A APRENDIZAGEM DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN

 

RAQUEL MARIA RICHETTI TEIXEIRA[1]

 

 

    

RESUMO

 

Este estudo teve como objetivo analisar o processo de inclusão da criança com Síndrome de Down no ensino regular, levando em consideração todo o preparo que a escola e o professor devem ter para o atendimento com esta população. A inclusão de pessoas com deficiência na sociedade implica conhecer os desafios, anseios e dificuldades enfrentados por elas. O sistema de ensino, diante desse novo contexto social coloca  o aluno como foco de toda ação educativa, oportunizando a convivência com as diferenças. Para a realização deste estudo foi utilizado como metodologia a revisão de literatura. Este tipo de pesquisa fornece ao pesquisador um repertório grande de estudos publicados na área que podem dar subsídios para encontrar diversas possibilidades de atuação, bem como refletir sobre possíveis intervenções. Conclui-se que é necessário conhecer a caracterização da Síndrome de Down, suas etiologias, seu desenvolvimento, para elaborar estratégias e intervenções com intuito de propiciar oportunidades para o desenvolvimento de suas aprendizagens, tanto formal quanto informal.

 

Palavras-chave: Inclusão; Alfabetização; Síndrome de Down.

 

ABSTRACT

 

This study aimed to analyze the process of inclusion of children with Down syndrome in mainstream education, taking into consideration all the preparation that the school and the teacher should have to meet with this population. The inclusion of people with disabilities in society implies knowledge of the challenges, hopes and difficulties faced by them. The education system in the face of this new social context places the student as the focus of all educational activities and providing opportunities to live with the differences. For this study was used as the methodology literature review. This type of research provides the researcher with a large repertoire of published studies in the area that can help in many different possibilities for action, and to reflect on possible interventions. We conclude that it is necessary to know the characteristics of Down syndrome, its etiology, its development, to develop strategies and interventions aiming to provide opportunities to develop their learning, both formal and informal.

 

Keywords: Inclusion, Literacy, Down Syndrome.

 

1. Introdução

Ao estudar o tema que trata de pessoas com necessidades especiais, tem-se a possibilidade de adentrar em um mundo fantástico recheado de descobertas. Cada criança é um mundo diferente, com capacidades ímpares e que necessitam de estímulos e cuidados.

Profissionais de diversas áreas se debruçam em pesquisas na busca incansável de inserir pessoas com necessidades educacionais especiais em sociedades que ainda agem preconceituosamente contra os que consideram diferentes, tratando-os como seres inferiores, incapazes que agir sozinhas.

As pessoas com Síndrome de Down até pouco atrás estavam fadadas a viver no esquecimento, reclusas em seu mundo, mas com a ajuda de pessoas dedicadas ao estudo do tema podem alçar voos e hoje podem ser vistas atuando em vários setores: artístico, esportivo, empresarial, entre outros.

Graças aos direitos alcançados ao longo do tempo as pessoas com deficiência deixaram de pertencer aos grupos sociais marginalizados, os Direitos do Homem à Igualdade e à Cidadania tornou realidade o que eram apenas debates infindáveis e infrutíferos.

Este estudo teve como objetivo analisar o processo de inclusão da criança com Síndrome de Down no ensino regular, levando em consideração todo o preparo que a escola e o professor devem ter para o atendimento com esta população.

 

 

2. METODOLOGIA

 

Para a realização desta pesquisa foi realizada uma revisão bibliográfica que buscou dentro da literatura atual, averiguar qual a como o professor pode contribuir para a inclusão da criança com deficiência.

Pode-se entender este tipo de pesquisa como uma revisão sistemática da literatura, que é definida como uma seleção criteriosa dos estudos, onde os métodos utilizados são descritos de forma explicita podendo ser reprodutível. (Greenhalgh, 1997; SAMPAIO E MANCINI, 2007)

“Foi realizada uma busca no Google acadêmico utilizando as seguintes palavras chave: “educação inclusiva”, “educação especial”, inclusão e pessoa com deficiência”, combinadas para que pudesse encontrar resultados que respondessem as indagações relacionadas à temática desenvolvida.

Foram selecionados estudos que respondiam a temática desta pesquisa.

Este tipo de pesquisa fornece ao pesquisador um repertório grande de estudos publicados na área que podem dar subsídios para encontrar diversas possibilidades de atuação, bem como refletir sobre possíveis intervenções.

 

 

3- Educação Especial

 

Desde os tempos mais remotos da história a questão da deficiência foi tratada como algo que deveria ser deixado de lado, pessoas "diferentes", independentemente de sua condição física ou psicológica, que não serviam como elementos produtivos estavam condenados à morte ou ao esquecimento.

As civilizações do mundo antigo, como os gregos e os romanos buscavam a perfeição e amavam o belo. Ambas as sociedades preparavam pessoas, principalmente as crianças para a arte da retórica e para a guerra, que exigiam o corpo e a mente em perfeito funcionamento.

Em sociedades que habitualmente usavam o infanticídio e os extermínios de crianças com deficiência tinham melhor sorte quem nascia em condição física e psíquica considerada aceitável.

O filósofo grego Aristóteles, que foi súdito de Platão e viveu entre 384 a 322 a.C afirmou que por força de lei nenhuma criança disforme deve vir à vida, sendo necessário a realização de abortos antes que comecem a sensação e ávida.

Na Idade Média, o preconceito com as pessoas com deficiências se perdurara por muito tempo, um pouco por pura maldade, outras vezes por total falta de conhecimento. A ignorância fez parte da vida de alguns grupos sociais da época. Não se podia esperar outra coisa, já que a Igreja Católica apoiava e incentivava o extermínio de pessoas consideradas desalmadas, como curandeiros, hereges, deficientes mentais, etc., que deveriam ser eliminadas nas fogueiras da Santa Inquisição.

Graças a instituições que passaram a estudar questões religiosas é que as  atenções se voltaram para a prática do abandono de pessoas com algum tipo de deficiência. Assim, muitos foram acolhidos em locais menos arriscados, evitando o dessa forma o incômodo do inútil social, ou seja, como uma pessoa que não pode colaborar com a comunidade.

Durante a Idade Moderna (1453-1789) ocorreram mudanças profundas no modo de o homem ver e viver o mundo que o cerca. As Grandes Navegações, o Renascimento, o Iluminismo, entre outros, fizeram com o homem repensasse nos seus valores, intelectuais de diversas áreas contribuíram, cada um a sua maneira e colocaram o uso da razão acima de tudo, colocando à baixo o poder da Igreja e alguns monarcas. O uso da razão possibilitou o início de estudos científicos em torno de certos temas, um deles foi a questão da deficiência, que deixou de ser um assunto meramente teológico para se tornar relevante no campo da medicina.

Com o fim da Idade Moderna tem se início da Idade Contemporânea e o Capitalismo, que substituiu o feudalismo na era anterior se fortalece com a Revolução Industrial. A preocupação dos capitalistas é com o lucro, empenham-se em transformar as pessoas (deficientes ou não) em trabalhadores capazes de vender sua força de trabalho, verifica-se um descaso com quem possuía algum tipo de deficiência.

"Em meados do século XVlll, algumas manufaturas empregavam de preferência indivíduos meio idiotas em certas operações simples que constituem segredos de fabricação". ( MARX, 1975, p. 450)

Mesmo com o avanço da medicina os deficientes ficaram esquecidos por mais de 500 anos em instituições como conventos, asilos e hospitais psiquiátricos. Segundo Monroy (2001), apesar de toda evolução da medicina do século XX, a sociedade considerava a pessoa com deficiência um peso. Por essas e outras razões que famílias de crianças com deficiência resolveram criar locais próprios para atendê-las. Os atendimentos eram realizados em escolas, clínicas, hospitais e residências, mas eram espaços limitados físicos e materialmente, no entanto, nas décadas de 1960 e 1970 surgiram movimentos em favor de uma educação mais inclusiva e mais ampla.

Foi na Dinamarca dos anos 60 e 70 que surgiram os princípios que deram norte à normalização, à individualização e à integração de pessoas portadoras de necessidades especiais. Com isso se ganha mais força para a valorização humana.

 

A inclusão pressupõe muito mais do que estabelecer uma política de inserção  de todos na escola, mas faz-se necessário  um sistema educacional que reconheça e se prepare para atender as diferenças   individuais,   respeitando as necessidades de todos os alunos. (Carvalho, 1998, p.170).

 

 

Na história do Brasil a trajetória de pessoas portadoras de deficiência segue os moldes dos países europeus, ou seja, não era dada a devida importância. Tomemos como ponto de partida a questão dos povos indígenas e os negros africanos, que tanto colaboraram e colaboram para o desenvolvimento de nosso país.

Antes do Brasil se formar como uma nação civilizada modelada ao estilo ocidental os povos indígenas já tratavam as com pessoas deficiência física ou psíquica como algo inútil, que deveria ser deixado à própria sorte ou simplesmente eliminado, pois era considerado um mau presságio e que a deficiência adquirida era resultado de ações divinas e espirituais.

Quanto aos escravos africanos que foram trazidos ao Brasil entre o século XVI e metade do século XIX a discriminação se dava no ato do aprisionamento, isto é, pessoas com algum tipo de deficiência eram descartadas sob a alegação de que não suportariam a penosa travessia do Oceano Atlântico dentro dos terríveis navios negreiros e que também não atenderiam a dura vida na roça, que exigia mão de obra forte.

Quanto aos navios negreiros é no ambiente destes que muitos escravos começavam a demonstrar uma espécie de alteração psíquica e física, devido às condições desumanas em que eram submetidos como a fome, a sede, o calor e a quantidade excessiva de insetos como piolhos e baratas, que provocavam doenças e mortes. Uma vez distribuídos nos engenhos de açúcar e posteriormente nas fazendas de café os escravos tinham que se sujeitar às torturas por motivos variados, não raras as vezes tinham seus membros mutilados, deixando o escravo incapacitado, os castigos só não se avolumavam devido a difícil reposição do escravo inutilizado.

Até mesmo os colonizadores não escaparam ao destino de encontrar aqui um ambiente que não estavam acostumados, diga-se o calor e a presença de insetos nocivos, causadores de graves enfermidades, que muitas vezes causaram lesões físicas e psíquicas. Lesões estas, que por desconhecerem o tratamento piorou a situação ou levou à morte as pessoas com deficiência.

Conforme a população colonial aumentava o índice de pessoas afetadas por doenças congênitas também crescia. Nos séculos posteriores a inclusão de pessoas com deficiência, bem como tratamento dos possíveis agentes causadores continuou inalterado, somando-se a isso o modo como a população da época vivia, convivendo com má alimentação, sem infraestrutura em termos de higiene.

Por volta da década de 1940 foram criadas instituições que viriam a se dedicar aos estudos dos portadores de necessidades especiais como o Hospital das Clínicas de São Paulo, mesmo assim ainda havia um longo caminho a ser percorrido até que se chegasse a conclusão de que as pessoas não deveriam ser tratadas em locais isolados, mas inseridos em ambientes educacionais.

O ano de 1981 foi um marco nas conquistas dos direitos das pessoas com necessidades especiais, esse ano foi chamado de Ano Internacional da Pessoa Deficiente, dessa forma quem era considerado inapto passou a ser visto como alguém que possui condição de ser inserido na sociedade, neste momento entra em cena a palavra conscientização. 

O movimento de inclusão ganha espaço no Brasil, movimento sociais passam a exigir dos políticos mais atenção em relação ao tema. Em 2007 um grupo de estudiosos elabora a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, Portaria 948/2007 e que foi entregue ao Ministério da Educação em janeiro de 2008 que tem como objetivo assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtorno globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superlotação. Orientava os sistemas de ensino a garantir:

 

Acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade da modalidade de Educação Especial, desde a educação infantil até a educação superior; oferta do atendimento educacional especializado; formação de professores para a atuação em instituições que atendem portadores de necessidades especiais e demais profissionais da educação para a inclusão; participação da família e da comunidade; acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, nas comunicações, entre outros. (BRASIL, 2008, p. 10)

 

A Política Nacional de Inclusão cumpre o dispositivo legal que assegura às pessoas com deficiência o direito de acesso a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis. Esse direito foi incorporado a Constituição Federal por meio do Decreto nº 6949/2009, que promulgou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

 

 

4- A SÍndrome de Down

 

A Síndrome de Down foi descrito pelo britânico John Langdon Down em 1862, mas somente em 1958 o cientista Jerome Lejeune descobriu o seu caráter genético. Ainda se sabe muito pouco sobre a Síndrome de Down apesar de estudos avançados.

Para Schwartzman (2003) há uma ligação entre a idade da mãe e a criança com a síndrome no que se refere à gestação, ou seja, mulheres mais velhas tendem a gerar óvulos mais velhos, mas isso não impossibilita que mães mais jovens gerem filhos com Down. Números indicam que um a cada 392 nascidos de mães com idade até 34 anos correm o risco de nascer com a síndrome, esse número pode chegar a um para cada 80 com mães acima de 40 anos.

A Síndrome de Down também é conhecida como Trisso mia do Cromossomo 21, que provoca uma alteração genética. Portadores da síndrome apresentam dificuldades de aprendizagem, podem também apresentar um pequeno retardo mental. 

A seguir algumas características físicas que só os portadores possuem, como: o pescoço e os dedos curtos, os olhos amendoados, flexibilidade maior nas articulações, além de problemas de audição e visão, no entanto, verifica-se que há predominância de carga genética de ordem familiar.

O atendimento médico adequado sempre que necessário, a descoberta precoce de intervenção educacional, somado a um ambiente familiar estimulante são imprescindíveis no tratamento de pessoas portadoras do Down.  Problemas na fala, acompanhada de distúrbios auditivos são características comuns que devem ter acompanhamento de um profissional, no caso um fonoaudiólogo, isso possivelmente terá efeito positivo em relação ao desenvolvimento da fala.

Ficar atento aos primeiros movimentos da criança, tratando e incentivando-a como uma criança normal, ajudando-a a descobrir a importância da conquista independente, isto é, não delegando a terceiros a responsabilidade que é sua, fará com que o portador do Down encontre seus próprios caminhos, tudo isso exerce um papel decisivo no tratamento.

 

 

5- PERSONALIDADES, sociabilidade e aprendizado da pessoa com SÍNDROME DE DOWN

 

Toda criança é um universo diferenciado, que reage conforme aquilo que é lhe é imposto. As pessoas com Síndrome de Down apresentam personalidade forte, são obstinadas, afetuosas, gentis, amorosas, bem-humoradas, mas também podem se tornar rabugentas, desinteressadas, distantes. Na verdade elas reagem como as pessoas que não tem a síndrome, e tendem a pensar muito para não correr riscos desnecessários e ficam ansiosas quando desejam algo.

A formação da personalidade está ligada a atuação familiar, logicamente que ninguém espera que um filho venha ao mundo com algum tipo de deficiência. Caso isso ocorra de forma alguma deve haver alterações no modo de os pais se relacionarem com a criança. Toda verdade deve vir à tona logo no início da gestação, profissionais que acompanham a mãe não podem mentir sobre a condição do bebê. Quanto mais informações a respeito do assunto melhor, dessa forma os pais terão consciência de que o filho, apesar da deficiência, tem todas as condições de levar uma vida normal como os outros.

Os componentes da família de portador da Síndrome de Down precisam repensar a imagem mal construída e projetar outra, substituindo aquela que foi idealizada, dessa forma terá a possibilidade de melhorar seu relacionamento com a mesma, pois a demanda social e financeira, somado a expectativa quanto ao futuro podem desestruturar até mesmo um lar bem alicerçado.

O desenvolvimento das pessoas com Síndrome de Down é gradativo, bem como sua socialização. Para D'Antino (1998, p. 12)

 

quanto mais estruturado emocionalmente for a família com as relações afetivas satisfatórias, convivências de trocas verdadeiras e quanto mais precocemente puder ser orientada, tanto maior será sua possibilidade de reestruturação e redimensionamento de funções e papéis e, consequentemente, de facilitação do processo de desenvolvimento de seu filho, na totalidade do ser.

 

Por outro lado a superproteção dos pais em relação da pessoa com síndrome pode atrapalhar e até, de certa forma, interromper o desenvolvimento da criança, corre-se o risco de atentar mais para o fracasso do que para o sucesso, isso pode limitar sua interação social e sua independência fica comprometida.

Em relação ao aprendizado das crianças que apresentam a Síndrome de Down suas famílias almejam que as mesmas aprendam a ler e escrever para que dessa forma possam romper as barreiras que as separam de crianças normais. Professores e demais profissionais que se dedicam a educação estão cada vez mais atentos, buscando conhecer como se desenrola o aprendizado de crianças portadoras de necessidades educacionais especiais.

Nesse sentido há discussões na busca de se encontrar fórmulas e métodos que as contemplem, alguns profissionais apontam que a oralidade deve se antepor à escrita, ou seja, a via oral facilita o aprendizado dos caracteres de cada letra. Outros afirmam que a palavra escrita é mais eficaz, elementos como símbolos, desenhos, fotos, etc., auxiliam na compreensão daquilo que é proposto.

No entanto, há um consenso no que se refere às dificuldades de aprendizagem e o que leva a criança a deixar de lado o desejo de conhecer, por exemplo: problemas congênitos ou não, como surdez e visão; o não entendimento em relação ao que lhe foi proposto; a falta de sociabilidade e interação; a não compreensão de que o conhecimento pode ser útil no futuro, entre outros.

É de conhecimento geral, ou pelo menos deveria ser, de que a escola exerce um papel fundamental na formação do cidadão, é o ambiente onde o conhecimento é concebido e onde os alunos podem e dever buscar informações. É isso que a família da pessoa com Síndrome de Down precisa entender que a escola é um instrumento de transformação do indivíduo, mas isso logicamente depende de toda uma estrutura e de uma filosofia: da inclusão.

Para que todo projeto de inclusão tenha o efeito desejado devem-se excluir elementos como rotulação, classificação e uniformidade. As pessoas com deficiência não podem ser considerados como aqueles que jamais vão aprender, muito menos classificados quanto ao seu QI, além disso, há que se respeitar que cada um aprende ao seu tempo, independentemente de seu desenvolvimento.

Toda criança com Síndrome de Down apresenta algumas limitações e precisa de condições especiais para que possa se desenvolver, as ações precisam ser arquitetadas em conformidade com as necessidades de cada uma. Diferentemente das gerações passadas os portadores do Down da atualidade possuem maior capacidade de leitura, que lhes dão maior aptidão à interação. Além disso, estudiosos reforçam a ideia de que a leitura favorece o conhecimento do mundo à sua volta e a escrita serve como suporte no ato de aprender, incentivando a criança a descobrir algo novo.

A intervenção é muito importante e deve levar em consideração as potencialidades dos alunos, bem como suas dificuldades. Existem fatores que facilitam o aprendizado de portadores do Down que precisam ser considerados como: reconhecimento visual, a facilidade de comunicação com uso de sinais, o uso de palavras escritas, entre outras.

Nesse sentido alguns procedimentos ganham importância caso a criança apresente alguma dificuldade ou tenha algum problema visual, como: colocar o aluno mais à frente, escrever com letras maiores, propor atividades simples e claras, etc.

As pessoas com de Síndrome de Down podem apresentar problemas de linguagem que automaticamente afetarão sua relação com os demais e sua capacidade de aprender, para isso algumas estratégias intervencionistas são fundamentais como: dar tempo para o processamento da informação e resposta; usar linguagem simples; usar imagens e símbolos; uso de diário em casa e escola para que contem suas novidades.

Apesar de toda complexidade presente nas pessoa com deficiência intelectual e com Síndrome de Down é de suma importância o acompanhamento por parte de educadores e pais, a atividade de inclusão deve ser vista como elo entre os dois mundos, sem esquecer as limitações de cada um.

 

 

6- Pessoas com SÍndrome de Down e o preconceito

 

O preconceito de fato existe, podendo de ser de dois modos, o implícito e explícito, pode ocorrer a qualquer hora, independentemente do local. Qualquer pessoa que fuja ao padrão estético definido por um grupo pode ser alvo de pessoas preconceituosas, como mais gordinhas, os mais altinhos, os tímidos e os portadores de necessidades especiais, infelizmente não fogem à regra.

A sociedade de um modo geral precisa encontrar mecanismos que combatam qualquer tipo de atitude preconceituosa, a escola e a família, que  são entidades indissociáveis são fundamentais nesse processo.

O meio escolar  é ótimo para que se trabalhe a interação mas também é local de choque, são mundos diferentes dividindo o mesmo espaço. A escola é ambiente do conhecimento, mas muitos a consideram como um local só seu e não querem dividi-la com mais ninguém, principalmente se esse alguém é diferente, não importando se essa diferença seja física ou comportamental. A atitude do agressor em relação a vitima, ao diferente,  se dá de várias maneiras, podem ofender, humilhar, xingar, fazer gozações, colocar apelidos, desprezar, excluir, etc. Os danos são terríveis e quase sempre irreparáveis.

Segundo Silva (2010, p. 50), "os agressores começam com brincadeirinhas de mau gosto, que com o passar do tempo evoluem para coisas mais sérias, com difamação, ameaças, agressões. Quase sempre esses agressores estão acompanhados por seus seguidores".

Umas das características do mundo contemporâneo é o aumento da demanda do cotidiano por recursos que possam suprir as necessidades, essa correria acaba de certa forma, afastando os pais dos filhos e vice-versa. Apesar de tudo os pais são fundamentais na inclusão dos filhos portadores de necessidades educacionais especiais, no caso as pessoas com Síndrome de Down em um mundo de descobertas, de desafios, onde ele possa estar continuamente em contato com outras crianças que não apresentam a síndrome, dessa forma pais e filhos poderão romper os limites impostos no dia a dia.

As crianças, independentemente de sua condição física ou psíquica precisam ser protegidas, estar inseridas em um ambiente familiar harmonioso. Os pais devem buscar formas de diálogo, franco e transparente. Criança é um ser precioso, mas que erra, e muito. Há que se tomar cuidado em caso de repreensão, do contrário perde-se a autoconfiança e dá-se lugar ao medo.

Apesar de todas as dificuldades existentes em nosso país, que aliás, não são poucas, como falta de atendimento mais qualificado em centros médicos e educacionais, a questão da mobilidade  nos pequenos ou grandes centros e a falta de oportunidade de mostrar seus valores (onde o preconceito evidencia-se talvez com mais clareza) as pessoas com Síndrome de Down vem conquistando diariamente um lugar ao sol.

Os avanços possibilitam que as pessoas com deficiências adquiriam mais qualidade e tempo maior de vida. Dados apontam que na metade do século XIX o tempo de vida girava em torno de 13 a 15 anos, atualmente a expectativa chega a 60 ou 70 anos.

 

 

7- Considerações finais

 

A Constituição Federal de 1988 preconiza que todas as pessoas têm direito à educação, nas suas mais variadas modalidades e isso inclui as pessoas com necessidades especiais. É dever do Estado e da família encontrar formas de manter as pessoas com deficiência em locais educacionais dignos, onde possam ter acesso irrestrito ao conhecimento.

É imperdoável que, em pleno século XXI haja crianças com necessidades especiais longe das salas de aula, tratadas como seres que vem ao mundo para "atrapalhar" a vida das demais. Assim como é inaceitável o preconceito e o bullying, que deixam marcas profundas e prejudicam o desenvolvimento das crianças.

Conclui-se que as escolas precisam se organizar para atender as crianças com deficiência, com profissionais preparados, tendo como princípio a filosofia da inclusão e a pedagogia do amor.

 

 

8. REFERÊNCIAS

 

 

BRASIL, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LDB 9.394 de 20 de dezembro de 1996.

 

 

______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: MEC/SEESP, 2001.

 

 

CARVALHO. E. N. Adaptações Curriculares: uma necessidade. In: Educação Especial: tendências atuais. Rio de Janeiro: Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto, 1998.

 

 

D'ANTINO. M.E. F. A Máscara e o rosto da instituição especializada: marcas que o passado abriga e o recente esconde. São Paulo, Brasil: Mennon, 1998.

 

 

ESAP - Instituto de Ensino Avançados e Pós-Graduação. Apostila do curso de Pós-Graduação Lato-Sensu em Educação Especial. Ed. Revisada, 2010.

 

 

FERRERO. E, Reflexões sobre a alfabetização. 2ª ed. São Paulo: Cortez. Autores associados. 1985

 

 

GREENHALGH, T. Papers that summarise other papers (systematic review and meta-analyses). BMJ. 1997 Sep; 13(315):672-5.

 

 

MARX. Karl, Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Martins Fontes. 1977

 

 

REVISTA ATUAÇÃO. Um mundo sem limites: Educação Especial na Perspectiva Inclusiva. P. 22/25. Campo Grande - MS

 

 

SAMPAIO, R. F.; MANCINI, M. C. Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Revista brasileira de fisioterapia. São Carlos, v. 11, n. 1, p. 83-89, jan./fev. 2007.

 

 

SCHWARTZMAN, José Salomão. Síndrome de Down. 2º ed. São Paulo. Memnon. 2003

 

 

TRONCOSO, M.V.D.C, MERCEDES M. Síndrome de Down: Leitura e Escrita. Cantabria, Espanha. Masson. SA, 1998.