Assunto:

Fases primitivas da humanidade; o mito do Adão e Eva como representação simbólica da cognição da paternidade, passagem do significante da fase oral à fase anal e à fase sexual pela humanidade; causa ideológica e causa fisiológica; hipnose como a regra primordial; histeria primordial; psicose primordial; disclusão; foraclusão; superego primordial; castração primeva; aeolossexualismo; heliossexualismo; frutos falsos e frutos da mesma espécie; transladação das propriedades reprodutivas do Sol; Deus como significante do interdito proibitório do incesto; o veículo de Apolo como significante do falo; heroísmo como significante do combate à histeria e ao aeolossexualismo; luz solar como significante do gozo do Sol; Sol como pênis de Deus; Esculápio, o deus da Medicina Reprodutiva, como esperma; a dor do parto como prova material da autenticidade do fruto; o choro do nascituro como significante da fala; o relógio de Sol como a vontade do pênis; parabólica; simbólica; diabólica; funções da circunferência e da soma; luz material do Sol; luz imaterial de Deus; transubstanciação; consubstanciação; veneração como a linguagem dos sagitais; bipedismo como causa desencadeante da fase anal e da fase sexual: uma grande vascularização do ânus e a exibição espetacular do pênis.

Palavras-chaves: Adão e Eva, cognição da paternidade, passagem da fase oral à anal e à sexual, humanidade, causa ideológica, causa fisiológica, histeria primordial, psicose primordial, disclusão, foraclusão, castração primeva, aelossexualismo, heliossexualismo, frutos falsos, frutos da mesma espécie, veículo de Apolo, falo, luz solar, gozo, pênis de Deus, Esculápio, dor do parto, prova, choro do nascituro, fala, relógio de Sol, circunferência, luz imaterial, transubstanciação, consubstanciação, veneração, linguagem dos sagitais, bipedismo, uma grande vascularização do ânus, exibição espetacular do pênis. 

 

Sujet:

Stades primitifs de l’humanité; le mythe d’Adam et Eve comme représentation symbolique de la cognition de la paternité; passage du signifiant de la phase orale à la phase anale et à la phase sexuelle pour l’humanité; cause idéologique et cause physiologique; l’hypnose comme règle primordial; l’hystérie primordial; la psychose primordial; disclusion; foraclusion; superego primordial; castration primitive; aeolosexualisme; heliosexualisme; fruits faux e fruits de la même espèce; traduction des propriétés reproductives du Soleil: Dieu comme signifiant de l’interdiction prohibitive d’inceste; la véhicule de Apollo comme signifiant du phallus; l’héroïsme comme signifiant de combat a l’hystérie et au l’aeolosexualisme; lumière du Soleil comme signifiant de l’éjaculation; le Soleil comme pénis du Dieu; Esculape, le dieu de la Medicine Reproductive, comme sperme; la doleur de l’accouchement comme preuve matérielle de l’authenticité du fruit; le cri de l’enfant à naître comme signifiant de la parole; le cadran solaire comme le désir du pénis; parabolique; symbolique; diabolique; fonctions de la circonférence et de la somme; lumière matérielle du Soleil; lumière immatérielle du Dieu; transsubstantiation; consubstantiation; vénération comme le langage des sagitalls; bipédie comme cause déclenchante de la phase anale et de la phase sexuelle: une plus grande vascularisation de l’anus et une exposition spectaculaire du pénis.

Mots-clés: Adam et Eve, la cognition de la paternité, passage de la phase orale à l’anale et à la sexuelle, l’humanité, cause idéologique, cause physiologique, l’hystérie primordial, la psychose primordial, disclusion, foraclusion, castration primitive, aeolosexualisme, heliosexualisme, fruits faux, fruits de la même espèce, la véhicule du Apollo, phallus, lumière du Soleil, l’éjaculation, pénis du Dieu, Esculape, la doleur de l’accouchement, preuve, le cri de l’enfant à naître, parole, le cadran solaire, circonférence, lumière immatérielle, transsubstantiation, consubstantiation, vénération; langage des sagitalls, bipédie, une plus grande vascularisation de l’anus, une exposition spectaculaire du pénis.

 

Ab ovo

A psique dos primeiros humanos, por suposto, teria surgido como a de um bebê, sem sistemas psíquicos formados, tomado da hipnose sistêmica, som, imagem, fome e dor sem correspondência de ordem, sem significante de diferenciação. Quando nasceu, o primata era quadrúpede, depois, tornou-se bípede, tal qual um bebê que aprende a andar...

Há um momento de consolidação da angústia pela constituição da perda do “objeto a”; o bebê está diante do orgulho polimorfo-totêmico, constitutivo do narcisismo secundário, dada a experiência característica da fase anal; pois bem, após passar pela fase oral e fase anal, a humanidade, tal qual o bebê, seguiu em direção à realização do falo, na posse que consubstancia o desejo, pelo acúmulo de objetos a serem reivindicados, para a satisfação da fase sexual.

Primeiro, há a perda do “objeto a”, depois, o reconhecimento dessa perda, por fim, a substituição do objeto perdido por outros, mas jamais a sua satisfação.

O mito de Adão e Eva, por sorte, poderia vir a explicar o desenvolvimento do superego na humanidade; talvez, a ideia da castração tenha sido integrada à estrutura psíquica humana, posto que Hélio e Éolo, o Sol e o Ar-Vento, seriam os primeiros representantes simbólicos do pai doador e do pai castrador, quando a própria natureza se encarregava de conceder ou não a fertilidade aos seus tutelados, então, possivelmente, essa ideia parece ser constitutiva de um superego. De qualquer forma, a castração surge pela assertiva da luta da luz contra a escuridão...  Antes da descoberta da paternidade pela humanidade havia um ente castrador, o Sol era castrado por Éolo, e vice-versa.

 

Falaram com Deus e Esse lhes deu um pito...

Nem toda a alucinação é fruto de uma psicose. A alucinação permeia o narcisismo primário do bebê, ainda insípido de linguagem; quando ele escuta a mãe, essa escuta pode ser entendida como música.

Nesse texto pretende-se demonstrar, por suposto, que a psicose seria uma patologia decorrente de uma linguagem barrada por incompatível a uma nova linguagem que surgia, por interpretar-se, erroneamente, em dado momento histórico, que a reprodução pudesse ocorrer pelo gozo dos raios de Hélio, bem,  então, essa interpretação teve que ser retirada do círculo de linguagem da humanidade, por trata-se de uma impossibilidade devido à linguagem apreendida com a descoberta da Medicina Reprodutiva, certamente, não com esse nome.

A julgar que a humanidade teria passado por um período designado como fase oral, à semelhança de uma criança, sua composição fonética reprodutiva estaria ligada tanto ao choro, fisicamente, quanto à afetividade, pela satisfação ou não de seus desejos, assim, a humanidade deve ter eleito a fala, também, como um produto.

Depois, o bebê não pode mais reproduzir a linguagem da mãe, precisa reproduzir a própria linguagem, já na fase anal, surge um repertório próprio, trata-se de economia, bem, por certo a reprodução humana começa a ser questionada nessa fase, o poder de gerar substratos, de gerar descendentes.

Os seres concebem frutos, nesses tempos, o Sol torna-se desencadeador de vida devido à geração de frutos na Primavera, por certo, o Sol parecia ter poderes fecundantes. Também Éolo, antagonicamente, detinha o poder de suprimir a vida e de, ao seu bel prazer, criar seres disformes às suas espécies, o que ocorria a partir do Outono, quando havia a diminuição do tesão do Sol.

A linguagem primordial da música estaria formada a partir do choro e o nome do pai-Sol constituído, portanto, haveria, por presunção, em dado momento, a existência de um superego primário na gênese do homem, antes mesmo de haver a cognição da paternidade biológica, o que poderia ter ocorrido depois, não parecendo contraditório haver um representante do superego capaz de conceber a figura masculina do Sol como razão concessionária da vida, por certo, através do gozo, ou de raios, o Sol colocava-se onipresente, por tocar em tudo, a tudo iluminava e, sedimentando os raios na espécie, constituía os frutos que eram reproduzidos em conformidade às próprias espécies.

Também, na dúvida elementar da fase anal, a possibilidade que remete a criança à ideia da mãe possuir um pênis, da mesma forma, possivelmente, remeteria à ideia de que o pai pudesse engravidar, seriam situações que parecem correlatas ao desejo polimorfo...

Designa-se mal estruturado todo o sistema psíquico, se não houver a aceitação do nome-do-pai, por suposto, o nome-do-pai surge enquanto significante de alteridade castradora, portanto, estruturante de uma pré-condição interpretativa para a diferenciação dos gêneros e, consequentemente, capacitação para concatenar os dois gêneros em ideia da reprodução sexuada; essa seria a aceitação do nome-do-pai em termos de linguagem abstrata.

A verdade seria que Adão e Eva conseguiram estruturar o superego, após terem delirado e falado com Deus?

No entender de Lacan, haveria a defesa que decorre do próprio superego, no caso de Adão e Eva, em sintoma de delírio e alucinação, teria surgido Deus.

Salientando que o momento da concepção deveria ser algo relativo e, em uma ideia remota, a gestação não causa, necessariamente, fixada a concepção, quer dizer, o momento de concepção não coincide com o momento em que está visível o fenômeno da gestação, nem com o do nascimento da espécie humana. É possível vislumbrar que, na história humana, muito entendimento teve que ser suplantado, nem por isso deixou de ser aventado. Na Bíblia, há a separação das mulheres como um fim de se garantir a linhagem reprodutiva, mulheres que deveriam ser criadas exclusivamente para a reprodução, exatamente por não ser conhecido o momento da concepção.

Então, dentro do contexto da reprodução, na espécie humana, há de se considerar dois fenômenos anímicos, em que se pudesse haver confusão, sobretudo em uma época primitiva, o fenômeno da Kundaliní, onde as serpentes se movem no útero, barriga e costas, e o fenômeno em que o feto se move no útero, na gravidez, sendo um falso e outro verdadeiro de gestação; o primeiro, por suposto, passa a ser atribuído à concepção aeólica, o que seria parcialmente falso, uma vez que, de fato, há um fenômeno da percepção das cobras que pode ser obtido pela respiração..  

Nesse momento, não existe a aceitação da diferenciação sexual com fins reprodutórios, talvez, haja uma confusão inicial típica da fase anal, em que os homens pudessem imaginar-se com propriedades de engravidar, como teria ocorrido a Schreber, inclusive, podendo a humanidade ter confundido o produto da gravidez com o produto do sistema digestivo, como fez o pequeno Hans, bem, nesses termos, seria possível supor que o primeiro totem cerâmico teria sido feito de fezes.

Noutro momento, o homem teria propriedades mágicas para confeccionar o totem e soprá-lo às narinas, concedendo-lhe a vida, da mesma forma como o bebê respirava ao nascer...

Não seria possível a formação do superego se não houvesse a aceitação do nome-do-pai enquanto ideia de reprodução sexual por meiose da mesma espécie, sim, de certo, ao constituir Hélio como pai, ou o equivalente, já poderia estar concluso o significante do pai; no entanto, faz-se necessário aventar dois momentos, o anterior, já descrito, e o posterior, quando há a acepção do interdito proibitório do incesto, na constituição de Deus, substituto do Hélio; também, na acepção do pênis em falo, enquanto ente reprodutor, sucessor de Hélio.

Por alguns motivos, o pênis-falo será detentor de heroísmo, uma vez que Hélio sempre quis derrotar o Éolo e vice-versa. O pênis se imbui de tal prerrogativa, derrotar os filhos do arqui-inimigo do seu pai, afinal de contas, as cobras eram filhas de Éolo...

Teriam Adão e Eva chegado a esses termos por primeiro considerarem que quem detinha o poder de fecundar eram dois entes masculinos, Hélio e Éolo. São esses entes que funcionam como os primeiros entes castradores do homem, estando associado às maiores expressões de mudanças nas estações.

Deus, o ente de luz imaterial, tem Hélio como pênis, o ente de luz material, esse teria convencido Adão e Eva de que eles deveriam derrotar seu arqui-inimigo, Éolo, quando Hélio estivesse fraco, que Adão e Eva se religassem à memória da luz por meio das combinações matemáticas dos planetas e estrelas na Via Láctea, porque Hélio voltaria anunciando a derrota de Éolo. Sendo que a memória do cálculo era a oração. Enquanto durasse o Inverno, eles deveriam renunciar à luz do Fogo e se protegerem do Vento, sob pena de traição ao maior ente de luz celeste, o Sol, o pênis de Deus.

O superego torna-se o locus do significante da reprodução sexual, reforçado por Deus, quando Adão e Eva refutaram a ideia de heliossexualismo; possivelmente, quando isso ocorre, um ideal surge no momento de foraclusão, designando a possível psicose primordial, para que ocorresse a constituição do pênis como falo, o ente torna-se detentor dos poderes que eram atribuídos a Hélio, com a constituição do Deus imaterial como significante do interdito proibitório do incesto, até então inexistente.

Com a formação do superego pós-revolução cognitiva da reprodução por meiose dos gêneros da mesma espécie, tem-se o abandono da auto-hipnose, o desenvolvimento da linguagem com a instituição do significante que constitui a histeria e do significante que constitui a psicose, em meio a uma linguagem subsistente, pós-criada, que refuta toda e qualquer ideia de reprodução diferente da sexual pela própria espécie. A linguagem seria pós-criada na medida em que se revela somente após o evento.

O acesso à linguagem para discluí-la ou foracluí-la ocorreria pelo recurso da hipnose depois da experiência. De que outro modo a linguagem restaria censurada e barrada, respectivamente? De certo não poderia coexistir duas linguagens distintas, contraditórias e contrárias, sobre a reprodução...

Em outros momentos, por certo, a humanidade pode ter vivido deslumbrada, em delírios, quando expressava o desejo narcísico, recusando-se à castração por não haver estrutura psíquica correlata ao entendimento.

A formação do super-ego, ou a aceitação da linguagem da qual Lacan denominou o nome-do-pai, relaciona-se à alteridade que culminaria em capacitação para aceitação da reprodução sexuada.

Curioso pensar que em certas culturas é permitido com louvor o ritual decorrente da expressão de Éolo, como na cultura indi, o inspirar do pránáyáma, modalidade de respiração para absorver as partículas de Sol que estão contidas no ar; essa prática de animismo somático pode resultar no fenômeno da Kundaliní, com o despertar de serpentes.

O que parece ter ocorrido, no sintoma da fala, quando da formação do superego, uma suposta passagem da estrutura do metonímico ao metafórico, já que barrar a auto-hipnose seria um objetivo psíquico ou mesmo uma consequência da aceitação da linguagem, pois bem, a continuidade da alucinação remete à modalidade de relacionamento que se dá diretamente com o meio, sem conseguir distanciar-se desse por linguagem. A metáfora relaciona-se ao ideal do pai, podendo esse ser diferente da própria espécie, enquanto a metonímia se desenvolve no período da cognição da paternidade, não aceitando trocar mais o nome do pai por outro que não fosse o da própria espécie.

O desejo de Schreber de hereditariedade levou-o à alucinação? Recusava a reprodução dentro da sua própria espécie, quando ele e sua esposa, acreditava, haviam falhado, restou-lhe a culpa, daí, adotou o heliossexualismo como modo reprodutivo, sendo que ele se transubstanciaria emasculado para conseguir conceber uma nova espécie em que o Sol, um ser masculino, o engravidaria a mando de Deus. Aqui vê-se que o Sol como determinante da sexualidade de Deus.

O sintoma dá-se na permeabilidade dos sistemas, sendo o lastro hereditário estruturante da formação da linguagem metonímica, ao requerer alguma causa idealizada reprodutiva, tem-se o nome-do-pai como ente da mesma espécie.

Havendo um retorno, por auto-hipnose, às possíveis dúvidas sexuais, narcísicas, resquícios de experiências psíquicas elaboradas na fase oral e na fase anal da humanidade, tem-se por representativo um possível desprezo da linguagem reprodutiva...

Quando o conhecimento da reprodução transformou os humanos em civilização, essa experiência deu-se por processo, ao manipular forças reprodutivas, primeiro, o humano avoca os poderes do Sol, o ente que representa Deus em sentido sexual, como descreve Schreber, por suposto, o Sol seria representante da materialidade sexual, portanto, o Sol é entendido como o pênis de Deus; entretanto, apesar da materialidade do Sol, Deus, contraditoriamente, também, pode ser o representante da imaterialidade da luz.

O desencantamento inicial, a perda do “objeto a” e a passagem de retorno ao encantamento são situações que podem gerar um sofrimento, uma desestrutura, porquanto requer uma permeabilidade...  

A psicose, como retorno à linguagem em que não há a ocorrência do domínio da fase sexual, sugere que seria a linguagem de alucinação uma estrutura primordial, prevalente na gênese da psique, no entanto, para a humanidade ocidental, a psicose viria a ser uma patologia da linguagem; seria preciso distinguir que, antes da passagem para fase sexual, não há de se falar em psicose, há de se considerar tão somente delírios narcísicos da fase oral e anal; Lacan discorre sobre as alucinações do bebê, bem, o fenômeno ocorre até que o bebê possa formalizar sua psique em sistemas, portanto, isso deve ocorrer quando da formação do superego.

Por suposto há dois corpos perdidos, constitutos do “objeto a”, um seria físico, as mamas, por exemplo, outro, emocional, a linguagem; mas para o bebê não haveria distinção; em um exercício de imaginação, a alimentação pode ser suprida com outros recursos, mas a linguagem da mãe seria um objeto perdido, embora nunca tenha sido própria do bebê, portanto, a ideia da perda do “objeto a” seria um segundo delírio, posto que derivativo de um objeto impróprio, pois iludido estava o bebê sobre o seu tamanho.

Formar ou formalizar os sistemas psíquicos, a expressão de convergir-se em sistemas pode tanto ser compreendida como apreensão de linguagem quanto de estrutura, quando supõe-se haver a possibilidade de inscrição da linguagem; então, pelo delírio e alucinação, dá-se o mecanismo de inscrição de qualquer linguagem, possivelmente, desde os primórdios; na assertiva de que, segundo Freud e, também, Lacan, há uma tentativa de dar-se sentido à linguagem foracluída, trazê-la para o rol de significantes...

Nos primórdios, possivelmente, na fase oral da humanidade, a razão de todas as coisas seria, por certo, o ente elementar que pudesse ser ingerido, daí, qualificam-se o ar e suas propriedades, como o vento, o som, então, sugere-se que o mesmo raciocínio teria ocorrido a Adão e a Eva quando, possivelmente, pudessem ter ingerido o gozo de Éolo ocasionando como consequência a gravidez das cobras; já o raciocínio da fase anal relaciona-se à confecção do totem cerâmico acrescido a esse o sopro nas narinas.

Por fim, na fase sexual, haveria a construção do ideal do falo-pênis e do falo-bebê como, respectivamente, reprodutor e produto da luz do Sol, a psique humana carregaria em seu bojo esse entendimento, o deslocamento dos poderes da persona do Hélio, o pênis de Deus, para o falo-pênis do homem, e daí, a substanciação do fruto. Portanto, por esse entendimento, para haver vida deve-se expressar a reprodução da luz do Sol-pênis-de-Deus, quando os raios representam o seu gozo.

Nesse contexto, apareceria o bio-reprodutor da luz solar, o pênis do homem, quem detinha linguagem de gozo.

A mulher, no parto, também, reproduziria a linguagem do gozo, ao parir o fruto-bebê, pelo que deveria ser o gozo da mãe, constituindo o fruto em libido objetal.

Esse entendimento parece corroborar com a ideia freudiana do que seja um objeto representante do gozo sexual fálico; o homem-pênis, enquanto performatizador do Deus-Sol, carrega consigo a expressão da luz, em um momento primitivo, em comunicação patriarcal, à semelhança do relógio de Sol, para, então, espraiar no útero uma substância de luz, que se transformaria em bebê. A esse modo de reprodução dá-se o nome de transubstanciação reprodutiva-sexual.

O esperma torna-se o elemento que conduz a luz do gozo divino, a fala ou o desejo do pênis de Deus, o homem passa a carregar a luz com a finalidade de pulverizá-la em úteros que possam gerar os frutos-filhos de Hélio.

Em todo caso, a histeria só poderia ocorrer após a formação do superego, já na fase sexual, quando o ideal estaria desenvolvido pela expressão da distinção sexual e a possibilidade de acepção da reprodução genética masculina, quando, então, percebe-se haver a realização de censura à auto-hipnose, sendo a disclusão o afastamento dessa linguagem reprimida.

Daí, portanto, ainda na expressão do heliossexualismo, ou por acepção desse, restaria idealizada a reprodução, no entanto, faz-se a distinção do Sol como o pênis do pai remoto, produtor de luz material ou gozo divino; o pênis humano subsiste como um veículo da fala dessa luz material, ou seja, o pênis torna-se o reprodutor em causa patente, porque assimila linguagem da pulsão da luz; nesse momento e nos subsequentes, para expressar-se à inteligência da fase sexual, teriam surgido as narrativas “do carro do Apolo”, enfim, algumas designações que expressariam o pênis como falo reprodutor de luz, à frente do Sol, o pênis de Deus.

Se o pênis representava o objeto que antes captava luz para reproduzi-la, agora, apareceria, então, de moto próprio, como falo, ainda assim, haveria a caracterização da causa remota, a bateria torna-se, por conseguinte, portadora da luz imaterial, sendo essa a idealização de Deus; ou seja, Deus tem um ideal material a ser expresso por um pênis. O único ente que poderia ter acesso ao Sol seria outro pênis, à imagem e semelhança de Deus. Essa mesma expressão seria elaborada, pela doutrina católica, a saber, no significante que designa o Espírito Santo. Evidentemente, Deus é um ente masculino, positivo, por certo, deve ter um pênis, o Sol...

 

Da hipnose histérica à hipnose psicótica.

Vê-se que, na narrativa bíblica, existe uma demanda por linguagem, porém, não seria possível afirmar que a linguagem estivesse já inscrita, pela narrativa, que não houvesse formada. Por outro lado, a cadeia de significantes se formaria após alguma ocorrência, pois bem, soa que a linguagem passou a existir após o ocorrido, portanto, a linguagem seria algo que se aprende após uma experiência, dessa forma, afirma.se que a linguagem não estivesse afastada, disclusa, como na perspectiva histérica, em que não conseguiria ser encontrada.

A superação da ausência de significante no desenvolvimento de linguagem humana ocorrera por histeria ou psicose?

A confecção do totem assemelha-se ao produto da obra, na psicose, a obra confere uma das alternativas possíveis para dar sentido ao delírio, pelo excesso de linguagem condensado em perspectiva delimitadora, porém, a linguagem surge exatamente enquanto dúvida, a repetição de um sintoma ocorreria em lugar da linguagem.

A resposta de Deus, a Adão e Eva, se assemelharia à psicose?

Tem-se a obra, então, como produto excedente e organizador da linguagem, o que simboliza a incompreensão vem a ser uma forma própria de compreensão, tanto que, às vezes, seria partilhada em termos culturais.

 

Metodologia da análise psicanalítica. Ausência na fala. 

Para a interpretação da fala, utiliza-se o método sistemático, tentando desvendar o que estaria ausente na fala.

No texto bíblico, ou em outros textos, mitológicos ou não, têm-se a ausência, não por descuido, mas como método sistemático do pós-discurso, assim, operaria o discurso histérico na Mitologia, forma-se um enigma como método, tem-se, então, tentativas que poderiam desvelar o que está oculto... A questão remete ao desejo de falar de forma oculta a sexualidade...

Tenta-se completar a fala com os significantes primordiais, quais sejam, a descoberta da concepção, do nascimento, da morte e da vida após a morte! São essas passagens que vão ser inscritas em termos culturais.

 

Aeolossualismo.

Os primitivos, também, poderiam supor engravidar-se do ar, afinal, a expressão bíblica estaria a revelar que a vida viria do sopro nas narinas de um totem.

Por certo, bastava que inflassem a barriga para formalizar a concepção em seus corpos, bem, certamente, nem sempre era possível, o fato foi que, após um tempo tentando transubstanciar o gozo do ar, o vento, ou a luminosidade contida no vento, em fruto; certamente, possivelmente, teriam os primitivos conseguido a hiper-oxigenação e a auto-hipnose, daí, portanto, teriam conseguido chegar aos sintomas da histeria.

A hipnose causada pela hiper-oxigenação, em termos de Mitologia, revelaria, também, o mecanismo de adivinhações, ou divinações, não à toa, os poetas inspiravam o ar do Parnaso para trazerem para dentro de si as Musas que os inspirariam, por suposto, elas eram transubstanciadas no corpo do poeta pela inspiração do ar do Parnaso. A Bíblia utiliza o verbo ingerir, Adão e Eva ingerem conhecimento, quando os gregos utilizam o verbo inspirar-se, pois bem, se os poetas inspirassem as Musas no ar do Parnaso, por certo, as Musas trariam o conhecimento.

Essas assertivas revelariam, então, haver um poder de gerar conhecimento por ingerido ou inspirado?

O que viria a ser a atividade das Pitonisas, senão, a de revelar um poder divinatório, a supor que seria devido à hipnose? Embora as cobras tenham sido mortas por Apolo, diga-se, apesar da censura de Apolo, as Pitonisas ainda continuaram hipnotizando-se para revelarem seus poderes divinatórios, quando, na Mitologia, elas sentavam-se em cima do banco revestido do couro das cobras Píton, as cobras mortas por Apolo...

Mas por que elas precisariam reviver, de um certo modo, o fato de Apolo ter matado as cobras? De outro modo jamais exporiam a necessidade de se sentar sob um banco de cobras, revelando a censura de Apolo sobre as cobras que pudessem vir a ser despertadas em suas vaginas, em contraposição, diga-se, as cobras, derrotadas ou não, se mantiveram lá, a inspirar quem quisesse exercer o seu direito divinatório.

O que foi dito de forma positiva tenta-se expressar de forma negativa ou, então, expõe-se a narrativa em forma indireta, quando não, oculta-se o sujeito...

Se a+b+c são árvores, quem é animal?

Se a+b foram para lá, quem ficou?

Se as árvores e os animais reproduziam conforme às suas espécies, então, quem não reproduzia conforme à sua espécie?

Por outro lado, haveria manifestação de algo que deu causa, ou foi efeito de um fenômeno. Por acaso Apolo disse a verdade?

Um dia, ele matou a cobra e mostrou o pau, dividiu a cabeça da cauda, mas outras Pitonisas não deixaram de exercer os poderes de divinações, esse seria um fato, portanto, trata-se das potencialidades, do poder que Apolo teria, caso quisesse interromper as divinações, ou mesmo que as Pitonisas poderiam perder o poder caso se envolvessem com Apolo, era um aviso de censura, em termos metafóricos, associando a gravidez apolínea à interrupção da gravidez das cobras.

Por certo, há uma associação da enxaqueca à histeria, quando a aura da enxaqueca seria o nome que se designa ao fenômeno da Kundaliní, da Cultura da Índia, quando as cobras percorrem o chacra Ajña. O mesmo fenômeno pode tanto representar o sintoma da enxaqueca quanto pode representar uma abertura para o despertar da consciência, as duas linguagens são equivalentes à experiência, mas, no Ocidente, a linguagem estaria censurada.

No caso das Pitonisas, seria necessário a manutenção da virgindade para o aparecimento das cobras, caso contrário, pela atividade sexual com Apolo as Pitonisas engravidariam, sendo a gravidez uma forma de interromper a hipnose-enxaqueca... Ao que parece, os gregos eram profundos conhecedores da natureza fisiológica humana.

Como ocorreria a passagem da histeria à psicose, se é que ocorreu, de acordo com a Mitologia?

Por suposto, a histeria refere-se ao fenômeno em que a Cultura indi chamaria de Kundaliní, mas está determinado como patologia pela Cultura ocidental, porque haveria uma percepção de transubstanciação ambiental, que viria a ser a nítida percepção de que algo possa sair do corpo, ou entrar no corpo, por certo, haveria algo que pudesse transpassar o corpo, que alterasse o corpo, esse algo seria ingerido ou absorvido pela boca e pelas narinas, talvez, uma hierofania permanente que fizesse o corpo reverberar, quando ocorressem revelações da luz dentro do corpo, revelações das Musas-Éolo, revelações das cobras, ainda, revelações da Via Láctea; no passado, esse mecanismo, de encantar-se com as forças da natureza e movimentá-las em seu corpo, teria sido formador de uma literatura mitológica, quando o transubstanciar revelaria o caráter mágico de se obter um poder de processamento a partir de uma certa performance fisiológica, por suposto, o ente que perpassa o corpo e transforma-se em frutos seria o ar ingerido, carregado de substâncias-partículas conceptivas de luz...

Aparecem na Mitologia as descrições dos sintomas da neurose equivalente à histeria, do classicismo freudiano, também, sintomas da psicose, mas, em dado momento da humanidade, certamente, supostamente, essas performances ligadas à lógica da fase oral guardariam em si a lógica das revoluções cognitivas, quando por certo, primeiro, foi criado o verbo a partir do ar, corroborando com a fase oral...

Possivelmente, esses supostos mecanismos de hipnose teriam proporcionado as revoluções cognitivas, formadores de um superego, quando, na sequência, historicamente, a defesa do superego torna-se cultural...

Bem, de qualquer forma, ao yogin, reconhecer o universo sutil pode ser um poder, porque será conquistado e controlado por si, em momento específico, conforme o seu desejo. Aqui, a expressão do fenômeno da Kundaliní não representa a histeria; na Cultura indi, essa expressão não comporta haver linguagem disclusa, em separado, uma vez que, lá, esteticamente, a expressão das serpentes formou um significante cultural ligado ao saber.

Em Schreber, a hipnose acontece das suas formas, tanto por sua vontade, quanto de forma espontânea, sem o seu controle, por disposição da psique; o superego seria representativo de uma linguagem, a alteridade delimitante do ego, o nome-do-pai, o que contemplaria a ideia de que, por meio da consubstanciação, ocorreria a reprodução humana; no caso de Schreber, ele restringe essa aceitação, vincula-se ao ideal de que o poder reprodutivo poderia ser obtido pelos raios do Sol, sob o seu corpo emasculado, que o faria engravidar. E que seu corpo emasculava diante do Sol, tornava-se feminino para ter o múnus de reproduzir uma nova raça a ser designada pelo produto do gozo do Sol, diga-se, os raios solares e divinos.

 

Animus generandi solaris. Heliossexualismo.

Houve um ato solene de permissão ao homem, no caso, Adão, em que devesse tornar o totem um produto exclusivo do trabalho, já que o totem não representava mais a reprodução de um filho-fruto legítimo da espécie humana.

Se, por um lado, o superego fez Schreber defender-se de alguma possível aceitação da sua homossexualidade, constituindo um motivo para a hipnose, por outro lado, em seu juízo hipnótico, haveria uma substituição das leis reprodutivas para que a sua homossexualidade pudesse viger, diga-se, era homossexual somente em condições especialíssimas.

Diante da recusa de Schreber em aceitar uma inabilidade do destino com a sua reprodução, humana, voltou-se ele à Deus, na acepção da fase anal tardia, revisitada; em Schreber, a hipnose redundou na psicose, pela contradição insuperável na linguagem reprodutiva.

Com isso, seria importante salientar que o Sol, possivelmente, teria sido o primeiro pênis, por emitir um gozo supremo, seu animus generandi era provado com a fertilidade da Primavera, na visão primitiva, somente o Sol poderia ser o gerador da vida, porque ele detinha o gozo supremo da natureza, aqui, o significante luz era sinônimo de pulsão. Aqui pulsão e materialidade podem ser constitutos do mesmo ideal.

Em outra versão, tanto se poderia captar os raios do Sol pelo pênis, quanto se poderia captar o Sol inalando o ar, através do pránáyáma, como dá-se o fenômeno na cultura hindi, a reprodução ficaria ao cargo desses elementos.

Em outro momento, o homem achou-se capaz de reproduzir, como a mulher, ao reproduzir a performance da gravidez, seja pelo frio ou por vontade de engravidar, despertou mecanismos fisiológicos que causaram o conhecimento, que viria a ser o despertar da Kundalíní na Cultura indi; já na Cultura ocidental, o fenômeno viria a ser chamado de histeria, por ter sido aceito quando ainda não havia a cognição da paternidade.

Depois, também, teriam os primitivos despertado a psicose, que viria a ser a continuidade da acepção do Sol como reprodutor, enquanto a fase sexual que designa a cognição da reprodução sexuada já estaria relativamente posta na Cultura... Aqui, haveria o medo da psicose coletiva com o retorno à falta de cognitivo, com o desconhecimento da reprodução sexuada ou o seu desprezo. A continuidade histórica parece ser relevante no sentido da preservação do significante da paternidade.

Com a hiper.hipnose, haveria a necessidade de se evitar o Sol, da mesma forma ocorreria na enxaqueca, acomete-se de fotofobia, então, há a recusa da claridade do Sol; os raios do Sol representava o gozo supremo do pênis de Deus, por certo, dava-se em oposição à hipnose, essa representaria o gozo da escuridão.

Bem, pela expressão da Kundaliní, pela interpretação de que seria o animismo equivalente ao sintoma da enxaqueca, no Ocidente, o acometido teria hipersensibilidade à luz, sendo uma das expressões da Kundaliní o deslocamento das cobras no corpo, algo que poderia ser simbolizado como um sintoma da histeria.

Certo, como teria apontado Hipócrates, há o fenômeno em que o útero sobe à garganta e aos olhos, procurando um lugar úmido, durante muito tempo ele pode ter sido ridicularizado, inclusive por mulheres, devido à censura cultural, mas torna-se verdadeiro essa estrutura a medida em que se for compreendendo como uma das expressões da hipnose. Bem, também, não seria o útero quem subiria à garganta, mas as serpentes, fenômeno caracterizado com o nome de Kundaliní, pela Cultura indi, por fim, a confusão viria no locus generandi da Kundaliní, o ambiente da formação, em mulheres, as cobras adviriam do chacra localizado no útero.

A literatura da Cultura indi e, sobretudo, a prática de técnicas que geram estados alterados de consciência de forma voluntária, propiciam o que seria designativo de um gozo do corpo que, ao se misturar com o ambiente, consegue manipular uma energia que surgiria do útero, nas mulheres, para que, a partir desde fenômeno de formação, se promovesse a abertura da consciência.  Não raro que o corpo precisasse gerar um estado de paralisia nas pernas, cruzando-as, para, com o excedente de energia contingenciada, pudesse gerar a hipnose, como acontece com as Pitonisas, quando se mantinham sentadas sobre o banco revestido de serpentes.

De forma que o estado de paralisia seria um estado econômico, condição sem a qual não haveria contingência para a hipnose ocorrer, o que deve corroborar com o fato de haver atividade pulsional no corpo, caracterizada pela pré-condição econômica do sistema nervoso, como bem salientou Freud.

Por certo, as cobras ficam presas entre os olhos, bastaria a mulher hidratar-se para que elas pudessem passear pelo corpo sem causar algum incômodo, os yogins indis cultivam o animismo somático que fazem expressar em seu corpo, há milhares de anos, não sendo possível afirmar que a presença de cobras seria estranho à fisiologia humana, que adotar o fenômeno como patologia, como determinado na cultura Ocidental, por medo da histeria vir a ser interpretada como o domínio do aeolossexualismo, não encerra, por si, o fenômeno da hipnose fisiológica.

 

Sobre o Paraíso, sobre a expulsão e a maçã:

Ab ovo usque ad mala...

Estariam dentro do mesmo grupo semântico as cobras e as maçãs, por certo, ambas representariam frutos, as primeiras representam frutos gerados disformes à espécie humana, com o fenômeno da hipnose surgem as filhas de Éolo; sendo que as últimas, as maçãs, representariam os frutos conforme a espécie macieira, portanto, as maçãs, por perfeitas, doces e suculentas, seriam filhas de Hélio.

Por suposto, Adão e Eva, logo depois de terem despertado a Kundaliní, decidiram migrar, por vontade própria, por certo, não foi bem-sucedida a migração, ao chegarem no local, justificaram-se, omitindo a vontade própria, com a explicação de que tinha sido Deus quem os expulsou do seu local de origem e que, pelo que eles se lembravam, devia ser o Paraíso, pois tratava-se da linguagem, tratava-se do percurso da cognição...

Eva já conhecia a cobra antes de Adão?

Hipócrates pode ter sugerido que no útero há propriedades inatas, inerentes à feminilidade, seria normal uma mulher ter enxaqueca durante a menstruação, portanto, esse fato parece indicar que a mulher poderia hipnotizar-se fisiologicamente, sem a ajuda do processo da transubstanciação, da transformação do ar ensolarado em frutos, lembrando que para ser Pitonisa era necessário manter-se virgem, então, a mulher, teria como deixar surgir as cobras no útero, enquanto não engravidasse... Portanto, enquanto performance da menstruação, as cobras surgiriam espontaneamente, por conta da natureza feminina, hoje, o fenômeno poderia ser traduzido como enxaqueca ou histeria...

A Mitologia pode desvendar a História, a grande História, ainda nos dias de hoje, seria possível essa convergência? Utilizando-se do método da Dialética, dito, em que possibilidade, em que circunstâncias, em que momento determinado, o aforisma deve ter sido verdadeiro?

Teriam, Adão e Eva, percebido que haviam engravidados de cobras, portanto, criaturas disformes às suas espécies, ingerindo o gozo do ar... Então, ao ingerir pelas narinas o gozo de Éolo, como tentavam introduzir nas narinas do totem, verificaram, do mesmo modo, tratar-se de algo inútil, que a humanidade poderia ser extinta, substituída por uma espécie de cobras que ameaçava tomar os corpos humanos, tornando-os estéreis, por suposto, ao desenvolverem o superego da fase sexual, tornou-se válido que a melhor assertiva era a de reproduzirem conforme às suas espécies, do modo sexuado, medicinal, com uma gravidez consubstanciada de gozo próprio.

Aqui, há a aparência de paranoia e mania de perseguição, se não houvesse o medo de cobra, não teriam surgido os heróis na História.

Na Primavera, Hélio engravidava as árvores de frutos; no Outono, Éolo derrubava os frutos e as folhas, deixando sem frutos as árvores.

Nisso, possivelmente, se não fosse por obediência ao Hélio, as macieiras não reproduziriam mais maçãs, por isso, eles, Adão e Eva, teriam sido expulsos do Paraíso, porque queriam reproduzir de forma alternativa, ingerindo ar para engravidar de cobras, ou confeccionando totens que não serviam à reprodução em conformidade com a espécie, por certo, depois do pito do Hélio, esse totem tornou-se uma mercadoria, caracterizado como fruto do trabalho de Adão, trabalho esse, em instância primeva, caracterizado pelo trabalho do trato digestivo.

E a Eva, Hélio teria continuado o seu pito, que tratasse de engravidar do modo convencional para ter filhos da sua própria espécie, com dor e tudo o mais, pois somente a dor comprovaria que o fruto era da própria espécie, e que Eva parasse de ingerir frutos do conhecimento, filhos de Éolo; ao final, a Superioridade disse que, daquele tempo em diante, todo mundo estaria proibido de hipnotizar-se e de engravidar por ingestão, ou seja, que o trabalho do trato digestivo e respiratório não se prestava a dar frutos. Somente o ato sexual no osso sagrado geraria frutos verdadeiros.

A cognição da reprodução sexuada tardou, mas não falhou, a assunção dessa cognição reprodutiva ocorreu pela via da linguagem, representando, de toda forma, uma dor pelo desconhecimento de um pai humano primordial.

Ao tempo em o superego constituinte da fase sexual viria para castrar o entendimento acerca da reprodução decorrente da hipnose, quando o ego-falo é obrigado a refutar, veementemente, a causa da gravidez pelo gozo de Éolo. Assim, o ego-falo avoca a autoria de reproduzir por gozo próprio, já as cobras filhas de Éolo são enviadas para longe do ego, distanciam-se, há um esvaziamento do significante, ou a disclusão do sentido... A linguagem parcialmente aproveitada seria uma característica da histeria.

De toda forma, nos primórdios, em algum momento, possivelmente, houve a triangulação: o Hélio, o homem e a mulher, caracterizando a transubstanciação por heliossexualismo. O homem aparece como ente intermediário na reprodução, haveria, por certo, um pai remoto e um pai patente. Deus e o seu pênis, o Sol, espelham o homem e o seu pênis... O pênis é o veículo de reprodução, o intermediário.

Na reprodução pelo gozo do Éolo, poderia haver, também, de outro modo, a interpretação de que a reprodução se daria de forma direta, por ingestão do ar, gerando cobras, ou se tentando soprar nas narinas do totem, o que indicaria, também, que a performance desse tipo de gravidez seria comum aos dois gêneros.

A partir da formação do superego constitutivo da fase sexual, o entendimento de reprodução alternativa foi censurado, porque conduzia a uma reprodução em disformidade à espécie humana, por certo, haveria um contraponto, bem, nos termos em que haveria uma obra com a criação do totem, seria possível associar a confecção do totem cerâmico à psicose? Também, a uma neurose de conversão pela percepção da fenomenologia da cobra a percorrer o corpo, do despertar do animismo somático ou do aparecimento da Kundaliní? Seria preciso afirmar que Deus apareceu ao evento da censura...

Deus seria a prova do evento da psicose primordial?

Foi Deus quem os avisou que havia um modo certo de reprodução, que havia semelhança entre os homens, que havia uma espécie humana que se diferenciava de cobras e totens. A hierofania inicial, sem significante, a exemplo de Schreber que engravidou do Sol, posto que estaria em um delírio primitivo, onde homens engravidariam do Sol. Por suposto, apesar de ser contra a natureza, certamente, Schreber tinha a consciência devida quando não estava hipnotizado, porém, na hora de invocar o desejo, por defesa do superego, colocava a linguagem do desejo fora do círculo de significantes pois, em sua norma ideativa, deveria reviver as dúvidas da fase anal, com narcisismo secundário, colocando a sua homossexualidade no período de redescoberta da fase anal.

Seriam delírios primitivos, de uma idade em que o superego primordial estaria representado pela natureza genérica, se a natureza quisesse que o primitivo reproduzisse, ele reproduziria. O ideal seria econômico, está-se diante da positividade como indicador do fenômeno da reprodução, no ideal de Lacan sobre o masculino, chega-se à substância do dismorfismo. A causa dos frutos seria designada por uma metáfora...

A dúvida residia na ideia polimorfa de que a mãe possui um falo designado como pênis, da mesma forma, poderia advir da ideia de que o pai engravidaria, a despeito de ter um pênis. Seu ventre tomado de luz, por haver uma certa confusão sexual. O hermafrodita é autônomo, mas Schreber apontava que a causa para a sua gravidez era haver um ente sobejamente masculino, em que o próprio Schreber sucumbia diante dele, seu corpo era tomado de raios, tão grande era o gozo daquele pênis imaginário, simbolizado pelo Sol.  

A estrutura do superego se formaria se houvesse a aceitação do nome-do-pai enquanto ideal reprodutivo-sexuado, a ver, possivelmente, nos primórdios, talvez, ocorresse essa percepção em dois momentos distintos do sexualismo-reprodutivo por meiose, ocorrendo, primeiro, entre seres de naturezas distintas, um pansexualismo-reprodutivo, incluindo Hélio, Éolo, vegetais e humanos, e, em  um segundo momento em que ocorresse a reprodução entre seres da mesma espécie.

Teriam Adão e Eva chegado a esses termos pela possível passagem da fase anal à fase sexual, abandonando o entendimento do pansexualismo-reprodutivo, com a adoção cultural da linguagem que introduz cada uma das pessoas em um elo histórico-reprodutivo próprio?

Nessa díade psíquica, o antropoide chega a constituir a ideia de reprodução sexuada pelas regras da Medicina Reprodutiva de Deus.

Com o superego formado, então, surge a ideia psíquica de reprodução sexuada, a questão seria a definição da natureza tanto do ente reprodutor quanto do ente produto.

O sintoma dá-se quando da formação do superego, a partir do domínio metafórico em direção ao domínio metonímico, ou a impossibilidade de ocorrer essas linguagens; então, no termo metafórico, tanto Hélio quanto Éolo podem ocasionar gravidez em todos os seres; na metáfora do semeador, há vários nomes substitutos para os pais, pois, em geral, todos os entes se integram em pansexualidade, um fenômeno holístico; na formação da metonímia, há a formação da Heráldica, na acepção de que o ideal está no conhecimento do nome-do-pai, aquele que foi o semeador do fruto da mesma espécie, o que ocorre em sintoma da neurose; como a formação da metonímia na linguagem traz em seu bojo o desenvolvimento da Heráldica, por certo, esse recurso estético das figuras de linguagem faz-se consolidador da cognição da paternidade sexual. Antes, não haveria por necessidade do domínio da metonímia.

A passagem da fase anal à fase sexual geraria um sintoma, qual seja, Deus-pai subsiste na metonímia, disso trata Freud quando afirma que a religião seria a expressão da neurose coletiva, haveria um Deus-pai coletivo, rateado, a consubstância partilhada, herdada por homens, em um banquete carnista misógino o qual se tivesse assassinado o pai.primordial, bem, daí, desse feito, se extrai que só pode partilhar da consubstância do pai,primordial quem tem pênis e produz sémen, assim, o banquete carnista guarda a característica da misoginia em ideal, porque as mulheres não poderiam se consubstanciar do Deus-pai-primordial assassinado, afinal, quem herdou os poderes do Sol-pênis foi o falo. Trata-se da hereditariedade pater-morfa da propriedade pulsional.

 

Da hipnose histérica à hipnose psicótica.

Há uma demanda por linguagem depois da experiência, quando a coisa parece posta sem mediação... O sintoma surge como a representação da experiência ausente de linguagem enquanto tentativa de inscrição de linguagem.

Assim, a inscrição da linguagem pós-revelada representaria a demanda por simbolização, quando a linguagem inscrita deveria redimir o sintoma, por certo, o sintoma deveria ceder lugar à simbolização... Já a linguagem equivocada não coincide necessariamente com a ausência, o problema da histeria seria não saber organizar a linguagem aprendida quando pode haver censura social, quando poderiam ocorrer as defesas de linguagem para não revelar o desejo...

A confecção do totem cerâmico apareceria como o produto de um delírio, por certo, houve simbolização, as fezes que representavam os frutos foram substituídas por cerâmica e sopradas; depois o totem tornou-se fruto do trabalho...

Portanto, tem-se a obra da cerâmica totêmica como produto de uma pulsão, qual seja, o desejo de ser pai ou mãe; com o totem sendo fruto do trabalho, ocorre a sublimação pela consciência da impotência.

 

Gerador de energia e bateria.

Só as mulheres poderiam gerar herdeiros que eram apreendidos diretamente do Sol, o pênis de Deus? Bem, não é o que se depreende do contexto.

Possivelmente, em algum momento, o primitivo do gênero masculino passa a recorrer ao seu pênis como veiculador dos raios do Sol.

O Sol-pênis seria um gerador de energia, transmitindo ao homem a linguagem que culminaria na tarefa de armazenar a masculinidade-reprodutiva em seu próprio pênis. O pênis era, então, recarregado da linguagem-pulsão do Sol-pênis, com a finalidade de recondução da luz-gozo ao útero. Toda a expressão da materialidade se manifestaria no gozo.

Daí, haveria uma assunção de responsabilidade, o homem avoca a responsabilidade de conduzir a luz para dentro do útero, nos termos em que acaba por constituir-se meeiro da reprodução.

Surge o relógio do Sol, no rol da mesma estética. Com o tempo ele percebe a autonomia do pênis.

No mesmo rol de significantes, surge o Espírito Santo, o ente sagital responsável pela condução física da luz imaterial de Deus, sendo ele quem materializa a hereditariedade do criador.

 

Tabu da transubstanciação animal. Tabu da hipnose.

Na Cultura indi, subsistiu a proibição de comer animais, então, nos primórdios, por suposto, haveria a proibição em se transubstanciar com entes animais; a mesma ideia surgiria no Ocidente durante a Quarentena, no Carnaval, quando a carne torna-se proibida antes da chegada da Primavera.

Trata-se da superação de ter-se acreditado na propriedade de concepção solar, termos de que teria sido criado o relógio de Sol, pela vontade do pênis em captar raios solares, para levá-lo ao útero, um lugar escuro que precisava de luz, com essa narrativa surgiria a construção do mito do herói, quando o carro de Apolo surge em frente ao Sol-pênis e, após a veneração, derrota as cobras.

Mas o que causava a hipnose? A ausência da fase sexual? A ausência de cognição da reprodução sexual humana?

O fato das mulheres menstruarem torna-as suscetível à enxaqueca, por certo, a enxaqueca se constitui no mesmo fenômeno que a expressão da Kundaliní, que pode ocorrer fisiologicamente, então, por suposto, não foi difícil chegar-se ao raciocínio de que era preciso levar a luz para dentro do útero se, em seus raciocínios primitivos, pensassem que as cobras eram responsáveis por ferir o útero das mulheres, a prova era a menstruação, o sangue, certamente, na consciência primitiva, as cobras representavam a causa da doença que impedia a gravidez, garantidamente, as cobras se colocavam em oposição à gravidez, por certo, a menstruação parecia ser uma doença que manifestava fenômenos estranhos, em que se verificava o nascer cobras em vez do nascer de seres humanos, fato um tanto assustador.

No Oriente, na Índia, não houve a proibição do despertar das cobras e o consequente despertar fisiológico da consciência, por hipnose, talvez, para essa Cultura, o fenômeno tivesse constituído o mecanismo de evolução cognitiva, por outro lado, houve a proibição do carnismo...

Um dia, o homem acreditou e assumiu que era herói, entendeu que a luz representativa da masculinidade se constituía como causa própria, o homem não era mais o intermediário dos poderes do Sol-pênis, em seu bojo, havia propriedades reprodutivas, seu próprio corpo fálico continha poderes correspondentes à luz...

Mas por que escolheram o Sol-pênis como reprodutor do mundo, pai de todas as coisas?

 

Histeria na Constelação! 

Serpentário e Sagitário, bem, a Constelação de Sagitário dividia o mês com a a Constelação de Serpentário, no Zodíaco...

Sepentário representa o herói que dividiu a serpente em duas, separou a sua cabeça da sua cauda, remetendo à ideia de histeria, a qual fica representada.

A supressão da Constelação de Serpentáio no Zodíaco também condiz com a tácita censura à hipnose, subsistindo, apenas, o varão Sagitário, o qual passa a dominar o eixo do Zodíaco.

O fato de ter-se suprimido o que, na realidade, seria uma composição, para que o elemento sagital do Zodíaco fosse apresentado como uma entidade única, masculina e patriarcal; com isso, fora suprimida a luta psicanalítica na configuração de que o falo teve que enfrentar uma cobra, estética designativa da luta do patriarcado para derrotar a histeria... O varão parte a serpente em duas, expressando a simbologia da divisão, na proposta da histeria.

Cauda e caput, a pulsão e o desejo divididos no corpo histérico da Constelação de Serpentário. Com o vértice que desliza na descontinuidade, o feminino encontra-se com o corpo interrompido, ao meio, o sagital invade o ventre, frutificando-o, interrompendo o fluxo da hipnose causada pela menstruação.

 

Esculápio, Órion, Quíron, Apolo.

A masturbação surgiria como um ritual para que a energia sexual fosse passada do órgão sexual para a mão?

Pois bem, ocorre que os Ciclopes fabricavam relâmpagos, quando essa composição anímica parece remeter à hipnose, quando o chacra Ajña, entre os olhos, manifesta-se.

Esculápio simboliza o esperma que foi conseguido por criação das mãos... Ao consagrar-se, Esculápio contém em si toda a semântica da história da descoberta da paternidade.

Para a Psicanálise, importam as palavras, Apolo com seu carro, Quíron e o poder da mão, Esculápio, o filho que não pode retornar à vida...

Apolo, o falo, e Coronis, o coração, juntos, tiveram um filho, Esculápio, o esperma, que fora criado por Quíron, a mão; então, logo após ter perdido o vínculo com sua mãe, Coronis, Esculápio morreu...

Apolo não morre, apenas o seu filho, na realidade, Apolo não pode morrer enquanto falo, mas apaixonou-se por hipnose, cometeu um engano, quando retornou à realidade, foi obrigado a sentir dor, a angústia, quando viu um de seus filhos morto, após ter sido criado pela mão, Quíron. A dor do Apolo revelaria uma censura ao delírio, à masturbação e à hipnose, a ser considerada... Hipnotizado, Apolo-pênis deixou-se levar pelo coração; daí, Esculápio, seu filho, morre na mão, entre os dedos de Quíron...

Por suposto, o Deus da Medicina, Esculápio, aparece como o Deus da Medicina Reprodutiva, posto que o significante do conhecimento genético-reprodutivo estaria na alegoria do esperma...

O caduceu parece demonstrar que a Medicina Reprodutiva seria uma performance masculina, por expor apenas uma serpente em seu símbolo, esse significante parece revelar que a Medicina Reprodutiva estaria designada pelo esperma.

Enquanto em Hermes, o Deus das Comunicações, o caduceu apresenta duas serpentes, por certo, essa característica demonstraria que a performance das comunicações, em momento primitivo da humanidade, era permitida a todos, portanto, comum aos dois gêneros.

E assim continua a Mitologia.

Proibição de praticar a hipnose, após o Verão, a grande radiação deixou sequelas, vistas no início do Outono, como a queda dos frutos e das folhagens, o desfloramento, o excesso de luz que, por fim, arruinou a natureza, talvez, essa radiação esteja representada na Mitologia Grega por Príapo... Com a chegada da Constelação de Escorpião e a chegada implacável de Éolo, após o Verão, haveria tempos difíceis...

O excesso de verdade, o Verão, que culminou na infertilidade do Outono, gerando a esterilidade, certamente, houve uma punição ao Sol-pênis-Zeus pelo seu excesso de gozo...

Haveria a proibição à hipnose, quando era Hélio quem deveria impedir a hipnose; Éolo, contrariamente à Hélio, conduziria a humanidade a uma grande hipnose, a psicose, que começava sendo anunciada pela Constelação de Escorpião, no Zodíaco, esse era um sinal dos céus, quando os primitivos precisavam identificar a infertilidade latente, que viria nos próximos meses, trataram de simbolizá-la na personificação constelar, notadamente, a Constelação de Escorpião, um símbolo letal para toda a natureza.

O falo não poderia mais captar a luz solar, recarregar a bateria com energia solar, durante esse período, seu pênis estaria impedido de falar com o pênis de Deus...

Proibição à masturbação seria evidenciada pela morte do filho do Apolo, o Esculápio, que não lhe dá sobrevivência genética, bem, também designaria que a masturbação seria uma performance da hipnose, os Ciclopes enviavam raios, enquanto Apolo se juntava à Coronis, tiveram nascido um filho natimorto criado por Quíron, nessa questão, há uma razão indicando o desperdício sexual.

No prenúncio do Inverno, seria proibido desperdiçar o gozo, porque, daí, então, logo haveria mais infertilidade...

Apolo, o falo, via o seu filho morto, sem poder trazê-lo de volta à vida...

No Verão da Grécia, Órion e Vênus foram amantes, quando chegou o Inverno, Vênus tornou-se Artemísia ou Diana, na segunda circunscrição, tempo em que o planeta Vênus não se conjugava com ninguém; durante esse período, por certo, a divindade seria lembrada como a virgem.

Em outra ocasião, Vênus surge como Helena, em determinados momentos, estava com Órion, seu marido, mas depois da Primavera, os dois foram se distanciando...

Helena, ou Vênus, se conjugava com dois caçadores, Órion e Sagitário. O troiano, por suposto, seria o Sagitário, aquele que conduziria Helena pelo Inverno para o Inferno de Troia...

Ela surgiria virgem por causa da magnitude de Sagitário, quando esse não se revela maior do que Vênus, daí, não teria potência para radiar sua luz até ela, portanto, por uma questão de dismorfismo sexual, a maior magnitude revela o masculino e o tesão do corpo celeste...

Por indução, se Sagitário aparece igual à Vênus, por certo, Sagitário seria o irmão gêmeo de Vênus, ou Artemísia...

No mito da Guerra de Troia, quanto à Helena, por certo, pelo mesmo motivo, o de magnitude, ela não se encanta pelo troiano; Sagitário consegue raptar Vênus, mas ele é impotente diante dela...

Dito de outro modo, há uma conjunção entre Helena e Páris, mas essa conjugação não se torna oportuna, pois não retrata a verdade, todo grego deve saber que, somente na Primavera, as conjugações atingem a verdade da luz, exatamente no momento em que Helena-Vênus volta a se encontrar com o seu marido, Órion-Menelau... Por adequada proporção de magnitude e conjugação, pela Astronomia ideal, Helena-Vênus seria casada com Órion...

Há sempre o elemento que nega e oculta, ao mesmo tempo, a história estaria narrada em um contexto dual, porque ali não havia linguagem disponível, por corolário da histeria.

Pois bem, na Bíblia, cientes da reprodução sexuada, talvez, por isso, tenham se escondido da luz, por suposto, Adão e Eva esconderam seus órgãos sexuais como método anticonceptivo, como se recusassem a reproduzir pela transubstanciação dos raios do Sol.

Vestiram-se para não terem seus membros sexuais à amostra, pois desta forma, caso contrário, seriam atingidos pela fertilidade da luz do Sol. Embora a alegoria pareça contraditória, primeiro aceita-se a ideia para depois rejeitá-la, por fim, Adão e Eva não se rendem ao animus generandi do Sol... Recusaram-se veementemente à ideia de reprodução hélio-sexuada...

A entender que o piercing nas narinas seria utilizado para não se engravidar do vento, do mesmo modo, as roupas representariam um método anticonceptivo, por mais que eles, Adão e Eva, refutassem a ideia de que era o Sol que os engravidava, ainda assim, o texto afirma que eles se envergonharam por estarem nus, por isso esconderam-se de Deus. A julgar que pudesse ocorrer uma discussão, em delírio, Adão e Eva têm uma discussão de relação com o Sol:

— Como assim, por acaso, Eu não sempre os engravidei?

— A cobra disse que não era verdade...

— Vocês ingeriram a cobra?

Então, Deus estaria irritado porque os humanos resolveram se reproduzir pelo conhecimento de ingestão o ar...

Por certo, Adão e Eva engravidavam pela transubstanciação do Sol e do Vento, depois, quando formaram um círculo de significantes, tiveram que colocar a linguagem para fora do Paraíso, por terem chegado à conclusão de que foram enganados pelo pênis de Deus, o Sol, enquanto eles próprios se enganaram...

Quanto ao Vento e às cobras, nesse caso, houve disclusão...

Eles engravidavam por outros métodos, primeiro, inflando a barriga, depois, resolveram reproduzir por totemismo, inflando as narinas dos totens.

Ao realizar esse processo, tiveram consciência de que cobras não eram da mesma espécie... Que quando engravidarem do pênis de Deus, pelo menos, estavam engravidando da luz, criando a própria espécie.

Criar a própria espécie só engravidando do Sol, bem, para isso, seria necessário, então, que uma lança matasse as cobras, ao levar consigo uma luz, a luz que representava o gozo de Deus...

Provavelmente, julgavam seus falos-pênis capazes de levar a luz que conduziria as mulheres à gravidez, mas a luz que representava o sêmen não era humana, mas uma reprodução da luz solar.

Na Bíblia, haveria a recusa de engravidar-se pelo Sol, os órgãos sexuais foram cobertos, ao tempo em que a fala refleteria tanto a forma de concepção, caracterizada pelo que seria o heliorreprodutismo e o frutivismo, quanto o porquê da recusa...

A expulsão do Paraíso simbolizaria o superego da fase sexual expulsando algumas linguagens para resolver problemas de antinomia reprodutiva, há uma passagem do pai-Hélio, com sua materialidade de luz, para o Deus-pai, consubstanciador de uma luz fantasmagórica, quando seriam separados os fenômenos, da luz material e da luz imaterial, afinal, não havia como negar a supremacia do Sol sobre os seres vivos, apesar d’ele não engravidar ninguém, ainda assim, sua potência designadora de vida era irrefutável, em ultima ratio, seria o Sol quem concedia a vida, por ordenar o sistema, a prova viria por sua magnitude, incontestável.

Dessa forma, possivelmente, depois da cognição da paternidade humana, a luz adquirira uma nova categoria, designada pela imaterialidade, entretanto, a potência imagética primitiva está determinada pelo significante do pênis, certo que Deus não poderia ser tão potente sem exibir um significante sagital, bem, no caso da doutrina cristã, surge o Espírito Santo, o sagital de Deus.

Se o Sol ficou zangado por eles estarem vestidos, foi por terem consciência de uma reprodução sexuada, no caso, julgaram que o pênis de Deus ficaria zangado com eles. Por certo, recorreram ao ditado espanhol, disseram até que não acreditavam em bruxas, mas que havia, havia...

Aparece a razão de vestirem-se por vergonha dos corpos, com isso, supõe-se que Adão e Eva não quiseram entregar seus corpos à sexualidade solar, por terem um posicionamento contra aquele tipo de reprodução, com o Sol-pênis.

A experiência do uso de vestimentas é própria de agora, quando todos estão vestidos, não sendo possível entender totalmente o momento em que os primitivos estavam nus, quando se deram conta conscientemente.

O ideal do herói surgiria mesmo antes do conhecimento da paternidade genética, por suposto, para matar as cobras e levar a luz do Sol.

A lógica primitiva explica-se pela ideação correlata, de quando a humanidade não tivesse desenvolvido a lógica da fase sexual, a partir de uma literatura mágica, de motivos relativamente racionais como causa do surgimento das coisas.

 

Pansexualismo e Panreprodutismo.

Tomados de Sol.

Que buscava Schreber, em meio aos delírios primitivos, decorrentes da uma estrutura pré-superego, se é que essa estrutura existe, com a prevalência da ideia do heliorreprodutismo?

Com o superego, tem-se a aceitação da reprodução sexuada como decorrente da aceitação do nome-do-pai, no entender de Lacan?

A dúvida resistiria tanto no ideal da mãe com o pênis, quanto no ideal do pai engravidado? Schreber emasculado representaria a mãe com pênis grávida do Sol? Ou representaria o pai engravidado do Sol?

 

Infertilidade do Inverno:

A falta de Sol era designativa da hipnose, causando ou a histeria ou a psicose?

Em que sentido seria verdadeiro essa assertiva, o Sol curava as pessoas da auto-hipnose?

Schreber aborda o tema em seu livro, quando tomava banhos de Sol, os raios se uniam e ele conseguia dormir, livrando-se das vozes.

A julgar que a respiração do sopro rápido tanto pode ser designativa da expressão de engravidar quanto expressiva da tentativa de produzir calor, no Inverno, a sugerir que teria sido essa uma causa possível da auto-hipnose, tendo como produto uma psicose, ao final do Inverno...

No período de Carnaval ocorreria a psicose, surge o monstro de cem cabeças, pelo excesso de carne em um corpo que cuida de tentar produzir calor. Surgem, também, o Minotauro e o Centauro, visto que o Carnaval significaria a proibição de carne até a Primavera, afinal, ninguém queria ter um Minotauro vivendo dentro do labirinto dos intestinos...

Não seria anormal que as pessoas tentassem se aquecer utilizando essa técnica, talvez, como sugerido anteriormente, não seja só para tentar engravidar que o ser humano providenciou a respiração do sopro rápido, teria sido também para tentar livrar-se do frio, dito que, em pleno Inverno, quase sem roupas, teriam por aquecidos os corpos apenas com as suas técnicas de respiração.

A densidade do corpo transubstanciado por animais revelaria um corpo despreparado para a prática da auto-hipnose... Dito que o yôgin precisa preparar o seu corpo para praticar a auto-hipnose...

Em momento primitivo, também teria sido possível a fantasia da gravidez masculina, pelo desejo, como teria acontecido com Schreber, tal qual, engravidar dos raios do Sol para nascer uma nova humanidade.

Essa teria sido uma ideia primordial? Todos filhos do Sol, certamente.

Trata-se da potencialidade, de acepção da multiplicação e da divisão dos corpos provenientes do desenvolvimento, que se manifesta pela lógica das perdas, o produto do corpo. Primeiro viria o entendimento da quantidade, depois, viria o entendimento da qualidade.

Aqui a questão persiste em definir que não há a perda da unidade na divisão; o todo e as partes se constituem da mesma natureza, mas se distanciam por razão da libido objetal.

O caso Schreber vem a expressar características do que poderia ser um modo de raciocínio primitivo, se sua experiência representasse a Mitologia; na realidade, de fato, as civilizações primitivas designavam o Sol como o seu Deus, sua principal divindade.

Schreber teria partido de uma experimentação infantil, primitiva, ao supor que podia ignorar a reprodução sexual, a paternidade genética, com isso, ele rompe com o elo civilizatório os quais lhe eram peculiar, optando pela reprodução por heliossexualismo, para tanto recorreu ao delírio para expor seu desejo...

Interessante essa questão em Schreber, se sua concepção seria por ato sexual com o Sol, ou a partir do modo de frutivismo, ausente de ato sexual, bem, quanto ao Schreber, o ato de sua concepção era absolutamente sexual, momento em que Schreber era emasculado por determinação da luz dos raios solares; teria falseado o seu desejo homossexual, por afirmar ser contra a sua vontade o ato de emasculação, só tendo cedido porque era Deus quem o obrigava à finalidade de criar uma nova espécie, então, por altruísmo, ele se vestia com roupas femininas para encenar a sua performance ideal, ocorrendo a hipnose por defesa do superego.

Em momento primitivo, para os humanos, quem criava os derivativos no corpo, os frutos? Seria racional supor que fosse por determinação do Sol. Há sentido em associar, que o Sol estivesse ligado à fertilidade.

Claro que a maior divindade viria a ser Hélio, o pênis máximo, seus raios representam o gozo sexual, à imagem e semelhança do pênis humano. O vigor do Sol seria devido à sua natureza supersexualizada. Quando o Sol tinha tesão, seus raios engravidavam as árvores. Assim, ele multiplicava e dividia, mas não perdia a sua totalidade.

Pois bem, diante da incapacidade de gerar herdeiros, Schreber retorna às estruturas de linguagens primitivas...

Ao desinscrever o nome-do-pai, tentou retirar-se da linguagem aprendida, bem, algumas ideias de Schreber podem vir a responder por que as civilizações antigas tinham o Sol como a maior divindade, a resposta também viria da Cultura indi, ao revelar que os tais raios solares estão dispersos no ar e em tudo o que existe, a junção do ar com raios solares chama-se pranáyáma, então, a natureza estaria dentro do homem, e o homem deveria absorver mais natureza para dentro de si, sobretudo a luminosidade do Sol, de onde se retirava a substância de vida... Assim se estimularia cadeias energéticas para se fazer despertar outros corpos do universo sutil na soma, por acaso, Schreber desperta um universo inteiro, claro, demasiadamente supra-sensível...

O nome-do-pai refere-se à aceitação da linguagem da reprodução?

A cobra seria o produto, assim como a maçã e as fezes-cerâmicas do totem.

Sendo assim, designa-se sugestivamente algumas fases em que possam ocorrer o sexualismo-reprodutivo; sobre a questão, se se distancia a reprodução da sexualidade, em nenhum momento parece ser viável a realidade de distanciação, porque o locus do parto permanece vinculado aos órgãos sexuais, quando o fruto parece ser assimilável como um produto pulsional, portanto, a expressão de um gozo de luz. Nisso, as fezes parecem colocar o ânus como um local de gozo, por espraiar frutos, durante o entendimento da fase anal...

A primeira fase hélio-reprodutiva também pode relacionar o heliossexualismo, digamos, ao frutivismo, com Hélio sendo a causa patente da reprodução, nesse caso, não haveria causa remota, daí, tal qual as plantas, na Primavera, surgiam os bebês animais, por determinação direta do ente luz-calor.

A segunda fase reprodutiva poderia condicionar a respiração do pránáyáma, um tipo de ar-solar, à reprodução...

Na fase tardia, de compreensão da reprodução, se lançaria a ideia do Sol, o pênis de Deus, como a causa remota e mediata, nesse momento, teria surgido o pênis humano como a causa imediata, patente, veiculante da luz de Hélio-pênis, quando o pênis captaria a luz do Sol, armazenando-a como se fosse uma bateria... Trata-se da linguagem dos sagitais, porque todo sagital emite gozo e deve se comunicar com os outros sagitais divinos...

 

Tabu reprodutivo, proibição do totemismo como método conceptivo. Proibição da histeria e da psicose. 

— Ingeriste o fruto do conhecimento?

— Sim, o pranáyámá.

O melhor verbo seria ingerir e não comer, pois aqui pode haver uma associação do trato respiratório-digestivo na obtenção da gravidez, na obtenção do fruto por conhecimento pelo método mágico da transubstanciação...

Ingerir aparece como sinônimo de conceber... Ingestão e digestão do ar, nesse momento, ocorre a ideia de trabalho, o processamento do ar em fruto, daí, a ingestão de ar, por engenhosidade de conhecimento, resultou em gravidez de cobras...

— Concebestes o fruto pelo conhecimento do processamento do ar ensolarado em multiplicação e divisão?

— Terás filho do modo convencional, Eva, com a prova verbal da tua dor...

Pois bem, do trabalho digestivo que resultara no totem, restou dito:

— Dos filhos que não tiveste, com essa invenção maluca de multiplicar e dividir por totemismo, produzindo cerâmica, ou inflando a barriga e defecando, ou, ainda, inalando ar pelas narinas das cerâmicas... Seja lá o que for... Pois bem, os totens devem ser contingenciados, trocados em comércio por outro objeto, de preferência, pelo totem de outro alguém...

Como disse-lhes Deus, terás tantos filhos quanto forem as estrelas dos céus, mas os filhos verdadeiros não eram os totens...

Essa ideia de ter filhos totêmicos redunda em ter filhos em disformidade à própria espécie, sejam eles de barro, sejam eles de fezes ou sejam eles cobras, situações em que a gravidez seria comum aos dois gêneros.

Os frutos falsos feitos de barro serviriam para a troca, designando o ideal de contingência pelo trabalho, no lugar da gravidez falsa do homem.

Já a cobra, o outro fruto falso, deve ser discluída a ideia de reproduzi-la; a sua reprodução estaria censurada pelo herói, por certo, era dever refutar as formas mágicas de concepção, porque o trabalho que geraria frutos conforme a espécie humana seria o trabalho do parto. O sexo seria sagrado, na medida do osso...

No texto bíblico, ou em outros, têm-se a ausência da motivação como elemento fundamental. O que a fala não disse?

Da hipnose histérica à hipnose psicótica, houve um acréscimo de linguagem? Se houve uma demanda por linguagem, será que a linguagem estava inscrita? Parece ser uma verdade pós-revelada a experiência psíquica humana?

Haveria uma superação, primeiro, haveria a ausência de linguagem, depois da experiência, surgiria o desenvolvimento da linguagem, nesse momento, está-se em histeria, tem-se a linguagem como um produto a ser processado...

O trabalho de simulação da realidade, o reviver dos acontecimentos sem o acontecimento e sem a linguagem, geraria a coisa imagética pura. Já a experiência sem a linguagem geraria a histeria...

 

A luz contra a escuridão... 

Inverno e inferno se configuram sob o mesmo grupo semântico, na medida em que designam a escuridão e as trevas... Também, é possível creditar uma grande dependência humana ao Fogo, durante o Inverno. Nisso, o Fogo do Inverno e o Fogo do inferno parecem se constituir, também, a partir da mesma semântica, designando tudo o que queima e arde na escuridão, não sendo nem causa e nem consequência, consagra-se pela imagem representativa e simbólica da escuridão, na realidade, o que define a escuridão, no imaginário, por mais contraditório que possa ser, é a luz do Fogo e a luz da Via Láctea. A questão seria de forma e performance...

A ausência do elemento que recria a vida, a pulsão do Sol, então, se manifesta em termos de linguagem matemática e poética. O Fogo se põe em oposição semântica ao Sol, um representa a luz da infertilidade, o outro, a luz da fertilidade.

Em outro momento, a luz da infertilidade, contraditoriamente, fertiliza a mulher, pelo vento, momento em que a ideia de menstruação passa a ser relacionada à ausência de concepção que, em último momento, restaria a histeria, a doença do útero menstruado e infértil, cujo produto resulta na gravidez das cobras que mordem os úteros...

Primeiro, havia uma luz, a que tudo iluminava, era o Sol-pênis, a divindade primabólica, revelada na Primavera, a primeira verdade, cuja luz era medida por pulsão, daí, quando havia o solstício de Verão, o Sol chegava ao seu ápice de calor, enfim, colérico...

À noite, quando o Sol desparecia, surgia, então, a sua esposa com algumas outras divindades menores... A esposa do Sol era falsa, vivia de fases, a Lua, quando se pensava que ela não estava grávida, quando crescente, dias depois, ela aparecia grávida, totalmente cheia... Talvez a Lua tenha transado com o Sol, durante um eclipse...

Não havia rivalidade entre essas luzes, pois a luz da Lua refletia, também, o gozo do Sol quando estava cheia ou nova... À noite, surgia a corte, apoteótica, que acompanhava a rainha no seu percurso parabólico por toda a Via Láctea...

Às vezes, a rainha acompanhava o seu marido, o Sol, durante o dia, quando o Sol estava com muito ou pouco tesão, durante os eclipses, no solstício de Verão e de Inverno, sim, os primitivos tinham certeza, era o momento da concepção.

Durante o solstício de Inverno, quando Abraão estava com pouco tesão, durante um eclipse, ele engravidou a sua jovem escrava, a Lua crescente, quando ficou cheia, portanto, grávida. Porém, quando Abraão estava com muito tesão, durante o solstício de Verão, durante um eclipse, engravidou a sua esposa idosa, a Lua minguante, tendo demonstrado a gravidez quando se completou nova.

Às vezes, a rainha era ameaçada, ou mesmo seduzida, por alguns membros da corte que rivalizam com o Sol. Será que estavam em conluio contra o Sol? Por que o Sol estava sem tesão, naquele momento de Inverno? Por que a pulsão do Sol só durava 5 horas, enquanto, antes, perdurava por 12 horas? As árvores perderam as folhas, não havia mais frutos... Toda a fertilidade dependia do gozo do Sol-pênis?

Enquanto havia o domínio do Sol na parábola, havia fertilidade, depois, Júpiter e Saturno passaram a dominar os céus, na Terra não havia mais fertilidade, eles não deixavam o Sol gozar, eles não deixavam mais as árvores engravidarem do Sol... E se o Sol não gozasse mais, o que seria do mundo?

O Sol precisava entrar em guerra, na realidade, por que Marte ficaria do lado de Zeus, o Sol-pênis, contra Júpiter e Saturno, os outros sagitais?

Marte anunciava o início da Primavera, no hemisfério norte, parece, então, simbolicamente, ter sido Marte quem derrotou as forças que dominavam os céus em pleno Inverno dando fim à escuridão, foi Marte quem interrompeu o domínio de Júpiter e Saturno.

Contraditório foi quando uma luz caiu do céu, mais um rival do Sol, o Fogo, o anjo caído, um domínio de luz que se dava em plena Terra, longe da Via Láctea; à revelia do Sol, em plena escuridão, essa luz dominava a Terra, concedendo tempo e luz.

Certamente, havia os adoradores da luz do Fogo, essa Superioridade caída dos céus em plena Terra, que consumia a tudo, que não criava nada... A fumaça era a prova genuína de que os espíritos saíam do Fogo enquanto esse a tudo consumia...

Se alguém morria, era necessário queimar o corpo para ver a fumaça representativa da alma subir aos céus... Se a pira não esfumaçasse, bem, era um mal sinal... Se chovesse na hora, um mau sinal dos céus...

Quando o Sol estava com pouco tesão, no solstício de Inverno, além dos seus rivais na Via Láctea, o Fogo, seu rival rebelde, era a luz que dominava a Terra...

E a humanidade a bom se reunir para adorar o Fogo...

Mas a única luz confiável era proveniente do Sol...

 

Pagando pau para o Sol... 

Bem, todos os deuses que passavam pela Via Láctea eram confiáveis, na medida em que a Matemática e a Astronomia eram confiáveis e previsíveis, sempre Júpiter e Saturno ameaçariam o Sol, mas jamais venceriam... Todos os anos, eles narravam a mesma apoteose. Por fim, o Sol lutaria para impor o seu gozo, na Via Láctea, onde haveria a Pax Solar, o domínio do gozo da luz solar...

A luz do Fogo, de dia, sob a supervisão do Sol, não podia fazer maldades à humanidade, quando domesticada para a cocção...

Mas, às vezes, bem que a luz do Fogo se revoltava e, em um momento de rebeldia, provocava incêndios...

Já, à noite, sob às trevas, a luz do Fogo dominava, à revelia do Sol... Nisso, durante um grande inverno, algumas pessoas começaram a adorar a luz do Fogo, quando só a luz do Sol deveria ser confiável, pois fertilizava as plantas, os animais, e todos reproduziam conforme às suas espécies...

Quem eram os filhos do Fogo? Sob o seu calor, tudo queimava, tudo era consumido, a luz do Fogo não fertilizava, pior, era a causa da desertificação. A luz do Fogo tinha desígnios contrários aos desígnios fertilizantes da luz do Sol. Representava um pênis sem medida?

 

Moralismo ou Matemática?

Será que os gregos usavam a Mitologia para falar do trivialidades sociais ou usavam-na para falar da complexidade matemática, as compreensões que foram se desenvolvendo ao longo dos anos, quando toda a descoberta científica era medida designada por metáforas do comportamento sexual  e libidinoso da soma, cada compreensão somatizada culminava na expressão simbólica da narração poética, o sintoma da fala misturado com o sintoma da compreensão, hoje pareceria impróprio afirmar que Vênus é um planeta feminino, no entanto, faz-se necessário explicitar que a translação de Vênus perfaz um movimento circular quase sem excentricidade, portanto, no saber primitivo, isso indicava a expressão do feminino.

Quando se diz, mitologicamente, que a mulher seria falsa, em que termos a mulher seria falsa? Primeiramente, pode haver uma associação entre a mulher e a Lua, então, falsa seria a Lua porque, na visão primitiva, apresentava faces diferentes a cada dia, ela era a esposa do Sol que, em oposição, teria legitimidade de gozo, como um primitivo jamais poderia saber se a mulher estava ou não grávida, assim como a Lua que, embora estivesse minguante, logo, em seguida, aparecia nova, portanto, na qualificação primitiva, era como se analogicamente, ela estivesse grávida.

Toda a psique liga-se às formas similares. O Sol é masculino porque seus raios extrapolam a sua esfera, tem sagital para espraiar gozo, ou raios, em termos de imagem de formas, tudo o que tem forma estendida, pendente, parece expressar-se masculino... O feminino é uma forma contida, mas a visão é falsa. A visão que o homem tem da mulher pode ser falsa, na medida em que ela pode estar grávida e ele nem saber, na medida em que, havendo a mudança de Lua, à semelhança, ela poderia mudar de condição... Como forma mítica, ele diz que o objeto que vê é falso, quando, na realidade, o primitivo está a expressar o seu próprio engano.

A luz do Sol anula todas as demais luzes, ninguém rivaliza com o Sol, a não ser Júpiter, Saturno e o Fogo, durante o Inverno...

 

Matemática da soma, a pulsão:

A medida será sempre pulsional, à semelhança da psique humana. A Lua em suas fases condiz com uma medida pulsional, qual seria o tempo da pulsão dessa fase da Lua, qual seria o tempo de pulsão do Sol?

O Sol tem muito tesão por conta de sua pulsão, que perdura 12 horas, que submete o dia inteiro aos seus raios, que submete todas as coisas ao seu calor.

 

Primabólica, Parabólica, Simbólica, Diabólica e Deus.

O que se tomava em termos de velocidade da luz era a propriedade de aderência imediata a todas as coisas, a pulsão que indicava a apropriação; os raios do Sol, então, seriam fenômenos indicativos desse movimento de gozo instantâneo, quando a luz se expandia, demonstrando a sua elasticidade e plasticidade; para um primitivo, o comportamento do Sol indicava tratar-se de um ser vivo sui generis, um ser vivo que impõe a sua vontade sobre todas as coisas, por vários motivos, dentro os quais a posição privilegiada, por estar no firmamento, acima dos humanos, e por ter plasticidade e elasticidade, propriedades repetidas pelo pênis.

Caracterizava-se pela onipresença, onipotência e onisciência, condição em que a luz a tudo recortava; e, a tudo recortando, determinava a medida de todas as coisas; pela sombra, os primitivos poderiam pensar que a luz do Sol era consciente dos objetos que retratava ou refratada porque, também, era assim que o Sol manifestava a sua simbologia, pela sombra que produzia quando, por exemplo, tocava na pele dos humanos.

O Sol seria um desenhista, um pintor, cuja sapiência se designava nas cores que refletia, assim era a medida das coisas, quanto maior fosse o brilho da cor, maior a sua consciência de luz. O desenho da luz do Sol seria, então, a expressão de sua masculinidade, a plasticidade decorrente de uma magnífica pulsão, com características a serem aferidas pelos períodos, cujos reflexos determinavam cores.

Themis, a deusa da Justiça, era a representação das 12h00, o meio-dia simbolizado no ápice da parábola, representando a justa medida, então, por suposto, o tempo seria parabólico, representado pela justaposição solar refletida na parábola matemática. Tem-se a ideia de igualdade pela divisão.

Simbólica seria a característica da medida de sobreposição de duas circunferências, nesses termos há uma duplicidade de circunferências: a referencial e originária; e a bola, símbolo, que caiu como uma sombra simétrica sobre a bola originária. Tem-se a ideia de igualdade, dessa vez, por sobreposição e espelhamento, a sombra símbolo da coisa.

Parabólica seria a característica da proporção de duas 1/2 bolas equidistantes... Nessa equação tem-se a ideia de igualdade por proporção de equidistância... Para haver uma parábola deve haver outra, já que uma está para a outra...

Primabólica seria a bola referencial e originária?

Então, Diabólica parece revelar uma propriedade de uma bola dupla, posta em dobro, formando uma condição consubstancial designativa da dupla circunferência de um relógio de Sol, simbolizando o dia com 24 horas.

A parábola, representativa da Via Láctea, em grau tridimensional, espelharia, também, o formato da Terra, pela compreensão dos paralelismos.

A circunferência da Via Láctea está para a circunferência imediata da Terra equidistante, por isso formam parábolas, uma está para a outra. No sentido em que não haveria compreensão da palavra parábola designando uma unidade, no singular, obrigatoriamente, será necessário haver duas unidades para a compreensão da função, porque uma circunferência ou um período devem espelhar a outra circunferência ou outro intervalo de circunferência, no caso, a Via Láctea espelharia a Terra.  

A parábola, então, surge como uma história confiável, embora retratada em termos de narrativa poética, apresenta sempre uma condição matemática que a distingue, uma função dita em forma de analogia, que se presta a uma verdade astronômica, portanto científica, no caso, as parábolas que retratam a Primavera narram uma função astronômica alegorizada.  

Primavera seria a primeira verdade da luz do Sol, a representação do tesão masculino, resultando no fenômeno da expansão da luz. Bem, a luz seria vista imediatamente, em primeiro plano, assim como o pênis, que deveria expor-se em espetáculo...

Verão seria uma verdade máxima, a representação do tesão do Sol em grau extremo, o excesso de verdade-luz sobre todas as coisas, a iluminação com excessos.

Outono representaria uma parte que tombaria, devido ao excesso de verdade-luz do período anterior, com o solstício de Verão, houve um período radiativo condicionando ao desfloramento da natureza, quando, então, surge o lamento, o início da perda...

Já a palavra Inverno contemplaria a mesma semântica da palavra inferno, representariam o tempo e o espaço das trevas, em oposição ao Sol, surge a ausência do masculino, a ausência da luz.

Bem, quanto maior fosse a escuridão, maior seria a chance das outras luzes aparecerem nos céus, haveria uma relação direta entre o tempo de escuridão e o tempo das demais luzes emitidas por planetas e estrelas na Via Láctea.

Quanto maior fosse o tempo de exposição do Sol, menor seria o tempo disponível à visibilidade de outros planetas e demais entidades celestes.

Quando Saturno e Júpiter derrotaram o Sol em setembro, tomando a Via Láctea, os antropoides entenderam que o tempo da exposição da luz do Sol era inversamente proporcional ao tempo da exposição da luz de Saturno e Júpiter.

As conjunções entre os astros significavam, nesse universo, as possíveis combinações matemáticas.

A Carta Celeste revelava, então, esse equilíbrio, se o tempo de pulsão de duas ou mais luzes era diretamente proporcional ou inversamente proporcional ao tempo da pulsão da luz do Sol.

Seria bastante provável que o tempo não tenha surgido a partir da determinação do Cronos, mas a partir da determinação do Croma, porque seria a luz quem teria a propriedade para dar origem ao tempo, ou mesmo, talvez, Cronos e Croma sejam derivações da mesma divindade, Cro, ainda, que não haveria oposição entre essas duas condicionantes, ao contrário, por isso, subentende-se haver uma designação funcional, dito, matematicamente, determinantes da função primitiva.

O relógio do Sol corroboraria esse entendimento, o percurso da luz, medido por sua ausência, a sombra, na constituição do tempo; a função que une o tempo ao espaço percorrido pela luz-sombra, espaço da luz = tempo; o sagital era o único que poderia medir o tempo. Daí a designação do sagital inteligente, porque a criação do relógio de Sol foi bastante engenhosa em termos psicanalíticos, pela memória de cálculo que associou a medida do tempo à sexualidade do Sol-pênis.

Nesses termos, todas as luzes rivalizam com o Sol, exceto, a Lua, Mercúrio e Vênus. A Lua surge como esposa ou escrava do Sol, está sempre grávida, quando cheia ou nova, decide parir. Assim ocorreria porque a Lua pode ser contemplada de dia e sujeitar-se aos eclipses com o Sol, termos em que não haveria rivalidade entre a luz do Sol e a luz da Lua, porque a luz do Sol não absorvia a luz da Lua. Durante um eclipse, esteve escuro porque o Sol ejaculou toda a sua luz dentro da Lua...

O primeiro filho do Abraão, o Sol-pênis, com a sua jovem escrava, a circunferência-Lua crescente, teria sido Mercúrio; já o segundo filho, que ele teve com a sua esposa idosa, a circunferência Lua minguante, teria sido Vênus.

Mercúrio seria o filho que sempre aparecia ao lado do seu pai, o Sol, bem, indicaria haver uma condição de localização astronômica de Mercúrio, sempre ao lado do Sol, quando, também, poderia ser verificada uma relação de subordinação, por uma questão de magnitude... O mais ágil, o mais comunicativo dos deuses, era a designação daquele planeta que fosse capaz de perfazer uma quantidade maior de combinações matemáticas, no caso, Mercúrio.

O segundo filho de Abraão, o Sol, seria Vênus, planeta que apresentaria a segunda rotação mais rápida do Sistema Solar, portanto, o segundo filho.

Abraão, o Sol, ao entardecer, leva consigo o seu primeiro filho, Mercúrio, para o sacrifício, mas retorna com ele ao amanhecer...

Mercúrio apareceu visível ao pôr-do-Sol, seguindo a sua rotação ao lado do pai, no dia seguinte, voltou com o seu pai, ao amanhecer, não houve sacrifício porque Deus disse a Abraão que não matasse seu filho, que se Abraão continuasse obedecendo a Deus e às combinações matemáticas, teria tantos filhos quanto fossem as estrelas no céu...

 

A carne.

Por certo, a ausência ou os excessos do Sol eram medidos, certamente, haveria o porquê de o Sol não impor mais a sua vontade, no Inverno, afinal, por que deixava a escuridão para a visibilidade dos seus inimigos? Certamente, a causa seria por seus excessos, quem sabe não fora punido por infidelidade à sua esposa, Hera...

No Carnaval, ao fim do Inverno, tinha-se um festival de carniça, um festim diabólico, com excesso do Fogo consumindo as carnes de animais mortificados, a imagem sugere a simbolização da infertilidade do Inverno, em seu momento em que a humanidade se vê diante da fome, quando o único alimento disponível seria o decorrente da morte de animais, dando-se o seu processamento de cocção em churrasco.

Faz-se constar o chiste vegetariano, por certo, seria necessário pôr-se uma máscara para as festividades, o que sugere uma psicose coletiva, assumida socialmente, portanto, para disfarçar-se de ser visto esfacelando animais em um banquete escancaradamente carnista, em meio ao sangue, sem frutas, legumes, cereais, seria necessário disfarçar-se, para não ser visto por Deus em um banquete contra a natureza da Primavera...

Evidentemente que, para encarar a carne morta, seria necessário aos primitivos a embriaguez, para diminuir a consciência da morte, dessa forma, antes da proibição haveria um festim que mistura carne com vinho, sangue com Fogo, onde tudo seria válido...

Ocasião em que ninguém teria consciência nem dos próprios atos nem dos atos dos outros, por ausência de prova, devido à embriaguez e à máscara, para que ninguém se reconhecesse, para que todos esquecessem da carnificina...

Há uma condição que parece sugerir que a morte de animais representava um tabu, em dado momento. O Carnaval sugere haver um período de exceção, que o precede, onde tudo era válido para se alimentar, inclusive, comer apenas carne, também, a julgar que culminava com o período de escassez de alimentos, no Inverno.

O Minotauro veio a adquirir aquela condição quando se transubstanciou com a carne de um Touro durante o Carnaval, o período da proibição... Por certo, a fera habitava o labirinto dos intestinos...

O Carnaval representaria, então, a interrupção do período de infertilidade da natureza. Após esse período de lassidão alimentar, em que o homem esteve em estado de psicose alimentar, haveria o jejum da carne até a chegada da Primavera.

No Inverno, até o Carnaval, os humanos comportavam-se como carnistas, alimentando-se de morte, enquanto na Primavera, alimentavam-se de vida, enquanto vegetarianos.

A hipótese seria que os humanos estavam se comportando de modo estranho, nutrindo-se exclusivamente de um alimento ligado ao Fogo, ao sangue, à morte, de fato, sendo carnistas, ameaçavam as outras espécies, ameaçavam extinguir a vida dos outros filhos do Sol, enfim, por suposto, só mantinham esse hábito alimentar durante o período de Inverno, quando havia escassez de alimentos.

Seria racional que os primitivos precisassem fazer um jejum, o Carnaval, para livrarem-se da transubstanciação alimentar com defuntos, por suposto, senão, podiam ser transformados em Minotauros, Centauros, etc.

 

Dismorfismo e materialismo da luz.

Na leitura de Lacan ou de Freud vê-se a denominação do mundo como um elemento característico da masculinidade, bem, de certa forma, tudo que expande representaria uma estética de exotismo, que seria uma característica da materialidade como expressão do ser masculino.

“Terás tantos filhos quanto forem as estrelas no céu.” – disse Deus de modo exponencial à Abraão.

Quando todas as estrelas no céu seriam filhos de Abraão, o Sol-pênis, conforme todos os Tratados de Óptica primitivos que, assim, deviam supor:

Há os objetos que emitem luz e outros que captam luz. Esses últimos só existem, enquanto fenômeno, quando a luz adere aos seus corpos, momento em que podem reluzir, a prova do fenômeno seria aferida primitivamente pela cor.

Certo que todos os outros objetos que emitiam luzes estavam no céu, a não ser o Fogo que caiu na Terra... Pois bem, o direito de reluzir estaria vinculado à ordenação da reprodução de luz, a quem detivesse esse poder.

Bem, as luzes eram confiáveis enquanto estavam no céu, proporcionavam a Matemática e a Astronomia à humanidade... No entanto, a luz que saía do chão, o Fogo, era uma luz traiçoeira, má, revoltada, sem estética previsível; como o próprio Fogo se designava sem estética, não podia ter medido o seu sagital pululante, daí, devem ter concluído, em momento primitivo, que a luz do Fogo não era confiável, não gerava significante, afinal, não havia previsibilidade matemática.

Quem diria saber qual sua vontade, por certo, estava sempre a querer enganar a humanidade, hipnotizando-a? Quando a humanidade pensava ter dominado o Fogo, ele, traiçoeiramente, a tudo queimava, a todos hipnotizava.

Se o Fogo hipnotizava ou não, carece de solução, nada indica que o Fogo tivesse o poder de hipnotizar as pessoas, no entanto, a imagem simbólica do Inverno pode sugerir haver pessoas ao redor de um fogueira, como que em hipnose, tentando absorver o calor, enfim, a cena imaginária sugere que algumas pessoas não queriam abandonar a fogueira, com frio, enquanto outras, que guardavam a memória da Primavera, por desejarem se religar à luz, queriam migrar em busca do Sol...

De certo modo, a luz do Fogo conquistava a todos durante o tempo de escuridão da Terra; bem, a Terra nada podia fazer contra isso, de dia, ela ainda tinha a proteção do Sol, mas, à noite, a luz do Fogo se destacava, e todos se rendiam à luminosidade e ao calor, sobretudo no Inverno, quando alguns a veneravam.

A luz viria a ser uma entidade viva, material, ultrapositiva, na proporção em que se expandia em conquista, aliás, sua conquista sobre todas as coisas dava-se de forma imediata, plena, realista, material, por certo, parecia ter propriedades exponenciais de reconhecimento de vida.

A forma da luz designa-se masculina porque seu comportamento compreende a elasticidade, a plasticidade, formas majoradas e minoradas, diariamente, vistas como uma característica da pulsão sexual, à semelhança das propriedades do pênis.

Sendo uma entidade, o Sol seria pai de todas as outras luzes também, porque as demais luzes só seriam visíveis pela ausência do Sol, então, se o Sol não quisesse, não haveria visível as luzes das estrelas e dos planetas, porque todas as luzes se anulam diante dele, a não ser a sua esposa, a sua escrava e os seus dois filhos... A luz designa-se por ser uma entidade una, completa... Tudo o que for tomado de Sol torna-se consubstância de luz, misturado ou absorvido por ela.

Deus, Dio ou Dieu, o duplo sagital na mesma circunferência, a expressão da quantidade viria pelo sufixo “di” seguido da letra “o”, quando a letra “o” parece se configurar sob a óptica da circunferência; Dio aparece como uma entidade que já teve o dobro de substância de luz, pois todas as demais luzes são seus descendentes, mesmo assim, mesmo cedendo luz, ele não perde a sua capacidade gerativa e regeneradora.

A cor passaria a ser uma denominação de consciência da luz sobre todas as coisas, sua expressão performática, uma concessão divina...

O filho do Deus seria o próprio Deus, sendo eles a mesma substância de luz, compõem-se ou somam uma mesma unidade, mas são dois entes.

Bem, tal qual a Terra, o útero também seria um território sem iluminação, lugar das trevas, e foi assim que um veículo de luz de um herói teria surgido, Apolo...

Certo que os antropoides podiam confiar na Via Láctea, porque sabiam que Marte, Mercúrio e Vênus estariam ao lado do Sol, era previsível, quando surgissem, a partir de março, esses planetas anunciariam o retorno do tesão do Sol.

A esperança seria um sentimento de previsibilidade da Via Láctea, a esperança seria a espera cronometrada...

Tal qual a personagem de Penélope que fia e desfia o manto, em cálculo matemático, até chegar a uma solução, a conjunção correta dos corpos celestes na Primavera, ou outro fenômeno que designa a perfeição...

 

Concepção de morte antagônica à concepção de vida.

Em uma hipótese, a primeira observação de vida ou morte teria sido medida pela respiração.

 

Mathis e Methis! A Prudência da Matemática!

Diábola seria uma função conseguida pela segunda volta na circunferência, pela concepção de que existia um perímetro equivalente ao tempo impossível de ser medido apenas pela luz do Sol, quando a forma correta de aferição do tempo seria pela compreensão de que o tempo do relógio para a medição da rotação da Terra era constituído por uma circunferência dupla, a diábola...

Primeiro, os homens ficaram em dúvida se deveriam assumir a paternidade, como evidenciam ou sugerem as Mitologias, por outro lado, as mulheres estavam engravidando de cobras... Pois bem, a mulher tinha como substrato, em seu ventre histérico, sendo essa uma expressão pleonástica, o esguicho de sangue e a gravidez de cobras...

Bem, como as árvores estavam sem folhas, sem frutos, devido ao Inverno, à falta de Sol e de calor, então, o raciocínio pareceria válido, afinal, o tronco, os galhos, só por se exporem ao Sol, cresciam e reproduziam folhas e frutos...

O pênis-sagital, da mesma forma, quando exposto ao Sol, captaria os poderes fertilizantes do Sol, o que parece ser um raciocínio analógico viável, pulsional, assim, o pênis-sagital poderia ter adquirido, ideologicamente, a propriedade de sagital-veículo-de-luz, termos em que se constitui o relógio de Sol, performaticamente...

Então, eis que, surge a figura heroica, Apolo, que decide não só matar as cobras como assumir a paternidade, a expressão popular designaria o rito de “matar a cobra e mostrar o pau”, como fez às pítons, essa seria uma configuração do falo-heroico na qualificação do ego masculino pós-revolução cognitiva, quando o homem resolve assumir a paternidade como um feito heroico de seu veículo-mágico-de-luz, designador de sua personalidade, tendo, assim, deslocado poderes para os feitos heroicos de seu veículo peniano, constituindo, dessa forma, o falo, além de matar as cobras, o veículo de Apolo, enfim, pronunciava a luz do Sol, consubstanciando a fertilidade no ventre.

Disso isso, toda a Heráldica refere-se ao anúncio do heroísmo peniano...

Não havendo como provar a paternidade, dada a impossibilidade material, bem, nada é mais primitivo do que a dúvida em relação à paternidade, em termos de construção cultural, a paternidade se daria basicamente por expressão da confiança, mas prova material, até então, não existia. A Heráldica torna-se a prova representativa da materialidade da paternidade.

Parece que, em termos culturais, o homem achou que era seu direito passar a duvidar da conduta feminina, porque a sua gravidez foi construída como um direito masculino equivalente à conquista de território, designação do materialismo, bem, era preciso que houvesse a legitimidade reivindicatória, legalizadora do direito ao heroísmo, com isso, tem-se o materialismo territorial e ideológico como expressão da prova da potencialidade...

Certo que as cobras, as filhas da luz da diábola, são as arqui-inimigas dos filhos da luz do Sol.

Mas qual seria a engenhosidade da luz do Fogo, como conseguiria fecundar o útero? O útero era um lugar escuro, e como destino, toda a escuridão, um dia, deveria vir a ser territorialmente preenchida por algum tipo de luz.

Supõe-se, então, que o útero seria, ideologicamente, um território a ser conquistado, já que a luz representa o poder da conquista, a propriedade que invade e toma o território de assalto.

Há um momento em que o homem investe na consagração do heroísmo do pênis, como veículo da luz do Sol-pênis... Bem que deve ter havido problemas ligados à legitimidade da conquista...

Primeiro, quando o veículo não captou luz suficiente do Sol, pareceu-lhe evidente e notório que seu pênis devesse padecer de tesão, de calor, precisava de um método para religar-se à luz; segundo, que o útero lhe foi roubado alguma vez, um território pretensamente conquistado, já que o homem se achava no direito à coisa material, para a constituição do pênis como falo seria necessário a apropriação territorial; terceiro, a culpa teria sido da mulher que deixou o território ser invadido por outro homem porque, do homem não foi a culpa, já que seria legítimo a qualquer homem conquistar territórios para ter feitos heroicos, já que as luzes são invasoras por natureza.

Por certo, o ente masculino teve constituído uma libido objetal fora de seu corpo material, um território outro para a consagração de seu heroísmo fálico, designador do seu objeto outro...

A Heráldica, como expressão da metonímia, seria a apropriação das palavras para designação do heroísmo... Cada vez que o nome fosse pronunciado, haveria a consagração do heroísmo histórico.

 

Falsidade. 

Só a mulher poderia gerar uma concepção, em dado momento histórico, o homem não poderia ser falso, porque a natureza não lhe permite a falsidade, tudo era feito às claras, seu órgão sexual exposto, na captação da luz do Sol, seus direitos, todos legítimos, principalmente, os direitos de conquista territorial, de enfrentamento das cobras; enquanto já a mulher, essa poderia captar, também, de outro modo, a luz do Fogo, engravidando de cobras, fazendo um pacto diretamente com Éolo, sem o intermédio do homem.

Numa referência infantil e prosaica, Apolo pegou o seu carro, ou veículo, levou-o até o Sol-pênis, queria saber como o Sol-pênis engravidava as árvores, quando captou a inteligência do pênis solar por intermédio do veículo, entrou com o seu carro na garagem e atropelou as cobras, quando por fim ligou os faróis, irradiando a luz transubstanciada, personificada de tesão divino...    

Não fosse ele, a mulher jamais saberia o que seria uma luz divina, porque, não possuindo sagital, substância para captar luz, não teria acesso a Deus.

Por outro lado, quem mais se personifica de Sol? Não para criar a vida, mas para consumi-la, senão o Fogo? Então, o homem, alinhando o seu heroísmo fálico à personificação do Sol, tem o Fogo como seu arqui-inimigo, a escolha está certa, pois tem-se a luta para manter-se vivo, de fato, no consciente, recém-formado por uma dualidade, o Sol seria designador de vida, assim como o homem, cuja a personificação do Sol viria pelo ilustração do falo; por outro lado, tem-se a escuridão e o domínio do Fogo, esses entes designativos da infertilidade do Inverno sugerem a cognição quanto ao fato da não concepção estar ligada à menstruação, em que a mulher estaria hipnotizada durante a menstruação, em processos somáticos de hipnose, como constitutivo da enxaqueca ou da Kundaliní, em que há cobras por todo o corpo, no caso da enxaqueca, entre os olhos...

O sagital do relógio de Sol como representação da vontade do pênis. Reprodução da luz. Procriação, causa remota, causa patente, causa imediata, causa mediata, designação de tempo. Anatomia. Pulsões. Captação da luz pelo pênis. A sombra como expressão do roubo da luz. Histeria. Sangue, fogo, ar e serpente. Fecundação e fertilidade do Sol e do Fogo. Heroísmo do Veículo. Morte das cobras por Apolo. Salvamento da espécie. Bíblia. Significante da reprodução, conforme a sua espécie.

— Adão, estou grávida de uma cobra, sangrando, com enxaqueca e cólica... Olha, não vai rolar... — fala Eva ao Adão, entre choros e gargalhadas.

— Não consigo nem abrir os olhos, por causa da claridade...

— Como ousas recusar a luz, o gozo do pênis de Deus? Já estava desconfiado, é a luz do Fogo que veneras, quando expõe a tua Vênus a ele; agora, esse Fogo te sobe à cabeça, aposto que foi ele quem fecundou o teu útero com cobras. Vou já falar com o Sol-pênis, quero saber como eu te curo... Apolo, o meu veículo, derrotará a luz do Fogo que tomou conta do teu útero!

— Não foi o Fogo, Adão, foi o Vento, foi o gozo de Éolo que eu ingeri.

 

Motivação.

O homem portava e reproduzia a luz perfeita do Sol, enquanto a mulher não fosse fecundada por essa luz estaria a reproduzir a luz do Fogo diabólico e do Vento, fazendo nascer os frutos das trevas. Enquanto o homem não levasse a luz ao útero, a mulher estaria fadada a reproduzir os filhos de outra espécie de luz, que não a divina.

Se deixasse pela lógica do matriarcado, o útero seria dominado pela luz diabólica.

No Gênesis, há a narrativa que parece ser uma recomendação, aparece de forma renitente a caracterização da genética pela expressão “foram reproduzidos conforme a sua própria espécie.”

Se os animais e vegetais estavam reproduzindo conforme às suas espécies, então, quem não estaria reproduzindo conforme à sua própria espécie?

Será que o texto sugere haver quem estivesse reproduzindo seres em disformidade à sua espécie?

A conclusão poderia versar sobre a confirmação de que a Eva pensava estar grávida da cobra, conforme se revelaria na histeria, que seria ela a pessoa que não estava reproduzindo conforme a natureza da sua própria espécie. E mais, que isso estava em desacordo com a natureza da luz do Sol. Daí, viria o exemplo em Literatura de que todas as espécies eram obedientes, afinal, o que ocorrera à Eva para ela passar a reproduzir cobras?

Se Eva comportava-se como alguém que difere dos outros seres, se estava a reproduzir uma espécie que não lhe era própria, o que equivaleria a desaproveitar-se da luz solar para aproveitar-se da luz do Fogo, um ser que traiu o seu próprio pai, tendo-se tornado orgulhoso, o anjo caiu dos céus, passou a agir nas trevas, iluminando o mundo ausente de Sol; ou quem sabe do Vento, do nada, faria surgir cobras em seu útero...

O herói deveria ideologicamente salvar a mulher e, por derivação, salvar a sua própria espécie... Havia dois inimigos a serem derrotados, o Fogo e o Vento.

Era evidente que o veículo-falo do herói deveria reproduzir a luz celeste para ter como salvar a própria espécie.

Dessa forma, o Sol aparece como a grande divindade, tendo sido captada a sua luz por outra divindade cardinal sagital, o pênis, tendo Apolo com o seu carro tomado o lugar do Sol na reprodução, derrotou os filhos do Fogo.

O pênis em fertilizando seria a personificação do Sol, o veículo condutor de luz. Da mesma forma, o relógio de Sol.

Há uma apropriação da luz do Sol pelo veículo-fálico, enchendo-o de tesão, há dessa forma uma transferência de luz, calor e tempo, variáveis elementares para a concepção.

 

Funções matemáticas da circunferência. Parábola. Diábola. Anatomia. O sagital do relógio de Sol representa a vontade do falo.

Em que momento o veículo e o sagital do relógio de Sol foram a mesma coisa, a hipótese da captação da luz pelo veículo fálico para reprodução da mesma espécie no útero remete ao fenômeno da transubstanciação, quando o homem deseja procriar a luz do Sol, sendo a luz a causa remota e latente da fecundação, já o pênis torna-se a causa imediata por veicular a luz...

Formas masculinas se traduzem por conterem a característica da propriedade da excentricidade, já a característica da circularidade seria feminina, constituídas das formas circulares que detêm a simetria, assim, quanto maior for a extravagância da forma, restarão essas como masculinas, a elipse representa a forma masculina por sua excelência. Assim são as funções, femininas ou masculinas, dadas as suas naturezas.

 

Reprodução por consubstanciação ou por transubstanciação.

Reprodução por consubstanciação ou por transubstanciação são equivalentes às reproduções sexuada humana e pansexuada?

Bem, sugerem os termos, a transubstanciação seria o equivalente à reprodução em que houvesse a gravidez por captação de raios solares, Hélio transmite a substância, então, por absorção da luz, promove-se a materialidade. Assim como ocorreria em relação a Éolo.

Ao tempo da cognição da paternidade, a luz remota que transubstancia o ser se constituiria, por suposto, de imaterialidade, bem, nesse caso, toda gravidez constitui-se de substância dessa luz remota e imaterial, Deus, nesse caso, haveria duas causas para a gravidez, uma causa remota, outra, patente, decorrente da concepção sexual.  

O homem é o consubstanciador de luz por determinação da luz imaterial e remota, embora o homem reproduza por auto-suficiência de substância, ainda assim, sua ideologia reprodutiva parece guardar resquícios da acepção do fenômeno da transubstanciação, posto que ainda remete a concepção à uma causa remota diferente da material.

Mesmo com a revolução cognitiva, a concepção, para os primitivos, decorre do nomenum e do fenomenum.

Apesar de ser contraditório, a manifestação se dá pela materialidade, e por outro elemento, desta vez, fantasmático, o termo de ideação que define a concepção...

 

Voltando às maçãs...

Causa mediata e causa imediata. 

Nem todo coito resulta em gravidez. Há um outro elemento que define a concepção? O veículo do Apolo deveria estar conectado ao gozo do Sol, por certo, venerar a divindade era razão de consciência matemática, bem, venerar seria expor suas partes venéreas ao Sol, ou à Lua, nisso, não há diferenciação entre a performance de expor o pênis ereto ao Sol ou expor o sagital de um relógio de Sol, está-se diante de sagitais que falam a mesma linguagem: o Sol-pênis fala com o pênis e o pênis fala com Apolo; outra, o pênis de Deus, o Sol, é quem expressa a vontade de Deus.

Sendo assim, Apolo se comunica com o seu pênis, o seu pênis se comunica com o Sol, e o Sol se comunica com Deus...

O corpo feminino só formaria um sagital designador de luz quando engravidado, desse modo poderia se comunicar com o Sol, por ter contido o gozo de Deus.

O que se coloca de modo frontal, bem, em espécie, o homem expõe seu pênis, a mulher expõe sua gravidez, o que se exibe de modo espetacular significa a verdade, posto que é representante do desejo...

Há um aspecto que corroboraria com essa dinâmica, o ser precisa ter vontade, que condiz com a postura de pôr-se diante do Sol, para roubar-lhe a luz, a prova do furto seria a sombra, seria compreensível, dentro de um tratado primitivo em Óptica, admitir que a relação entre luz e sombra era a apreensão de luz pelo sagital, na sua fase primeva, a humanidade teria se comportado de forma infantil, neuroticamente encantada com a luz e a sombra.

Nisso, poderia ser entendido que o ser morto não produzia substância por falta de vontade, não produzindo substância somática que pudesse caracterizar a elasticidade, ou a plasticidade, o corpo morto não conseguiria captar luz; quando a prova de que o sagital absorve a luz parece vir do fenômeno da sombra, como sói ocorrer em corpos verticais... Afinal, se havia um sumiço da luz, quem a roubou, senão o sagital?

Ao contrário, por suposto, o morto ausente de luz não formava a sombra, a humanidade poderia ter acreditado que o corpo havia se unido à sua sombra na terra, bem, não havendo desenho possível a ser feito pelo Sol, em que se distanciasse o corpo da sombra, pois bem, o corpo morto deveria se misturar à terra, já que a terra captava todas as sombras. Enterrar o corpo aceleraria esse processo.

O Fogo tem a mesma natureza da luz do Sol, mas, apesar de ter a representação simbólica, a luz do Fogo partia do chão em direção aos céus, criando antagonismos, também, o tempo decorrente dessa luz era imensurável, pelo desenho que produzia, era inconcebível e imprevisível...

Que tempo haveria naquele sagital, que se erguia sem contraste previsível, cada labareda do Fogo conferia um tamanho inexato do sagital, diversos sagitais pluribólicos, sobrepostos uns aos outros... Como haveria de se determinar o perímetro do sagital do Fogo?

Sagital também seria a expressão física de todo o corpo que possuía capacidade para produzir ou reproduzir a luz. O corpo que captava a luz deveria revelar a sombra, em contrapartida.

No entanto, do Fogo partem raios que rompem a forma contida com exatidão, não seria possível confiar nesses raios, não seria possível encontrar uma teoria matemática que definisse a claridade e a escuridão a partir do Fogo, nem um período de intervalo que fosse, o Fogo não era um ente confiável como o Sol, de quem era possível contabilizar a claridade e medir a escuridão.

O Fogo também podia surgir do nada, da combustão espontânea da natureza, assim, teriam julgado os primitivos, que o Fogo tinha vontade própria, tanto quanto podia ser produzido por mãos humanas...

A sombra do sagital conferida pelo pênis-falo produzia um contingenciamento circular, designado pelo perímetro do relógio...

Mas o sagital do Fogo começava de forma intensa, tornava-se enorme no início e, ao final, diminuía, quando a função era igualada ao zero... Seria possível afirmar que o Fogo fosse irracional, imprevisível, diferentemente do Sol, seu pai?

Alegoria para a natureza do Fogo, quando essa diferencia-se da natureza do Sol, em oposição, o Fogo é rebelde, um anjo caído, orgulhoso, que desprendeu-se do seu lugar de origem, o céu. Os primitivos achavam que uma estrela ou um planeta havia caído do céu, desobedecendo a determinação do Sistema Solar...

A organização do dia e da noite na psique humana revela o desejo do veículo-falo de estar ereto, como o Sol, quando houve uma orientação geométrica, qualificada pela sombra.

Os primitivos, então, colocavam, cada qual, um sagital fincado ao chão, esses sagitais eram representativos do veículo-falo de cada um deles. Cada qual tinha um sagital para essa performance, no qual se absorvia a luz do Sol.

Descobriram os primitivos que os sagitais, embora tivessem tamanhos distintos, produziam sombras equivalentes em termos de tempo.

Todos as sombras dos sagitais percorriam a circunferência ao mesmo tempo, apesar dos raios diferentes.

Por que formas iguais em tamanhos diferentes podem compor uma unidade de raciocínio? A unidade que determina o espaço-tempo, a proporção das bolas paralelas... O tempo era parabólico...

O corpo humano desenhado no chão, porque a luz seria onipotente, onisciente e onipresente... A luz sabia da existência do pênis...

As coisas precisam estar em pé para distinguirem-se de suas sombras, o que dependeria da vontade desse corpo, a analogia do pênis ereto com tesão satisfaz esse ideal. Mas a pessoa morta busca a sua sombra, unindo-se a ela, quer dizer que o Sol deve ter-lhe retirado a cor, o espírito da luz se foi, termos em que sugerem serem os corpos projetados para barrarem a luz.

Ao enfrentarem um objeto, alguns raios retornam, espraiados, outros são absorvidos, depende da natureza desses corpos...

Um primitivo poderia produzir um tratado em Óptica, por ter medido todos os raios mentalmente, quando dividiu a luz em cores, relacionando-as às pulsões...

O primitivo entendeu que os raios eram contínuos, não cessavam enquanto houvesse Sol, sendo que a divindade poderia ser tanto a proprietário da luz, quanto a própria expressão de luz, o pênis.

A luz deveria ser perseguida, a oeste, se corressem e chegassem ao fim do mundo, descobririam por que o Sol se recolhia todos os dias e para onde... Também, quem sabe, por outro lado, descobririam por que ele retornava ao amanhecer...

Com o sagital, chegaram a um desenho de 360 graus, do relógio de Sol....

Mas, e quanto conseguissem ter o Sol durante 24h, o que aconteceria à circunferência?

Ao seguirem o Sol entenderam que era uma coisa diabólica, o tesão do Sol duplicava a circunferência, o ciclo continha duas circunferências com 360 graus, claro, não com esse nome... O nome que deram ao ciclo foi dia, corruptela da palavra diábola?

Mediram e a sombra desenhou uma circunferência inacabada...

Observadas as 3 fases da sexualidade, assim caracterizadas como fase oral, fase anal e fase sexual, elenca-se, em hipótese, um desenvolvimento intelectual recíproco à fase de desenvolvimento, daí, a humanidade pode ter se constituído de forma análoga, primeiro, pela lógica da oralidade, depois, pela lógica da analidade e, por fim, pela lógica do pênis e da reprodução sexual; a humanidade já determinou vários critérios de ideação para a constituição da causa da reprodução, como se, de início, houvesse a ideia de concepção oral-respiratória, baseada na ideia de que os frutos eram um produto da árvore com o Sol e o Vento, também, que o humano teria adquirido vida ao respirar, quando nasceu, daí, pelo sopro da vida, na Cultura judaico-cristã...

Que elemento era essencial para a gravidez?

Quando entendem que não seria possível captar o Sol pela boca e pela respiração, porque o sistema oral-digestivo seria diferente do sistema oral-respiratório, tem-se, então, a fase anal; possivelmente, por suposto, teriam surgido condições fisiológicas de vascularidade no período inicial do bipedismo, o movimento do tronco para cima e para trás permitiria que os membros superiores pressionassem a base da coluna. Quando o ânus passaria à maior vascularização devido à posição que viria ocupar, no centro do eixo vertical, à base da coluna, quando, antes do bipedismo, se situava em região periférica do corpo; assim, o ânus torna-se um lugar de convergência de fluxos vasculares, possibilitando um ideal de razões ligadas à fase anal.

Depois, por expor de modo frontal o seu objeto sexual, a medida em que o pênis se desenvolve, tem-se o deslocamento do fluxo de interesse do ânus para os órgãos sexuais, também, sugere-se haver uma convergência vascular em momento consequente, colocando o órgão sexual como o locus final convergente das pulsões...

Devido ao desenvolvimento do sistema vascular com o bipedismo, as fases oral, anal e sexual não seriam imprevisíveis...

Essa ideia de haver poderes no ar com capacidade de engravidar não é uma ideia que tenha sido extinta em sua totalidade, parte dela ainda está contida na ideia de incorporação, na ideia de transubstanciação, por agregação de espíritos...

Certamente seria uma as causas da concepção, o ar concebido como meio entre o Sol e o útero, daí, uma concepção solar quase direta pela mulher, a esse fenômeno deu-se o nome de histeria; pois bem, a histeria restaria proibida como método conceptivo. Ao deslocar exclusivamente para o pênis o poder do Sol, o homem tratou de proibir a performance da histeria, tida como uma reprodução independente, afinal, era falso toda e qualquer performance conceptiva que viesse pelo ar.

Criada a exclusividade da performance peniana de veiculação da luz solar, com o tempo, teria havido a descoberta das propriedades da própria soma masculina e da reprodução sexuada dentro da mesma espécie, enquanto, antes, os primitivos pensavam haver relações sexuais de veneração com o Sol.

 

O relógio de Sol e o desejo do pênis.

Motivação. Possivelmente, a confecção do totem fora um evento sublimatório, devido à impossibilidade de gravidez masculina, o totem restou designado à economia, à arte, fruto do trabalho. O totem, ainda que utilizado para fins econômicos, continua designativo e representativo da vontade de gravidez masculina, conceito desenvolvido na fase anal... O produto do ânus, a excreção, fruto do trabalho, realizado como totem, é substituído por argila na composição. Aqui, pela associação de “O pequeno Hans”, narrado por Freud.

Já produto da vagina, o bebê, realiza-se pelo trabalho de parto.

Pela capacidade do pênis veicular a luz do Sol por causa remota, daí, por transmissão, surge a ideia de transubstanciação da luz solar, quando a causa físico-genética entre os humanos da mesma espécie ainda não havia sido conhecida, ou seja, antes do aparecimento do deus da Medicina Reprodutiva na Cultura.

Não era por legitimidade genética que ocorreria a gravidez, o homem não reconhecia como próprios os poderes reprodutivos, seu objetivo era reproduzir a luz que não era sua, a luz do Sol, no útero feminino.

O homem poderia transubstanciar a luz de Hélio, mas não detinha a propriedade de consubstanciar a luz no útero.

Na fase sexual tardia, ocorre um deslocamento de raciocínio, designando como próprio do veículo-pênis os poderes para fecundar.

Ocorre o deslocamento da ideia da descendência direta (fase anal-material) para a descendência abstrata (fase sexual).

A abstração da descendência se realiza para efetivar sobretudo o homem como ascendente, já para a mulher, a experiência dá-se pela materialidade.  

Se o pênis possuía poderes invisíveis, então, na natureza, haveria outros poderes ocultos...

Nota-se que não era o veículo-pênis quem pretendia demostrar poder na idealização do totem... O totem seria representativo da gravidez, do trabalho da gravidez, um simbolismo constituído na fase anal.

 

A reprodução invisível.

A misteriosa descoberta das propriedades invisíveis do Veículo...

Deus dava frutos aos seres vivos, mas o homem não tinha descendentes, não podia procriar, porque não havia mulher idônea, quer dizer, não havia união estável, não havia quem atestasse que a mulher não estava grávida de outro homem, não havia como Adão afirmar que o filho fosse seu.

Quando ele entendeu que para ter certeza de que o filho fosse seu deveria isolar alguma mulher, assim haveria a possibilidade de constituir uma linhagem genética, idônea.

Foi quando ele isolou a Eva, entretanto, não tinha certeza de que ela não era da sua própria linhagem, pois não havia qualquer mulher isolada até então...

A palavra idônea deve ser tomada como o isolamento de mulheres para o fim reprodutivo, designador legitimador do casamento.

O materialismo histórico estaria simbolizado no totem, no desejo da materialidade do fruto, no desejo de engravidar. Em ultima ratio, no desejo masculino de acumular fezes como significante da reprodução.

Elementos da biologia indicam primatas em duas vertentes, em uma linha, surge o territorialismo como determinante da paternidade, em outra vertente surge o pai adotivo não territorial, circunstancial, questão elementar aos grupos, onde há a criação colegiada.

Um antropoide deveria refutar de toda a sorte que uma mulher se mantivesse menstruada, de certo, não traria boa sorte, não era indicativo de fertilidade, de vida, pelo contrário, era indicativo de falta de fertilidade, pior, podia-se pensar que a mulher estava acometida de alguma doença, acometida do mal por determinação das entidades malignas, de fato, disto isso, quem, em um ato de coragem, como um São Jorge, não avocaria a missão de curar as mulheres?

Estaria o útero possuído por um Fogo líquido, as mulheres estavam possuídas do Fogo diabólico, gerando as cobras?

Era necessário levar a luz às trevas... Só um herói seria capaz de matar cobras, não era retórica, era literal essa assertiva...

Fecundar o útero seria um ato de coragem, acabar com o sangue derramado e ainda frutificá-lo... Tudo isso a ser conseguido sob o risco de ter seu pênis-veículo mordido pelas cobras...

Apolo derrotou as cobras, acabou com o sangue que ameaçava toda a tribo, trazendo a paz com a Heráldica, livrando a tribo dos monstros que saíam da caverna, derramando um rio de sangue...

Os mitos foram construídos a partir de raciocínios elementares, infantis, porém profundos em sua elaboração semântica...

O mito, então, encerra uma análise científica, embora, não seja decorrente de linguagem propriamente científica como determinado hoje, é como se a linguagem fosse única para designar muitas coisas, dentre as quais, a ciência, não só a ciência como a história de suas descobertas, às quais eram representadas e ordenadas para criarem sentido linguístico... O assunto seria científico, mas a linguagem restava ainda bastante sexualizada.

Fiança é a designação da Matemática porque elementar, no ditado, “não dá um ponto sem nó”, quer dizer não faz nada sem cálculo, qualquer movimento tem que ser preciso, fixado. Disso trata a fiação, movimentos regulares, proporcionais, onde há combinações, períodos, a Matemática é elementar por ser a linguagem designada pelas pulsões, linguagem nata à psique humana.

Os antropoides inventaram a Agricultura quando primeiro colocaram as sementes para serem secadas ao Sol, esse ato equivaleria à colocação do sagital para elaboração do relógio do Sol...

A agricultura, o relógio de Sol e a ideia de reprodução por heliossexualismo idealizam o Sol como causa remota e latente, seriam ideias equivalentes, consequência da mesma premissa, a premissa maior, o Sol possui o elemento que designa a vida e tempo, seja ele qual for, já que o Sol seria o ente das pulsões de Deus, portanto, o seu pênis...

Ao secar a semente ao Sol, ele a energiza, consolidando a sua fecundação, hipoteticamente, depois, o primitivo lança essa mesma semente no ventre da terra.

 

Conclusão:

O Sol tem energia jactante, portanto, seria um pênis.

A Matemática seria a linguagem da função pulsional da soma para os primitivos, quando, todas as pulsões sexuais precisariam ser ordenadas, ou compreensíveis matematicamente, a magnitude realiza o ideal do pênis, está constituída de combinações matemáticas.

Por puro heroísmo, assim foi entendido o ato sexual para fins de reprodução.

Nem todo sexo resulta em concepção, haveria outra causa distinta, qual seja, a sorte, o destino, no caso cristão, o Espírito Santo leva a luz da concepção à Maria, portanto, em termos semânticos, o Espírito Santo representa o pênis de Deus... 

Há um elemento maior, anterior, designativo da causa, a luz divina, não à toa que parir seria dar à luz, sim, devolver a luz que foi dada pelo Sol, a divindade, lançada para dentro do útero pelo veículo-pênis. Aqui poderia haver o senso de devolução, a luz seria processada e devolvida em fruto. Aqui há uma troca feita com a divindade.

Os ideais infantis surgem, quando a descoberta da paternidade só ocorre em período tardio, de fato, Édipo não comete o parricídio, bem, apesar disso, em termos de justiça algo acontece, em termos de consciência, porque houve uma contradição, a justiça não se faz pela medida do elo imediato, há um elo remoto, anterior.

Porque, de fato, o oráculo funcionaria assim, no futuro, será possível descobrir o que existia no passado, a consciência da paternidade surge depois, embora seja fruto do ato sexual anterior. O oráculo, geralmente, remete às questões temporais relativas à paternidade desconhecida, uma verdade pós-revelada se forma. Os pais primatas foram designados pelo hormônio, como todos os animais, jamais saberão a realidade... Para os humanos, foi necessário erguer uma cultura de significantes para expor e justificar o lugar do pai.

Patriarcado e materialismo totêmico, conceitos que corroboram com o materialismo histórico, quando a materialidade do totem revela o desejo em espécie da paternidade. Os lastros da contingência, bem, seriam expressos em coisas, primeiro, na assimilação das fezes como totem, depois, com a troca das fezes pelo barro para a confecção do totem.

Parece ser evidente que na fase sexual ocorreria a ideia da captação da luz solar pelo veículo-pênis, mas trata-se de uma ideia desenvolvida na fase oral que se desloca para outro objeto, qual seja, o pênis; quando os poderes do Sol se deslocam à fase sexual, bem, parte-se do ideal do sol-aerado, oxigenado, respirado pela boca para o ideal do sol-transubstanciado no hidro-esperma.

Certo que a concepção não é obrigatória ao sexo, quem sabe a gravidez necessitaria de há algo a mais para acontecer, um elemento de sorte, um presente divino, algo idealizado que justificaria a concepção, como uma luz, a representação interna da luz do Sol-pênis, porque o pênis representa o desejo e carrega a substância material de Deus.

A linguagem primitiva se constituiria a partir de uma ordem genuinamente sexual, época em que não havia velamento da linguagem por censura.

Schreber narra que o fenômeno material de concepção consiste na expressão do Sol, por certo, o Sol seria o representante do pênis de Deus, assim ele percebe os raios divinos em seu corpo, enfim, o gozo... Deus tem um pênis, já que o homem foi feito à sua imagem e semelhança...

Há um momento anterior à revolução cognitiva sexual, em que poderia haver uma confusão, Freud afirmava que essa confusão decorreria do possível julgamento de que as mães poderiam ter pênis, do mesmo modo, haveria a hipótese de que homens engravidariam...

Se mulheres poderiam ter pênis, na imaginação castradora, então, homens poderiam, de forma análoga, engravidar, mas o que geraria a emasculação de Schreber? Citando Freud, a homossexualidade recusada, subsistida pela hipnose, foi encenada como sintoma, em delírio, uma experiência sem experiência e fora linguagem possível; bem, para Schreber, seria possível uma transubstanciação dos raios solares em seu corpo, dessa forma, ele parece transgredir o limite de reproduzir com a sua própria espécie; permanecendo a antinomia, deu-se um problema de linguagem.

O termo transubstanciar equivaleria ao fenômeno correspondente ao ideal do heliossexualismo-reprodutivo e ao fenômeno do aeolossexualismo-reprodutivo, quando os primitivos pensavam que a reprodução era um fenômeno constituído de processamento da luz e do ar, daí, transformar a luz material ou o ar em substância; já consubstanciar seria o termo que definiria a forma reprodutiva humana em termos de ideais, posto que deveria haver uma causa remota, a luz de Deus, porém, dessa vez, no caso, a luz teria se tornado imaterial, sendo exatamente esse o escopo do pênis, o homem carrega consigo a capacidade da materialização da luz imaterial de Deus...

Portanto, durante algum tempo, nos modelos da Astronomia, o heliocentrismo foi preterido pelo mesmo motivo que a linguagem do heliossexualismo-reprodutivo sofrera foraclusão... Para que não houvesse confusão entre o Hélio da reprodução e o Hélio da Astronomia...

Em Hesíodo, a culpa dele ter sido enganado por Perses, seu irmão, seria a inexistência da Matemática, não com esse nome, e por não haver condições de perícia, daí, por isso, narra um sistema de medidas da Via Láctea, baseado em Mitos, evidenciando as estações do ano, designando cores, propriedades e outras funções, tudo para provar que o justo obedece determinadas marcações, e que essas marcações são dadas pela própria natureza, concedidas pelos Deuses que se movimentam em razão de determinadas circunstâncias, sendo que o poeta está a designar sob quais requisitos haveria a movimentação, a saber, pela observação de qualquer pessoa... Bem, parece que a expressão da Matemática surgiu também pela análise combinatória dita pelos poetas... Themis representaria o meio dia no equinócio, a própria expressão da justa divisão... No final, segundo o poeta, se houvesse a Matemática e uma perícia, seu irmão Perses não poderia ter comprado os juízes...

 

A elevação das luminosidades da Via Láctea à categoria de divindades estabelece um vínculo matemático que exprime a confiança, ao que parece ser um vínculo escópico... O homem, primeiro, reconheceu a luz, depois, tentou apreendê.la pela memória... Apreendida, tendo-a qualificado, o homem tentou mimetizá.la, comportando-se não só como o ser de luz, mas divulgando a sua linguagem de confiança, a Matemática, por estabelecer um vínculo entre a pulsão do seu pênis e a pulsão do Sol, o pênis de Deus. Todo homem era obrigado a reconhecer os Deuses na Via Láctea, tanto que ao homem coube o múnus da interação com os Deuses, revelando entre os entes uma linguagem de ordem sexual...

Bem, o fruto do conhecimento poderia tanto ser o totem quanto a serpente, mas seriam frutos falsos; os frutos verdadeiros estão representados pela própria espécie... O fruto falso do Adão, o totem, tem a natureza do trabalho; já a Eva, terá que parir com dor o fruto verdadeiro, o fruto da sua própria espécie, o filho... A dor do parto revelaria à mulher o fruto verdadeiro...

Em dado momento, possivelmente, houve o risco da psicose coletiva, tanto que definir os termos em que havia a conformidade genética foi de real importância na História humana... Não podia a humanidade criar frutos de seus conhecimentos porque somente Deus concederia a conformidade genética.

Foi preciso dar voz a Adão e a Eva, acreditar nas suas verdades, sem julgá-los pela contemporaneidade, afinal, quais eram as suas dúvidas, seus parâmetros, falavam sobre o nascimento ou sobre a morte, falavam sobre a concepção, quais eram suas idades definidas hoje pela Psicanálise?

Quem foi a Eva, uma personagem ou uma pessoa? Se se pretende chegar a um fato histórico por meio de uma personagem, quais seriam as razões, por certo, seria necessário encontrar a universalidade da narrativa, então, por meio da linguagem subsistente, tenta.se uma narrativa que sai do particular em direção ao universal... Por indução, chega-se à versão como um possível fato histórico...

Por que não fazer suposições históricas a partir de Adão, Eva, a serpente, o totem, a maçã e Deus? A narrativa, absolutamente verossímil, contém todos os sentidos semânticos daquele momento histórico, exatamente como aconteceu, a narrativa estaria muito fiel aos prováveis acontecimentos, tanto que se tornou compreensível...

Por que a narrativa de Adão, Eva, a serpente, a maçã, o totem e Deus fora imortalizada? O ser humano só poderia ser verdadeiro em sua essência de gênese, sobretudo enquanto estivesse a formar significantes primordiais...

Deus seria um fato histórico, tal como foi inscrito na matriz da linguagem, como elementar à formação dos sistemas da psique humana, quando Adão e Eva escutam as ordens de Deus, em delírio, constituíram significantes, designando a foraclusão primordial... Certo que qualquer pessoa pode falar com Deus, mas Deus não pode falar com ninguém, apesar disso, haveria exceções históricas, há eventos em que personagens históricos constituíram significantes a partir de uma possível foraclusão.

Permite-se uma maior diversidade genética pós-revolução cognitiva da paternidade, de que forma esse conhecimento contribuiu para o aumento ou a redução das populações humanas?

Parece ser factível que a troca de mulheres entre os grupos tenha sido viabilizada após a descoberta da paternidade, ao que parece, antes disso, não haveria um ideal para um sistema de trocas de mulheres entre tribos, o motivo mais contundente parece ser a diversificação genética:

“Terás tantos filhos quanto forem as estrelas no céu!"

Pode parecer que a assertiva bíblica trata apenas de Matemática, de noções de infinito, de progressões geométricas, enfim, supõe-se que a narrativa estivesse a tratar de conceitos puramente matemáticos, entretanto, em uma interpretação sistemática, o texto parece narrar de conceitos qualitativos, por suposto, Deus designa que há uma qualidade genética, que se houvesse obediência às combinações genéticas determinadas por Deus, haveria uma pluralidade de indivíduos, tanto quanto fossem as estrelas do céu...

Qualidade ou quantidade? Em termos genéticos, a quantidade só se mantém estável devido à qualidade... Em que momento houve a percepção dessa função? Por certo, a diversidade genética teria que ocorrer dentro de um sistema religioso de análises combinatórias para a troca de mulheres, o que, de fato, poderia ter proporcionado a diversidade genética da espécie...

O zero seria representado pela circunferência, entretanto, o zero não representa o todo, pois bem, em um exercício de imaginação, uma brincadeira, primeiro, desenha-se o lugar vazio, um ovo, uma circunferência; depois, surge uma unidade dentro do lugar vazio... Aqui o termo parece adotar o mesmo critério tido em Teogonia, de Hesíodo, primeiro, viria a descrição da ausência de luz, depois, o mundo passa a ser colorido, quando as cores e o brilho do dia passam a ter nomes... A circunferência que representa o zero traz o significante do lugar vazio, sem luz... Depois, o ovo toma seu lugar, em ordenamento, porque antes da unidade, haveria uma circunferência vazia, o zero...

Quem tem o dobro, senão Deus? Por suposto, há um entendimento quanto à capacidade de dissubstanciação do ente, sendo esse um ente que se promove por pulsão, como gerador de luz, Deus seria aquele que tem sempre o dobro de luz para poder criar outros seres, no entanto, como esse ente nunca perde a sua luz, ele torna.se o representante do desejo, em último instância, representante do falo.

Pois bem, nos primórdios, a constituição da deidade estava vinculada à magnitude de sua luminosidade, ao tempo e à forma, por isso há o politeísmo material baseado na Astronomia... Sendo que a materialidade do corpo celeste simboliza a sexualidade, enquanto a luz representa o gozo... Acontece que, em dado momento, a luz da divindade torna.se imaterial... A abstração de Deus teria gerado um problema de ordem prática, não seria possível existir um Deus sem pênis, na realidade primitiva, quem conseguiria venerar um Deus destituído de poder? Ora, se a veneração era um tipo de linguagem que só poderia ocorrer entre duas potências, o pênis do homem e o pênis de Deus, então, se Deus perdesse o seu pênis, como o pênis humano se comunicaria com Deus? Por ser a luz uma concepção de gozo na visão primitiva, ainda que constituída de imaterialidade, por ser o pênis a forma imagética constitutiva de potência, em termos ontológicos, o Espírito Santo aparece como um ente sagital, supostamente, o pênis de Deus.

Portanto, quando os primitivos começaram a definir a ordem das coisas, o conceito de materialidade viria a se constituir a partir da soma, pela ordem da reprodução, por suposto, durante a fase anal, quando o homem tornou.se bípede, ocorrera uma pressão sobre a base da sua coluna causando uma maior vascularização no ânus, depois, ele passou a exibir, em primeiro plano, o pênis para os outros machos...

Antes, enquanto símios, o pênis não era um elemento sagital... Aliás, considerando que um símio estivesse na fase oral, se houvesse equivalência de desenvolvimento entre o homem e um chimpanzé até determinada idade, também, considerando a Psicanálise como método para o estudo da evolução antropoide, supõe-se que a humanidade teria passado, de fato, pela experiência da fase oral, anal e sexual... Em hipótese, ao andar, o homem passou a exibir o pênis de forma sagital, e o peso dos membros superiores fez pressão sobre o ânus... O bipedismo seria um motivo suficiente, fisiológico, para a humanidade evoluir à fase anal e à fase sexual, na sequência?

Ana, o movimento para cima e para trás! Certo que, ao se tornar bípede, o humano realizou um movimento para cima e para trás... Apesar do sistema vascular ter um coração, ainda assim, a gravidade pode aumentar ou diminuir os fluxos sanguíneos, dependendo da posição... Ao ficar na invertida, o yogin tem um fluxo de sangue voltado à cabeça, por exemplo... Da mesma forma, deve ter ocorrido à base da coluna... Primeiramente, o quadrúpede tinha um sistema vascular relativamente horizontal, daí, realizou um movimento, para cima e para trás, verticalizando.se...

Antes, enquanto quadrúpede, o ânus se posicionava em região periférica, na mesma altura da cabeça, depois, o ânus passou a se posicionar ao centro do corpo vertical, o que gerou pressão e, consequentemente, outra dinâmica vascular... Bem, ao convergir um maior fluxo sanguíneo para uma determinada região, tem.se o gozo, no caso, na base da coluna... Mas aqui aparece também a base da coluna como o corpus da pulsionariedade...

Expor espetacularmente o pênis diante de si, diante dos outros, gerou uma identidade, uma qualificação sexual que, antes, tinha critérios polimórficos...

Sendo assim, haveria, por suposto, um motivo fisiológico que determinaria a mudança de fase psíquica, primeiro, da fase oral à fase anal e, depois, dessa à fase sexual, sendo essas passagens uma consequência direta do bipedismo!

 

Carlota Sayd Bomfim é radialista e advogada, pratica a literatura e o Yôga, estudou Psicanálise, sem, contudo, ter-se formado. 

 

Livros publicados: 

 

“O Juramento de Viriato”, pela Chiado Editora.

 

“Eram os Deuses Chineses?” pela Chiado Editora.

 

“A Peruca do Vandervando”, pela Chiado Editora.

 

“Operação Látex”, pela Editora Cia do eBook.

 

“Os Antropoides do Futuro”, em fase de publicação, pela Chiado Editora.

 

Artigo publicado:

 

https://www.webartigos.com/artigos/adao-o-totem-de-deus/162943

 

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Bibliografia:

 

FREUD, Sigmund. Um caso de histeria. Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade e outros trabalhos. Ed. Imago.

FREUD, Sigmund. Duas histórias clínicas (o pequeno Hans e o Homem dos Ratos). Ed. Imago.

FREUD, Sigmund. O ego e o id e outros trabalhos. Ed. Imago.

FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão, O mal-estar na civilização e outros trabalhos. Ed. Imago.

FREUD, Sigmund. O caso Schreber, Artigos sobre a técnica e outros trabalhos. Ed. Imago.

FREUD, Sigmund. Uma neurose infantil e outros trabalhos. Ed. Imago.

FREUD, Sigmund. Um estudo autobiográfico, inibições, sintomas de ansiedade, análise leiga e outros trabalhos. Ed. Imago.

FREUD, Sigmund. Totem e tabu. http://conexoesclinicas.com.br/wp-content/uploads/2015/01/freud-sigmund-obras-completas-imago-vol-13-1913-1914.pdf

DEROSE, Mestre. Tratado de Yôga. 45ª ed. - São Paulo: DeRose Editora. 2009.

BIRMAN, Joel. Gramáticas do Erotismo. A feminilidade e as formas de subjetivação em Psicanálise. 2ª ed. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016.

GONÇALVES, Paulo F. Homo Habilis: antes dos deuses. 1ª ed. – Lisboa: Chiado Books. 2018.

SCHREBER, Daniel Paul. Memórias de um doente de nervos. no data – Editora Paz e Terra, no data.

LACAN, Jacques. Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade. Primeiros escritos sobre a paranoia. 2ª ed. – Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2011.

HESÍODO. Teogonia. Trabalhos e Dias. 2ª ed. – São Paulo: Martin Claret. 2014.

MICELA, Rosaria. Antropologia e Psicanálise – uma introdução à produção simbólica, ao imaginário, à subjetividade. 1ª ed. – São Paulo: Editora Brasiliense S/A. 1984.

ALLEAU, René. A ciência dos símbolos – contribuição ao estudo dos princípios e dos métodos da simbólica geral. 1ª ed. – Lisboa: Edições 70, no data.

BACHMANN, Helen I. O animal como símbolo nos sonhos, mitos e contos de fadas. 1ª ed. – Petrópolis: Editora Vozes. 2016.