TEORIAS DA EDUCAÇÃO: A QUESTÃO DA MARGINALIZAÇÃO
 
TEORIAS DA EDUCAÇÃO: A QUESTÃO DA MARGINALIZAÇÃO
 



TEORIAS DA EDUCAÇÃO: A QUESTÃO DA MARGINALIZAÇÃO


Vagner Vainer Teixeira Braz
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RESUMO

Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa em História da Educação, realizada com o propósito de demonstrar como surgiu a teoria crítica da educação tendo como base o referencial teórico de Dermeval Saviani. Procurei analisar de que forma se estabeleceu esta teoria, verificando a presença dos vários fatores que causam a marginalização e quais os seus efeitos na sociedade, com base na proposta de "superação", que Saviani discute em sua teoria crítica para a educação.

Palavras-chave: Educação, Teorias, Marginalização, Sociedade, Superação.




Este artigo é resultado de uma pesquisa na disciplina de História da Educação, a partir dos temas discutidos e estudados em sala de aula sobre a educação brasileira em diferentes épocas. Este tema também é estudado pela Didática e concorre na construção da educação. Mostrando como a educação interage com a sociedade em relação ao indivíduo marginalizado. Com isso Saviani propõe uma teoria crítica da educação para romper com o efeito que a marginalização tem sobre os indivíduos, que é devidamente destacada nas outras críticas.
Assim sendo, os rumos da análise aqui anunciada teve sua origem em meus interesses pelo tema e está pautado na teoria da educação, segundo a perspectiva de Saviani.
As teorias da educação por muito e muito tempo vem evidenciando que a sociedade tem o seu papel (a ser cumprido), na formação da educação escolar. No viés estudado por Saviani, a educação tem como elemento (objeto), o homem, com relação à chamada educação permanente. Para o autor citado:


A educação não acaba com a idade adulta, como acredita a concepção tradicional de educação. O homem é sempre educável e essa educabilidade inacabada do homem se cumpre das mais diferentes formas. (SAVIANI, 1993, p.235)


Então, a partir dessa perspectiva, podemos afirmar que o homem pode ser educado não só na fase da infância ou adolescência, mas por todo seu processo de vida, que por sua vez é gerado e criticado na sociedade por inúmeros fatores, sendo um deles a marginalização, ou seja, essa marginalização não ocorre na sociedade num modo todo, mas por uma parcela da população em relação aos indivíduos que passaram por um processo de não ter acesso à educação/escola.
Essa marginalização é mostrada no texto de Saviani, tanto nas teorias não-críticas quanto nas crítico-reprodutivistas. A primeira demonstra o funcionamento e a organização da escola como um todo, pautados em uma ?proposta pedagógica?. Em relação à segunda, não teve nenhuma elaboração, ou seja, não teve ou conteve uma ?proposta pedagógica?, por isso ela explana apenas o funcionamento mecanizado, tal como a instituição é estabelecida, ou seja, Saviani afirma que a escola é vista pelo seu ?caráter reprodutivista?, e que isso não poderia ser diferente.
Por sua vez Damis (In: Veiga, 1996), afirma que a escola é direito de todos e foi estabelecida socialmente de forma a organizar o modo de transmitir o saber. Para a autora:


A escola como direito de todos foi instituída socialmente a partir da necessidade de se organizar uma forma de transmitir o saber que a humanidade sistematizou ao longo de sua existência. Esta necessidade somente ocorreu aproximadamente há dois séculos, uma vez que na sociedade antiga e medieval, por exemplo, a escola como instituição pública de responsabilidade do Estado praticamente não existiu. (DAMIS In: Veiga, 1996, p. 14)


Damis (In: Veiga, 1996), demonstra o mesmo sentido que Saviani destacou em sua proposta, em relação ao valor de superação em relação à marginalidade e a educação (escola), demonstrando o fato que a escola tem o papel de transmitir o saber. Também podemos afirma que a educação é direito de todos, mas ao longo de sua existência nem todos esses indivíduos que compõem a sociedade tiveram o direito à educação e é nesse momento que entra o fator da marginalização, discutido ativamente por Saviani em sua teoria.
Procurarei demonstrar a forma como a marginalização é estabelecida nas duas correntes, tomando como base a relação entre sociedade e educação. Saviani classifica as teorias em duas categorias: as não-críticas e as crítico-reprodutivistas. As não-críticas são a Pedagogia Tradicional, a Pedagogia Nova e a Pedagogia Tecnicista e as teorias crítico-reprodutivistas são a Teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica, a Teoria da escola enquanto aparelho ideológico do Estado e a Teoria da escola dualista.
A Pedagogia Tradicional destaca que só ocorre a marginalidade por causa da ignorância, ou seja, é marginalizado o indivíduo porque não é esclarecido. Na Pedagogia Nova, o marginalizado não é mais o indivíduo ignorante, mas o rejeitado, ou seja, são os desajustados devido às diferenças e usam a educação/escola como objeto que permite corrigir a marginalidade. Esta é uma forma de ajustar e adaptar o indivíduo na sociedade, colocando o sentimento de rejeição dos demais pelos outro. E, na Pedagogia Tecnicista, o marginalizado é o indivíduo inábil, ou seja, o improdutivo.
Fica claro, então, que as teorias não-críticas entendem a educação/escola como objeto de ?equalização social?, ou seja, contrabalança os defeitos na educação, tornando-se objeto na superação da marginalidade. Também a marginalização é demonstrada como um acontecimento ocasional que abrange uma proporção maior ou menor de pessoas na sociedade, ou seja, ataca um grupo de pessoas menor ou maior da grande sociedade.
Por sua vez, as teorias crítico-reprodutivistas demonstram o indivíduo marginalizado de diferentes formas. A teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica destaca que os indivíduos marginalizados são os grupos dominados tanto no viés social quanto cultural por não possuir eficácia material e recursos simbólicos, ou seja, por não possuir poder (dinheiro). Na teoria da escola enquanto aparelho ideológico do Estado, os grupos marginalizados são formados pela camada trabalhadora, ou seja, é porque a educação/escola se organiza num aparelho mais debilitado de imitação das inclusões de produção do mundo capitalista, ou seja, os trabalhadores são incluídos da formação educacionais [confuso]. A Teoria da escola dualista, por sua vez, coloca os sujeitos da camada trabalhadora como elementos marginais, não apenas por mencionar a cultura rica, mas também em relação à analogia ao próprio movimento trabalhador, buscando arrebatar do centro desse movimento todos aqueles que entram no aparelhamento de educação.
Podemos então concluir que as teorias crítico-reprodutivistas mostram a educação/escola, como aparelho de discriminação social, como espaço de marginalização. Por isso, a sociedade é assinalada pela divisão entre classes opostas, que se pautam à base da força ou poder e isso é demonstrado nas condições de produção da existência material (que seria o mundo capitalista).

Finalmente a hipótese de Saviani aponta para uma teoria crítica da educação através da demonstração de uma proposta de superação da marginalidade, como foi comentado no desenvolver deste artigo sobre as outras teorias, que por sua vez é retomada a peleja contra a seletividade. A discriminação contra a educação das classes populares (as menos ricas), buscando superar essa batalha juntamente com a escola/educação para ajudar ou garantir aos indivíduos marginalizados um ensino de alta qualidade, conforme ao seu tempo.
Por tudo o que foi exposto neste estudo, fica claro que a teoria de Saviani é estabelecida nas relações entre educação/escola/indivíduo/sociedade e dentro deste conjunto há um fator que diz respeito tanto à educação quanto à sociedade: a marginalização. Conclui, então, que a educação é a essência da sociedade, num processo que depende do ensino e compreensão de todos, que com isso poderíamos transmitir o seu verdadeiro saber e sentido.





Referências bibliográficas:

DAMIS, Olga Teixeira. Didática: Sua relação, seus pressupostos (In: repensando a Didática / Ilma Passos de Alencastro Veiga (coord.)) ? 11ª ed. ? Campinas-SP: Papirus, 1996.

SAVIANI, Dermeval. Educação: Do Senso Comum à Consciência Filosófica / Dermeval Saviani. UNICAMP / São Paulo: Autores Associados, 1993.

SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. 1ª Edição. São Paulo. Cortez. 1983.


 
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