CATEQUESE: CAMINHO PARA O DISCIPULADO
 
1. O ENCONTRO
 

1.1.  Caminhar é preciso

-     O ato de caminhar indica o desenvolvimento da história da salvação;
-     Caminho indica o método de comunicação de Deus;
-     Jesus = modelo de caminhante / o Caminho (Jo 14,6), e neste caminhar ele instruía os discípulos;
-     O caminho aponta para a comunidade;
-     Mais do que uma palavra, caminho significa um modo de ser da Igreja que vai ao encontro das pessoas;
 
1.2.  O Caminho de Emaús
-     A iniciativa é de Jesus. Ele não interrompe o assunto.
-     A atitude de Jesus é caminhar com eles, escutá-los e descobrir sua realidade;
-     Aproximar-se é dispor-se a conhecer e sentir de perto a necessidade do outro;
-     Jesus quer ouvir as preocupações, angústias, decepções e esperanças. Interessa-se pelo outro;
-     Jesus entra pela porta das preocupações;
-     Na verdade a decepção dos discípulos está na falta de compreensão da morte de cruz.
 
1.3.  Evangelizar é, antes de tudo, não ignorar!
-     Jesus ouve as dúvidas e os questionamentos dos dois caminhantes;
-     Na catequese ensinamos o que achamos necessário sem ouvir o que está no coração do interlocutor;
-     O diálogo serve tanto para criar laços como para indicar os procedimentos pedagógicos mais adequados.
-     As respostas dependem das perguntas (31-34)
-     Na realidade atual as pessoas fazem perguntas complexas. Considerar estas perguntas é fundamental;
-     O caminho não está pronto. Ele se refaz e se remodela à medida que as pessoas vão descobrindo novas perguntas, respostas e propostas para a vida;
-     O caminho das pessoas é uma jornada individual e comunitária. Traz as marcas da cultura, da religiosidade, do ambiente social, político e econômico.
-     "Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa...” (DA 243 e 12)
 
1.4.  Abrindo também nossos olhos para a nossa realidade
-     O Doc.Aparecida (367) afirma que: “a pastoral da Igreja não pode prescindir do contexto histórico onde vivem seus membros. Sua vida acontece em contextos sócio-culturais bem concretos”.
-     Nos Discípulos de Emaús, um deles tem nome - Cléofas; do outro não consta o nome, é um anônimo (cf. Lc 24,17-18). Não é por acaso.
-     Em nossa sociedade, os sem nome são milhões. São anônimos, ignorados em sua dignidade de pessoa e em seus direitos.
-     Aparecida chama atenção para os novos rostos da pobreza: o povo da rua, migrantes, enfermos, dependentes de drogas, presidiários, etc...
-     Quem são os excluídos de nossas comunidades?


2. A PALAVRA

2.1. Perguntas que brotam da vida

-     “O que andais conversando pelo caminho?" (cf. Lc 24,17) – Jesus quer entendê-los nos seus sofrimentos, nas suas angústias e suas buscas.

-     “Que foi?” Respondem: "O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo" (cf. Lc 24, 19-24) - Estas palavras revelam que a esperança dos discípulos em torno de Jesus era de um líder humano. Sua crise estava na incapacidade de superar a experiência da cruz.
-     Ouvir faz parte do acolhimento.
2.2. A catequese de Jesus
- Atitudes de Jesus: Aproxima-se, Escuta, Pergunta, Retoma as Escrituras e percebe que não tinham entendido, Pacientemente começa a recordar o processo catequético, A resposta de Jesus é um convite a ver a realidade à Luz da Palavra em vista da missão.
- Seguir o Crucificado-Ressuscitado
- Dores, sofrimentos, perseguição acompanham a missão. (2Cor 11,23-30. 12,7-10)
- A catequese de Jesus começa pela memória da Palavra de Deus, para relembrar aos discípulos que o caminho percorrido pelo Cristo já estava previsto nelas.
 
2.3. Palavra que ilumina
- Explicar as Escrituras é lembrar a prática, a missão e os ensina­mentos de Jesus, nos fez retornar à comunidade, assumir a missão e manter viva a esperança.
- Caminhada de Jesus com os discípulos de Emaús é modelo de INICIAÇÃO CRISTÃ, com destaque para os seguintes elementos: Escuta da Palavra, Adesão e Celebração.
- Desconhecer as Escrituras é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo" (DA 247).
- O encontro de Filipe com o Etíope que lia, sem entender. Daí a importância dos animadores das comunidades e dos catequistas terem uma iniciação às Escrituras e uma intimidade orante com a Palavra. (Rm 10,14-15)
- Para superar uma leitura meramente fundamentalista é de grande importância criar um projeto de animação bíblica da pastoral.
 
2.4. Permanecer com o Senhor - “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando” (Lc 24, 29)
- A sensibilidade dos discípulos aumenta na medida em que se aproximam da aldeia. O peregrino já não é mais um estranho.
- O rito da partilha remete à memória da prática messiânica de Jesus de multiplicar o pão com as multidões famintas (cf. Mt 14,13-21; Lc 9,10-17; Mc 6,30-42).
- Foi a memória do jeito de ser e fazer de Jesus, que permitiu abrir seus olhos e reconhecer a presença viva do Ressuscitado.
- É naquela refeição fraterna, na aldeia, que os olhos dos dois caminheiros se abrem e despertam para o discipulado e a missionariedade.
- A memória foi feita pelo caminho quando lhes explicava as Escrituras e a Palavra é compreendida a partir da experiência concreta do partir o pão.
- Partir e repartir o pão era a nova fonte da vida comunitária. Esta era a Boa Nova, testemunhada por Jesus e apresentada pelas primeiras comunidades cristãs.
- No gesto da memória está a passagem da cruz para a ressurreição, da morte para a vida.
 
3. A MISSÃO


3.1.  Ao partir o pão, eles o reconheceram e retornaram ao caminho

 
- Coração entusiasmado do discípulo missionário. Não estava ardendo o nosso coração (Lc 24,32).
- Agora o novo ardor se espalha. Sai do coração e chega à mente, à consciência e move os pés dos que saem para evangelizar (cf. Is 52,7; Na 2,1);
- A rotina pastoral, catequética e celebrativa, em lugar de atrair, às vezes pode afastar as pessoas;
- “A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária" (DA 3 70).
- O caminho do discipulado é sustentado por uma mística e uma espiritualidade do seguimento de Jesus Cristo no encontro com o irmão, especialmente os mais pobres (cf. DA 243).
- Mesmo caminho: Novo Espírito
- Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém (Lc 24, 33)
- Os discípulos voltam à comunidade com um novo olhar. Refazem o caminho, agora com espírito novo, com melhor compreensão da missão;
- A catequese evangelizadora ajuda a formar discípulos (DNC 34), e educa para a ação sócio-transformadora.
- Fazer discípulos é, porém, um processo dinâmico, pois o discipulado requer um tempo de aprendizagem;
- Aparecida retoma com uma nova compreensão e vigor uma dimensão fundamental do discipulado: a missão. Ela está enraizada visceralmente nos sacramentos do Batismo e da Confirmação.