* Artigo escrito e publicado em 2015.

Quem já leu artigos meus sobre Barack Obama sabe que até agora eu somente o critiquei. Mas, no momento, uma de suas iniciativas merece nossos aplausos: no final do ano passado o presidente dos EUA surpreendeu ao anunciar a retomada das relações diplomáticas entre seu país e Cuba após 18 meses de complicadas negociações que teriam tido a participação, inclusive, do papa. A intenção de Barack Obama é forçar uma distensão do sistema político cubano por meio do fim do embargo econômico estabelecido por lei em 1962. Assim, com o fim do bloqueio, os irmãos Castro não teriam mais a quem culpar pelo fracasso de sua ditadura marxista e seriam obrigados a aderir ao modelo democrático capitalista. Portanto, não obstante o anúncio da retomada das relações feito na TV estatal por Raúl Castro, mencionado líder já se antecipou e comunicou à Assembléia Nacional de Cuba que nada mudará no que se refere ao totalitarismo do regime. Seu real objetivo é desencorajar o presidente dos EUA a conseguir o fim do embargo, pois a forçosa migração para o capitalismo provaria ao seu irmão Fidel e a ele próprio, Raúl, que tudo aquilo pelo que dizem ter lutado durante uma vida inteira foi em vão – o que é um dos maiores sacrifícios que um ser-humano pode fazer, podendo ocasionar, em certos casos, até mesmo o suicídio (na psicologia existe um mecanismo mental de autodefesa denominado “projeção”, que pode ser definida como uma espécie de aflição ocasionada pelo erro ou por um fracasso maior e em decorrência da qual o sujeito direciona a culpa a alguém ou algo, e, na visão de Fidel e Raúl, o culpado é o embargo, cujo fim, como já dito, inviabilizaria de vez sua longa projeção mental, eis que seriam forçados a admitir para si próprios sua interminável sequência de equívocos, e, em conseqüência, a mudar completamente o sistema, até mesmo com eventual renúncia ao poder e às benesses que ele proporciona). A declaração de Raúl à Assembléia Nacional foi, então, um ato de desespero para que ninguém prove a ele e ao seu irmão que estão e sempre estiveram errados. É como se dissesse: "Obama, preciso manter minha ‘projeção’. Portanto, deixe tudo como está”. Mas os irmãos Castro podem ficar tranquilos, uma vez que o Congresso dos EUA, único poder americano que pode abrogar o embargo legal, é agora controlado pelo Partido Republicano, férreo defensor do isolamento da ilha caribenha. Barack Obama, apesar de ter reatado as relações diplomáticas, não terá como revogar o bloqueio, já que perdeu a maioria parlamentar para os radicais da direita. Fidel e Raúl, durmam bem. Vossa fantasia permanecerá