Pensa no meu desespero:

“Nutri, criança pode comer ovo todos os dias?”
“Nutri, tem problema comer a pele do frango?”
“Nutri, faz mal comer carambola?”

Essas dúvidas são frequentes e totalmente genuínas, bem como minha preocupação.
Basicamente, a minha pergunta é: em qual situação pode ser uma má ideia um ser humano comer COMIDA? Comida de verdade. Estou falando de tudo que vem da terra ou de animais que consumimos em geral. Quando a COMIDA não seria uma boa ?

Eu estou falando disso (aqui, o meu desespero, e talvez até uma certa tristeza seja melhor pra explicar) porque não se vê esse tipo de preocupação quando o assunto é deixar uma criança chupar o pirulito que pinta a língua de azul umas dez mil vezes por dia, quando a mãe compra um pacote gigante e deixa ao alcance dela no armário da cozinha. Também não há cuidado nenhum ao cogitar um jantar rápido com macarrão instantâneo dezenas de vezes ao mês, porque “não deu tempo de fazer nada mais adequado”. Da mesma forma, o consumo diário de 500ml de refrigerante no almoço e mais 500ml no jantar não costuma tirar o sono de ninguém.

Do que afinal você tem medo? E a pergunta mais importante: Como nos livrarmos desse medo? Como deixar de ter tanto medo de comer? Como colocar algo no prato, sem dia marcado na semana, e comer sem pensar em quantas calorias tem e se aquilo vai me engordar nos próximos 5 minutos?

Penso que a saída esteja no conhecimento. Em não acreditar em qualquer blogueirinha que escolheu um produto que a patrocinou ou mesmo a vizinha que “acha” que tal coisa funciona pra dar aquela desinchada na segunda-feira.

É preciso entender que não é porque uma condição específica, normalmente a ocorrência de uma doença, limita a ingestão de um tipo de alimento a uma certa população que tal alimento representa risco em si.

Um pedaço de bolo, por exemplo. Todo recheado com um belo creme açucarado e pedacinhos de fruta, uma boa cobertura com uma textura incrível. Talvez um diabético, ao consumir um pedaço desse bolo, passe muito mal. Talvez ele tenha uma crise terrível e precise, até mesmo, ser hospitalizado, por conta da sua situação de saúde.

Já uma pessoa saudável, com um objetivo de emagrecer, ou com o objetivo de hipertrofia, porque ela não poderia comer um pedaço de bolo? Porque aqui, o bolo parece um vilão terrível que devora cabecinhas de crianças?

Para a população geral, vale a máxima: COMIDA DE VERDADE NÃO É PERIGOSA e deve ser preferência absoluta.
Uma cena com mais alimentos de verdade (frutas, verduras, legumes, carnes, frango, peixes, castanhas) e menos produtos alimentícios (qualquer um que venha numa embalagem cheia de ingredientes adicionados, via de regra, funciona melhor independente da idade.

Não importa se você tem 20, 30, 60 anos. Comer bem vai te trazer (SEMPRE) pelo menos um benefício a mais do que você esperava.

Nathália Vieira Nutricionista @nathy.vieira.nutri  – CRN 22268