PÓS- GRADUAÇÃO EM DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR

Manaus, AM, Brasil, Outubro/2018.

 

AS DIFICULDADES QUE COMPROMETEM A RELAÇÃO ENSINO APRENDIZAGEM NO ENSINO SUPERIOR NO SÉCULO XXI

 

Acadêmico: Lucas de Oliveira Pantoja1

 Orientadora: Myrian Abecassis Faber²

 

RESUMO

O presente artigo diz respeito às inúmeras dificuldades que o professor do ensino superior sofre ou pode sofrer em sua vida acadêmica, além disso, ressalta sobre como essas dificuldades comprometem a relação com o aluno, sendo que este, por sua vez, também passa por obstáculos em seu processo de formação. O artigo está dividido em quatro seções que abordam sobre as complexidades que comprometem a relação de ensino aprendizagem entre discente e docente. Logo será possível observar que deve haver melhorias educacionais não somente no ensino superior, como também naquilo que o antecede.

Palavras-chave: Dificuldades. Ensino. Aprendizagem.

ABSTRACT

The present article on difficulties, universities and people suffering from their academic lives, also highlights how these difficulties compromise the relationship with the student, who in turn, also goes through obstacles in his training process. The article was divided into four elections that address how complexities those compromise the relationship of teaching learning between student and teacher. So it is possible that there are no educational improvements are not a higher education, but also in what precedes.

  1.  

O objetivo deste artigo é abordar sobre alguns fatos que comprometem a relação professor aluno no ensino superior no século XXI. Logo, será abordado sobre as conseqüências desses fatores que ambos enfrentam. Neste século alguns problemas deixaram de existir, enquanto surgiram outros, ou seja, há constantes transformações no universo acadêmico, e ambos devem a cada dia procurar melhor preencher seu espaço e conduzi-lo na melhor forma.

Um dos principais desafios do meio universitário é formar pessoas que tenham a capacidade de ser versáteis, de pensar mais e refletir mais sobre a cultura da educação em seu total sentido.  

A primeira seção aborda as principais dificuldades que os professores universitários enfrentam neste século, como ele está inserido e como isso influencia em sua vida particular e acadêmica, visto que este século é um século em que há constantes mudanças no perfil de cada profissional.

Na segunda seção serão abordadas algumas das grandes invenções deste século que são a alta tecnologia além das mídias sociais. Será ressaltado sobre como as tecnologias podem ser aliadas ao professor, pois estas o auxiliam para que sua aula se torne mais interessante, além disso, as mídias sociais fazem com que os alunos interajam mais e troquem conhecimento, assim há uma chance de um melhor aprendizado e de uma melhoria na relação com o professor.

A terceira seção, que é a menor, aborda sobre a formação do professor e de como a ausência de uma boa formação acaba por impossibilitar que o professor consiga atrair seus alunos para a sua aula.

A Quarta e última seção aborda sobre as dificuldades que o discente enfrenta em sua caminhada acadêmica e também sobre a melhoria infra-estrutural das universidades. Cita alguns dos grandes entraves deste século no que tange os centros universitários: a evasão. Cita os motivos desta e fala sobre como o professor pode ajudar para fazer com que este problema seja amenizado.

 

 

  1. AS DIFICULDADES ENFRENTADAS PELO PROFESSOR NO SÉCULO XXI

Estamos no século XXI, talvez na época das maiores transformações na sociedade: mundo globalizado; quebras de tabus; menos conservadorismo; novas ideologias; novos conceitos; novos pensamentos e etc. O professor atualmente se vê quase que obrigado a acompanhar todas essas transformações e, em sala de aula, transmitir de melhor forma para os seus alunos as informações. Porém, não basta o professor apenas saber dessas informações, ele necessita saber compreendê-las e utilizá-las em sala de aula. Pois, de acordo com Lima (2006, p. 11)

 “É através do conhecimento, do domínio da ciência e do desenvolvimento que o homem adquire meios para compreender e transformar a realidade e a sociedade em que vive.”

O conhecimento, a compreensão e a transmissão de informações estão longe de serem os únicos entraves que dificultam o professor neste século. Na universidade os alunos vêm de várias escolas: públicas, particulares, militares e etc. Logo há uma gama de pensamentos, opiniões e idéias diferentes. Alguns terão mais dificuldades em aprender e apreender conteúdos, outros bem menos. Por isso o professor precisa estar bem qualificado. Pois, no que tange a qualificação profissional, segundo MIGANI, 2015, p. 66.

implica uma formação inicial na docência acompanhada de formação continuada, preferencialmente oferecida pelas instituições de ensino superior ao qual mantém vínculo profissional, de modo a qualificar e conferir autonomia à docência. Os planos de carreira, cargo e salários são exemplos de instrumentos oferecidos pelas instituições como forma de incentivo à formação, pois associam à qualificação à melhoria salarial

Logo, assim o professor poderá ter autonomia na sala de aula. Somente através de uma boa qualificação profissional o professor poderá conduzir os alunos a uma boa aprendizagem, ultrapassando a barreiras de suas diferenças.

Outra dificuldade que o professor possui, como já citada, é a falta de qualificação profissional. As universidades não irão contratar professores sem uma boa qualificação, se hoje em dia até mesmo as escolas de ensino médio já requisitam pós-graduação, e não mais apenas a graduação. Porém, o professor da Universidade dificilmente para de melhorar seu currículo, sempre está buscando mais qualificação, por quê? Porque quanto mais qualificação, maior remuneração, logo uma melhor qualidade de vida.

Assim podemos ver que as universidades que mantêm seus professores qualificados pesam muito na escolha de seus futuros alunos, pois estes buscam àquelas mais bem conceituadas, com professores renomados e com melhores infraestruturas, cuja as quais são encontradas no site da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Mas como o professor de universidade vai encontrar tempo para se qualificar ainda mais? Como citado no parágrafo anterior, o plano de carreiras, cargos e salários oferecem ao professor uma melhor remuneração através de sua qualificação, uma espécie de pirâmide, quanto maior a titulação, maiores salários.

 Por exemplo, em Setembro de 2017 a Universidade do estado do Mato Grosso, UNEMAT, abriu um processo seletivo para a contratação de um professor com carga horária de 20 horas, o profissional que obtivesse apenas a graduação receberia um salário de R$ 2.484,20, já um professor que tivesse o título de doutor (doutorado), o seu salário seria de R$ 5.714,99, ou seja, mas do que o dobro do professor que tivesse apenas a graduação na área específica. Fato este ocorre em grande parte de nossas universidades, público ou privadas, o que expõe ao fato da busca incessante dos profissionais da educação na melhoria de seu currículo.

Entretanto, como citado no início deste presente artigo, estamos no século XXI, o século em que bons salários advêm de um boa qualificação, todavia, nem só de qualificação vive o homem, e esta não é a única preocupação dele. Os professores têm famílias, têm filhos, possuem outras ocupações: saúde, afazeres domésticos, comida, igreja, lazer e etc. Como ele vai conseguir se qualificar tendo tantas outras preocupações?

A falta de tempo é um dos grandes entraves da sociedade atual no mundo capitalista, perdem-se horas em congestionamentos, em supermercados, em filas de bancos. O professor, ás vezes, mora em uma cidade e trabalha em outra, ou mora até na mesma cidade, mas todo o dia tem que cruzar quilômetros de distância entre casa e universidade, o mapa abaixo exemplifica perfeitamente como pode ser a vida de um professor universitário que precisa sair de sua casa ainda de madrugada para chegar ao seu local de trabalho.

 

Mapa elaborado por Lucas de Oliveira Pantoja através do Programa Google Earth Pro.

O exemplo acima segue uma trajetória, exemplificada é claro, de um possível professor universitário residente na cidade de Manaus/AM. O ponto inicial se dá em sua residência, no bairro Monte das Oliveiras, mas precisamente próximo ao Shopping Manaus Via Norte. Pela manhã ele vai ao seu trabalho na Universidade Federal do Amazonas, tendo que passar por algumas das principais avenidas da cidade, como a Avenida das Torres, Rodrigo Otávio e etc. No final da tarde este professor, que faz um curso de pós-graduação, se desloca até o centro da cidade, para o Centro Universitário do Norte, UNINORTE. Após o término desta aula ele volta para casa. Esse trajeto, utilizando o sistema de medição do Google Earth, chegou a quase 50 quilômetros.

Independentemente se esse professor tem carro ou não há, além do gasto em dinheiro, uma distância considerável a percorrer. Isso aliado a outros fatores (como por exemplo, os congestionamentos) fazem com que o professor tenha pouco tempo para estudar, alem deste já ter em seu trabalho outra missão a cumprir: garantir o processo de ensino aprendizagem aos seus alunos. Ou seja, falta tempo, sobram deveres a cumprir. Portanto, “(...) o tempo é o maior vilão que impede o desenvolvimento de relações mais efetivas entre professor e aluno, pois os professores, sempre com muito “conteúdo” para ensinar e com um tempo insuficiente, alegam não poder parar para conversar a toda aula, não poder “perder tempo” (SOUZA, 2004, p.41).

O exemplo dado exclui outras situações diárias na vida do professor no século XXI, como ter que levar seus filhos à escola; ir ao mercado comprar mantimentos; orientar alunos em projetos de pesquisa; preparar sua aula; cuidar de sua saúde e etc. Deste modo se conclui que o professor necessita de mais tempo, e que logo o processo de ensino aprendizagem fica comprometido devido aos fatores citados. Mas além do tempo, o professor precisa querer uma melhor capacitação, devido as dificuldades muitos se acomodam e não buscam uma melhor formação. Sabe-se que muitas pessoas enfrentam tais dificuldades porque buscam ser de fato professores bem capacitados, buscam melhorias salariais e sabem que não é fácil ter que abrir mão do tempo para uma melhor formação.

 

  1. O PROFESSOR, AS NOVAS TECNOLOGIAS E MÍDIAS SOCIAS

O século XXI também é conhecido com o século das grandes invenções, da criação de novas tecnologias, da mega expansão das redes sociais. E onde o professor está inserido neste contexto? No processo de ensino. O professor precisa estar atualizado sobre as novas tecnologias por que poderá, através delas, utilizar mais ferramentas e poder preencher melhor a sua aula, de maneira mais lúdica.

Mas como fazer com que essas tecnologias se transformem em auxílio ao professor? “Diante de tanta tecnologia cabe ao professor adaptar-se a esta realidade na educação, devendo ampliar o espaço da sala de aula de formas variadas, gerenciando aulas à distância, orientando projetos e pesquisas com os alunos, usando as ferramentas disponíveis de modo a orientar o aluno quanto a utilização das tecnologias de maneira contextualizada e colaborativa” (CANTINI, 2006, p. 5). Como é de nosso conhecimento, o aplicativo Whatsapp é o principal meio de comunicação rápida do mundo atual, basta apenas estar conectado à internet.

Quando lemos que através das novas tecnologias o professor pode gerenciar aulas à distância não se fala apenas em EAD, sigla de ensino à distância, o Whatsapp também é um dos principais meios, não é raro os alunos terem grupos de suas respectivas turmas nas quais o professor passa inúmeros conteúdos de auxílio nas aulas, como textos de apoio por exemplo. O aluno baixa e já lê no próprio aplicativo algo que ele vai estudar em sala de aula, ou seja, a ferramenta se torna uma ajuda para que o aluno interaja mais em sua aula e assim compreender melhor o conteúdo abordado.

Assim como o Whatsapp o Facebook também pode auxiliar o professor, pois neste aplicativo também podem ser criados grupos nos quais podem ser publicados textos para que sejam baixados e utilizados. O Google é outra ferramenta bem interessante, pois nele há o classroom,ou a Sala de aula, onde podem ser criados salas de aula online podendo haver publicações e comentários.

            Porém, nem todos os professores, principalmente àqueles com muito tempo de docência, têm tanta facilidade para aprender a utilizar essas ferramentas, podemos ver que ainda hoje existem profissionais da educação com dificuldade para utilizar as novas tecnologias. Segundo Cantini (2006, p. 5):

Os professores possuem uma formação acadêmica deficitária com relação ao uso das ferramentas tecnológicas, e ao ingressarem na carreira docente assumem uma carga horária de trabalho imensa prejudicando a qualidade de sua prática pedagógica, não propiciando a utilização de ferramentas e técnicas mais elaboradas.

A universidade precisa sempre oferecer cursos de qualificação para o professor, no qual ele possa não apenas aprender, mas conviver com essas tecnologias. Também é necessário que a Universidade disponha de aparatos tecnológicos básicos de hoje: PC e Datashow (Projetor), que são as ferramentas mais utilizadas em sala durante a aula. No entanto, não adiantará a Universidade oferecer um aperfeiçoamento se o professor não tiver motivação para aprender as tecnologias. O professor deve compreender que precisa mudar, pois ele estará apenas se inserido na sociedade atual, que passa por constantes transformações.

Saber utilizar as tecnologias é muito importante, a maioria das universidades possui, porém, não sabem utilizá-las. Além dos fatores já citados, o que tem ocorrido é uma distração por parte dos alunos. A internet, que é uma grande ferramenta de auxílio, tem se tornado o centro do processo educacional. O que isso significa? Os nossos estudantes vem cada vez mais utilizando ela como principal ferramenta para resolução de trabalhos acadêmicos, o conhecido “ctrl C + ctrl V”, a utiliza para fazer resenhas, resumos, dissertações, fichamentos e até mesmo trabalhos de conclusão de curso.

Isso tem refletido em resultados de diversos exames realizados no ensino superior, como o ENADE, cursos têm sido proibidos de abrir novas turmas devido à notas baixas nesses exames. Além disso, esses formandos têm encontrado dificuldades ao adentrar no mercado de trabalho pela falta de conhecimento, prática e vivência, resultado de uma formação deficitária. Quando falamos em licenciatura é ainda pior, pois segundo MELLO (2017, p. 8)

Estes profissionais formados com certa deficiência acadêmica voltavam para atuar na educação básica onde eram responsáveis pela formação inicial dos alunos, e que de certa forma reproduziam o ciclo de uma formação básica cada dia mais deficitária, formando novos alunos que inevitavelmente, tornam-se alunos oriundos dessa formação reprodutivista e que chegam ao curso superior com conhecimentos insuficientes, reforçando um ciclo de formações ineficientes e recorrentes.

            Pode-se concluir que está havendo um ciclo de formação deficitária, que começa com uma má formação desde o ensino básico, passando pelo ensino superior e novamente retornando ao ensino básico já na figura do professor. Ou seja, estamos formando cada vez mais estudantes com baixo nível acadêmico, que tiveram uma má formação.

 

  1. A FORMAÇÃO DO DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR

A qualificação profissional, ou seja, a formação, neste caso, do professor que vai atuar no ensino superior, trás consigo algumas particularidades que o difere do profissional da educação dos ensinos fundamental e médio. Pois na universidade os alunos são mais adultos, com pensamento mais futurístico no que tange a sua área de atuação.

O professor precisa passar por cima de todas suas dificuldades e ultrapassar as barreiras da complexidade para fazer com que as aulas sejam proveitosas. Devido a isso, o professor deve possuir uma gama de conhecimento, devido haver uma maior exigência por parte do público alvo, o discente universitário. Logo, há de ser compreender a complexidade da formação dos professores no ensino superior.

No ensino superior muitas vezes não se exige do professor metodologias e/ou técnicas de ensino tão eficazes, pois de nada adiantará se este não for profundo conhecedor de sua disciplina, ou seja, o professor tende a ser aquele que domina a sua área, o detentor do conhecimento. Ao abordamos isso podemos perceber a debilidade na formação do docente do ensino superior no país, o que pede melhorias nas políticas educacionais.

Portanto, os essenciais desafios que tangem à melhoria do processo de formação do professor do ensino superior dizem respeito à mudança da cultura do docente, é preciso valorizar este profissional, e a ele ser atribuída, pela universidade (pública ou privada) a formação contínua para sua melhor capacitação, além disso, como já citado na seção anterior, a melhoria infra-estrutural para que este profissional tenha boas condições de trabalho, e assim desenvolver melhor a sua aula.

  1. OS PROBLEMAS ENTRENTADAS PELOS ALUNOS NA GRADUAÇÃO NO SÉCULO XXI

 

Para o aluno da graduação, talvez este seja o melhor século no que diz respeito às suas atividades na Universidade. Isto se refere ao fato de hoje haver uma maior acessibilidade a trabalhos acadêmicos, teses, publicações, revistas e etc. Hoje, pelo menos na maioria dos centros universitários, existem laboratórios de informática, salas de leitura, bibliotecas e em algumas outras existem centros acadêmicos e redes de wi-fi gratuitas. Ou seja, hoje é mais fácil desenvolver sua graduação, pois com a maior acessibilidade vem mais conteúdo, e com mais conteúdo se adquire mais informação, o que não significa conhecimento exatamente.

Todavia, há pouco tempo tais tecnologias eram privilégio de poucos, nos anos 90, por exemplo, praticamente só existiam bibliotecas e em sua maioria com um acervo limitado, a internet era quase que escassa, e os computadores mais ainda. Podemos notar que este século, devido as já citadas transformações tecnológicas advindas da globalização, o aluno tem muitas opções para não se prender somente a sala de aula, mas buscar o ensino via pesquisa.

Apesar da maior acessibilidade, da facilidade em obter mais conteúdo, os alunos já não possuem mais tanto tempo como antes, na universidade se requer muito mais tempo de estudo fora dela do que a escola, além disso, muitos alunos tendo que se dividir entre trabalho e faculdade acabam por deixar a sua graduação em segunda mão. Hoje a evasão universitária é uma realidade presente em muitas universidades não somente manauenses, mas nas brasileiras em geral.

Dentre os principais motivos está o baixo desempenho no ensino médio, o que vai refletir no ensino superior “o baixo desempenho no ensino médio reflete no desempenho das primeiras disciplinas do curso superior, resultando em abandono do curso pelas reprovações nos primeiros semestres (Almeida e Veloso (2002, p. 9).

Outro fator que determina uma maior evasão escolar é que muitos estudantes, principalmente que desejam ingressar na universidade pública, escolhem cursos próximos ao da área pretendida, para que depois, através de uma seleção ou transferência interna, consigam uma vaga no curso pretendido. Mas isso dificilmente acontece e os alunos acabam por desistir do curso e procurar outros vestibulares, o que faz com que haja evasão.

Um exemplo rotineiro é muitas pessoas entram no curso de Enfermagem, por que não conseguiram vaga em Medicina, porém acabam se frustrando e logo desistindo do curso por diversos fatores. A mesma situação é com alguns alunos que cursam administração por não conseguir passar no vestibular para Direito. A problemática da evasão universitária é, em síntese, segundo Alves (2008, p. 4):

(...) uma problemática que tem levado muitos estudiosos a pesquisarem as suas causas, a fim de que possam ser encontradas alternativas para as mazelas que se originam deste processo. E, apesar das semelhanças e diferenças existentes entre os autores, todos concordam que as universidades devem adotar processos de gestão que sejam corretivas e preventivas da evasão, reduzindo assim os índices de abandono dos mesmos. E, para tal é fundamental a compreensão dos fatores que condicionam a evasão.

Com a dificuldade de conciliar trabalho e universidade, como já foi abordado no início deste tópico, a evasão universitária também se torna efetiva. Muitos professores são bastante rígidos quanto ao horário, principalmente com os alunos do turno noturno, quando estes enfrentam trânsito, ônibus lotados além cansaço físico e mental até chegar à sala de aula, e quando chegam correm o risco de não poderem acessar a aula, ou até mesmo perdem avaliações por chegarem atrasados.

Por isso a turma deve ter sempre um representante para que ele aponte as dificuldades ao professor, e este logo deverá compreender, sempre que possível as particularidades de cada um de seus estudantes, por isso deve sempre haver o diálogo, pois o ambiente universitário é feito através dele.

Se o professor compreender as particularidades de cada aluno logo também poderá trabalhar a sua aula de modo que todos tenham maior facilidade em compreender, pois se sabe que entre os alunos existem diferenças étnicas, ideológicas, culturais, sociais, religiosas e etc. Não é raro o professor estar no meio de discussões sobre um destes temas citados, pois é impossível uma turma de universidade ter o mesmo pensamento, a mesma posição política.

 

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante daquilo que foi apresentado, podemos observar que a relação entre discente e docente é bastante complexa, tendo o professor à responsabilidade de lidar com cada uma das situações que venham a ocorrer e ter o pensamento de que a construção do conhecimento por seus alunos será advinda do seu esforço, do seu envolvimento para que estes se tornem alunos capazes de pensar e logo atuar.

Também foram observadas as dificuldades que o professor e o aluno enfrentam tanto dentro como fora da sala de aula, que apesar de algumas situações terem mudado para melhor ainda há um caminho bastante longo a percorrer para a melhoria da educação, com novos projetos políticos pedagógicos, com mais investimento na educação, com melhor capacitação dos profissionais, com melhorias infra-estruturais além de diversos outros fatores que contribuam para um melhor ensino aprendizagem, não somente no ensino superior, mas também nos ensinos fundamental e médio, pois são nestes níveis que os alunos são preparados para ingressarem na Universidade, ou seja, são as base para a vida acadêmica.

O diálogo é outro fator importante para a melhoria da educação, hoje muitos professores ao concluírem sua disciplina no ensino superior realizam uma espécie de feedback em que os alunos abordam como foi a disciplina em suas respectivas análises, deixando com que o professor apenas ouça as dificuldades por eles abordadas durante o período, este diálogo é muito importante pois nele o professor poderá corrigir alguns erros que venha ter cometido, ou se não este poderá explicar ao aluno o porquê que agira de tal jeito em algum momento.

Neste artigo, todavia, viu-se que no século XXI, no auge da globalização, o tempo é um dos maiores inimigos dos professores e alunos, pois hoje ele é muito limitado, professores e alunos tendo que se capacitar e ao mesmo tendo a obrigação do trabalho faz com que estes tenham menos tempo durante o dia, o que acaba por atrapalhar em algum momento seus respectivos desempenhos seja no trabalho ou na Universidade.

É preciso haver mais ações por parte do governo para atenuar esse problema, já existem diversas discussões sobre o tema, por isso as ações já se fazem muito necessárias. Mas é certo que o professor que quer ser bem qualificado não pode esperar apenas por programas do governo, ele deve buscar a formação atravessando todos os problemas citados, pois, sabe-se que a profissão do professor requer sacrifícios e muita dedicação.


 

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CANTINI, Marcos Cesar. O desafio do professor frente às novas tecnologias. In: EDUCERE - CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 6, 2006, CURITIBA. Anais... Curitiba: CHAMPAGNAT, 2006. p.879.

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MELLO, Eloisa Helena. FORMAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR A LUZ DA FORMAÇÃO HUMANA. In: IV Seminário Internacional de Representações Sociais, Subjetividade e Educação - SIRSSE, 8, 2017. Disponível em: http://http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/27450_136092_13_00_2595-7178-1-PB.pdf > Acessado em: 22 de setembro 2018.

MIGANI, Eric José. AS DIFICULDADES PARA A QUALIFICAÇÃO DO DOCENTE NO ENSINO SUPERIOR PRIVADO E A FRAGILIDADE DA LEGISLAÇÃO NA SUA TUTELA. Vertentes do Direito, [S.l.], v. 2, n. 1, p. 63-81, jul. 2015. ISSN 2359-0106. Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2017.

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