Uma Análise do Estágio Supervisionado na Percepção de BURIOLLA
 
Uma Análise do Estágio Supervisionado na Percepção de BURIOLLA
 


Uma Análise do Estágio Supervisionado na Percepção de BURIOLLA
Kátia Cilene Gomes Celestino ¹
RESUMO:
O objetivo deste ensaio é de analisar a práxis profissional, ou seja, a relação teoria e prática e seus desdobramentos dentro do estágio supervisionado, buscando uma maior identificação desse estudante com a área de atuação e as realidades expostas cotidianamente. Fazendo uma reflexão sobre o campo de treinamento, o espaço de aprendizagem do Serviço Social, onde este estudante se deparará com situações que se tornarão enriquecedora para sua formação profissional.
PALAVRAS-CHAVES: Estágio e Supervisão.
ABSTRACT
The purpose of this essay is to examine the professional practice, ie the relation between theory and practice and its consequences within the supervised training, seeking further identification of the student with the operation area and exposed the realities daily. Thinking about the training camp, the learning area of Social Work, where the student will be faced with situations that become enriched by his training.

KEY WORDS: Training and Supervision.

1. Graduando do Curso de Serviço Social da UNIT (Universidade Tiradentes), 5º período. Estagiária da SEMASC alocada no CRAS Madre Tereza de Calcutá. Atualmente desenvolvendo uma pesquisa de campo solicitada pelo Governo Federal referente ao BPC na Escola.

INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como objetivo apresentar em linhas gerais uma análise sobre o estágio supervisionado na percepção de Buriolla, como um momento de fundamental importância no processo de formação profissional. Constitui-se em um treinamento que possibilita ao estudante vivenciar o aprendido na faculdade, tendo como função agregar as disciplinas que compõem o currículo acadêmico, fortalecendo e ao mesmo tempo testando o nível de conhecimento, ou seja, um momento de validação do aprendizado teórico e prático em confronto com a realidade. O supervisor também vem possibilitar ao estagiário a oportunidade de conhecimento de administração, das diretrizes e do funcionamento das organizações e de suas relações com a comunidade, aproximando o aluno as necessidades do cotidiano, criando oportunidades de exercitar a prática profissional, além de enriquecer e atualizar a formação acadêmica.
É notório que o serviço social passou por várias transformações no que concerne ao estágio supervisionado. No Brasil ele existe desde a fundação das primeiras escolas, sendo parte fundamental e obrigatória, desempenhando um papel decisivo na formação. Porém só passa ser legitimado com a regulamentação da profissão, onde uma lei especifica vem avalizar as exigências mínimas para a sua execução.
A nova Lei Federal nº 11.788 de 25 de Setembro de 2008 visa reconhecer o estagio supervisionado como um vínculo educativo-profissionalizante, possuindo um caráter obrigatório como pré-requisito para a obtenção do diploma, no qual oferece condições dentro do ambiente de estágio a preparação deste estudante ao mercado de trabalho, possibilitando a amplitude dos seus conhecimentos e ao mesmo tempo garantir direitos ao estagiário.
Na contemporaneidade mesmo com esse caráter obrigatório não existe de fato um acompanhamento mais efetivo, que torne esse espaço dinâmico e que ao sair o aluno tenha adquirido uma personalidade profissional critica e discursiva das problemáticas vivenciadas. Nesse ambiente ficaram evidenciados alguns fatores que contribui negativamente para a formação desse aluno, fatores estes relatados tanto pelos supervisores como pelos próprios estudantes como uma espécie de desabafo e/ou frustrações. Um primeiro ponto a ser analisado é o desvio de função, pois muitas vezes o desvio de função esta presente no seu campo de estagio, um segundo ponto seria investir nos supervisores valorizando seu trabalho e proporcionando crescimento profissional, as instituições de ensino precariza esta atuação sobrecarregando muitas vezes esse profissional, o que torna esse processo bastante desqualificado, sem contribuir para a formação desse aluno, e para finalizar seria a questão polêmica, muito debatida e vivenciada, que é a dicotomia entre teoria e prática, não havendo a interação entre as mesmas. Abordaremos a seguir de forma mais destrinchada esses fatores.

1. EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS:

§ SUPERVISORAS PEDAGOGICAS
Sabemos que o individuo é um ser social e histórico, ou seja, cada um tem sua visão, sua maneira de pensar, de agir, partindo desse raciocínio observou-se que existem várias concepções sobre o estagio, então tomaremos como base para discussão as palavras das professoras pedagógicas Estevão. Toledo e Marques.
Para Estevão o estagio deveria ser concebido como trabalho e não apenas como uma obrigação curricular para cumprir a carga horária, ressalta que o supervisor deveria ser mais reconhecido sendo destacada sua importância para a formação, queixa-se da falha na fiscalização por parte do CRESS, e que o estagiário só desempenha as funções que para o profissional é tida como chata.
Toledo diz não entender a contradição de que em alguns momentos o aluno é estagiário em outro é trabalhador, e assim vão horas, ora pode agir como profissional em outros momentos não, ela não aceita que o aluno conceba seu estagio como emprego, visto que esta em processo de formação, e que se o mercado explora essa não pode ser legitimada.
Por fim a visão de Marques relatando que esse espaço deve ser bastante proveitoso, pois possibilitará ao aluno o contato com a realidade, fazendo com que ele reflita sobre os problemas surgidos e comece a desenvolver sua personalidade profissional, de forma criteriosa e compromissada.
"Eu acho que o aluno tem que entrar em contato com a realidade. No que concerne à questão formação, eu valorizo um espaço grande de contato com a realidade e um espaço grande no curso de recuperação desta realidade." (Buriolla, 2008).

§ DAS SUPERVISORAS DE PRATICA
Da mesma forma que as supervisoras pedagógicas tiveram seu espaço de discurssão, as supervisoras de pratica também expuseram um pouco do seu cotidiano, através dos relatos de Bernardes e Rodrigues Marques.
Bernardes afirma que o estagio é realmente um espaço de formação, é um campo em que o aluno desenvolverá sua criticidade, sua percepção de mundo, fazendo uma ponte entre teoria e prática. E quando este se formar terá uma bagagem suficiente para atuar com segurança.
Para Rodrigues Marques o estágio é o momento em que o aluno colocará em pratica a teoria operacionalizando o conteúdo de forma significativa, fará experimentos para constatação, porém nem sempre isto é possível, pois percebeu que alguns alunos não conseguiram fazer a ponte entre teoria e pratica fragilizando seu desempenho.

§ ESTAGIÁRIAS
Em resumo algumas estagiárias da PUC/SP definiram campo de estagio como espaço conflituoso em função de que em alguns momentos são forçadas a trabalhar da maneira que a instituição quer, outras vezes exercem tarefas que não somatizam, passando a desempenhar atividades superficiais sem atenção devida. Entre diversas problemáticas exteriorizadas por algumas alunas vale ressaltar as mais corriqueiras, nada a ver com a atuação do assistente social.
- São contratadas para marcar consultas
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- Elaborar carta
-Grampear Papel
Isto sem falar da falta de motivação dos profissionais ou eles são muito práticos esquecendo-se da teoria ou eles se acomodam suas atividades e não conseguem inovar, colocando sempre que não existe políticas publicas atuante. Um erro grave no campo de pratica é dirigir suas atividades unilateralmente desconectadas da teoria, impedindo que o aluno desenvolva sua capacidade de pensar, refletir, renovar e recriar. Segundo as estagiarias deveria existir um espaço na academia em que teoria e pratica fosse trabalhado conjuntamente, o que evitaria tais transtornos.

2. PERCEPÇÃO EM RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA
Atualmente as relações sociais são direcionadas pelo capitalismo, e atingem diretamente não só a formação profissional, mas as instituições de ensino. Como quem domina a nossa força de trabalho são os grandes proprietários, que visa somente à ascensão econômica, os professores acabam que coagidos a trabalhar de forma escravista, ficando sobrecarregados, precarizando assim a formação profissional de seus alunos. Como conseqüência o aluno acaba não recebendo uma boa orientação enquanto estagiário, e aí vai para o campo de atuação cheio de duvidas e inseguro, possuindo uma bagagem teórica puramente marxista, vivendo um conto de fadas como diz Iamamotto. Hoje sabe-se que o marxismo norteia o serviço social na academia, porém não é possível colocá-la em prática pela maioria dos profissionais, pois o comodismo é o melhor caminha a ser trilhado. Fomentar idéias, instigar discussões, lutar pela efetivação dos direitos dá trabalho, é por isso que preferem tornar-se profissionais ecléticos alheios a tudo e no futuro este profissional acaba frustrado, percebendo o caos que se enveredou.

"As visões dos sujeitos coletivos - docentes, supervisores, alunas estagiárias - descortinam um panorama de relações históricas, dialéticas e contraditórias que se estabelecem no estágio supervisionado, no ensino teórico prático, nas Instituições de ensino e de Campo de Estágio do Serviço Social, estando o estagiário inserido por inteiro neste processo". (BURIOLLA, 2008. Pag. 83)

Percebemos que a matéria-prima do estagio supervisionado é a atividade pratica, que se desenvolve através do processo ensino-apredizagem, no qual o supervisor e supervisionado vivenciam a práxis profissional; esta dinâmica se dar por meio das relações sociais, porem ela não será uma atividade estática, o que favorecerá num contexto mais amplo uma analise real de uma conjuntura sócio-historica e cultural.
Dessa forma supervisor e supervisionado passa a socializar informações promovendo um feedback que será de suma importância no desempenho profissional. Vale ressaltar que a pratica social esta dividida em três dimensões: a prática econômica, ideológica, e política. A ação profissional se dá em nível institucional, em que o assistente social caracteriza-se como um trabalhador assalariado, articulando se agir nas três dimensões estruturais e conjunturais da realidade sócio-historica na qual esta inserida.
Porem a pratica profissional é totalmente antagônica a pratica legalizada e esperada pelo Estado, o que confere um agir profissional contraditório, buscando como referencia o homem e suas relações com a família, à sociedade e a realidade social.
Existem três exigências para a atuação do agir profissional: a unidade teórica ? pratica que é a consciência e ação, identificação e compreensão da conjuntura social e do contexto histórico que consiste no constante movimento de transformação da realidade social, e a disposição para uma ação efetiva e eficaz nas lutas gerais da sociedade que condiciona a ação profissional a novas produções teórica, novos valores, novos significados, novas direções.

"A realidade é um espaço concreto, um momento histórico, onde, à contínua ação, une-se o conhecimento e o processo critico-reflexivo ? e esta unidade deve partir sempre para mudanças propicias as exigências humanas. Há uma relação dialética entre elas: a teoria se constrói sobre a prática, mas também se antecipa a ela."

A teoria deve estar atrelada à necessidade pratica, ou seja, ela é pratica na medida em que guia as ações, esclarecendo objetivos, as possibilidades, o conhecimento da realidade social e as forças sociais que os norteiam. É sempre nesta perspectiva que o profissional deve atuar buscando sempre por novos caminhos a percorrer sem se acomodar.



CONSIDERAÇÕES



Ficou perceptível a preocupação da autora em abordar o tema estagio supervisionado e suas varias concepções dentro da pratica profissional, referindo ser um lócus privilegiado no aprendizado, onde o aluno desenvolve o saber-fazer do serviço social, treinando e criando sua identidade profissional, construindo a partir das demandas vivenciadas cotidianamente. Preocupou-se também com a valorização dos supervisores e a legitimação das tarefas que não competem aos estagiários. Nas discussões relatadas percebe-se grande insatisfação, frustração, tanto dos estagiários como dos supervisores onde a dicotomia entre teoria e pratica é uma realidade. Aborda que o marxismo é algo muito presente na academias e nas literaturas porem é pouco vivenciado, fortalecendo ainda mais o capitalismo.
De forma geral ela tenta recuperar o significado da pratica profissional através de um projeto que reúna, planeje, e exercite o agir profissional contribuindo significativamente para a formação dos novos profissionais, alicerçado num processo único de ensino-aprendizagem. As indagações quanto à dissociação da teoria e pratica é uma constante fortalecendo ainda mais a perspectiva de que para erradicar completamente devem-se existir estratégias de planejamento que permita a relação teoria e pratica todo o tempo, que os supervisores de pratica desenvolvam este plano de ação juntamente com os supervisores pedagógicos, evitando assim atuações contraditórias ou sem nenhum embasamento teórico.
Para que o Serviço Social possa ampliar seus conhecimentos deve estar alicerçado e fundamentado em alguma teoria, enfatiza também que a busca por novos conhecimentos teórico-metodologico não se esgotam no período de formação, se isto não é efetivado poderá interferir negativamente no exercício da profissão.
Conclui-se então que a matéria prima do estagio é a pratica profissional, porem esta deve estar atrelada à teoria, e que supervisor e supervisionado vivenciem uma práxis, refletindo constantemente sua ação, numa relação de ensino aprendizagem, desenvolvida no contexto das relações sociais.

REFERÊNCIAS

BURIOLLA, Marta A. Feiten. O estágio Supervisionado. 5ª Ed. Revisado e Ampliado. São Paulo. Cortez. 2008.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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