Quem aprecia o gênero literário e cinematográfico da ficção-científica certamente se lembra de alguma narrativa referente aos universos paralelos. Ocorre que, dependendo dos eventuais resultados obtidos nos campos da observação e da experimentação, a coexistência de muitos universos pode deixar de ser "ficção" para se tornar puramente "científica". A Teoria dos Universos Paralelos foi apresentada ao mundo, pela primeira vez, como tese acadêmica em meados da década de 1950. Em virtude de sua excentricidade, acabou por ser ridicularizada nos anos subseqüentes, até que, recentemente, seus fundamentos passaram a ser estudados empiricamente. Cientistas verificaram que micro-partículas de matéria, quando observadas, tendiam a alterar suas estruturas físicas para todos os estados conhecidos e possíveis. Tal constatação abriu as portas para a aceitação da hipótese acadêmica inicial. Se micropartículas de matéria se convertem em todos os estados físicos conhecidos e possíveis, as grandes estruturas de matéria, sem e com vida - incluindo os seres-humanos - também o fazem, desdobrando-se em inúmeras versões, o que significa que, desde o início do chamado "multiverso", com a explosão do big-bang, tudo o que pode acontecer, de acordo com as leis da física, efetivamente ocorre, e não apenas uma das possibilidades. Assim, a cada unidade mínima de tempo teríamos a criação de milhões de "bolhas de realidades alternativas", que são os universos paralelos (a famosa Teoria das Bolhas, que coexistem dentro do multiverso). O nosso universo, portanto, seria apenas uma das referida bolhas. Por todo o acima exposto podemos dizer, exemplificativamente, que haveria universos paralelos em que a nossa galáxia não se formou; outros em que apenas o nosso sistema solar não chegou a existir; alguns em que ele se constituiu, mas a vida na Terra não prosperou porque os micro-organismos precursores morreram; vários em que o Homem de Neandertal foi extinto por catástrofes climáticas, e, por conseguinte, o Homo SapiensSapiens não chegou a existir; um punhado no qual Gênghis Khan, quando escravo da infância, morreu de exaustão; grupos em que a Alemanha venceu a Segunda Guerra Mundial, ou nos quais que os planos para derrubar as torres gêmeas foram previamente abortados, e, então, não houve a atual Guerra do Iraque; outro em que você, que já passou por uma situação em que estava entre a vida e a morte, efetivamente morreu, de modo que tu és a tua própria versão sobrevivente; e, também, alguns em que a própria teoria aqui discutida já foi comprovada. Enfim, a cada unidade mínima de tempo a matéria, viva ou não, se divide em muitas versões, cada qual tendo como destino uma das possibilidades físicas existentes - todas as possibilidades efetivamente ocorrem, uma para cada versão dividida da matéria. Há um ditado popular que diz que "o que tiver de ser, será". Se a Teoria dos Universos Paralelos – ou das Bolhas, como queiram – vier a ser comprovada, poderemos dizer “tudo o que puder ser, será”. P.S. Sem adentrar no mérito sobre se é possível ou não uma viagem no tempo rumo ao passado, quando, na ficção-científica, uma personagem faz tal jornada e lá intervém, seu retorno à época atual se dá em uma realidade alternativa, decorrente do que seriam as modificações por ela feitas na linha do tempo. Cabe indagar: mencionado universo paralelo já existia antes da intervenção? Dita atitude consiste em realizar algo fisicamente possível, que, por tal motivo, já havia ocorrido, devido ao natural desdobramento da matéria e sem a interferência da personagem. O deslocamento temporal apenas introduz um fator a mais, que é a referida interferência. Ela, portanto, ao retornar à época atual é lançada em um universo paralelo que já existia, embora o ato físico de sua intervenção, em si, venha a gerar muitas outras “bolhas”.