Um apanhado geral de aperfeiçoamentos às técnicas de camuflagem de envolvidos dos altos escalões em situações ilegais ou que comprometam a Segurança Nacional

O "Cover-up" significa, ao pé da letra, encobrimento, ocultação. Os eruditos dizem que é mais que isso, significando toda espécie de trabalho escuso para despistar ou camuflar pistas de atos ilegais ou criminosos por parte de organismos governamentais ou paragovernamentais. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais não terá sido mera coincidência, e o Cover-up começa exatamente daqui, i.e, de onde o simples cidadão desconfia de que foi lesado, ou de que alguém está tendo um direito negado ou subtraído do universo jurídico em que está inserido.

Como a quantidade de acobertamentos é coisa das mais numerosas na Criminalística, e por razões de espaço, vamos nos ater tão somente ao chamado "Cover-up ufológico", que é o eficiente e constante serviço de desinformação e contra-informação criado para sonegar informações sobre a presença de alienígenas visitando a Terra.

O Cover-up começou dois ou três dias após a Queda de um objeto voador não identificado (OVNI) no interior americano, em áreas desérticas próximas da cidade de Roswell, Novo México, e também próximo da RAAF [Roswell Army Air Field, Aeródromo Militar de Roswell], única, na época, a possuir armas nucleares. Foi a última vez que um objeto celestial caiu e alguém sem farda pôde gozar de certa liberdade de tocar nos destroços, porquanto tudo o que caiu antes estava, por assim dizer, "desprotegido" sob os céus de Tellus. Por causa disso, não há como descartar a hipótese de que alguém, antes de 4 de julho de 1947, tenha botado as mãos em algum pedaço de objeto caído do céu, e a explicação disso também é problemática. Com efeito, a única hipótese aventada para explicar por que só a partir de 1947 os militares tenham corrido desesperadamente a cercar todas as quedas de OVNIs reporta-se à questão da Guerra Fria e a desestruturação do tecido político do Planeta no pós-guerra, junto com a ânsia de garantir, para os EUA e para seus militares (o Estado Maior das Forças Armadas, doravante EMFA), um bom lastro de reservas petrolíferas, financeiras e tecnológicas, daí o cerceamento de todas as fontes do óleo negro do mundo, o roubo do ouro estrangeiro e o financiamento estatal de empresas de vanguarda, como a IBM e a Microsoft, por assim dizer. Afora isso, ou excetuando-se esta "desculpa", as hipóteses que restam são tão terríveis quanto inconfessáveis, e nós iremos abordar aqui apenas uma – a mais cruel.

O fato de esta hipótese mais cruel ser também a menos verificável já é, de per si, sinal evidente da eficiência do Sistema de Ocultação, que desde há muito "sacou" a noção de que o ataque é sempre a melhor defesa, partindo para difamar o denunciante com mil e uma contra-denúncias, tal como se vê ocorrer no Brasil, quando um político expõe uma sujeira de outro e imediatamente mil e uma sujeiras vêm à tona, de ambas as partes. Por último, esta hipótese mais cruel é também urdida e transformada na mais risível e desmoralizada, por culpa do próprio povo americano (ou de um outro mecanismo do Cover-up, explicado abaixo, no item 6), o qual é pródigo em produzir lunáticos de todos os tipos, dando álibis os mais surpreendentes para os agentes ocultadores – que aproveitaram o triste histórico psiquiátrico do país para botar toda a culpa nos "loucos", desmoralizando de vez toda idéia, ainda que incipiente, de qualquer indício de Conspiração, palavra que sempre apavorou e apavora os militares.

Para diminuir o espírito discursivo deste artigo, vou adiantar os 10 mecanismos do Cover-up em ordem de aperfeiçoamento, para dar ao leitor uma idéia do ponto em que estamos hoje, e do que virá nos próximos anos, em termos de técnica de desinformação associada à política de sigilo das superpotências, i.e, do Estado Maior das Forças Armadas do mundo todo (doravante EMFA-Mundial). O leitor atente para as datas à esquerda, a maioria aproximadas, para descobrir que os últimos itens se referem a mecanismos ainda em vigor ou recentemente descartados, embora, diga-se de passagem, em "Política de Sigilo e Artes da Guerra" nenhuma técnica é descartada, já que todas elas dificultam e invariavelmente desencorajam a bisbilhotagem dos civis.

1ª) 6 ou 7/julho/1947: Técnica dupla do pente-fino no local da queda e da intimidação das testemunhas diretamente envolvidas, uma externa ("Mac Brazel") e uma interna (Major Jesse Marcel).

2ª) Dias depois (1947): Técnica da imposição de desmentido oficial ao público em geral, com vedação da imprensa ou proibição de veiculamento da notícia nos moldes divulgados anteriormente.

3ª) 1950-1954 (aqui, nos chamados "anos de ouro do rádio", dos "jornais heróicos"): Técnica de consolidação das determinações anteriores, através de exemplos de punições infligidas a colegas dos divulgadores que descumpriram as ameaças veladas de fazer sigilo, e a exposição do sucesso de colegas que mantiveram seus jornais e mídia sob o regime de seguir a orientação "política" do proprietário da emissora, jornal, rádio, etc.

4ª) 1960-1963 (dizem que a morte de Kennedy teve algo a ver com essa ação): Técnica de domínio mundial da mídia sob regime de sonegação de informações e entrega de programação de sedução das massas, com subseqüente aumento no faturamento via institutos de pesquisa e financiamento dos proprietários das redes particulares. Toda a programação erotizante do mundo surgiu aqui, a reboque da pílula e da onda "womens's lib", ambas engendradas por cientistas fardados – embora eles mesmos curtiram tais programas.

5ª) 1970-1979 (o mundo feliz vê estrelas andando no céu, na arte e na música): Técnica de saturação da casuística ufológica, visando abarrotar a mídia de avistamentos, contatos e abduções, a maioria falsos, sob a expressa ordem de facilitar a descrença nos casos verdadeiros, quando eles se tornassem inevitáveis e indesculpáveis.

6ª) 1986 (após incidente mal explicado com aeronáutica russa): Técnica de infiltração de agentes já "massificados" pelos programas de controle da mente, do tipo "MK Ultra", e outras técnicas de manipulação de soldados virtuais de carne-e-osso, todos intelectualizados.

7ª) 1992 (em conjugação com estímulo a filmes e séries televisivas sobre extraterrestres): Técnica de sedução de pesquisadores-membros de grupos ufológicos ou introduzíveis neles, com abertura de contra-argumentos de ciências consagradamente céticas, incluindo cessão de fotos, filmes e audiovisuais diversos.

8ª) 1998 (combinado com o fim da série Arquivo-X, que já havia sido desmoralizada "intra muros"): Técnica da facilitação de investigação de todas as especializações e ramos científicos capazes de surpreender a ignorância ou sapiência de pesquisadores independentes, gerando o orgulho de se chegar a um conhecimento acadêmico/livresco inabalável acerca de matérias tidas por doutas no assunto, desmoralizando todas as outras ciências que podem dar parecer de dúvida sobre todas as "certezas" divulgadas.

9ª) 1999/2000, depois do alívio ensejado pelo "adiamento" do fim do mundo (sigilo total): Técnica de consolidação da pseudociência da descrença nas consciências submetidas à sedução de sapiência das especialidades doutoradas e respeitadas como infalíveis no parecer final do assunto astronomia e exobiologia.

10ª) 2002 (há quem diga que começou com o 11/setembro/2001): Técnica da "premiação indireta de satisfação e boa ventura de paz" aos céticos que indireta e inconscientemente foram convencidos de que nenhuma visita extraterrestre foi realizada à Terra.

Todas as técnicas aqui elencadas não passam de mero resumo do que foi e está sendo feito nos bastidores da política oficial de acobertamento, as quais sem dúvida irão do treinamento psicológico de militares até a construção de "armas-cerebrotônicas", por assim dizer, cujo efeito não pode ser explicado por tratar-se de algo inimaginável para a mente humana comum.

Vendo a última data já bastante defasada de nossos dias, é bom deixar no ar esta estonteante e inquietante questão: "o que virá depois?"; ou "como estão as coisas hoje em dia?". A resposta que este pobre articulista pode dar é a seguinte: Depois que a família inteira se convenceu de que o pai traía a mãe, o que poderá fazer o "garanhão" para merecer uma nova chance na confiança dos filhos? (uma vez que a confiança da mulher já foi "pras cucuias")... Ou seja: depois que os próprios ufólogos sérios se convenceram de que não há nem nunca houve visita de ET nenhum, quem se convencerá do contrário? E como evitar que haja a debandada geral dos ufólogos?...

Bem. Eram estas as técnicas envolvidas no longo caminho para a descrença generalizada que se constrói no mundo pós-moderno, cuja abrangência não se atém apenas à ocultação das visitas de ETs à Terra, mas a todo e qualquer sinal de existência de qualquer "vida fora-dos-padrões-da-normalidade", incluindo até revelações religiosas, seres espirituais e qualquer coisa que desfaça o conceito de "Solidão Absoluta de Tellus no espaço sideral". Por isso o conceito de "normalidade" sempre vem a calhar e a embasar todas as técnicas engendradas nas casernas subterrâneas, e não é à toa que até ufólogos sérios, de renome nacional e internacional, são virtualmente conduzidos não apenas a crer numa "anormalidade" subjacente aos relatos de avistamentos (sobretudo quando há abduções), mas também a ESTUDAR as matérias da mente, tanto em livros de psicólogos/psiquiatras "cooptados", como em amizades com tais profissionais, que por sua vez já estão pseudo-convencidos de que suas próprias opiniões são o ditame das gerações futuras. Depois de lê-los e ter por eles afeto, nenhum ufólogo ousará defender a velha idéia igualmente desmoralizada da ficção científica espacial.

Como disse antes, o sucesso das políticas de sigilo e das agências de Cover-up é por demais evidente e notório perante o mundo todo, e se não fosse assim nem os cabeças do assassinato de Kennedy teriam uma velhice sossegada, nem os políticos da oposição dormiriam felizes, e muito menos nós anônimos civis que, agora longe da crença, teremos uma velhice mais tranqüila, segundo o conceito das cúpulas fardadas que dirigem o mundo. Pois para elas, sem dúvida, é cem por cento melhor que tenhamos um mundo violento e inseguro, com assaltantes, traficantes e até terroristas, do que "não termos mundo nenhum", i.e, amanhecermos com gafanhotos bípedes mascarados batendo à nossa porta com fuzis de cristal.

Prof. João Valente de Miranda.

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