* Artigo escrito e publicado em 2013.

Nas últimas décadas, as sociedades têm se mostrado cada vez mais sedentas de informações e orientações em tempo real, especialmente no que se refere à saúde financeira de seus países. E tal depende, em grande parte e sempre, do que é transmitido ao público por meio da imprensa privada (nunca da mídia estatal, que, nas democracias e nas ditaduras, é sempre parcial e dissimulada). Assim, o problema que se coloca entre nós é que, se um país tem uma mídia incoerente e contraditória, seus habitantes ficam desorientados a respeito da verdadeira situação econômica, e, portanto, incapazes de fazer valer seus direitos e alavancar o progresso nacional por meio do empreendedorismo. É o que, infelizmente, está ocorrendo no Brasil. A título de exemplo, quando lemos os jornais diários ou assistimos ao intervalo comercial de diversas emissoras de TV abertas e por assinatura, somos bombardeados por sucessivas propagandas das três esferas de governo, para quem o índice de emprego está em plena ascenção. Entretanto, logo após, ao folhear o mesmo jornal ou no retorno à apresentação dos noticiários televisivos, somos informados de que o número de postos fomais de trabalho está em queda. Ora, se o número de empregos surgidos está em rota ascendente, conforme diz a publicidade governamental por meio do veículo midiático privado, como pode estar em queda, de acordo com a informação, anterior ou posterior, prestada pelo próprio meio de comunicação? Não há, aqui, uma bizarra contradição? Saindo um pouco da esfera econômica, outra questão muito suscitada é a referente àquilo que a mídia brasileira considera como “censura”. Aqui, acontece uma absurda manipulação da opinião pública, pois qualquer regulamentação (e não proibição) da programação televisiva que o governo queira fazer em relação ao horário - numa atitude, aí sim, que considero correta – já é tachado de “censura” pela imprensa. Não existe censura alguma em se determinar que algum filme violento só seja transmitido às altas horas da noite, eis que, antes de dito horário, há pessoas que não podem ser expostas a cenas de conteúdo duvidoso. E também não há qualquer censura em, no início de cada programa e durante toda a grade, haver a classificação indicativa de idade. Haveria censura, aí sim, se se consolidasse a prévia proibição, o que é vedado pela Constituição da República. Os casos acima são apenas dois dos mais escabrosos exemplos do absurdo que lemos e ouvimos diuturnamente nos meios de comunicação brasileiros. O que pretendem os mandatários midiáticos nacionais? Tratar os cidadãos como uma população desprovida de massa encefálica, com uma aquiescência bovina a tudo o que lhes é passado? Ao que parece, sim, mas, sobretudo, abocanhar os milhões de reais postos à disposição por um governo que se nutre e vive de propaganda, mesmo que seus próprios veículos noticiosos caiam em contradição ao desmenti-la, e, ainda, enfrentar o mesmo governo numa das poucas atitudes lógicas que tem, simplesmente por apego a mais uma fatia de audiência. Para que nossa imprensa privada, na esfera do noticiário econômico, não seja tão incoerente, deveria negar publicidade às propagandas governamentais, deixando-as a cargo da mídia estatal - só assim os jornais e TVs particulares seriam independentes o suficiente e as informações de mencionada espécie mais compreensíveis. Quanto à questão da “censura”, e tantas outras, sem mais palavras.