* Artigo escrito e publicado em 2009

Há muitos anos, no auge da Guerra Fria, Fidel Castro afirmou, de modo latente e irônico, que “a América Latina é um continente estranho. Tem menos guerras que a Suíça e mais generais que a Prússia”. Ocorre que, se depender de um de alguns de seus mais aguerridos seguidores, a freqüência com que as guerras ocorrem no nosso continente pode aumentar dramaticamente, já que, há pouco, em uma operação para deter líderes guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Exército daquele país apreendeu e periciou alguns de seus computadores, ali interceptando mensagens trocadas entre a cúpula das FARC e integrantes do governo venezuelano. Nas mensagens, os interlocutores discutem qual seria a melhor estratégia para prolongar o fornecimento de armas à referida entidade, tendo, como indício maior do dito apoio, sido encontradas armas suecas vendidas à Venezuela há pouco mais de vinte anos. Quando Colômbia e Suécia cobraram explicações, o presidente Hugo Chávez negou qualquer ligação com os fatos e atribuiu a notícia a uma perseguição política que estaria sendo orquestrada contra ele e sua “Revolução Bolivariana”. Mas, mesmo diante da clareza das evidências, não exonerou e nem mandou investigar quaisquer dos venezuelanos envolvidos, entre eles um general – o que mostra não estar interessado nem mesmo em provar seu não envolvimento pessoal no caso (sim, ele tem o benefício da dúvida) e evidencia ao mundo, desta forma, como a agressão à soberania alheia e o abastecimento a uma organização terrorista que já matou milhares de inocentes e que se sustenta do tráfico de narcóticos e realização de seqüestros são, ao menos, tolerados por vários membros de seu governo. Se alguém tinha dúvidas sobre a que veio o atual regime venezuelano, a resposta é absolutamente cabal: um poder cuja principal função é a utilização da receita obtida com a exportação do petróleo para financiar, nos países da região, candidaturas presidenciais ideologicamente afins, com o único escopo de fazer da América Latina uma nova Cortina de Ferro. Foi isso o que ocorreu na Bolívia, no Equador, na Nicarágua, e, de um modo mais recentemente denunciado pela reação das forças militares locais, em Honduras. Nos países onde essas candidaturas não têm a mínima chance de vitória, como a Colômbia, o governo venezuelano age de modo similar à antiga União Soviética e Cuba ao financiar e armar organizações terroristas locais, como as FARC, para derrubar o sistema democrático e implantar a já mencionada “Revolução Bolivariana” (nada mais que um eufemismo para DITADURA MARXISTA). Para fortalecer tão temível empreendimento, negocia a compra de armas – para uso próprio ou posterior fornecimento a terceiros aliados, como as FARC – com seus aliados no governo do Irã, que, apesar de não serem marxistas, também odeiam os EUA e a democracia em moldes ocidentais que eles representam. A fim de evitar mobilização contrária ao objetivo continental de dominação marxista, todos os meios são válidos, desde os mais óbvios, como a supressão de todas as liberdades de reunião, manifestação do pensamento e imprensa dentro de seu próprio território, passando pelo fechamento de emissoras de rádio e de televisão oposicionistas e pela flagrante violação dos direitos humanos, até os mais esdrúxulos e inaplicáveis, como o projeto de lei tipificando o crime midiático de “agressão à saúde mental” da população. A Guerra Fria já recomeçou e seu epicentro não está mais no Leste Europeu, mas ao norte do Brasil, na “Pequena Veneza” (significado do vocábulo “Venezuela”). Se não houver uma reação conjunta dos líderes democráticos do hemisfério à política imperialista e expansionista do regime chavista - que atualmente representa a maior ameaça à paz regional - ele irá gradativamente se fortalecer e a desestabilização continental continuará a se agravar. Não será mais a “Pequena Veneza”, mas a “Pequena União Soviética".