletindo sobre o ensino da gramática atual, vai-se descobrindo que o real sentido de ensino é a pesquisa e não simplesmente quadro, giz e voz. O professor deve ser orientador mediante sua clientela.

            Nesta pergunta (Os alunos de hoje aprendem gramática?), apenas trinta dos entrevistados, disseram que sim, os alunos aprendem gramática. Mas esse aprendizado é de forma superficial, pois na hora de usá-la na produção textual, ficam totalmente perdidos.

            Num todo dos entrevistados, a pesquisa resultou, que o ensino gramatical é realizado superficialmente e que os alunos aprendem muito mal a teoria, pois a prática da mesma, não é enfatizada, ou seja, praticada.

            Os professores têm que se conscientizar de que as regras gramaticais fazem parte da oralidade e da escrita de nossos educandos. Isso após conscientizar-se, induzir os alunos á compreensão do quanto é importante a produção textual, conscientizando-os da importância gramatical no decorrer de sua aprendizagem.

            Vamos agora, analisar a última questão formulada.

  • Você acha que a linguagem coloquial prevalece entre os falantes?

Dos entrevistados, setenta e dois deles responderam que sim, a linguagem coloquial prevalece entre os falantes, pois é a fala do povo que acompanha as mudanças modernas e será muito difícil mudar esse costume. A linguagem atual faz parte de nossa herança coloquial, mesmo estando, nos aperfeiçoando, ela sempre vai prevalecer.

            No Brasil, o que prevalece é a linguagem coloquial, ou seja, o vernáculo brasileiro, é somente essa linguagem que prevalece entre todos os falantes.

            Dos entrevistados, uma aluna do 9º ano relatou que: “é a mais utilizada, pois é menos complicada”.

            Aqui mostra que o ensino nas escolas não está sendo satisfatório, ou seja, não está indo de encontro com a realidade da clientela, ou parte dela.

            Uma aluna do 1º ano do Ensino Médio, respondeu da seguinte forma: “Sim, porque cada país tem sua cultura. Os brasileiros falam uma língua e os portugueses outra”.

            Diante desse contexto, observe o que Mário Perini (2002, p. 36) diz:

(...) “a língua falada no Brasil é chamada de vernáculo brasileiro. Assim, diremos que no Brasil se escreve em português, uma língua que também funciona como civilização em Portugal e em alguns países da África. Mas a língua que se fala no Brasil é o vernáculo brasileiro, que não se usa nem em Portugal nem na África” (...)

            Em Portugal, é comum ouvir uma criança dizer “Se eu vir amanhã devolver-lhe-ei estas velhas fitas de vídeo”.

            Na realidade no Brasil é totalmente outra, se alguém pronunciar a linguagem culta, ou seja, o vernáculo português, é tido como ridículo.

            No Brasil é normal, comum, ouvir as pessoas pronunciaram de uma forma e esta mesma frase, oração é diferente na escrita.

            Resumindo, no Brasil escreve-se a língua falada em Portugal e fala-se outra língua criada, o vernáculo brasileiro, que aprendemos com nossos pais, e é a mesma que falamos, mas não é a que escrevemos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Sabe-se que a gramática não deve ser utilizada como um fim em si mesmo, mas como um meio. O aluno não deve saber utilizá-la, e o professor deve saber como torna-la acessível aos alunos, não se atendo somente á classificação das palavras e á análise de orações, mas buscando soluções para esclarecer as várias formas de seu uso.

            A língua utilizada pelo aluno em sua variedade popular é, também, “correta”, e que, dessa forma, ele poderá continuar sua conversação descontraída e assim, manifestá-la através da escrita. A partir de sua entrada na escola, adquire uma outra variedade, a culta, que passa a empregar em situações mais formais de conversação e em aulas de redação, momento em que produz textos escritos, pode estar mais atento ao produto final, tendo reescrever e rever, se for necessário.

            Concluímos que o apego ás classificações morfológicas e as análises sintáticas pelos professores de primeiro e segundo graus, levam os alunos, a se revoltarem contra o ensino da língua materna, pois eles não veem utilidade prática imediata naquilo que estão aprendendo. Conscientizá-los de que a aceitação da variedade dos alunos leva-os ao não crescimento linguístico, pois nada de inovador será passado a eles. Os docentes devem conscientizá-los também de que a noção de variedade linguística abrirá várias possibilidades de escolha para que o aluno possa fazer uma opção, entre elas, por aquela que melhor se adeque á situação de uso. Assim o professor estará contribuindo para que seus alunos saibam se comunicar melhor e consigam superar, com mais facilidade, as barreiras sociais que lhes serão impostas no decorrer de sua vida social.

            O professor de Língua Portuguesa, especificamente no Ensino Médio, deve continuar ensinando aos alunos a norma culta da língua materna para usá-la em contextos formais que necessitam, consequentemente, o uso formal. O saber gramatical propiciará ao aluno a possibilidade de organizar textos formais na vida profissional.

            Quanto ás regras gramaticais, concluímos que estas, não devem ser impostas aos alunos, mas serem adequadas, exemplificadas, sendo ligadas ao cotidiano de sua clientela em que estes possam introspectar melhor as regras de gramática.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BECHARA, Evanildo. Ensino da Gramática. Opressão? Liberdade? São Paulo: Ática, 2001.

PERINI, Mário. Sofrendo a Gramática. São Paulo: Ática, 2002.

LOUZADA, Maria Sílvia Olivi. O ensino da Norma na Escola. In: MURRIE, Zuleika de Felice. (Org.). O ensino do português: 5ª ed. São Paulo, 2001.

STAUB, Augustinus. Perguntas e Afirmações que Devem Ser Analisadas. In: CLEMENTE, Elvo; KIRST, Marta Helena Barão. ( Orgs ). Linguística aplicada ao ensino de português. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1987.