Resumo 

Pretendeu-se discutir com essa pesquisa teórica, como utilizar os saberes da prática em psicanalise no serviço de saúde pública, com a intenção de encontrar meios mitigadores para as reclamações direcionadas ao atendimento nesse segmento. Para tanto, buscou-se pensamentos de autores que valorizam em suas obras as variantes que permeiam o relacionamento humano. Entre as citações, algumas ideias de Freud, do sociólogo Emile Durkheim, o Psiquiatra Paulo Amarante, também do Dr. Joel Renó, da Dra. Maurano e outros, tão importantes quanto. Também foram utilizados documentos orientadores do SUS, como algumas edições da Cartilha Humaniza SUS. Esse artigo buscou entender pelo olhar dos autores pesquisados, o que aproxima e o que afasta a práxis da psicanálise da praticada no acolhimento dos serviços de saúde assistencial e de Vigilância de saúde pública. Utilizou-se a definição de saúde/doença da OMS (Organização Mundial da Saúde), a qual é corroborada pelos profissionais citados. Os autores salientaram a importância da boa oitiva, tanto para aqueles que procuram os serviços, como para os envolvidos no recebimento das demandas. Enfatizou-se o quanto funcionários e utentes estão sujeitos aos facilitadores de patologias, que induzem a diagnósticos precoces e causam divergências entre usuários e colaboradores do SUS. A pesquisa respondeu positivamente, demonstrando que o aprendizado, voltado para futuros psicanalistas, tem ferramentas capazes de colaborar no entendimento entre trabalhadores (pares e hierárquicos), e influenciar na forma como os clientes analisam os atendimentos, pois ambos, SUS e Psicanálise, partem do pressuposto que todo segredo está no aprender a escutar. Entretanto, esse artigo não abrange a todas as nuances que o assunto pode apresentar.

 Introdução 

É extensa a lista de demandas, às quais o plano de saúde brasileiro precisa dar respostas, mas na contramão da história, percebe-se às vezes um aumento nas reclamações dos clientes, sejam aquelas fomentadas por ideologias, ou as reais. Dentre os protestos, os mais contundentes são relacionados à falta de empatia por parte dos servidores em geral, por esse motivo o presente artigo não pretende uma pesquisa sobre a qualidade de todos os serviços, mas focar no relacionado ao acolhimento/escuta. Este trabalho de curso, ápice do Curso de Pós-Graduação em Psicanálise, pretende por uma pesquisa teórica, refletir e buscar uma forma de amenizar a situação através do aprendizado próprio da psicanálise, acreditando que, se adaptados ao atendimento assistencial e de vigilância de saúde, ter-se-á como consequência mais um elemento agregador na qualificação dos trabalhadores da saúde, sem a pretensão de tornálos psicanalistas e, principalmente, melhorar a avaliação no quesito acolhimento. Pretende-se nesse artigo expor pensamentos e a práxis psicanalítica, para se comparados às diretrizes do Plano de Saúde Pública, tragam a luz seus pontos comuns e como esse fazer pode colaborar na anamnese e na escuta do utente. As literaturas, entrevistas e citações aqui utilizadas, são de autores comprometidos com o avanço da psicologia que, através de seus pensares, apresentarão qualidades da psicanálise aproveitáveis no labor dos servidores da assistência e da Vigilância de Saúde. Estudiosos como o psiquiatra e escritor Paulo Amarante, autor do livro “Saúde Mental e Atenção Psicossocial”, Joel Rennó - PhD em Ciências, professor colaborador médico do Departamento de Psiquiatria da FMUSP, Dr. Sigmund Freud, a professora e psicanalista Denise Maurano e documentos orientadores do SUS, dentre outros autores, ajudarão a entender a importância da boa escuta, ou até dar um novo sentido ao termo: ‘escuta qualificada’, tão discutido entre os gestores da Saúde Pública. O objetivo geral será salientar a ideia de escuta dos autores e a prática da oitiva no Serviço público de Saúde, evidenciando a resposta para a questão: Como o fazer psicanalítico pode colaborar na anamnese e na escuta qualificada preconizada pelo Sistema de Saúde brasileiro? A importância desse artigo para o segmento acadêmico será pautada no atual contexto social, onde, um número significativo de literaturas, já apontam para um aumento de casos diagnosticados como distúrbios mentais, elementos que influenciam na demanda assistencial de saúde, o que dá a essa abordagem a chance de somar-se àquelas, ampliando o olhar para o acolhimento, porta de entrada para todos os serviços do SUS. [...]