História e Origem

Meleah

ou melaya significa pedaço de tecido. Melea sereer significa lençol ou colcha de cama. Melea laff significa pedaço de tecido enrolado ou lenço enrolado.

No século XIX e início do século XX, era um traje tradicional muito usado pelas mulheres no Egito, independente de classe social.

Nos grandes centros urbanos do Egito, como Cairo e Alexandria, esse véu era quase que obrigatório, fazendo parte da moda. Consistia em um véu preto, feito com material não-transparente (geralmente tecido grosso, escuro e pesado), enrolado ao corpo, da cabeça aos pés, como sinal de respeito e dignidade. O manto era usado principalmente quando as mulheres saíam.

Apesar de o lenço esconder o corpo, seu maior atrativo era a revelação das curvas do quadril e da cintura feita pelo tecido enrolado bem apertado em redor do corpo. Isso é bastante universal e fácil de entender: em todo o mundo os homens são fascinados pela maneira como a mulher se veste para ir à rua. Quando a moça passa por um grupo de rapazes, mesmo discretamente, recebe olhares curiosos por muitos motivos.

Um acompanhamento usual desse traje era a burka, um véu tricotado com amplos buracos, que acrescentavam mistério ao rosto, em vez de cobri-lo.

Hoje em dia, muitas mulheres baladi (do povo) ainda o usam, mas tal costume está gradualmente caindo em desuso e praticamente desapareceu das ruas do Egito.

Cairo e Alexandria

São as duas principais cidades do Egito em termos de difusão cultural.

Cairo é a porta de entrada dos viajantes europeus. Abriga o árabe islâmico, sério, internacional e intelectual. É dominada pelo rio e pelo deserto.

Alexandria é a capital de verão. Recebe o apreciador levantino, cosmopolita, sinuoso e volúvel. O vento e o mar a dominam.

À primeira vista inútil, tal dissecção ajuda a entender a influência dos fatores geográficos e culturais na formação da personalidade dos habitantes dessas cidades e, conseqüentemente, permite identificar dois estilos distintos de manifestação popular na dança.

Na década de 40, Alexandria era a principal cidade de veraneio do Egito. Os turistas eram atraídos pelas praias e pelos balneários elegantes. Nessa época o melea estava na moda e compunha o vestuário das mulheres, mas o clima quente obrigavam-nas a usar vestidos leves e o lenço deveria protegê-las de olhares maliciosos.

O Cairo era a cidade de disseminação cultural e social. Os grandes eventos ocorriam em suas ruas e nas casas de espetáculo.

O universo feminino do Cairo é superficialmente fragmentado em três facetas: a bint al-balad, a falaha e a bint al-zawat. A classificação dessas mulheres busca tão somente didatizar o entendimento do perfil de cada uma delas.

As banat al-zawat são as aristocratas, da classe alta, e são consideradas pelas banat al-balad como vulgares, tolas, fúteis e ocidentalizadas, consideram que aquelas não têm tanta honra quanto essas.

As falahin são do interior e são consideradas pelas banat al-balad como caipiras, lerdas, brutas.

As banat al-balad (filhas da terra), plural de bint al-balad, são mulheres que moram nas regiões mais antigas do Cairo, guardiãs da tradição daquela subcultura. A mulher bint al-balad usa o melea laff supostamente para se cobrir, entretanto o lenço se torna instrumento para um jogo de sedução bem inocente, pois as mulheres baladi são rigorosas quando o assunto é moral.

Figurino e Utilização de Cores

A ascenção do novo egípcio urbano de classe média chamado efendia, primeira geração de origem rural que teve acesso às vantagens da expansão educacional e oportunidades de emprego, fez com que o uso da galabia (vestido feminino) e o tarbush (chapéu masculino) fossem substituídos por roupas ocidentais, que emergiram como um marco do Cairo civilizado.

Como a galabia era a roupa das camponesas (falahin), uma egípcia citadina não poderia mais usar roupas tradicionais do interior do Egito, entretanto a classe trabalhadora não mudou seu jeito de vestir.

Hoje, as variações do tradicional e do moderno são encontradas nos grandes centros do Egito, onde a população se mistura com seus vários hábitos e atitudes revelados por meio da moda usada no dia-a-dia. Nas ruas do Cairo podemos ver beduínos do deserto do Sinai ou os núbios, com um forte senso de identidade regional, usando seus tobes brancos e turbantes. A mulher núbia, assim como a mulher do alto Egito ou said, tradicionalmente usa preto.

A bint al-balad é reconhecida não apenas pelo melea laff, mas também pela maneira bastante atrativa com que o veste. O melea é enrolado de maneira tal que o diafragma e os quadris são particularmente marcados para mostrar a beleza da figura. Pode-se também mostrar um braço nu enquanto o outro permanece coberto.

Compõem o figurino da mulher baladi: um manto preto (o melea); a burka; vestido;

Outros acessórios completam a figura da bint al-baladi: lenço de cabeça; sandália com ou sem salto, ou tamancos; jóias de ouro; kohl.

O lenço possue um tamanho grande feito em tecido grosso e pesado, que pode ser ou não bordado. É geralmente usado dobrado durante a dança. O tecido pode ser crepe chanel, crepe madame ou cetim, que é mais leve. Para o palco o melea geralmente recebe bordado com medalhas douradas ou prateadas.

Um tradicional acompanhamento desse traje é uma espécie de shador (burka) feito em crochê reto de cor preta, com amplos buracos que, em vez de cobrir, acrescentam mistério ao rosto. É diferente dos shadores tradicionais, que escondem totalmente o rosto. A burka é de uso opcional.

O vestido é feito num corte justo e curto. Geralmente na altura dos joelhos, com babados no decote e na barra. Pode ser confeccionado em tecido estampado, sem brilho ou em tecido brilhante e colorido, cortado de modo atrativo, meio aberto, meio fechado, mais indiscreto. Usualmente pode ter um corte chamado low-cut decolleté, que é um corte na parte de baixo do vestido, transpassado ou não. Algumas vezes é ornado com fitas que o fecham ou uma linha de botões que são mantidos parcialmente abertos. Remetem às roupas usadas no dia-a-dia.

Pode-se usar a galabia, numa remissão às roupas tradicionais, confeccionada em cores vibrantes e brilhosas, ajustada ao corpo.

O lenço de cabeça é obrigatório. Feito na cor branca ou brilhante, é ornado nas pontas com grandes flores que pendem como uma franja, ou com pompons feitos de lã, ou triângulos de crochê e canutilhos. Pode-se usar no lugar do lenço uma tiara de flores.

A utilização de tamancos visa pontuar o andar com atraentes toc-tocs. Quando é utilizada sandália, uma tornozeleira marca o caminhar da bint al-balad.

São utilizadas muitas jóias de ouro como brincos, braceletes, pulseiras, anéis e colares etc.

O khol é um tipo de tintura preta ou marrom, que era utilizado como proteção dos olhos contra o sol forte e como desinfetante natural. Por extensão passou para o uso cosmético, especificamente a maquiagem, e embelezador. No antigo Egito possuía também conotações religiosas. Ele é embalado em pequenos frascos de vidros.

Cabe aqui destacar:

a) a mini-saia, que, nos últimos tempos, tem sido empregada no figurino de mela laff não é um traje tradicional. Uma vez que as banat al-balad não permitem comportamento tão avançado! A moça que tenta ser moderna com relação à vestimenta é tratada como se fosse um alienígena. A indignação da bint al-balad é tanta que chega a gestos como jogar no chão a bolsa ou objetos segurados pela jovem, fazendo-a abaixar-se e expor-se ao ridículo;

b) o chiclete, que é mascado durante a dança, trata-se de doce de goma árabe.

Dança

Apesar de dançar profissionalmente não ser considerado certo, as mulheres encontraram uma maneira de realçar suas danças nas ocasiões festivas e comemorações. As mulheres de aldeia do Egito já tinham iniciado essa tradição séculos antes, quando um simples lenço para ombros ou quadril era usado para enfeitar as danças nas festas familiares para mulheres ou nos encontros exclusivamente femininos. O progressivo enrolar e desenrolar do xale, jogando-o ora nos braços, ora nos ombros, tornou-se a base para uma dança ágil, marcada e bastante vibrante.

Melea laff raks

significa dança do lenço enrolado.

A dança com melea laff é realizada pelas mulheres baladi. Refere-se à dança baladi.

Esta dança é vista somente em festividades nos distritos bem rurais e aos poucos está desaparecendo do meio da cultura do povo. Atualmente, no Egito é considerada brega.

Possue uma malícia ingênua. É concomitatemente sensual e satírica. A mulher sabe que está provocando.

A dança com melea representa a dança misteriosa mais usada para o flerte. Começava-se a dançar lentamente com o melea laff, como um instrumento de sedução, alternando o "esconde-mostra" do corpo para criar um tipo de dança provocante, ainda que totalmente coberta. Dessa maneira era propiciado um clima de grande sensualidade, ousadia, descontração e até mesmo exagero, pois vão-se revelando partes do corpo durante movimentos considerados bastante sensuais.

A dança com o melea transportada para o palco obedece à realidade do cotidiano. Busca retratar uma personagem famosa da cultura egípcia que usa seu famoso manto preto: a mulher dos subúrbios das cidades de Alexandria e do Cairo, os dois centros mais importantes do Egito.

De acordo com a separação feita a respeito do espírito dos cidadãos do Cairo e de Alexandria, pode-se afirmar que há uma tênue distinção entre o melea de cada uma dessas cidades.

Melea laff

de Alexandria

Também chamada de Skandarani ou Skendereia (significa proveniente de Alexandria), esta é uma dança de flerte, que fala da vida dos pescadores.

Como Alexandria é uma cidade portuária, a mulher é retratada como sendo forte, ligada ao mar. Ela espera pelo marinheiro dos seus sonhos ou pelo que está no mar trabalhando.

Normalmente na Skandarani aparecem bailarinos com trajes representando pescadores e que interagem com a bailarina.

Melea laff

do Cairo

A cidade do Cairo é moderna, agitada. As mulheres são um pouco mais liberais. Elas freqüentam o mercado da Khan el Khalili. A mulher suburbana usa shador para cobrir o rosto.

A melea está localizada na periferia, nos subúrbios do Cairo. Essa dança é definida como engraçada e fanfarrona. A mulher é debochada. A música é um hit parade, sucessos que fervem nos nightclubs, nas ruas e nas rádios. Usualmente um pop baladi (se é que podemos chamá-lo assim!) nas vozes de Hakim, Ihab Toufiq ou Amir Diab. Ao assistirmos a um tablot de melea no Cairo podemos identificar esses elementos.

A descrição didática visa facilitar o entendimento da personalidade e da expressão das mulheres de uma e de outra cidade.

Essas características (comportamento, modo de vida e estética) foram adaptadas, no final do século XX, por Fifi Abdo, uma das primeiras bailarinas a colocá-la em seu show solo, especificamente numa apresentação na praça de Azbakia, no Egito. Trata-se de um de seus mais famosos shows televisionados (no qual ela faz uma entrada em um guindaste).

Depois dela, a melea imediatamente foi incluída na rotina de dança de várias bailarinas que se apresentam em shows de casas noturnas e de alguns hotéis. É bastante apreciada pela platéia.

Performance

, Teatralização

O véu é um acessório como os snujs, o pandeiro, a espada etc. É necessário usá-lo como um recurso teatral.

Uma apresentação de melea laff é sempre uma encenação, uma performance, uma teatralização.

A mulher baladi com melea laff tornou-se um personagem advindo da necessidade de se criar algo novo. Por esse motivo não são conhecidos códigos reguladores para se dançar a melea.

Pode-se dançar a melea: sozinha; com um parceiro; em grupo.

As mulheres estão às vezes sozinhas, devido à ausência do marido que pesca mar a dentro por várias semanas. Algumas apresentações são de duetos, a bailarina dança com um homem (marinheiro ou pescador) que pode ser um pretendente ou o marido que retornou da pesca.

A mulher baladi é convencida, sabe o que quer. Suburbana, é desaforada, debochada. Em grupo, geralmente as mulheres estão acompanhadas pelas amigas e/ou rivais. A rivalidade é expressa por cenas de briga, que estão ligadas à soltura do melea, ao agarrar dos cabelos e aos xingamentos.

Mahmoud Reda, famoso coreógrafo egípcio e criador do Grupo Reda, na década de sessenta, pela primeira vez apresentou essa fórmula no palco: a interação das pessoas com o mar (representado fisicamente por um longo véu) e o flerte sutil entre os grupos masculino e feminino. As bailarinas deixavam o palco para soltar o melea, retornando rapidamente, enquanto os moços exibiam suas armas. Eram esquetes sobre a Alexandria.

No Brasil

Em 1998, Soraia Zaied, em seu vídeo didático sobre folclore egípcio, forneceu a primeira definição, ainda incipiente, do que era tão comum para o povo egípcio. Dessa forma, iniciou-se um despertamento para buscar entender a personalidade e a expressão cultural do povo do Egito.

Música e Ritmo

Seguindo a premissa de que uma apresentação de melea laff é sempre uma encenação, uma performance, uma teatralização, não podemos estabelecer modelos fixos ou padrões rígidos.

O mesmo vale para a música e o ritmo utilizados.

O que pode-se fazer é estabelecer parâmetros a serem seguidos, mas que não chegam a ser rigorosos.

A música pode ser a tradicional, que fala de amores exarcebados, ou a moderna (popular), que canta o cotidiano e os sentimentos como amor e alegria.

Em algumas fontes consultadas, o ritmo aconselhado foi o fallahi ou malfuf num modo mais acelerado, entretanto como a dança está ligada às mulheres baladi e refere-se à dança baladi, seria oportuno aplicar o uso do baladi ou do maksoum, ritmos considerados mais populares e mais alegres.

COREOGRAFIA E GESTUAL ENVOLVIDO

No Oriente Médio, a melea laff faz parte integral do baladi egípcio.

Nos registros em vídeo, a bint al-balad aparece solteira em busca de um marido e ao lado de várias amigas. Ela gosta de sair para fazer compras e, assim, tem oportunidade para flertar com os rapazes.

Baseando-se nessas informações, a melea laff foi desenvolvida como uma dança que obedece à linguagem delicada do flerte, usada para paquera, para conseguir um marido. O tecido é usado cobrindo e descobrindo o corpo, criando um tipo de dança misteriosa, provocante e sedutora, ainda que totalmente coberta.

Para montar um número de melea laff é importante conhecer os traços marcantes da personalidade da mulher baladi, de modo geral, e da de Alexandria e do Cairo, em particular.

É bem típico dessa mulher: ser alegre, simples e brejeira; gesticular muito ao falar; balançar os seios e a cabeça.

Não é muito delicada na sua maneira de ser, ao contrário é bastante exagerada nos gestos.

Na realidade, ela gosta também de brigar e falar alto para impor suas idéias. É muito comum ver acontecer corriqueiramente nas ruas do Egito uma luta chamada Rad-h, envolvendo essas mulheres em uma discussão que, quase sempre termina em agressão física.

Melea laff

de Alexandria

As moças da cidade de Alexandria são conhecidas e admiradas em todo o país por sua beleza, charme e força. Independentes, costumam andar sozinhas, devido à ausência prolongada dos homens locais por motivos de trabalho. Elas devem se defender dos turistas que invadem suas praias em busca de diversão. É muito comum um homem atrevido receber golpes de tamanco ou de lenço, caso a moça se sinta ofendida com um gracejo inconveniente.

Talvez, por isso a melea da Alexandria seja mais discreta e o lenço é trabalhado mais cuidadosamente.

As músicas geralmente apresentam um momento especial para a dança masculina de Port Said (outra cidade litorânea do Egito). Uma espécie de disputa com punhais a fim de demonstrar virilidade e habilidade marcial. As letras traçam um retrato do cotidiano dessas pessoas e geralmente falam do mar. São exemplos, Benet baharei (filhas do mar) e Benet skanderia (Filhas da Alexandria).

Melea laff

do Cairo

As baladis do Cairo, ao saírem às ruas, andam coquetemente, de tal modo que seus quadris parecem rolar e balançar ao ritmo do som de suas sandálias ou tamancos, de seus braceletes e dos pequenos plocs das bolas de gomas de mascar. Apesar da expectativa de que o melea sirva para escondê-las da cobiça de olhares mais impertinentes, ele é usualmente deixado frouxo o suficiente para escorregar, bem como o lenço de cabelo. Assim a bint al-balad terá que parar no meio da rua, tirar e reamarrar o lenço de cabeça e re-enrolar o tecido em volta de seu corpo, performando, com isso, uma série de gestos fascinantes que certamente atraem a atenção dos transeuntes.

Esses movimentos foram a fonte para estruturar o jeito de dançar uma melea do Cairo: caminha, pára, arruma o lenço de cabelo, enrola o melea, caminha, e assim sucessivamente.

De modo geral, os pés devem estar totalmente no chão, pois é uma representação de personagens do povo de uma forma simples. Os movimentos de quadril são pesados, ainda que graciosos e saltitantes.

Como não há um repertório rígido de passos, pode-se agregar elementos de várias culturas como a brasileira, desde o samba, o axé, o carimbó, o sertanejo até o forró.

A bailarina entra, sem pedir licença, enrolada num lenço preto que de vez em quando é aberto e deixa vislumbrar o fascinante movimento que seus quadris provocam no vestido brilhante e tremeluzente.

O lenço pode ser: deslizado intencionalmente durante a dança e então novamente rearrumado no corpo; apoiado nos braços; envolvido na parte de trás dos braços, antagonizando-se a eles; girado no ar; rodado alternadamente (as pontas); amarrado ao quadril, reproduzindo as mulheres locais na realização de suas tarefas domésticas; e jogado de lado, afinal não há preocupação em exibir o corpo nesse contexto.

É necessário à bailarina que: seja extremamente carismática, muito charmosa e graciosa; realize brincadeiras e gracejos; saiba enrolar, desenrolar e manusear o véu de maneira correta; simule um flerte com seu público.

Para compor o jogo cênico de uma dança com melea, pode-se: fumar a tradicional shisha; bater os saltos dos tamancos juntos; rebolar de forma provocante; usar shador ou burka (feito em crochê) para cobrir o rosto na entrada e depois dispensá-lo, ou permanecer com ele até o final; mascar chicletes ou doce de goma; falar palavras soltas em árabe no meio da música ou cantar junto (recomendado para que tem conhecimento da língua ou pelos menos da letra da música em questão); emitir zagreeta (tradicional grito de exaltação da cultura oriental); simular uma cena de briga ou luta entre mulheres.

Diante dos dados oferecidos até agora, talvez seja mais fácil entrar no espírito da melea laff, uma dança que obedece à linguagem delicada do flerte e aos códigos mais que especiais.

Melea laff

e folclore

Nos últimos tempos tem havido uma discussão a respeito de a dança com melea laff ser ou não folclórica.

De acordo com o Dicionário Houaiss de língua portuguesa, folclore trata do conjunto de costumes tradicionais, crenças, superstições, cantos, festas, indumentárias, lendas, provérbios, manifestações artísticas em geral, preservado, através da tradição oral, no seio de um povo ou grupo populacional.

Recentemente, algumas bailarinas têm divulgado a idéia de que seria uma dança tradicional egípcia, entretanto Rossam Hamzy, famoso percussionista egípcio, afirma que não há nenhuma dança tradicional de melea laff e que, portanto, não se trata de uma manifestação folclórica.

É claro que, devido às exigências de sempre se apresentar algo novo nos shows, a melea laff foi utilizada como uma encenação, uma performance, uma teatralização, e a mulher baladi com o melea tornou-se o personagem principal dessa peça.

Diante do fato de o melea, aqui descrito como um tipo de roupa, estar gradualmente caindo em desuso e praticamente desaparecer de algumas cidades do Egito, e de a melea laff ser somente vista em festividades nos distritos bem rurais (interior) e estar aos poucos se extinguindo do meio da cultura do povo, não é ousado ou errôneo afirmar que a dança com o véu enrolado já alcançou o patamar de dança folclórica.

É folclore porque representa, de uma forma simples, personagens ligados à raiz e à expressão cultural do povo egípcio.

Referências

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Revisado por Editor do Webartigos.com