ADÃO, O TOTEM DE DEUS

Adão, o totem de Deus!

Fê-lo de barro,

À sua imagem e semelhança,

Tal qual os totens,

Filhos dos homens que,

Sem saberem-se procriadores,

Trabalhavam assim as suas descendências, com cerâmica;

Mas, eis que, ao comer do fruto do conhecimento,

Adão tornou-se ciente de que Eva era sua irmã, ou filha,

Suas psiques, representadas por metáforas, disseram-lhes,

Dessa união haverá o pecado de origem,

No passado, sem saberdes,

Sem sequer poderdes provar,

Matastes vossos pais, vossos irmãos,

Procriastes com vossos consanguíneos,

Jamais chorastes pela morte de vossos pais,

Como chorastes pela morte de vossas mães,

A ideia de que viveis no Paraíso acabou, Adão e Eva!

A descendência paterna tornou-se uma realidade,

Por isso, deveis proteger-se da consanguinidade!

Percebeis que agora surge a figura do Pai, tal como eu,

Que durante muito tempo foi renegado de reconhecimento?

Para a humanidade, meus caros,

A potência de vida do Pai representa conhecimento, tabu e dor!  

A Autora

ARTIGO

RESUMO:

O presente estudo tem como objetivo questionar o ambiente dos primórdios, desvendar as metáforas da descoberta da paternidade biológica, a partir de dados da Mitologia, na consagração da consciência como a maior manifestação de animismo do corpo humano.Tendo sido, em hipótese, desencadeada pela performance de totemismo, em satisfação do desejo da imortalidade masculina, representado com a simulação da gravidez, obtida através da respiração do sopro-rápido, até atingir a auto-hipnose, e o consequente despertar da fisiologia da consciência.As fases da paternidade genérica, a descendência por totemismo, o totemismo cerâmico da fase anal, a performance de animismo e o teatro, a paternidade adotiva.Indícios da paternidade genética, sofrimento pelo conhecimento da reprodução sexuada, pecado original fruto da provável consanguinidade, provável parricídio, tabu, surgimento do arquétipo do pai, proibição do totemismo, a consagração do patriarcado.A consagração do animismo somático da consciência, pela auto-hipnose, como determinante no desenvolvimento da psique em acordo com a Mitologia, o humano como mago, animismo dos corpos sutis, percepção das próprias frequências somáticas a partir da auto-hipnose.

Palavras-chave: primórdios, descoberta da paternidade biológica, Mitologia, consagração do animismo, totemismo, imortalidade masculina, simulação da gravidez, respiração do sopro rápido, auto-hipnose, totemismo cerâmico da fase anal, performance, teatro, paternidade adotiva, consanguinidade, patriarcado, mago, animismo dos corpos sutis, frequências somáticas.

Na Semiótica, imagina-se que os sentidos estão repletos de animismos de um modo que não se está mais apto a percebê-los, porque, talvez, outrora, havia uma percepção de psiquismo bastante aprofundada, a despeito dos simulacros da linguagem atual, então, para se chegar mais longe no estudo do tempo, seria necessário considerar que, por trás das palavras, há mais propriedades e desejos implícitos.

Quando se pretende desvendar o desenvolvimento da psique humana, as únicas fontes para o entendimento continuam a ser a literatura da Mitologia, ocidental e oriental, da qual se poderia extrair, em um primeiro momento, a consagração da auto-hipnose e do despertar da consciência como elementares à formação da psique humana, e ainda, como fonte, o corpo fisiológico, o palco do animismo, o sentimento das frequências somáticas.

Considerando que o despertar da consciência por auto-hipnose é um fenômeno de animismo somático para boa parte da Mitologia, parece ser uma possibilidade construir uma cultura histórica a partir do corpo, tanto quanto a partir das metáforas das narrativas mitológicas que consagram esse poder.

Se é pela descoberta do animismo, sobretudo o somático, que se desenvolve todo o psiquismo humano, diria, então, que essa mesma condição seria verificável na Pré-História, em dado momento da humanidade. Esse fisiologismo, a provável auto-hipnose primitiva, ainda estaria disponível à pesquisa, gravada no corpo humano.

Teria sido por causa da percepção de animismo que os humanos tentaram simular a gravidez e o parto, de diferentes formas, em diferentes performances, tendo assim criado a linguagem do totemismo e, ainda, como uma das suas formas de expressões, a teatralidade? Será que a confecção da cerâmica tinha por finalidade utilizá-la na peça teatral, o totem cerâmico em substituição ao bebê?

Por hora, para efeito dessa hipótese, será designado a teatralidade como uma expressão do totemismo, sendo a confecção cerâmica um produto dessa expressão. Em um momento posterior, seria possível supor que a confecção do totem cerâmico tenha se desvinculado da teatralidade, dando maior expressão à propriedade, nos moldes da linguagem do patriarcado, em derivação, depois, quando por sublimação à descoberta da paternidade biológica.

Trata-se do exercício de imaginação para narrar cenários mitológicos na Pré-História no tocante à psique humana, para resgatar uma possível simbologia, a humanidade nos primórdios, pelo narcisismo do animismo da primeira infância e, sobretudo, narrar o fenômeno da serpente, que teria sido despertada pela performance da respiração do sopro rápido, pela auto-hipnose, com a simulação da gravidez, o que também teria levado a humanidade ao conhecimento da paternidade biológica e ao tabu.

O conhecimento de animismo reputa-se como um assunto clássico da Mitologia, a julgar que o fenômeno do totemismo consagra-se por reivindicar os direitos masculinos de imortalidade, diante da evidente ignorância da paternidade biológica, sendo o totemismo uma manifestação simbólica da consciência de animismo somático, do fisiologismo humano da gravidez e da descendência biológica feminina.

Na literatura, surge o Adão, aquele que teria sido o primeiro totem de Deus e, por ser um totem, fora feito de barro; e por ser ignorante da reprodução, vivia no Paraíso; entretanto, eis que, curiosamente, surge uma serpente e lhe propicia, ao Adão e também à Eva, o conhecimento, a consciência, pela apoteose do animismo somático da auto-hipnose.

Por outra literatura, pelo Tantra, pelo Yôga, da cultura hindi, surge a descrição da Kundaliní, em uma composição de duas serpentes, e da mesma forma que a serpente de Adão e Eva, proporciona, fisiologicamente, a auto-hipnose e o despertar da consciência aos seus praticantes!

A julgar que as duas narrativas abordariam o mesmo fenômeno, o que teria natureza fisiológica e psíquica capaz de ter proporcionado essa condição, em que aparece uma serpente antes da consagração da consciência, senão a auto-hipnose?

A experiência da serpente é uma das coisas mais intrigantes da humanidade, já que teria representado a grande centelha fisiológica de consciência de acordo com boa parte das narrativas ancestrais.

Seria possível afirmar que a centelha fisiológica causada por auto-hipnose é um fenômeno de animismo somático? Por que a serpente é a responsável pelo despertar do fenômeno psíquico da consciência? A auto-hipnose é uma prática muito elaborada ainda nos dias atuais, até bastante intrigante, a supor que na Pré-História não tenha sido diferente, tanto que, em um determinado momento, o assunto foi imortalizado.

À Eva Mitocondrial, poeticamente, seria possível atribuir o despertar da Kundaliní, das forças psíquicas da auto-hipnose, há fartos relatos poéticos, na Mitologia, que sugerem a prática ancestral da auto-hipnose.

Mas quem poderia sugerir que a Lucy, no céu, com os seus demônios, não teria despertado, antes, na humanidade, a auto-hipnose? Será que o Homo sapiens é o único humano que despertou as forças psíquicas da serpente? Será que auto-hipnose desperta mesmo alguma serpente fisiológica?

Seria possível que os ancestrais tivessem descoberto acessar as frequências somáticas regendo uma música mágica, consagrando a auto-hipnose como alegoria máxima do animismo somático? E se a linguagem do encantamento ancestral tocasse a música certa para provocar a histeria e despertar a serpente no corpo hipnotizado? Seria uma espécie de animismo psíquico gerado com a auto-hipnose, a dança do corpo sutil das serpentes?