Institucionalização da questão ambiental

É impressionante como um assunto difuso, dá trabalho para cair em uso, e mais impressionante ainda é quando delegamos nossas responsabilidades e buscamos salvadores  da pátria.

Conforme a revista iberoamericana de economia ecologica - vol. 05,(2006):

"O novo processo de institucionalização da questão ambiental no Brasil caracteriza-se pela formatação de instrumentos de regulação norteados pelo conceito de desenvolvimento sustentável." https://www.raco.cat/index.php/Revibec/article/view/57896 

Foi necessário a institucionalização, por falta de uma consciência individual. Ainda temos muito o que caminhar, mas essa estrada se torna mais longa se fixarmos o olhar unicamente em nosso micro-mundo, ignorando o tamanho do planeta onde estamos, ou o contrário, já que um está intimamente ligado ao outro. Não me canso em dizer que, se essa moral atingisse a todos, seria diferente o nosso debate, entretanto, somos belos por sermos diversos e, como em todos os assuntos, há os prós e os contrários, mas isso cria uma larga estrada para os sem opinião. Como se não bastasse, ainda há o surgimento de vertentes com opiniões divergentes nas formas de blindar o meio ambiente contra a degradação.

Conforme a Doutora Suzana M. Pádua, (Doutora em Educação ambiental) existem duas vertentes ambientalistas, a conservacionista e a preservacionistas.  A doutora, apresenta nomes de precursores dessas ideologias: John Muir, preservacionista, proprietário rural, explorador e escritor escocês-americano, que teve papel fundamental na criação das primeiras áreas protegidas americanas e que é considerado um dos fundadores do movimento conservacionista moderno (viveu entre 1838 e 1914), e cita como importante nome no conservacionismo o silvicultor, acadêmico, filósofo ambiental e conservacionista estadounidense, Aldo Leopold ( viveu entre 1887 e 1948). Para a doutora Suzana esses termos têm o seguinte significado:

“(...) Com o correr do tempo, o preservacionismo tornou-se sinônimo de salvar espécies, áreas naturais, ecossistemas e biomas. Tende a compreender a proteção da natureza, independentemente do interesse utilitário e do valor econômico que possa conter.

“(...) Já a visão conservacionista, contempla o amor pela natureza, mas permite o uso sustentável e assume um significado de salvar a natureza para algum fim ou integrando o ser humano. Na conservação a participação humana precisa ser de harmonia e sempre com intuito de proteção". Doutora Suzana M. Padua (https://www.oeco.org.br/colunas/suzana-padua/18246-oeco-15564/ ) acesso em 26.11.18.

A preocupação com o meio ambiente já é matéria que ocupa  mentes pensantes a muito tempo, talvez a diferença em relação à contemporaneidade esteja na possibilidade de, o que fazer ontem e o que fazer hoje. Que tecnologia existia que pudesse poupar o meio ambiente sem castigar o humano? A exemplo disso, temos a cidade de Cubatão que ao experimentar a produção em escala, chegou a ser considerada e taxada de “ O vale da Morte”, mas como era e o que é hoje? Seria diferente se não houvesse a institucionalização do fazer ambiental?

Conforme reportagem de Camilla Costa, enviada especial da BBC Brasil a Cubatão (SP) 10/04/2017:

“Apenas 10 anos depois, no entanto, Cubatão foi reconhecida na Conferência sobre o Meio Ambiente da ONU, Eco-92, como símbolo de recuperação ambiental. Com a imposição de medidas de controle, como instalação de filtros nas chaminés, as emissões de poluentes chegaram a cair 90% e, com elas, os números de pessoas com doenças respiratórias e de bebês comprometidos”.https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39204054 acesso em 26/11/2018

Sempre temos na história, alguém para falar de Deus, de justiça e também de meio ambiente, e o desafio é: “o que fazer e como fazer”, além da forma de como se concebe e como era concebido o termo meio ambiente. A questão é que, até chegar a tecnologia adequada para barrar uma degradação, a própria degradação somada à cultura, já se enraizaram e suscitaram céticos no poder de reação humana e do planeta.  

De acordo R. Kerry Turner,1987, (apud Flávio Tayra - *Mestre em Economia e doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-SP. http://www.ecors.com.br/artigo-19.htm), existem quatro tipos de visões preservacionista são elas: Ecocentrismo socialista; Ecocentrismo extremado; Tecnocentrismo complacente; Tecnocentrismo extremado. Dando-nos a ideia de, o quão complexo é a consciência ambiental.

Ecocentrismo socialista: Baseia-se em restrições ao crescimento, com alterações nos padrões contemporâneos e uma economia mais descentralizada, desonerando os recursos.

Ecocentrismo extremado: É ligado ao preservacionismo radical, ou seja, à submissão de todas as atividades humanas aos princípios de preservação, incorporando a biótica, isto é, priorizando o respeito à biosfera.

Tecnocentrismo  complacente: Idealiza a manutenção do desenvolvimento com equilíbrio ecológico a partir da inserção de práticas de planejamento e gerenciamento dos recursos naturais.

Tecnocentrismo extremado: Firma-se no livre  mercado, acreditando que  aliado às constantes inovações tecnológicas, poderia substituir fatores inadequados à produção, chegando  à sustentabilidade sem esgotar os recursos naturais.

O questionador de práticas danosas ao meio ambiente tem pressa, busca mostrar e medir força com o fazer costumeiro, mas se decepciona quando enxerga que o seu discurso é inócuo e que uma certa categoria é imune a ele, sem falar que outras questões, se não abordadas em sua plenitude, ajuda a perpetuação das práticas danosas. Então justifica-se  a institucionalização do pensar ambiental, já que uma questão cultural, só se resolve com uma aculturação.

Trava-se embates e debates, como o clube de Roma em 1968, a conferência de Estocolmo em 72, a Rio/92, Kyoto em 97, e outras..., todos obedeceram à sua época , mas antes disso também havia preocupados com a degradação do ambiente natural, entretanto, eram denúncias que soavam como profecias, indicavam um desastre futuro e  se debatia com setores com “opinião já formada”, ou sem opinião nenhuma, que ao receber aquele pensamento, só conseguia ver prejuízos.

Hoje, a discussão se amplia pelo fato de haver meios, e incentivos para a criação de formas que degrade menos, que polua menos e descobertas de indícios  visíveis, que o planeta quer atenção. O ensejo demonstra a ululante urgência da criação de uma nova cultura, mas essa, já está em curso... Ecos solitários do passado, na atualidade, ganham comunidades e encontram formas de se fazer ouvir. Entretanto, a  pressa e os debates em prol do bem tratar o planeta e seus habitantes, confundem-se com ambição de poder, trazem a tona discursos inflamados que se justificariam melhor no tempo da revolução francesa, momento que trouxe a criação dos termos direita e esquerda, os quais hoje, apenas servem de trampolim para conquista e manutenção de poder.

Essa discussão que personifica as diferenças no poder de aquisição e oportunidades na vida humana,  também está incutida na discussão do meio ambiente, no entanto, quando exposta no atual cenário, afasta possibilidades de fazer caminhar juntos, a justiça social e a proteção ambiental, porque quando misturados, causas sociais, ambientais e econômicas, são como a mistura de calor, combustível e comburente, a explosão é certa, pois, somos movidos pelo sentimento do ter, incutido em nossas mentes pela malvada forma de capitalizar.  Daí, voltamos a identificar os benefícios da institucionalização da questão ambiental, doutrinando, criando regras comuns, mas com abordagem atual, que pretende intermediar e equilibrar as forças entre produção, lucros, avanços sociais e meio ambiente.

Conforme a  lei 9.975/99  da Política Nacional de Educação Ambiental:

Art. 1o Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.

Art. 2o A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.

Não nos enganemos, pois, assim como o filósofo Diógenes de Sínope, em sua época , andava com uma vela acesa procurando um homem que vivesse segundo sua essência, podemos procurar um ser humano que não degrade, e viva em pleno equilíbrio com o meio ambiente.

A institucionalização demonstra apostar na aculturação, pela educação ambiental dos jovens, futuros administradores do planeta, ao tempo que, busca controlar e reeducar essa massa falida e egoísta que são os adultos de todos os tempos!

Jailton - São Paulo/2018

Bibliografia

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39204054 acesso em 26/11/2018

http://www.ecors.com.br/artigo-19.htm  Acesso em 26/11/2018

https://seer.ufs.br/index.php/tomo/article/view/4995/4128 acesso 26/11/2018

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm acesso em 26/11/2018

https://www.raco.cat/index.php/Revibec/article/view/57896 acesso em 26/11/2018