Nikelly Mº Alves da Silva, Cícero José da Silva, João José Batista Filho. 

Graduando(a) em Letras – Inglês / Faculdade do Belo Jardim – FBJ

 [email protected],  Supervisor do PIBID / Faculdade do Belo Jardim – FBJ/

[email protected], Coordenador do subprojeto de Letras / Faculdade do Belo Jardim – FBJ / [email protected]

 

Introdução

 

As Literaturas Africanas de Língua Portuguesa são ainda jovens, com aproximadamente, 160 anos de existência. Apesar de os primeiros textos datarem da segunda metade do século XIX, só no século XX, na década de 30 em Cabo Verde (com Claridade), e nos anos 50 em Angola (com Mensagem), é que essas literaturas começaram a adquirir maioridade, se descolando da literatura portuguesa trazida como paradigma pelos colonizadores.

 A grandeza de uma literatura, ou de uma obra, “depende da sua relativa atemporalidade e universalidade, e estas dependem por sua vez da função total que é capaz de exercer, desligando-se dos fatores que a prendem a um momento determinado e a um determinado lugar.” (CARDOSO, 2006, p.53)

            Neste segmento, o presente trabalho traz um pouco mais da grade de conhecimentos que a África concede através dos escritos por meio do olhar de Agostinho neto e de suas ideias apresentadas na escrita da Literatura Lusófona.  Os conceitos que são apresentados nessa Literatura ajudam a reconhecer as raízes da sociedade africana pós-colonial, sendo ela afetada pelos portugueses, e a busca pela a liberdade e a necessidade de lutar, de sonhar, pela independência. De reconquistar a identidade angolana apesar da presença do colonizador.

Por isso, o presente trabalho tem como objetivo analisar a construção da identidade e a voz de liberdade angolana nas poesias as poesias de Agostinho Neto, realizando uma reflexão cultural sobre a história de um país africano lusófono através de sua literatura, para assim, apresentar as imagens poéticas das vivências do homem angolanos. Neto traz o reconhecimento de que nunca se está só, de que não se pode ignorar a presença do outro, mesmo que o outro reduza suas possibilidades de ser.  

Justifica-se a pesquisa pela necessidade existente de trabalhos acadêmicos que explorem a cultura afro de forma objetiva e direta como fonte de informação, formação e herança cultural presente na sociedade brasileira. A literatura africana de língua portuguesa quando ensinada nas escolas e proliferada na sociedade é um instrumento de desconstrução de conceitos pré-estabelecidos sobre a cultura afro, tornando assim, uma forma de combater ao preconceito. Além disso, a pesquisa tem um desdobramento no ensino, pois é mais um painel de desenvolvimento cultural a ser apresentado em sala de aula, justificando a lei 10.639/03 que versa sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, ressalta a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira.

 

Metodologia

A presente pesquisa é de caráter bibliográfico, pois se constrói através da revisão da literatura. A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites. Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto.

 

A pesquisa bibliográfica foi realizada em quatro momentos:

  • ·         A primeira busca utilizou alguns livros de literatura africana de língua portuguesa com ênfase no autor Agostinho Neto.
  • ·         A segunda foi realizado um levantamento inicial totalizado em 9 artigos. Todos os resumos destes artigos foram lidos e analisados, buscando-se os uni termos: material informativo; folhetos; cartazes; cartilhas educativas; e manuais de orientação. Esta seleção resultou num total de 5 artigos.
  • ·         A terceira foi feito pesquisas bibliográficas em web sites.
  • ·         Foi feito a análise da poesia do autor Agostinho Neto Esperança da liberdade no a manhã.

 

       Para revalidar a representatividade da pesquisa bibliográfica realizada, utilizamos a poesia do autor a qual ele trabalha a esperança da liberdade no a manhã.  O trabalho em tela foi elaborado no intuito de mostrar a Poesia Africana de Língua Portuguesa trabalhando o autor angolano Agostinho neto e sua poesia de forma que o leitor conhecesse mais sobre o que o autor angolano propôs passar em suas obras poéticas quando se trata da libertação do seu povo por um país independente. Nessa perspectiva, buscamos, em livros e pesquisas na internet, o conteúdo necessário e objetivo para o conhecimento literário do leitor sendo assim todos esses recursos foram utilizados como embasamento para que pudéssemos sanar todas as possíveis dúvidas que viessem   a surgir.

 Resultados e discursões

Poeta da hora revolucionária, combatente da luta anticolonial, primeiro presidente da República Popular de Angola, sua obra, ultrapassando os limites da história literária, confunde-se com a própria história recente do país. Condicionada pelas dificuldades do momento em que foi escrita, tanto a construção, quanto a publicação desta obra se dão de forma esparsa e irregular. A poesia de Agostinho Neto é uma poesia engajada que apresenta as imagens poéticas das vivências do homem angolano. Mas ele não fala só do passado e do presente, mas também da busca, da preparação do futuro. A poesia de Agostinho Neto fala da necessidade de lutar, de sonhar, de lutar pela independência. É preciso lutar por uma nova Angola, reconquistar a identidade angolana apesar da presença do colonizador.

 

Adeus à hora da largada

Minha Mãe

 (todas as mães negras

 cujos filhos partiram)

tu me ensinaste a esperar

como esperaste nas horas difíceis

Mas a vida

matou em mim essa mística esperança

Amannã

entoaremos hinos à liberdade

quando comemorarmos

a data da abolição desta escravatura

Nós vamos em busca de luz

Os teus filhos Mãe

(todas as mães negras

cujos filhos partiram)

Vão em busca de vida.

(“Adeus à hora da largada” do livro Sagrada Esperança)

 

       A poesia de Neto traz o reconhecimento de que nunca se está só, quando ele fala que entoaremos hino a liberdade inicialmente, o primeiro poema mostrará a dor de ter que abandonar a sua pátria em um momento em que a guerra parece perdida. Os laços que nos unem a esses povos nos ajudam a entender e refletir sobre conceitos ligados a sociedades que se viram, por muitos anos, sob domínio de colonizadores.

     O autor valoriza muito a questão do ‘’ser’’ e do outro, de que não se pode ignorar a presença do outro, mesmo que o outro reduza suas possibilidades de ser. O outro, nas palavras de Agostinho neto, mistura-se ao Eu-angolano, define-o, mas não lhe rouba as origens.  É relevante notar que, em virtude da opressão submetida a esses povos, surge uma necessidade de sonhar. A fantasia utópica, primeiramente subjetiva, pode sim passar para a esfera da objetividade.  Desse modo, o poema que estar sendo trabalhado neste artigo demonstram que a utopia é um elemento importante para a transformação de um presente insatisfatório.

 

 Conclusão

       O presente artigo buscou apontar a importância do que é a literatura e a sua verossimilhança, no intuito de dar ênfase ao assunto que ora emerge, observaremos o universo literário, tido como arte  mostrando um pouco da riqueza literária que se tem na       África, que por muitos ainda é desconhecida, nesse percurso foi  feito uma análise através do poema selecionado, discutimos o conceito de utopia, a presença da imaginação e a função social da poesia tendo como pano de fundo a voz de um sujeito ficcional guiado pelas mãos reais de Agostinho Neto. A construção do poema nos apresentou um sujeito poético envolvido com a realidade que nos apresenta.

         Compreendendo o que seria uma leitura literária logo que para que o leitor compreenda e se estimule a imaginação, uma vez que, para entendê-la é necessário que o mesmo imagine e veja-se naquela história, identificando como outros mundos são criados, seres diversos, através de suas ações, pensamentos e emoções. Houve também, a busca da análise do autor Agostinho neto e o estudo sobre sua biografia e seu olhar sobre a literatura africana de língua portuguesa onde o mesmo foi um dos mais importantes colaboradores com suas obras magnificas dando ênfase em seus em seus poemas onde o mesmo preza pelo o direito de igualdade entre os angolanos. Agostinho neto trata o tema Libertando-se através da poesia", tendo afirmado que a ausência da liberdade deu ao "poeta maior" o sentido revolucionário como homem e artista, contra a opressão vivida antes da independência do país a referência à “pátria-mãe” tanto na hora de partir como na de chegar prova que, apesar da presença forte do colonizador europeu, todos os nativos têm algo em comum: a sua mãe, as suas origens. A invocação da “mãe” revela um grito de afirmação da existência de uma identidade angolana. Depois de um período de desenraizamento cultural, voltam-se os olhos para aquilo que lhes prende à sua pátria: as suas raízes.

        Portanto, com a elaboração dessa pesquisa, houve a conclusão de que o estudo da literatura africana de língua portuguesa em especial a ‘’ poesia’’ é relevante em diferentes aspectos, e esse conhecimento possibilita um novo olhar sob essa cultura, pois promove uma reflexão que é de extrema importância, já que se trata de bases socioculturais nus estudos literários Africanos dos países estudados.

Agradecimentos

          Agradeço ao professor Cícero José da Silva por toda orientação e disponibilização para que eu concluísse o presente artigo com sucesso.

 

 Referências Bibliográficas

COELHO, Teixeira. O que é utopia. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1981