VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS. O desafio hercúleo de educar para o pensar.
 
VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS. O desafio hercúleo de educar para o pensar.
 


VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS. O desafio hercúleo de educar para o pensar.

Rosana Ribeiro Fernandes

14/08/2010

1 INTRODUÇÃO

Percebe-se por aí que expressões gramaticalmente incorretas vêm sendo constantemente inseridas no vocabulário do brasileiro; nas escolas, nos programas televisivos, no trabalho, enfim, em situações mais comuns. Isto incomoda a alguns, enquanto outros não as percebam ou, simplesmente as entendam como variações típicas do uso natural do idioma.

Nas escolas, os professores de língua portuguesa, ao cumprirem as exigências curriculares, acabam oferecendo conhecimentos restritos ao uso da norma culta. Este é um esforço que tem se revelado insuficiente para as diversas e flexíveis situações de comunicação, pois nota-se que os educandos ainda acabam por sair das escolas com certa dificuldade para comunicarem-se fora de situações que lhe são comuns.

Desafios como esses, ante a defasagem encontrada entre os estudantes, exigem do professor mais do que mero esforço de cumprir o currículo escolar. Exigem uma prática militante, renovadora e sólida.

Uma pausa na gramática e um estudo sobre as variações existentes, estas que asseguram a identidade cultural dos falantes, se faz plausível em um plano de aula, ficando nele a incumbência de poder gerar diálogos melhores no dia-a-dia e no porvir dos educandos.

Um trabalho desta natureza justifica-se no aprendizado, na iniciativa de estímulo e na apresentação de propostas que visam facilitar o processo educativo; implicando em mais uma ferramenta docente. A ideia desta pesquisa é desenvolver um plano de aula que aborde uma didática dinâmica e multiforme acerca do conteúdo Variações Linguísticas.

O tema foi escolhido dentre os temas previstos nas grades curriculares do Ensino Médio e o desafio irá além da explanação da matéria, explorando a leitura, a interpretação e o pensamento crítico do aluno.

Vale ressaltar que este paper deve-se a uma pesquisa grupal onde as representações aqui expressas fazem parte de uma problemática coletiva desenvolvida em caráter experimental e apresentada em sala de aula.

O método de pesquisa utilizado foi o tipológico. Partiu-se da análise de aspectos essenciais para o ensino de Variações Linguísticas, ampliando certas qualidades e fazendo ressaltar os principais aspectos do fenômeno estudado, destacando suas possibilidades.

Para a construção do corpus utilizou-se de pesquisa aplicada, dirigida à solução de um problema (a melhor forma de apresentação) visando, em um porvir, a aplicação prática das descobertas. Foram realizadas pesquisas documentais e bibliográficas em livros, revistas vídeos, músicas, internet, etc..

2 VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS E O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Desde 1971 existem diretrizes que fixam bases para o ensino dos primeiros e segundos graus no Brasil. "Um núcleo comum e obrigatório [...] para atender, conforme as necessidades e possibilidades concretas, às peculiaridades locais, [...] e às diferenças individuais dos alunos" (BARSA, 1990, v.5, p.443) A lei de número 5.692, de 11 de agosto de 1971 diz que: A língua portuguesa deve ser encarada, no tocante ao povo brasileiro, como seu instrumento de comunicação por excelência, no sentido não apenas de transmissão de idéias, fatos e sentimentos, como no de sua compreensão, sob dupla forma oral e gráfica (leitura, escrita e comunicação oral). (BRASIL, 1971).

Os problemas do uso e ensino da língua portuguesa constituem matéria de apreciação de conselhos desde a então firmada lei. Logo em 1976, um parecer intitulado "Comunicação e expressão como função de cultura" incumbe os responsáveis pelo ensino de: considerar a unidade da norma lingüística, [...] reconhecer as peculiaridades das culturas e, portanto, dos falares locais (rurais e urbanos), que levam a diferenciações lingüísticas; verificar que, num país como o Brasil, de condições sócio-culturais e áreas político-geográficas tão diversificada, os diferentes registros lingüísticos são característicos da nacionalidade; aceitar empréstimos lingüísticos estrangeiros com intercâmbio natural das relações culturais entre nações; [...] encarar a gíria como fenômeno criativo de linguagem ... (BARSA, 1990, v.5, p.444)

Porém, sabe-se que as escolas têm o intuito de oferecer conhecimentos baseados apenas nos padrões cultos da língua. Segundo Amaral (2003, p.332) uma das funções da escola é, "pelo ensino da língua portuguesa, oferecer ao estudante condições de dominar as estruturas da língua culta, a fim de que, quando lhe for conveniente, [...] tenha condições de usá-la de maneira adequada."

Tendo a gramática e sua descrição da norma culta como referência do que é "certo" em língua portuguesa, os educandos se detêm em decorá-la e incorporá-la como única forma correta de expressão. Porém, muitas vezes:

o ensino da gramática esbarra num emaranhado de regras que, a depender de como for aplicado, pode confundir e desestimular os estudantes. Isso acontece quando o método utilizado em sala de aula se restringe à mera descrição da norma, sem passar pela estruturação do significado, pelo uso adequado nas diversas situações do cotidiano, nem pelas mudanças constantes da linguagem. (PEREIRA, 2010, p.6)

Surgem então lacunas, defasagens no ensino, que resultam em um desafio para os profissionais de ensino das letras. Cresce a importância do professor, de seu plano de aula, da mediação pedagógica e de sua atividade criativa ou criadora.

Ainda segundo Pereira (2010): cresce a necessidade de capacitar o aluno à flexibilidade lingüística: ajudá-lo a comunicar-se com as pessoas com quem se relaciona e a manejar o padrão em várias situações sociais, como provas escolares, disputas por vagas no mercado, redações para grandes públicos, participação em concursos e vestibulares. (PEREIRA, 2010, p.36)

Essa polivalência linguística reflete uma necessidade atual; o conhecimento e o uso de uma retórica formal aliado à informalidade sempre que possível. Afinal, erro de português: não se resume a contrariar normas decoradas na escola, é usar uma variedade em vez de outra numa situação de comunicação em que a coletividade envolvida desaprovaria. É usar uma expressão ou construção sintática que não soariam naturais no idioma. O erro é sempre social. Incorporar isso é um desafio para os educadores brasileiros da atualidade. (PEREIRA, 2010, p.6)

3 O PLANO DE AULA E SUAS POSSIBILIDADES

3.1 TEMA/MATÉRIA

A escolha do tema deu-se em grupo, onde um "brainstorming" inicial, ou, como se diz em português; "uma tempestade de idéias"; deu início a um estudo de possibilidades. No primeiro encontro ficou definido "As Variações Linguísticas" como tema a ser desenvolvido. Sapeando o ensino da Língua Portuguesa no Brasil encontrou-se a necessidade de um olhar acerca desta temática. A escolha parte do pressuposto que as Variações Linguísticas estão expletivamente inseridas no vocabulário cotidiano e merecem reconhecimento, além de um enfoque crítico/construtivo.

3. 2 A DIDÁTICA NO ENSINO DE VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS

Neste trabalho a didática a ser trabalhada é a de tendência vitalista, ou seja, apresenta "estudos em função dos problemas da vida real, [...] pesquisa e leitura, discussão dirigida, valorização da experimentação direta, da utilização da prática do saber e da observação" (BARSA, 1990, v.6, p.260) Para melhor explanação, cumpre saber que o campo de investigação da didática moderna é delimitado pelos seguintes componentes básicos: o professor (o que educa), o método a que este recorre no desempenho de seu cargo (como se educa), o educando (a quem se educa), a matéria que se ensina (através de que elementos se educa e os objetivos a atingir (para quê se educa). (BARSA, 1990, v.6, p.260, grifo nosso)

Ao criar uma estratégia para o ensino vem sempre aquela dúvida operativa. Pereira (2010) comenta que, por mais que se volte a didática para uma turma específica, os interesses dos alunos são díspares e os níveis dos educandos são desiguais.

O professor tem então a função de tornar interessante o que considera importante ser aprendido. Este plano de aula será voltado para o Ensino Médio (1°, 2° e 3° anos). A estratégia levará em conta as idades, os interesses coletivos nessas idades, a linguagem e a capacidade de interpretação e raciocínio dos educandos.

Como objetivos de aula pretende-se quatro distintos; a explanação da matéria, a exemplificação com base no uso cotidiano de variações usuais, a exploração do pensamento crítico do educando e a contemplação de diálogo unida à reflexão em uma didática dinâmica e multiforme. Oliveira (1992) em estudo sob o ponto de vista do educando percebe que os alunos estão preparados e dispostos a rearranjar as ideias até fazerem sentido e não apenas a memorizar e repetir o conteúdo de sala de aula. Mais que uma aprendizagem automática, os alunos estão preparados para uma aprendizagem representacional que ocorre: quando se estabelece uma equivalência de significados entre os símbolos arbitrários e seus correspondentes referentes (objetos, exemplos, conceitos), que passa a remeter o aluno ao mesmo significado. Esta aprendizagem é significativa porque as proposições da equivalência representacional podem ser relacionadas (de forma não arbitrária). (LOBATO, 2001, p. 97)

E a aprendizagem automática é esta que se infere comumente representar hoje a didática das salas de aula. Na aprendizagem automática "o conteúdo daquilo que vai ser aprendido é apresentado ao aluno de forma final. Do aluno exige-se somente incorporar o material, de modo a torná-lo acessível ou reproduzível em alguma ocasião futura". (LOBATO, 2001, p. 97) Fugir deste automatismo da aprendizagem não é sinônimo de aprendizagem, pois se sabe que vários fatores como interesse e disposição ainda se fazem necessários para que haja um significativo grau de aprendizagem, mas sem dúvidas é o começo para uma interação. Este plano de aula contará com uma pesquisa bibliográfica extraída de livros e revistas especializadas, artigos, textos da rede de internet e recursos áudios-visuais, como slides, vídeos e músicas. Como elemento surpresa a criatividade ficará por conta de um texto rico e divertido que servirá de roteiro para a apresentação. A intenção inicial é descontrair e chamar a atenção para a aula a ser oferecida. Seguem os slides com a exposição de conceitos e referenciais de pesquisa. Serão entregues ainda textos de Literatura em Cordel e um tema para redação.

3.3 REFERENCIAIS TEÓRICOS

Ao adentrar este universo lingüístico tem-se a necessidade de compreender, ou pelo menos definir o que são os idiomas. Portanto, cita-se que: Os idiomas são sistemas abertos e flexíveis que sempre se ajustam às suas condições de uso. Esse polimorfismo da língua acaba por refletir as diferenças sociais, econômicas e culturais da comunidade que utiliza um código lingüístico específico. (LUCCHESI, [200-?], p.20) Já a língua, na perspectiva Saussuriana, é caracterizada como "um sistema de valores que se opõem uns aos outros e que está depositado como produto social na mente de cada falante de uma comunidade" (BIOGRAFIA SAUSSURE, 2010). Entende-se também que "a língua é um código de que se serve o homem para elaborar mensagens para se comunicar". (KOVACHICH, 2008). Parafraseando Ferreira (2010); o conceito de língua é bastante amplo, englobando todas as manifestações da fala, com suas incontáveis possibilidades. A "escola lingüística embasada no estudo das variedades da língua denomina-se Sociolingüística, a qual não admite a existência de uma ciência da linguagem que não seja social, como seu próprio nome já sugere". (ALVES, 2010, p. 1) Em geral, os critérios que determinam os padrões de uma língua se estabelecem principalmente pela ação da escola e dos meios de comunicação, levando os falantes de um idioma a aceitar como "certo" o modo de falar do segmento social mais privilegiado, tanto no aspecto econômico como no cultural. Com o tempo, a maneira segundo a qual esse grupo utiliza a língua vai se impondo como um padrão da gramática normativa para estabelecer os conceitos de ?certo? e ?errado?. (AMARAL, p.332) Segundo o modelo Sociolingüísta, não existem variantes da língua consideradas certas ou erradas. Tarallo afirma que: "Variantes Lingüísticas são, portanto, diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade" (TARALLO, 2004, p.8). O ensino de português, portanto, não deve tratar-se de um estudo do certo ou errado, mas de um estudo da linguagem, um estudo lógico, comparativo, descritivo e sistemático dos traços da linguagem. Disse o ilustre Professor Luiz Antonio Sacconi: Existem basicamente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas funcionais: 1) a língua funcional de modalidade culta, língua culta ou língua-padrão, que compreende a língua literária, tem por base a norma culta, forma lingüística utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma sociedade. (PINHEIRO, 2010) E a língua popular ou cotidiana, que: É a forma linguística que assegura a unidade da língua nacional. Em nome dessa unidade, tão importante do ponto de vista político-cultural, que é ensinada nas escolas e difundida nas gramáticas. É a mais espontânea, comum, criativa, expressiva e dinâmica. Apresenta gradações das mais diversas, tendo o seu limite na gíria e no calão. (AULAS DE PORTUGUÊS, 2010) De certo, vê-se escrito em gramáticas que "toda pessoa que fala um determinado idioma conhece as estruturas gerais de funcionamento dele, [...] o que não significa que todos as utilizem de maneira uniforme". (AMARAL, 2003, p.329) Sabe-se que existem fatores que interferem na maneira individual de cada falar e estes fatores serão, nesta pesquisa, abordados e exemplificados em sala de aula [Cf. anexo]; sendo estes: fatores geográficos, sócio-culturais e históricos. ... a idade, o grupo social, o sexo, o grau de escolaridade [...] interferem na maneira individual que o falante tem de se expressar. Dizemos por isso, que em um idioma ocorrem variações lingüísticas. De maneira bastante simplificada, podemos considerar a existência de três tipos gerais. (AMARAL, 2003, p.329, 240) Daí vem a importância da lingüística, que estuda além das regras consideradas corretas em uma determinada língua, regras que formam um código de comunicação arbitrário utilizado pelas pessoas. Qual é, enfim a utilidade da linguística? Bem poucas pessoas têm a respeito idéias claras: não cabe fixá-las aqui. Mas é evidente, por exemplo, que as questões lingüísticas interessam a todos ? historiadores, filólogos, etc. ? e que tenham de manejar textos. Mais evidente ainda é a sua importância para a cultura geral: na vida dos indivíduos e da sociedade, a linguagem constitui fator mais importante que qualquer outro. (SAUSSURE, 12006, p.18) E, conforme Dayse Alves em seu artigo Variedades Linguísticas no Âmbito educacional: "Não queremos, no entanto, que os professores deixem de ensinar a variedade padrão da língua aos seus alunos. Almejamos que nossos educadores compreendam que não existem ?erros? de português, o que existem são variantes lingüísticas" (ALVES, 2010).

4 O DESAFIO

O desenvolvimento das tecnologias, equipamentos, das ciências e da informática parece acontecer bem mais rápido do que o desenvolvimento do próprio ser humano. Talvez seja verdade quando afirmam que estamos vivendo a transformação da era Industrial para a era do Conhecimento e da Criatividade. Conforme Wolynec (2007, grifo nosso) "todas essas mudanças nos relacionamentos, tanto no ambiente de trabalho quanto no ambiente social, têm profundo impacto sobre a Educação, uma vez que a aprendizagem só ocorre quando há motivação e interação". Para correr junto ao desenvolvimento, alcançar as oportunidades e superar os desafios que estão surgindo, o mundo está necessitando de pessoas que pensam criativamente. E o que vem a ser criatividade? Seria o oposto de uma imitação, de uma cópia? Um pensamento díspar tendo em conta o dito popular que aqui "nada se cria, tudo se copia". Sintetizando a idéia de Wolynec (2007), não se pode mais ensinar os estudantes de hoje com metodologias e tecnologias de ontem. Não sabemos todas as respostas, mas sabemos o suficiente para iniciar as mudanças. Esta pesquisa também se deterá em explorar esta tal criatividade, as sugestões e possibilidades nascidas de um ato criativo para que se cumpra uma aula mais dinâmica e motivadora voltada para o desafio maior que é o pensar do educando.

5 COMO SER CRIATIVO?

Becker diz que: "a teoria humanista de Carl Rogers enfatiza que criatividade pode ser tanto a teoria da relatividade de Einstein, quanto uma nova receita de bolo feito por uma cozinheira". (BECKER, 2007, apud BIFFI, 2008, p.17) É necessário, entretanto, segundo Biffi (2008), que o indivíduo possua a habilidade de lidar com conceitos e elementos, de brincar espontaneamente com idéias, cores, formas, relações, de expressar o ridículo, transformar os elementos, de ver a vida de uma forma nova e significativa. Maynard (1973) trata a criatividade como uma capacidade pessoal, universal, diversamente distribuída na população. Dormen & Edidin (1989) engendram e ampliam esta perspectiva considerando a criatividade uma habilidade de sobrevivência para as próximas décadas. A natureza dinâmica que o conhecimento tem hoje em dia traz como consequência a necessidade de se desenvolverem capacidades susceptíveis de transferência. (...) É importante focarmo-nos no desenvolvimento das capacidades que ajudem os indivíduos a tornarem-se mais adaptáveis a circunstâncias novas e sujeitas a transformação (OLIVEIRA, 1992, p.36). Houve momentos na História em que a sociedade foi mais marcada pelos princípios do conservadorismo e da inércia. Nesse contexto, segundo Moreno (1965), o homem tinha medo da espontaneidade. Mas hoje, na sociedade ocidental, a situação mudou: O que parece não oferecer dúvida é que os alunos preferem aprender de forma criativa, explorando, manipulando, questionando, experimentando, testando e modificando ideias, ou seja, exercendo inquérito científico sobre o seu ambiente. Mais: a criatividade tem que ser valorizada e encorajada, pois as pessoas só aprendem o que sentem como compensador. (TORRANCE, 1970, apud MARTINS, 2010, p.3) Cabezas (1991) acrescenta que, para a promoção da criatividade, o professor deve: "- perceber aquilo por que se sentem motivados os seus alunos; - ser capaz de enfrentar-se de forma construtiva perante os acontecimentos imprevistos; - ser original e não ater-se aos critérios de ninguém; - insuflar curiosidade na classe; - organizar e apresentar de forma atrativa a matéria". (CABEZAS, 1991, apud MARTINS, 2010, p.12, grifo nosso) A criatividade para a apresentação da matéria Variações Linguísticas surgiu de um insight grupal onde se identificou a possibilidade de trazer para a aula um texto cômico, de linguagem fácil e acessível aos jovens tratando de Variações Linguísticas, além de vídeos, músicas e demais atividades. Na apresentação, somado ao texto foram inseridos vídeos (fonte: you tube), textos, música (canção Samba do Approach ? Zeca Baleiro) e um pouco da Literatura de Cordel (em anexos). Espera-se que a irreverência e a descontração criem um ambiente mais favorável ao aprendizado.

6 EXPLORANDO O PENSAR

Redações são muito comuns nas aulas de português e literatura. "A redação é aplicada a ensaios dissertativos curtos (geralmente de no máximo uma página) exigidos para avaliação da habilidade verbal escrita dos estudantes". (WIKIPÉDIA, 2010) Após a leitura dos slides que conceituam Variações Lingüísticas, exemplificam e expressam seus tipos, propõe-se uma discussão sobre o projeto de Lei do deputado Aldo Rebelo (que aborda o controle da língua por decreto). Como atividade extraclasse o educando deverá formular uma dissertação sobre o que foi discutido em sala. A dissertação por sua vez, atinge uma complexidade lógica ainda maior, pois seu foco abandona o mundo concreto para se concentrar no plano dos significados. A dissertação expressa uma opinião, um ponto de vista, um julgamento sobre o objeto descrito ou sobre o fato narrado. Não se passa a dissertação no mundo extenso, mas no foro íntimo do sujeito, a dissertação interpreta a realidade. (WIKIPÉDIA, 2010) Como estratégia, para incitar o pensar sugeriu-se o seguinte tema: Combate aos Estrangeirismos, xenofobia ou controle de uma língua?

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Findada a pesquisa nota-se que Variações Linguísticas é um tema bastante interessante para se desenvolver. Ele tem um leque de possibilidades, que, bem trabalhadas podem tornar a aula interessante e promissora. A grade escolar de língua portuguesa deve ter um espaço reservado para as questões lingüísticas, suas variações e usos cotidianos. Mais que estudar a gramática é necessário compreender que existem identidades linguísticas a serem preservadas e que variações sempre existirão nos idiomas. Gerar diálogos melhores, proliferar um questionamento no uso exacerbado de gírias não são os únicos intuitos deste plano de aula; os educandos devem ser levados à reflexão sobre estrangeirismos, gírias, entre outras formas de expressão existentes. Através do desafio da criatividade, os alunos adentrarão o universo imaginário da Literatura de Cordel, resgatando com a leitura um grande elemento da cultura nordestina e um exímio exemplo de Variações Geográficas (regionais). Também serão trabalhados recursos áudio visuais (textos, música, vídeos) que darão à aula uma didática dinâmica, criativa e multiforme [Cf. anexo]. O "pensar", tido também como desafio, será incitado com a feitura de uma redação, ao final, onde será avaliado o grau de proveito que os alunos obtiveram com a aula. Espera-se ter contemplado nesta pesquisa um plano de aula/modelo que possa ser divulgado e trabalhado em salas de aula por professores de todo país, afinal, este é o principal intuito de uma pesquisa acadêmica; a divulgação da descoberta e sua implementação prática para a melhoria do porvir.

REFERÊNCIAS

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