Muitas vezes a mídia nos dá a saber sobre fatos escabrosos sem entrar em detalhes de como tais situações são possíveis. De fato, a atual demanda de acontecimentos faz com que o formato dos telejornais seja produzido para transmitir notícias, e não informações. E tal se dá, certamente, no que se refere às ameaças ao meio-ambiente. Por exemplo, como funciona o mecanismo de aquecimento global que tanto nos ameaça, e que, segundo um cientista cuja entrevista li há poucos dias, matará cerca de 6 bilhões de pessoas no presente século? O nosso planeta tem uma temperatura natural regulada para abrigar vida em abundância, e de dita estrutura acolhedora faz parte a Sol. Ocorre que, da mesma forma que o Sol é essencial à existência e manutenção da vida na Terra, o excesso de luz solar faria com que diversos organismos desaparecessem de nosso mundo. Assim, para manter a temperatura terrestre equilibrada de modo a permitir a existência e manutenção de vida, parte dos raios solares é refletida de volta ao espaço sideral e outro montante é represado em nossa atmosfera. Há pouco mais de 200 anos o homem começou a sujar os céus: a Revolução Industrial criou máquinas a vapor, que começaram a poluir até onde os olhos pudessem enxergar; no final do século XIX foi inventado o automóvel, que, até os dias atuais e principalmente nas grandes cidades, se utiliza de combustíveis fósseis, originados do petróleo, para seu regular funcionamento; as queimadas ao redor do mundo aumentaram exponencialmente. Todos sempre lançaram e ainda lançam na atmosfera grandes concentrações de dióxido de carbono. Pois bem, o excesso de dióxido de carbono nas altas camadas atmosféricas criou uma espessa barreira que impede um percentual cada vez mais alto de raios solares de ser refletido de volta ao espaço, aumentando a quantidade de luz solar represada na atmosfera e elevando, portanto, a temperatura global. Então, se concretizarão vários e perversos efeitos colaterais, como o ameaçador degelo da Antártida e das mais altas cordilheiras do mundo, em especial do Himalaia e dos Andes, aumentando o nível dos mares e oceanos em cerca de um metro até o final do corrente século e tornando, aí, inabitáveis todas as regiões costeiras do planeta (o degelo da parte mais setentrional do Ártico não é ameaçador no referido sentido [embora cause perda de biodiversidade, como o desaparecimento dos ursos polares, e ameace o estilo de vida dos esquimós], uma vez que não se trata de gelo sobre terra, mas tão somente de gelo que, se derretido, ocupará, na forma de água, o mesmo espaço que antes lhe era destinado, não acrescentando mais líquido aos mares e oceanos - ao revés da Antártida, das cordilheiras e do Ártico mais meridional [Alasca, Canadá, Groenlândia, Escandinávia e Rússia], que são gelo sobre terra, de modo que o derretimento de suas camadas somará cada vez mais água aos mares e oceanos, invadindo áreas que não lhes pertenciam). O derretimento do Ártico mais meridional também rompe o permafrost – solo que contém altas reservas de metano - liberando mencionado gás na atmosfera e contribuindo, ainda mais, para o aquecimento do planeta. É um círculo vicioso que não termina nunca, e antes mesmo de concretizadas as previsões apocalípticas já sentimos na pele os nefastos efeitos do aumento das temperaturas. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, os verões estão cada vez mais quentes, não sendo raro um dia em que a sensação térmica ultrapasse os 50 graus celsius. Países de clima temperado estão registrando doenças típicas de regiões tropicais, como a malária. As estações do ano não estão mais tão claras quanto antes, e, em razão de tanto, nações que dependem da definição do clima para planejar sua agricultura sofrerão perdas de safras inteiras, com conseqüente desabastecimento e fome. Territórios insulares como Maldivas, Nauru, Kiribati, Tuvalu, Vanuatu e outros estão sendo engolidos pelo mar e desaparecerão do mapa para sempre. Qual é a solução? TEMOS, SIMPLESMENTE, QUE PARAR DE POLUIR. Não é uma tarefa fácil, mas é possível. O Brasil pode fazer sua parte usando as Forças Armadas para reprimir as queimadas na Amazônia, de onde sai a maior parte de nossas emissões de dióxido de carbono. Mas nenhuma iniciativa, de quem quer que seja, terá sucesso sem a adesão dos maiores poluidores, que hoje são a China (sua matriz energética é puramente à base de carvão mineral e Pequim tem um dos ares mais poluídos do mundo) e os EUA. Se ambos não compreenderem que devem diminuir, e muito, suas emissões de dióxido de carbono, estaremos literalmente condenados à extinção – e, então, infelizmente se concretizará a sinistra previsão do cientista a que me referi no primeiro parágrafo.