Comentário sobre a obra Miséria da Filosofia
Editora Expansão Popular
1ª Edição – São Paulo – 2009
Tradução de José Paulo Neto
Origem- Autor Karl Marx ( em resposta à Filosofia da Miséria de Pierre – Joseph
Proudhon(1846).


Karl Marx - pensador alemão X Proudhon - pensador francês


   Essa Obra originou-se na solicitação feita pelo Proudhon ao Karl Marx, na qual ele queria que o companheiro pensador fizesse uma critica a sua obra: Sistema das contradições econômicas ou Filosofia da Miséria, aonde o autor discorre sobre economia e suas nuances conforme o próprio Marx na pag. 18 (…) intenta, de forma detalhada e sistemática, “uma síntese entre o capitalismos e o socialismo(...).


   Vejo neste confronto Miséria da filosofia, uma grande exposição de ideias e de extrema importância para pesquisadores, e em especial para mim estudante de sociologia, disciplina completa e de visão aberta a possibilidades. A obra promove com Marx em seus argumentos contra o criticado, um encontro com citações de grandes pensadores como Adam Smith, Ricardo, Hegel, kant e outros, todos acionados por Marx para endossar sua oposição às declarações do outro autor, discuti sobre o valor das coisas, utilidade e preços, livre arbítrio,
propriedade privada, lucro e salário, desigualdade social e governos.


   Surge desse embate frases que ainda são atuais como :
“A maioria das coisas só tem valor porque satisfaz às necessidades engendradas pela opinião. A opinião sobre as nossas necessidades pode mudar;(...). O produto oferecido não é, em si mesmo, útil. É o consumidor que constata a sua utilidade,(...)” pag. 54.


   Embora essa produção seja enriquecedora para qualquer um que dedique um tempo em estuda-la, não é um assunto de fácil entendimento. E aqui exponho a minha opinião totalmente pessoal: existem valores que devemos dar atenção e que não são referenciados na obra, pois estão longe do objeto de discussão e do motivo da discussão, mas que estão presentes e esquecidos na obra, valores que ululam na atualidade : “A forma como o critico refere-se ao criticado”. O assunto, humano e humanidades e tudo mais que envolva ações e reações a seus fazeres devem ser discutidos com tolerância e respeito pela opinião do outro, levando em consideração que quando se trata de fazer humano todos estão com a razão e, ninguém está certo, mas, na busca.
       

   Em sua critica o pensador Marx trata o Sr. Proudhon (como ele assim se refere) com desprezo e taxa-o de diversas maneiras, demonstrando não considerar o outro pensador como um contribuidor para o avanço do mundo das ideias. O Crítico em uma carta a outro escritor J.B. Schweitzer, ( pag.267) refere-se a outra obra do Proudhon: “(…) demonstra o cinismo próprio de um cretino”.


   Não sou o mais indicado, ou sequer, o menos indicado para opinar sobre essa critica, mas o que mais chamou a minha atenção foi a carta enviada pelo criticado, em resposta à solicitação feita por Marx com o objetivo de que se tornassem correspondentes secretos, após aceitar ser correspondente faz ressalvas e entre elas nas páginas 239/240 a seguinte :

    “(...) Mas, por Deus!, depois de demolir todos os dogmatismos a priori, não sonhemos, de nossa parte, com a doutrinação do povo.(...) Aplaudo, de todo coração, a sua ideia de confrontar todas as opiniões; estabeleçamos uma polêmica boa e leal; (…) Acolhamos, estimulemos todos os protestos, desencorajemos todas as exclusões, todos os misticismos. Não consideremos, jamais, uma questão como esgotada.(...) se for preciso, recomecemos, com
eloquência e ironia. Com essas condições, entrarei com prazer na sua associação; sem elas não!” 

   Nesta carta me comprazo por identificar nestas frases algo de educador, de filosofo e de sociólogo, coisa que pretendo ser um dia, nesta ou noutra vida.

Jailton 09/2016