O brilho nos olhos já não existe. O amor não é mais uma bandeira. Ajudar aos outros deixou de ser um ideal de vida. O “anjo” que por tantas e tantas vezes foi exaltado, ao entrar na vida das pessoas e fazer algo de bom (ou por ser útil somente), não é tão anjo assim. Mas também não é o pior de todos. Nem é uma causa perdida. Perdidos talvez fiquem os velhos sonhos, menos um, o de ser reconhecido de maneira igual, esse é pra sempre! Engraçado, mas quando se olha para trás, quando se faz a releitura de palavras e sentimentos, a única pergunta que fica é: em qual lugar do caminho as coisas mudaram? Um vazio que fica e às vezes é preenchido, um buraco aberto na alma pelas incertezas que invariavelmente vem com a solidão... [...] Solidão é não conseguir enxergar nos outros a reciprocidade de um sentimento. Amor? Amizade? Respeito? Carinho, talvez? Admiração, quem sabe? A solidão nasce da frustração do que é doado, não por aquilo que não é recebido de volta, mas pela falta de reconhecimento da “luz que foi acesa em algum lugar do caminho”. Mas é preciso seguir, caminhar é preciso. Reconstruir-se como pessoa, pedir perdão por causar algum mal ou constrangimento por ser quem é, se for o caso, renovar-se, e seguir a própria vida. Chorar faz parte, porque dói! A vida pune, e ninguém passa impune por amar tanto e ter gestos e atitudes de amor sincero e honesto consigo, embora nem sempre se pôde falar abertamente desse amor, por vezes, sufocado. Enfim, não se sabe ao certo em qual lugar do caminho as coisas mudaram, mas é a partir desse lugar em que vive hoje que vai iniciar uma nova empreitada de vida, pessoal, profissional e que aquele ideal de vida renasça, que a bandeira do amor seja tecida novamente (não como uma concha de retalhos) e que o espelho reflita outra vez o brilho dos olhos que um dia ofuscaram pela beleza, simplicidade e pelo coração que hoje só pulsa, mais nada...

Escrito por Johney Laudelino da Silva dia 15/11/2011

Perfect – Alanis Morissette http://youtu.be/oH4RdbsP-ww