Fernando Aparecido Mochiuti

 Especialista em Fisiologia do Exercício (UNIMAR)

Victor Christianini Felippini

Especialista em Fisiologia do Exercício (UNIMAR)

 Gabriela Galucci Toloi

Doutora em Educação Especial (UNESP)

Cesar Antônio Franco Marinho

Mestre em Pediatria (UNESP)

RESUMO

Apesar de vários estudos mostrarem os efeitos do treinamento aeróbico sobre a redução das taxas glicemicas, pouco se sabe em relação aos efeitos do treinamento resistido (musculação) e sobre o treinamento concorrente (treinamento resistido e aeróbico em uma mesma sessão), em relação à redução aguda das taxas glicêmicas. Para tanto, o objetivo do presente estudo foi comparar os efeitos agudos de uma sessão de treinamento aeróbico, uma sessão de treinamento resistido e uma sessão de treinamento concorrente sobre as taxas glicêmicas em idosos. Para realização do estudo foram recrutadas cinco mulheres com idade acima de 60 anos praticantes de exercícios físicos. As voluntárias foram submetidas a três sessões de treinamento: aeróbica composta por exercícios em esteira, bicicleta ergométrica e escada, treinamento resistido composto por nove exercícios resistidos e uma sessão de treinamento concorrente composta por exercícios em esteira rolante e seis exercícios resistidos. As sessões foram realizadas em dias distintos com intervalo mínimo de 48 horas. Os resultados dos testes revelaram que o treinamento concorrente gerou maior redução nas taxas glicêmicas agudas em todas as voluntárias. Portanto os resultados do estudo concluíram que para controle e redução dos níveis de glicemia para essa amostra de idosas, o treinamento concorrente realizado com intensidade moderada e repetições submáximas se mostrou mais eficiente em relação ao treinamento aeróbico e resistido, podendo ser prescrito para essa população sem riscos a saúde.

Palavras chave: Treinamento aeróbico, treinamento resistido, treinamento concorrente e taxas glicêmicas.

INTRODUÇÃO

 

O exercício físico feito de forma regular e com orientação de profissionais capacitados tem se mostrado eficiente no controle da glicemia, tanto em indivíduos portadores de diabetes como em indivíduos não portadores de diabetes (GRAVES E FRANKLIN, 2006). Estudos têm mostrado os efeitos positivos de um programa de exercícios aeróbicos na redução e controle da glicemia (SCHNEIDER E COL., 1992). Recentemente, a literatura tem apresentado os efeitos benéficos do exercício resistido na prevenção e tratamento da diabetes tipo 2, o exercício resistido contribui decisivamente na melhora do quadro de sensibilidade insulínica no diabético tipo 2, por meio principalmente do resgate da massa magra. A perda de massa magra (sarcopenia) associada ao envelhecimento consiste em importante fator de risco no desenvolvimento dos distúrbios metabólicos associados ao diabetes tipo 2 (DAVI E GREEN, 2007). Segundo o Colégio Americano de Medicina Esportiva a intensidade dos exercícios para promover redução na glicemia deve ser de 50 a 60% de 1RM e as repetições devem ser em torno de 12 a 15 com intervalo de 30 segundos entre as séries. No entanto a literatura tem essencialmente voltado à atenção para os efeitos crônicos do exercício resistido sobre o controle glicêmico, são escassos estudos sobre os efeitos agudos de uma sessão de treinamento resistido na taxa glicêmica (ROBERT-PIRES, CARVALHO, 2012).Num dos raros estudos nessa linha de investigação, Miller e col. (1994) observaram um melhor perfil de normalização da homeostasia glicêmica (melhor tolerância à glicose) após sessão de exercício resistido isocinético de alta intensidade (5 repetições) comparada à sessão de baixa intensidade (15 repetições), esse estudo, entretanto, foi conduzido com voluntários não diabéticos. Lara (2009), em um estudo com um voluntário diabético, observou reduções agudas em torno de 28% e 55%, duas horas após sessões de treinamento de força e caminhada, respectivamente.  Por conseguinte, o objetivo do presente estudo foi comparar os efeitos agudos de uma sessão de treinamento aeróbico, uma sessão de treinamento resistido e uma sessão de treinamento concorrente na redução das taxas agudas de glicemia em idosas. [...]