O artigo objetiva explicar a diferença entre os termos língua e linguagem que são constantemente confundidos no que diz respeito à Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

Ainda é possível encontrar essa confusão de termos em alguns teóricos e também nas propagandas eleitorais, matérias de jornais e revistas, indicação de classificação etária de filmes, escolas, eventos, congressos, entre outros.

Para tanto, podemos conceituar língua como um conjunto de palavras organizadas por regras gramaticais específicas. É uma convenção que permite que a mensagem transmitida seja sempre compreensível para os indivíduos de um determinado grupo. A língua pode variar de acordo com a região, com o grupo social, a cultura, entre outros fatores, como por exemplo, a língua portuguesa, língua inglesa, língua francesa, etc.

Desse modo, para que a língua seja entendida não basta simplesmente conhecer o significado das palavras, uma vez que é necessário aprender e entender a gramática, ou seja, as normas que regem aquela língua.

Diferentemente da língua, podemos conceituar a linguagem como o ato de se comunicar com alguém, ou seja, a transmissão da mensagem. É a capacidade de comunicar ideias, pensamentos, opiniões, sentimentos, experiências, desejos, informações, etc. A linguagem pode ser classificada de diversas formas como: verbal, não verbal, mista e digital.

A Língua de Sinais antes de 2002 não era reconhecida enquanto Língua, mais como linguagem. Entretanto, apesar da língua estar na linguagem, a diferença primordial entre esses termos é que a língua é uma estrutura gramatical, disposta por meio de regras gramaticais próprias de acordo com cada país.

Nesse sentido, a Língua de Sinais Brasileira tem esse caráter reconhecido no Brasil, por meio da Lei 10.436 de 24 de abril de 2002, que a reconhece como Língua e a torna a segunda oficial do país. Sendo assim, o usuário da Língua Brasileira de Sinais é bilíngue, tendo ela uma estrutura gramatical própria com todos os requisitos de uma língua e podendo ainda exprimir qualquer situação por meio dos sinais.

De acordo com SASSAKI (1997), cada Língua de Sinais, dependendo de sua nacionalidade têm seu conjunto de signos, utilizados convencionalmente, dentro daquela língua.

Para Aurélio (2001), a Língua Brasileira de Sinais possui sua própria institucionalização dos signos e também de uma gramática constituída a partir de elementos organizados nas palavras ou itens lexicais: o conjunto de palavras da língua, que se estruturam a partir de mecanismos morfológicos, sintáticos que apresentam especificadamente, mas seguem também princípios básicos gerais.

Segundo Koslowski (2000), o léxico pode ser definido, como o conjunto de palavras de uma língua, e especificamente, no caso da LIBRAS, as palavras ou itens lexicais são denominados sinais o que não deve ser confundido com saber o alfabeto de LIBRAS que é apenas a soletração das palavras.

Conforme tudo que foi exposto anteriormente, a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), é considerado um idioma, pois possui estrutura gramatical própra, além de ter sido regulamentada na lei como idioma do nosso país.

 

Referências Bibliográficas

 

BRASL. Lei 10.436 de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm>. Acesso em: 25 de Julho de 2022.

GESSER, A. LIBRAS? Que língua é essa? São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

KOSLOWSKI, L. A educação bilíngüe para surdos: modelo bilingüe/bicultural na educação do surdo. In: V seminário Nacional do INES – Surde: Desafios para o próximo milênio. Anais. Rio de Janeiro: INES, 2000, p. 47-52.

NEVES, Flávia. Linguagem, língua e fala: qual a diferença?. Disponível em: . Acesso em: 25 de Julho de 2022.

SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de janeiro, WVA, 1997.

VASCONCELOS, Andressa. Língua e linguagem: Qual a diferença?. Disponível em: . Acesso: 25 de Julho de 2022.

Disponível em: http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=terminology Acesso em:

Disponível em: https://www.libras.com.br/libras-e-lingua-ou-linguagem  Acesso em: 25 de Julho de 2022.

Disponível em: https://www.handtalk.me/br/blog/linguagem-de-sinais/ Acesso em: 25 de Julho de 2022.

Disponível em: https://www.librasol.com.br/por-que-a-libras-e-lingua-e-nao-linguagem-de-sinais/  Acesso em: 25 de Julho de 2022.

LAURA TATIANY SOUSA LUCIANO GODOI- Graduada em Pedagogia (UFR); Especialista em Altas Habilidades (FAVENI) e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.

LIDIANE DA SILVA XAVIER - Graduada em Pedagogia; Especialista em Educação Infantil e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis. 

NOEMI BRAGA DE REZENDE- Graduada em Pedagogia e História (FALBE e UFMT); Especialista em Psicopedagogia (UNIGRAN) e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.

RAQUEL SANTOS SILVA - Graduada em Letras; Especialista em Educação Infantil e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.

ROSANGELA ALVES DA SILVA ARAÚJO- Graduação em Pedagogia (UFMT); Especialista em Psicopedagógico Afirmativo e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.

VALQUIRIA RODRIGUES DIAS- Graduada em Pedagogia (UFMT); Especialista em Psicopedagogia (UNISERRA) e professora na Rede Municipal de Ensino Público na cidade de Rondonópolis.