Trabalhando o mundo Lúdico na Matemática
 
Trabalhando o mundo Lúdico na Matemática
 



UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E EDUCAÇÃO-CCSE
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA
TURMA: 4PG1V
DOCENTE: RICARDO ALENCAR
DISCENTES: EMANUELLE LEAL
WANESSA MOURA
WILLY TAVARES



O ENSINO DA MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DO LÚDICO: UM ESTUDO DE CASO COM ALUNOS DO CENTRO EDUCACIONAL EMÍLIA EM ANANINDEUA-PA.







Trabalho de pesquisa apresentado ao professor Ricardo Alencar como requisito de obtenção de nota para a 2ª avaliação da disciplina introdução a geometria.






BELÉM-PA
2010
O ENSINO DA MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DO LÚDICO: UM ESTUDO DE CASO COM ALUNOS DO CENTRO EDUCACIONAL EMÍLIA EM ANANINDEUA-PA.

Emanuelle Leal , Wanessa Moura e Willy Tavares*

RESUMO:

Este artigo procurou mostrar uma breve exposição sobre o ensino da matemática na educação infantil através do lúdico, tendo como alicerce um estudo de campo com professores de uma escola pública do município de Ananindeua. A partir de pesquisas feitas sobre o lúdico, foi identificado que as crianças têm mais facilidade de aprendizado através do brincar. Essa pesquisa foi de tipo qualitativo e quantitativo.
Na instituição de educação infantil, deve-se oferecer às crianças condições para as aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras de forma lúdica tendo em vista situações pedagógicas intencionais orientadas pelos adultos pra promover tal aprendizagem.
O fato da matemática ser uma atividade simbólica torna-se complexa para o entendimento de crianças da educação infantil, e sua aprendizagem é determinada por faixa etária. No maternal, por exemplo, as crianças são capazes de decorar a seqüência numérica de 1 (um) a 20 (vinte), porém sua capacidade de compreender quantidade é no mínimo de 3 (três). Se o conceito matemático for ensinado de forma lúdica à criança pode atribuir sua capacidade máxima de aprendizado de quantidade. O lúdico pode ser um excelente instrumento de aprendizagem na matemática.
Por esse motivo torna-se importante pesquisar com professores que atuam nessa área para analisar se o ensino da escola pública de educação infantil de Ananindeua tem suporte para oferecer e preparar um ensino de qualidade para crianças de 0 (zero) a 6 (seis) anos visando a possibilidade de, no futuro, essas mesmas crianças não tenham dificuldades de aprender matemática.

1. INTRODUÇÃO

A sociedade atual exige, a cada dia, novas habilidades na formação dos indivíduos, que origina necessidades de mudanças na educação. Há a necessidade de descobertas e aperfeiçoamento de novos processos de ensino aprendizagem para que seja desenvolvido um sistema educacional de qualidade que possa atender adequadamente, as necessidades e os anseios da sociedade atual, visando a reduzir as distâncias entre as pessoas.
A escola, por sua vez, deve proporcionar os meios necessários para a efetivação de uma nova cultura de convergência e de cooperação. É dentro desse contexto, procurando expandir e exteriorizar as capacidades e potencialidades dos alunos, que o presente artigo, aborda a importância do lúdico no processo de ensino-aprendizagem da matemática da educação infantil de uma escola pública de Ananindeua.
O espaço lúdico na escola é muito importante para o desenvolvimento das crianças Da educação infantil. Um ambiente alegre onde os alunos podem ser felizes brincando e jogando, recupera a capacidade e a potencialidade de absorção de conhecimento do aluno com maiores dificuldades.


1. A EDUCAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Segundo a Lei n° 9.615, de 24 de março de 1998, que trata dos fundamentos constitucionais do Estado Democrático de Direito, a criança como todo ser humano é um sujeito social e histórico.
A criança faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado momento histórico. É profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve, mas também o marca. A criança tem na família, biológica ou não, um ponto de referência fundamental, apesar da multiplicidade de interações sociais que estabelece com outras instituições sociais.


O primeiro elemento para a criança parece ser relativo carinho versus hostilidade da família. "Carinho" tem sido difícil de se definir e de medir, mas intuitiva e teoricamente está claro que ele é muito importante para a criança. Um genitor carinhoso se importa com ela, expressa afeição, freqüente ou regularmente põe às necessidades da criança em primeiro lugar e responde de modo sensível e empático aos sentimentos dela na outra extremidade estão os pais que rejeitam os filhos ? abertamente (...). Essas diferenças tem efeitos profundos altos níveis de afeição, podem proteger as crianças dos efeitos negativos de ambientes de outra forma nocivo (...) as hostilidades dos pais está ligada ao declínio do desempenho escolar e um maior risco a delinqüência (BEE, 2003, p. 412).


As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que se sentem pensam o mundo de um jeito muito próprio. Nas interações que estabelecem desde cedo com as pessoas que lhe são próximas e com o meio que as circunda, as crianças revelam seu esforço para compreender o mundo em que vivem, as relações contraditórias que presenciam e, por meio das brincadeiras, explicitam as condições de vida a que estão submetidas e seus anseios e desejos.
No processo de construção do conhecimento, as crianças se utilizam das mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. Nessa perspectiva as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação.
Nas últimas décadas, os debates em nível nacional e internacional apontam para a necessidade de que as instituições de educação infantil incorporem de maneira integrada as funções de educar e cuidar, não mais diferenciando nem hierarquizando os profissionais e instituições que atuam com as crianças pequenas e/ou aqueles que trabalham com as maiores. As novas funções para a educação infantil devem estar associadas a padrões de qualidade. Essa qualidade advém de concepções de desenvolvimento que consideram as crianças nos seus contextos sociais, ambientais, culturais e, mais concretamente, nas interações e práticas sociais que lhes fornecem elementos relacionados às mais diversas linguagens e ao contato com os mais variados conhecimentos para a construção, de uma identidade autônoma (Lei 9.615, 1998)
A instituição de educação infantil deve tornar acessível a todas as crianças que a freqüentam, indiscriminadamente, elementos da cultura que enriquecem o seu desenvolvimento e inserção social. Cumpre um papel socializador, propiciando o desenvolvimento da identidade das crianças, por meio de aprendizagens diversificadas, realizadas em situações de interação.

O sucesso da criança ao ingressar na escola também depende de sua personalidade ou de seu temperamento está de acordo com as qualidades valorizadas e recompensadas no ambiente escolar (...) As crianças que se entusiasmam e se interessam por algo novo e são mais alegres e comunicativas atingem melhor desempenho nos primeiros anos da escola do que aquelas que são mais retraídas, mal-humoradas ou extremamente sensíveis. (BEE, 2003, p. 449).

Na instituição de educação infantil, pode-se oferecer às crianças condições para as aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras e aquelas advindas de situações pedagógicas intencionais ou aprendizagens orientadas pelos adultos. O lúdico pode ser um excelente instrumento de aprendizagem na matemática.
O lúdico construiu sempre uma forma de atividades inerente ao ser humano. Entre os primitivos, por exemplo, as atividades de dança, pesca, lutas, eram tidas como sobrevivência, deixando, muitas vezes, o caráter restrito de divertimento e prazer natural.
O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogos" e "brincar". E neste brincar estão incluídos os jogos, brinquedos e divertimentos. Para Pinto, o lúdico não é apenas um brincar, mas um transmissor de cultura para a formação do indivíduo na sociedade e um forte recurso pedagógico para promover a união entre grupos;

(...) os brinquedos e as atividades lúdicas, muitas vezes, foram os responsáveis pela transmissão da cultura de um povo, de uma geração para outra. Essas atividades lúdicas tem objetivos, usadas para divertir, outras vezes para socializar, para promover a união de grupos e, num enfoque pedagógico, como um instrumento para transmitir conhecimentos. (2003, p. 42)

A cada dia que passa, a educação lúdica ganha novas conotações e, evolução no sentido de desenvolvimento, estimulação, técnica, para um sentido mais político, transformador e libertador.
O lúdico pode ser utilizado na educação de várias formas, visto que este presente em várias atividades diárias e, portanto, sendo necessário o seu uso como instrumento para o desenvolvimento no processo de ensino-aprendizagem da educação infantil. De acordo com Lopes, através da brincadeira as crianças adquirem autonomia, maturidade e podem desenvolver capacidades importantes por meio da interação;

Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira, faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras, as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais. (2006, p. 10)

As atividades lúdicas já fazem parte da vida da grande maioria de crianças na escola ou em casa, elas simbolizam a relação pensamento-ação e, sob esse ponto, constitui e aguça os vários sentidos da criança, por exemplo, tornando possível o uso da fala, do pensamento e da imaginação entre outros na educação infantil.



2. DESAFIO DE ENSINAR A MATEMÁTICA

2.1. EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NO CONTEXTO DA DIVERSIDADE
A matemática pode ser considerada, uma linguagem simbólica que expressa relações lógicas, espaciais e de quantidade; porém sua função mais importante é desenvolver o pensamento criativo. Devemos ter consciência que situações-problemas desvinculados de contexto cultural e da realidade de vida do aluno, não despertam interesses, nem atribuem significado ao conhecimento.
2.2. CONCEITO E A CONSTRUÇÃO DE NÚMERO
Hoje feita uma avaliação dos erros dessa visão e pesquisando-se a evolução do conceito de número conclui-se que a criança precisa trabalhar com coleções de objetos.
Objeto que ela possa manipular e observar, descobrindo as propriedades, juntando por semelhanças, separando por diferenças, estabelecendo correspondências um a um entre os elementos de duas coleções para comparar quantidades. Enfim, a criança precisa criar todo tipo de relação que a leve aos poucos ao conceito de números como conhecimento lógico-matemático.
2.3. ANÁLISE CRÍTICA

Desde os tempos primórdios a contagem e o procedimento aritmético começou com uma correspondência um a um, ou seja, uma correspondência biunívoca, onde cada elemento de um corresponde um único elemento da outra, e inversamente. Antes não possuíam uma contagem lógico-matemática eram tão ignorantes mediante essa relação, que não tinham capacidade de quantidade organizada. Sem dúvida, não mais dotados que indígenas, aos homens das épocas mais remotas desta história devia também ser incapaz de receber os números em si mesmos. E suas possibilidades numéricas deviam, do mesmo modo, resumir-se pelos seres e pelos objetos vizinhos.
Com o passar do tempo nossos ancestrais passaram a viver e a estabelecer uma diferença bastante nítida entre a unidade, o par e a pluralidade, claro que um e dois foram os primeiros conceitos numéricos inteligíveis pelo ser humano, e então as grandes possibilidades numéricas dessas hordas se reduzem a esta espécie de capacidade natural que poderíamos chamar comumente de percepção direta do número ou, mais simplesmente, de sensação numérica, que por sua vez não pode confundir com a faculdade abstrata de contar, que por sua vez diz respeito a um fenômeno mental muito mais complicado e constitui uma aquisição relativamente recente da inteligência humana.
Foram eles que trouxeram a grande descoberta de como sentir e perceber um cheiro, uma cor, um ruído ou a presença de um indivíduo ou de uma coisa do mundo exterior. O número se reduzia, no espírito deles a uma noção global bastante confusa a pluralidade mental e assumia o aspecto de uma realidade concreta da natureza dos seres e dos objetos em questão.

Georges Ifrah, historiador matemático, livro HISTORIA UNIVERSAL DOS ALGARISMOS 1997 diz:
Felizmente, o homem foi capaz de ampliar suas tão limitadas possibilidades da sensação numérica inventando um certo número de procedimentos mentais. Procedimentos que teriam de se revelar fecundos, pois iriam oferecer à espécie humana a possibilidade de progredir no universo dos números.

Foi sem dúvida graças a este princípio que, durante milênios, o homem pré-histórico pôde praticar a aritmética antes mesmo de ter consciência e de saber o que era um número abstrato. Quando um saber, mesmo tão rudimentar a nossos olhos, mas tão sutil aos de nossos ancestrais, confere um poder, parece temível e até ímpio partilhá-lo. Uma descoberta só se desenvolve se vem atender à necessidade social de uma civilização: enquanto a ciência fundamental, por sua vez, responde a uma necessidade histórica interiorizada na consciência dos sábios.
Com a grande evolução social foi criada um contexto de que a partir desta mudança estabelecem hoje cenários diferentes do passado, ou seja, tais cenários são construídos pelos novos conhecimentos, pelas novas formas e meios de estabelecermos relações matemáticas. A escola como lugar de aprendizagem, como lugar privilegiado para as pessoas desde a mais tenra idade ? adquirem e construírem conhecimentos precisa atualizar-se. Ser uma organização do seu tempo. Se não o fizer, será anacrônica, perderá sua atratividade e importância não será mais do que um registro histórico nas cavernas do passado.
Para que a criança aprenda a comparar, analisar, relacionar, transformar é preciso capacitar desde os primeiros anos. Partindo dos interesses primeiramente da escola onde o aluno passará por uma transformação, sendo que não haverá fronteiras nem barreias para ocultar ou impedir as informações.
A matemática é o começo de tudo, pois é, onde encontram-se as diversas etapas da evolução da inteligência humana. Se a escola preocupa-se em atender e desenvolver as grandes potencialidades as aspirações crescem o desejo de opinar e participar aumenta, assim expressa um fenômeno complexo e abrangente que afeta a cultura a aprendizagem o mercado enfim coloca novos e grandes desafios, sobretudo no desenvolvimento do raciocínio lógico que estão interligadas entre o acesso aberto a todas as fontes de informações do conhecimento cultural e da realidade de vida do aluno.
O Estudo dos sistemas de numeração nas séries iniciais vem favorecendo ao educando melhores condições de capacidade de compreensão, sendo que através do relacionamento dos hábitos do observar a sua realidade, seu cotidiano suas necessidades estão vinculados nas expressões de interesses sentimentos preocupações enfim, em seus ideais de forma que seja sempre respeitado.
Uma tarefa importante da escola hoje, é ensinar aos alunos como chegar à informações e ao conhecimento. É impossível estudar matemática só na escola, por mais que se amplie o tempo de aulas e a duração dos cursos. O conhecimento não cessa de progredir de acumular-se, claro que o importante é saber onde esta presente o lógico ? matemático e como chegar a ele.
A escola como um lócus de contribuição essencial para a vida futura precisa ser renovada a cada instante, estabelecendo assim um vínculo com o grande educador (professor), pois a educação é um ato essencialmente humano, porém, o homem é um ser limitado, precisa do outro para viver, para se realizar, para construir um "mundo melhor" e este "mundo melhor" está condicionado aos valores da sociedade que o homem construiu e reconstrói permanentemente. A grande responsabilidade esta no educador que será um agente produtivo e renovador se trabalhar no raciocínio lógico, Resolvendo problemas práticas com o aluno de forma a desenvolver integralmente suas capacidades, acreditando na existência de uma vitalidade interior que direciona para as descobertas matemáticas da vida.
Segundo Piaget 1982, "é há operação sem cooperação".
O que indica a importância da participação dos colegas e do professor como problematizador.
Com base nos ensinos o professor organizará as situações de aprendizagem oportunizando contato, seja estabelecendo relações, elaborando e comunicando resultados. É preciso conhecer a clientela para utilizar técnicas e recursos de acordo com a realidade interna e externa do sujeito, (educando). Quando o educador estimula a aprendizagem através de jogos equilibrados tendo em vista o desenvolvimento integral do aluno essa aprendizagem passa a ser construida mediante o ambiente sócio ? cultural e cultural.
A criança precisa de recursos e técnicas importantes que direcione a uma aprendizagem dinâmica e favorável, onde o raciocínio lógico permitirá alcançar as potencialidades sendo elas muito relevantes para o futuro de cada um. Nessa missão de desenvolver integralmente as potencialidades do educando, a escola tem como desafio "não deixar inexplorado nenhum dos talentos que são como tesouros incrustados no fundo de cada ser humano: a memória, o raciocínio, a imaginação, a capacidade física, o sentido da estética, a facilidade de comunicar-se uns com os outros, enfim a articulação com a realidade fora de suas paredes, com o mundo social e o mundo do trabalho. Toda criança traz consigo um conhecimento empírico que precisa ser despertado desde os primeiros anos de vida, seja jogando, brincando ou resolvendo problemas.
Diz William Butter, poeta dramaturgo irlandês 1939: "educar não é encher um cântaro, mas acender um fogo".
Quanto tempo levará para percebermos o grande poder que tem para redirecionar-mos as escolas no sentido que acendavam-mos em nossos alunos o fogo do desejo de aprender, o entusiasmo pelo conhecimento matemático.




2.5. O LÚDICO E A MATEMÁTICA

Segundo Grando (2000), a inserção do jogo no contexto de ensino de Matemática, representa uma atividade lúdica, que envolve o desejo e o interesse do jogador pela própria ação do jogo, e mais, envolve a competição e o desafio que motivam o jogador a conhecer seus limites e suas possibilidades de superação de tais limites, na busca da vitória, adquirindo confiança e coragem para se arriscar (p.32).
No Brasil, os Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática (PCN´s, 1998), do Ministério de Educação e Cultura (MEC), em relação à inserção de jogos no ensino de Matemática, pontuam que estes constituem uma forma interessante de propor problemas, pois permitem que estessejam apresentados de modo atrativo e favorecem a criatividade na elaboração de estratégias de resolução de problemas e busca de soluções. Propiciam a simulação de situações-problema que exigem soluções vivas e imediatas, o que estimula o planejamento das ações [...] (p. 46).
Apesar de os PCN´s orientarem para a utilização de jogos no ensino de Matemática, não orientam em relação a como deve ser encaminhado o trabalho pedagógico após "o jogo pelo jogo". Fica a sensação de que o jogo por si mesmo estará trabalhando análises, desencadeamentos ou formalizações de conceitos matemáticos.
Os jogos têm suas vantagens no ensino da Matemática desde que o professor tenha objetivos claros do que pretende atingir com a atividade proposta. Não concordamos com o fato de que o jogo, propiciando simulação de problemas, exija soluções imediatas, como defendem os PCN´s. Entendemos que as situações vivenciadas durante a partida levam o jogador a planejar as próximas jogadas para que tenha um melhor aproveitamento. Ressaltamos que isso só ocorrerá se houver intervenções pedagógicas por parte do professor.
Moura M. O. em sua pesquisa; A séria busca no jogo: do lúdico na matemática. (1992), afirma que tanto o jogo quanto o problema podem ser vistos, no processo educacional, como introdutores ou desencadeadores de conceitos, ou como verificadores/aplicadores de conceitos já desenvolvidos e formalizados, além de estabelecer uma relação entre jogo e problema ao postular que o jogo tem fortes componentes da resolução de problemas na medida em que jogar envolve uma atitude psicológica do sujeito que, ao se predispor para isso, coloca em movimento estruturas do pensamento que lhe permitem participar do jogo.

[...] O jogo, no sentido psicológico, desestrutura o sujeito que parte em busca de estratégias que o levem a participar dele. Podemos definir jogo como um problema em movimento. Problema que envolve a atitude pessoal de querer jogar tal qual o resolvedor de problema que só os tem quando estes lhes exigem busca de instrumentos novos de pensamento (p.53).

Concordamos com o autor, no sentido de que, no contexto educacional de Matemática, o jogo é desencadeador de desafios, desestruturando o sujeito e possibilitando a este desenvolver a postura de analisar situações e criar estratégias próprias de resolução de problema ao exigir a busca de movimentos novos de pensamento. Além disso, o jogo propicia o desenvolvimento de habilidades como análise de possibilidades, tomada de decisão, trabalho em grupo, saber ganhar e saber perder.

3. METODOLOGIA DE PESQUISA

Está proposta se voltada á pesquisa qualitativa e quantitativa, para que através dos questionários levados aos professores da educação infantil. Nos leve a responder; questões, duvidas e expectativas em cima da idéia do lúdico como apoio a construção do conhecimento do aluno. Abordando o mundo lúdico, jogos e atividades prazerosas, que a matemática, pode explorar de diversas maneiras, proporcionando ao professor e o educando infinitas possibilidades de aprendizagem. Mostrando que os jogos têm suas vantagens no ensino da Matemática desde que o professor tenha objetivos claros do que pretende atingir com a atividade proposta. Entendemos que as situações vivenciadas durante a partida levam o jogador (aluno) a planejar as próximas jogadas para que tenha um melhor aproveitamento. Ressaltamos que isso só ocorrerá se houver intervenções pedagógicas por parte do professor, para que ele possa incentivar as jogadas (aprendizagens) de maneiras envolventes, que despertem o raciocínio lógico da criança.


3.1. ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA

Este capítulo tratará nossas expectativas e respostas que o jogo virá trazer como atividade lúdica para os pequenos. Através de uma pesquisa de campo feita com uma amostra de 10 professores da educação infantil do Centro educacional Emília na Cidade Nova/ Ananindeua-Pa. Tem como alicerce metodológico um questionário de três perguntas fechadas. A metodologia utilizada foi o qualitativo-quantitativo.

Tabela 1: Você acha que através do lúdico o aluno pode assimilar melhor o aprendizado da matemática?
Opções Quant. %

SIM

NÃO
10


0
100


0
Total 10 100,00
Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Quanto ao primeiro aspecto da pesquisa a tabela 1 mostra que 10% dos professores submetidos à pesquisa disseram que através do lúdico o aluno pode assimilar melhor o aprendizado da matemática.
Podemos constatar através destas, afirmações que o lúdico tem forte influência nas aulas direcionadas aos alunos por esses professores, por estes já tenham a experiência, que fora proporcionada por meios de atividades, exercícios diário visando à aprendizagem. Devemos elaborar as aulas de acordo com o tempo da criança, pois ela está desde pequena voltada para o mundo da brincadeira. Como afirma Raquel Zumbono, historiadora da educação, como texto Brincando na História (1994); "No ciclo da vida sempre há de ser assim. No começo, a criança é seu próprio brinquedo, a mãe é seu brinquedo, o espaço que a cerca. Tudo é brinquedo, tudo é brincadeira". Devemos cultivar a idéia que o brinquedo, os jogos e as atividades usadas em classes, têm que andar juntas, pois a criança está ligada ao lúdico desde pequena. Esses tipos de afirmações nos dão motivações para ensinar por meio do lúdico diversos tipos de abordagens e questionamentos que envolvem a educação.

Tabela 2: Que tipo de atividades ou jogos são utilizados na sala de aula?

Opções Quant. %
Jogos de trocas
Feche a caixa
Jogo da soma
Somando com dinheiro
Jogando com dados
Jogo da memória
Toca de peças 1
2
0
0
4
2
1
10
20
0
0
40
20
10
Total 10 100,00
FONTE: PESQUISA DE CAMPO, 2010.

No que concerne o segundo questionamento 40% dos professores utilizam como atividades o jogo com dados, 20% o feche a caixa, 20% o jogo da memória, 10% o troca de peças e 10% o jogo de trocas.
Constamos que os jogos que não se utiliza da ludicidade como cabo chefe (dando a sua importância), os professores não o utilizam em suas atividades, como; "jogo da soma", e a "soma com dinheiro". Dando a importância aos jogos que motivem os alunos a unir os prazeres e as atividades didáticas, para aprender brincado, com seus colegas e com o próprio educador, para terem maior assimilação do conteúdo proposto.
A aula pode se tornar uma abordagem significativa na vida do aluno, em todos os sentidos, como; de aprendizagem, assimilação de conteúdos, criatividades e noções de tempo e espaço, se o professor realmente se apoiar no lúdico. Afirma ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica. São Paulo: Loyola, (1998, p.123) "o bom êxito de toda atividade lúdico pedagógica depende exclusivamente do bom preparo e liderança do professor". É baseada neste contexto que se deve buscar uma nova proposta, e que esta aproveite de forma consciente o lúdico como instrumento metodológico durante as aulas, possibilitando um desenvolvimento que respeite da criança.

Tabela 3: Os resultados na aprendizagem com a utilização de atividades apresentou bons resultados?

Opções Quant. %

SIM

NÃO
8

2
80

20
Total 10 100,00
FONTE: PESQUISA DE CAMPO, 2009.

Já o último aspecto investigado mostra que 80% dos professores acham que a utilização de atividades apresentou bons resultados ao passo que para 20 não houve tantas respostas positivas.
De acordo com essas estatísticas, podemos ter uma noção de quais as atividades que tão maior proveito a ludicidade, do ponto de vista de educadores que estão construindo diariamente planos de aulas voltadas para os jogos, e temas que abordam formas dinâmicas e interativas para o educando.
Através dos jogos as crianças têm a possibilidade de levantar hipóteses, resolver problemas e ir ascendendo, a partir da construção de sistemas de representação.
Segundo PIAGET (1967) citado por, "o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral". Agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas, estruturam seu espaço e seu tempo, desenvolvendo a noção de casualidade, chegando à representação e, finalmente, à lógica. As crianças ficam mais motivadas para usar a inteligência, pois querem jogar bem, esforçam-se para superar obstáculos tanto cognitivos como emocionais.




CONCLUSÃO

Entendemos que a utilização de jogos no ensino de Matemática, quando intencionalmente definidos, pode promover um contexto estimulador e desafiante para o movimento de formação do pensamento do ser humano, de sua capacidade de cooperação e um auxiliar didático na construção de conceitos matemáticos. Isso se tornou claro com a pesquisa realizada com professores de ensino fundamental, dando-nos informações importantíssimas para a realização deste trabalho, pois seus exercícios realizados em classe nos proporcionaram a base para o desenvolvimento deste artigo. Que nos mostrou através de questionários, à aprendizagem da criança través da brincadeira e a experiência, que ela vai obter com auxílios de atividades, que irá lhe proporcionar prazer e conhecimento. Facilitando nas aprendizagens numéricas e as preparando-a nas questões, desafios e barreiras que poderá vir a enfrentar no seu ambiente familiar e social. E assim construir conhecimento junto ao professor, pois o aluno não "constitui uma cópia da realidade", e sim ele a descobre por meio de exercícios, explicações para que possa interagir com o meio e construir o conhecimento.
Entendemos que o jogo é um facilitador da aprendizagem, pois mobiliza a dimensão lúdica para a aprendizagem da matemática. Assim o educador vai se envolver com o mundo da criança, com brincadeiras e a fantasias que o educando está envolvido desde pequeno, quando ainda usava o seu corpo como seu principal referencia. E que hoje junto ao professor irá se dispor dessas experiências lúdicas para o ensino da matemática.









REFERÊNCIAS

GRANDO, R. C. O conhecimento matemático e o uso de jogos na sala de aula. Tese de Doutorado. Campinas, SP. Faculdade de Educação, UNICAMP, 2000.

MOURA, M. O. A séria busca no jogo: do lúdico na matemática. In: KISHIMOTO, T. M. (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1996.

______________. A construção do signo numérico em situação de ensino. Tese de Doutorado. São Paulo, SP, Faculdade de Educação, USP, 1992.

BEE, Helen. A criança em desenvolvimento. 9ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto: Lei n° 9.615, de 24 de março de 1998.

LOPES, Vanessa. Linguagem do Corpo e Movimento. Curitiba-PR: Fael, 2006.
ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica. São Paulo: Loyola, 1998.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Pedagogo Universidade do Estado do Pará UEPA Especialização em Psicopedagogia. Linguas que domina: Inglês, Español, Francês e Lingua Brasielira de Sinais LIBRAS.
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