TEATRO E EDUCAÇAO BÁSICA: UM OLHAR A PARTIR DO PROGRAMA MAIS TEMPO NA ESCOLA.
 
TEATRO E EDUCAÇAO BÁSICA: UM OLHAR A PARTIR DO PROGRAMA MAIS TEMPO NA ESCOLA.
 


SILVEIRA, Ivanete Gomes; FAGOSO, Erlândia de Fátima Leite; AMIGO, Leonídia Maria Batista. (Iúna,ES: FAPS, 2008)

RESUMO
Esse estudo monográfico tem como foto o teatro na educação básica. Tem por fim verificar a viabilidade dessa arte como recurso no Programa Mais Tempo na Escola (PMTE) a partir de uma análise de suas contrições positivas para o aluno. A arte inserida na educação destaca-se como ferramenta importante no processo de construção do conhecimento. O estudo desenvolveu-se a partir de dois questionamentos: o que o PMTE representa para o aluno no contexto da melhoria do ensino na escola pública? Que influência a arte teatral pode exercer sobre o comportamento e desempenho escolar do aluno? O texto organiza-se em quatro momentos: como a arte teatral pode se inserir no processo de ensino e sua relação com o desempenho do aluno; a consonância do Projeto Teatro desenvolvido pela Escola Monsenhor Miguel de Sanctis com os objetivos do PMTE, na visão da Escola; o projeto "o Teatro como Fonte de Formação e Informação / PMTE" e seu reflexo na vida escolar dos alunos participantes; e a visão do aluno sobre a relação entre o PMTE e a melhoria do ensino da escola pública. É um estudo de nível exploratório, descritivo, elaborado por meio de pesquisa bibliográfica e estudo de caso, além de verificação documental
Palavras-chave: Teatro. Educação. Programa mais tempo na escola.


1 INTRODUÇÃO


Esse estudo monográfico tem como foco o teatro na educação básica. Tem por fim verificar a viabilidade dessa arte como recurso no Programa Mais Tempo na Escola (PMTE) a partir de uma análise das suas contribuições positivas e negativas para o aluno.
A arte inserida na educação destaca-se como ferramenta importante no processo de construção do conhecimento. As relações e inter-relações entre jogos dramáticos, jogos teatrais, aprendizado e desenvolvimento propõe uma liberdade de expressão e tal fato iguala todos os seres, independente de classe social, cor, raça, dogma religioso e potencialidades físicas e psíquicas.
Sabe-se, que a arte faz parte do contexto global e está inserida numa sociedade que nasce e renasce a cada instante refletindo os anseios e desejos que almeja alcançar, criando e recriando baseando ou não em modelos artísticos.
Nesse contexto que exige constante aprimoramento, esse estudo não guarda a pretensão de esgotar o tema, mas espera oferecer uma contribuição ao processo de avaliação do Programa Mais Tempo na Escola a partir da visão do aluno.
O estudo centrou-se em dois questionamentos: Que influência a arte teatral pode exercer sobre o comportamento do aluno? e o que o PMTE representa para o aluno no contexto da melhoria do ensino na escola pública?
Para dar conta da problemática proposta, concentramos em três objetivos específicos: perceber como a arte teatral pode se inserir no processo de ensino e sua relação com o desempenho do aluno; verificar a consonância do Projeto Teatro desenvolvido pela Escola Monsenhor Miguel de Sanctis com os objetivos do PMTE, na visão da Escola e do aluno; verificar como o projeto "O Teatro como Fonte de Formação e Informação/PMTE" está se refletindo na vida escolar dos alunos participantes e perceber qual a visão do aluno sobre a relação entre o PMTE e a melhoria do ensino na escola púbica.
Utilizamos a técnica de estudo bibliográfico para, inicialmente, verificar as expectativas da sociedade do futuro com relação a educação escolar, inserindo nesse contexto o perfil do professor para essa escola e a contribuição da arte teatral no constructo dessa educação.
Para verificar o pensamento do aluno com relação ao Programa Mais Tempo na Escola e identificar seus reflexos através do teatro no desempenho do estudante envolvido, buscamos uma leitura a partir da prática. Um estudo de caso foi efetuado tomando como referência o Programa Mais Tempo na Escola, desenvolvido pela Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio "Monsenhor Miguel de Sanctis", da cidade de Guaçui - ES.
O Programa Mais tempo na Escola é uma ação do Governo do Espírito Santo que visa à melhoria da aprendizagem do educando ampliando a permanência do mesmo na escola, criando novas oportunidades de aprendizagem, contribuindo para a melhoria do desempenho escolar e ampliação do universo de experiências sociocultural, esportivas e de iniciação cientifica, tendo como objetivo possibilitar, ao aluno conhecimentos e vivências contextualizadas, oportunizar o acesso as experiências de aprendizagem, por meio da cultura e da arte.
Numa visão hipotética, podemos antecipar que a sociedade do futuro exige uma escola que invista na formação do ser humano, não podendo, nesse caminho, excluir a estética da sensibilidade. O teatro como instrumento pedagógico no PMTE cumpre esse papel desenvolvendo características fundamentais à formação do indivíduo para a cidadania e refletindo positivamente no desempenho escolar. Por agregar valor ao currículo da educação básica e tornar a vida escolar mais dinâmica, os alunos tem interesse na sua abrangência a toda a escola, ampliando o tempo escolar para todos os discentes.



2 REFERENCIAL TEÓRICO


A ESCOLA, O PROFESSOR E A ARTE NO CAMINHO DA SOCIEDADE DO FUTURO

A saga humana é, em grande parte e talvez substancialmente, a saga do conhecimento e da aprendizagem. A quarenta mil anos ainda vivíamos em cavernas. Hoje, vivemos em cidades sofisticadas... podemos ter uma idéia do salto que demos em espaço tão limitado de tempo.
Falamos hoje de sociedade "intensiva" de conhecimento, que fundamentalmente organiza-se por parâmetros de conhecimento (saúde, alimentação, moradia, locomoção, transporte, educação, urbanização, trabalho). Há uma demanda de aprendizagem nesse tipo de sociedade.
Em 1999, a UNESCO solicitou ao filósofo Edgar Morin - nascido na França, em 1921 e um dos maiores expoentes da cultura francesa no século XX - a sistematização de um conjunto de reflexões que servissem como ponto de partida para se repensar a educação do século XXI.
Morin enuncia os sete saberes indispensáveis à educação do século XXI: as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão; os princípios do conhecimento pertinente; ensinar a condição humana; ensinar a identidade terrena; enfrentar as incertezas; ensinar a compreensão; a ética do gênero humano (Morim, 2001).
São eixos e, ao mesmo tempo, caminhos que se abrem a todos os que pensam e fazem educação e que estão preocupados com o futuro das crianças e adolescentes.
Para a escola dessa sociedade futura, espera-se um novo professor, que tenha um novo papel, que vai além de apenas transmitir conhecimentos. Ele orientará e motivará os alunos. Os alunos acompanharão lições por meio de recursos audiovisuais, em vez do tradicional quadro-negro. Nessa escola, os livros didáticos perderão importância, mas não desaparecerão. Servirão como uma referência para consulta. Os professores, com a participação dos próprios alunos, avaliarão muito mais processos do que resultados.
Para fazermos frente a essa nova sociedade precisamos trabalhar para a transformação da sociedade que atualmente temos, sociedade esta em que há privilégios para uns e compromisso para outros de forma desigual (FREIRE, 1982).
Se quisermos uma sociedade em que nem homem nem mulheres explorem a força de trabalho dos outros, em que todos trabalhem para o bem comum, a "escola como lócus de formação do cidadão deveria ser um espaço/tempo privilegiado de produção/socialização do conhecimento" (MAGALHÃES, 2004).
Conforme Demo (2004) adverte, a escola deve proporcionar um local de pesquisa onde o professor pode encontrar material de estudo e leitura e em situações mais avançadas, um laboratório de aprendizagem em que cada um separadamente possa encontrar apoio e inspiração para cuidar melhor da aprendizagem dos seus alunos e inovar com sabedoria.
Perrenoud (1997) destaca que a escola não pode permanecer na forma que se apresenta hoje. É preciso repensar a formação do professor, sempre imaginando um processo de formação ampla e continuada. Porém, esta não deve ser baseada em pequenos treinamentos ou períodos de reciclagem, mas efetivamente continua, sem prejudicar o trabalho com os alunos e gerando resultados positivos e diretos na prática dos professores.
É necessária a adoção de uma postura mais "realista e inovadora", onde os profissionais sejam capazes de garantir um conhecimento mais crítico, uma visão mais ampla dos códigos e elementos culturais, bem como a melhoria da percepção do espaço visual e corporal dos sujeitos e um domínio amplo de metodologias mais apropriadas para lidar com a diversidade, bem como uma capacidade de maior diferenciação das intervenções e de gestão.
Em geral, hoje alguém que dá aula, transmite conhecimento, instrui e ensina. Ser profissional hoje é em primeiro lugar saber renovar, reconstruir, refazer a profissão. É essencial saber reconstituir conhecimento com mão própria. A definição de professor inclina-se para o desafio de cuidar da aprendizagem, não de dar aula e sim de cuidar da mesma na sociedade, sendo o professor eterno aprendiz, que faz da aprendizagem sua profissão (ASSMANN, 1998).
Cuidar da aprendizagem significa dedicação envolvente e contagiante, compromisso ético e técnico, habilidade sensível e sempre renovada de suporte do aluno, incluindo-se ai a rota construção da autonomia do ser humano.
Todo professor precisa cada semestre, continuar estudando para manter-se atualizado profissionalmente. E esta formação, segundo Parrenoud (2001), deve ser organizada a partir da participação em grupos de debates e sessões de leitura, construída com base em "paradigmas elucidativos".
Estes paradigmas seriam estabelecidos a partir das teorias de comunicação: de referências psicanalíticas e orientação psicossociológica (dinâmicas de grupos, liderança, rede de comunicação, atitudes); noções profundas de antropologia social e cultural; formação sobre os objetivos pedagógicos, avaliativos; elementos de sociologia da educação; e por fim uma reflexão epistemológica e didática sobre as aprendizagens e o ensino em comunicação.
Isso nos leva em direção ao modelo de professor profissional ou reflexivo, capaz de analisar as suas próprias práticas e resolver problemas, de inventar estratégia (ALTET in PERRENOUD, 2001).
No processo de ensino a ação educativa não deve ser colocada como algo apenas da esfera da escola, pois permeia todos os níveis de nossas vidas e da sociedade. Ao olharmos para o papel do professor em sala de aula, devemos ter em mente não mais a idéia de formação de sujeitos aptos a atenderem as exigências do mercado como mão de obra especializada.
Significa perceber o processo de ensino como um processo de construção através da ação reflexiva de um sujeito completo, um homem consciente de seu papel social, mais tolerante e respeitador das diferenças, que sabe coexistir e que trás em si a consciência transitiva da superação da mudança e do agir (FREIRE, 1982).
O mundo de hoje exige um perfil de professor que rompa com os arquétipos do passado. A nossa modernidade impõe novas competências aos docentes, nas quais eles já não são exclusivos titulares do conhecimento, mas são, também, e necessariamente, permanentes aprendizes.
O professor do futuro deve estar definitivamente empenhado em reconstruir o conhecimento em busca da garantia da liberdade de aprender como principio de ensino. Esse professor tem como missão a defesa do direito de aprender, que, Demo (2004) define como "direito à vida" ou desafio da construção da autonomia do ser humano.
Ao discutir a importância da educação na sociedade do conhecimento, Demo (2004), coloca o professor como figura estratégica, entendendo-o como elemento central na constituição e funcionamento desta sociedade, ocupando lugar decisivo e formativo. Pra ele, é essencial saber " reconstruir conhecimento com mão própria.
Nessa sociedade, a educação se faz pelo processo do aprender a aprender, papel fundamental da escola, com espírito de liberalidade, com espírito de liberdade de perceber, conhecer e aprender a ver o mundo com os olhos de um ser livre. Nesse sentido a arte se apresenta como caminho profícuo para o desvelamento do espírito investigativo, mental, introspectivo e emocional, elementos que dão sustentação a aprendizagem.
A arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas.
Elliot Eisner (apude DIAZ, 2008), diz que "a arte nos faz empregar nossas mais sutis formas de percepção e contribui para o desenvolvimento de algumas de nossas mais complexas habilidades cognitivas".
Saber desvelar o que na arte está contido, experimentando o ato de ler, decodificar a gramática visual, corporal e sonora, transpô-la para o mundo real e imagético é acima de tudo compreender os signos do mundo presente. A escola do futuro que construímos no presente evidencia a necessidade de um ensino em consonância com os princípios estéticos da sensibilidade, da criatividade e da diversidade de manifestações artísticas e culturais.
A produção de arte ajuda a criança a pensar inteligentemente sobre a criação de imagens visuais, desenvolvendo sua expressão, coerência, discernimento e inventividade. A crítica de arte desenvolve sua habilidade para ver, ao invés de simplesmente olhar, as qualidades que constituem o mundo visual. A história da arte ajuda as crianças a entender alguma coisa do tempo e lugar, pelos quais todos os trabalhos artísticos se situam: nenhuma forma de arte existe em um vácuo descontextualizado.
No processo de desenvolvimento integral da criança para a sociedade do futuro, o teatro é profícua ferramenta a serviço do professor, por ter como fundamento a experiência de vida: idéias, conhecimentos e sentimento. A sua ação é a ordenação desses conteúdos individuais e grupais.









3 A ARTE TEATRAL NA ESCOLA E SUA INFLUÊNCIA NO DESEMPENHO DO ALUNO


Desde o início da história da humanidade a arte sempre esteve presente em praticamente todas as formações culturais. O homem que desenhou um bisão numa caverna pré-histórica teve que aprender, de algum modo, seu ofício. E, da mesma maneira, ensinou para alguém o que aprendeu. Assim, o ensino e a aprendizagem da arte fazem parte, de acordo com normas e valores estabelecidos em cada ambiente cultural, do conhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos. No entanto, a área que trata das artes inserida na educação escolar tem um percurso relativamente recente e coincide com as transformações educacionais que caracterizaram o século XX em várias partes do mundo (PCN: Arte, 1998).

O homem começou a se expressar através da arte, esboçando suas idéias e crenças, mostrando-se superior em inteligência em relação aos outros seres vivos. Extraiam tinta da própria natureza e desenhavam com carvão nas paredes das cavernas (OLIVEIRA; GARCEZ, 2004, p. 115).

Com a identificação da manifestação artística como uma das distinções do conhecimento humano dos demais seres, a arte passou a ser proposta como instrumento fundamental de educação, ocupando historicamente papéis diversos, desde Platão, que a considerava como base de toda a educação natural.
As pesquisas desenvolvidas a partir do início do século em vários campos das ciências humanas trouxeram dados importantes sobre o desenvolvimento da criança, sobre o processo criador, sobre a arte de outras culturas. Na confluência da antropologia, da filosofia, da psicologia, da psicanálise, da crítica de arte, da psicopedagogia e das tendências estéticas da modernidade surgiram autores que formularam os princípios inovadores para o ensino de artes plásticas, música, teatro e dança. Tais princípios reconheciam a arte da criança como manifestação espontânea e auto-expressiva: valorizavam a livre expressão e a sensibilização para a experimentação artística como orientações que visavam o desenvolvimento do potencial criador e cognitivo (PCN: Arte).
O conteúdo pragmático, exigido pelas regulamentações da educação formal, tornaram-se rígidos demasiadamente para a nova visão educacional. Assim, a arte passou a ser realidade no meio educacional a partir do momento que estudiosos concluíram que esses conhecimentos pragmáticos, na educação infantil, devem ser transmitidos de maneira prazerosa e simples, brincando, conversando (roda da conversa), cantando, desenhando, ouvindo histórias (contadas e também em forma de teatro e com fantoches), sem a pressão do ensino fundamental.
Embora os objetivos da educação formal contemporânea estejam direcionados para a formação multilateral, holística, total do ser humano, Saviani (1997), adverte que

[...] o ensino das artes na educação escolar brasileira segue concebido por muitos professores, funcionários de escolas, pais de alunos e estudantes como supérfluo, caracterizado como lazer, recreação ou luxo ? apenas permitido a crianças e adolescentes das classes economicamente mais favorecidas (SAVIANI,1997).

No entanto, segundo Vygotsky (1993), é perfeitamente admissível a opinião de que as Artes representam um adorno à vida, mas isso contradiz radicalmente as leis que sobre elas descobre a investigação psicológica. Esta mostra que as Artes representam o centro de todos os processos biológicos e sociais do indivíduo na sociedade e que se constituem no meio para se estabelecer o equilíbrio entre o ser humano e o mundo nos momentos mais críticos e importantes da vida. Isso supõe uma refutação radical do enfoque das Artes como adorno.
É importante salientar que tais orientações trouxeram uma contribuição inegável no sentido da valorização da produção criadora da criança, o que não ocorria na escola tradicional.
A arte inserida na construção do conhecimento de crianças nas séries fundamentais de ensino destaca-se como ferramenta importante no processo de construção do conhecimento e na inclusão de crianças com necessidades especiais de ensino. As relações e inter-relações entre jogo dramático, jogos teatrais, aprendizado e desenvolvimento propõem uma liberdade de expressão. Tal fato iguala todos os seres, independente de classe social, cor, raça, dogma religioso e potencialidades físicas e psíquicas, trabalha como ferramenta de inclusão, já que a arte se destaca ao proporcionar às crianças portadoras de necessidades especiais (PNEEs), a oportunidade de explorar sentimentos, movimentos e habilidades individuais.
As propostas educacionais devem compreender a atividade teatral como uma combinação de atividade para o desenvolvimento global do indivíduo, um processo de socialização consciente e crítico, um exercício de convivência democrática, onde crianças tidas como normais convivem ativamente com crianças PNEE e desenvolvem "juntas" uma atividade artística com preocupações de organização estética e uma experiência que faz parte das culturas humanas.
A organização de grupos para a realização de uma tarefa é um exercício desafiador para integrar os componentes. Cabe ao professor proceder de maneira a incentivar essas relações tendo as diferenças individuais trabalhadas de forma harmônica e agregadora, o que destaca o teatro como ferramenta de inclusão no ambiente escolar. A necessidade de colaboração torna-se consciente para a criança, assim como a adequação de falar, ouvir, ver, observar e atuar. Liberdade e solidariedade são praticadas, em harmonia com as diferenças e peculiaridades de cada um.
A inclusão é facilitada em atividades lúdicas, onde os sentimentos são trabalhados em prol da extinção dos preconceitos humanos e sociais.
A escola não pode pensar que o futuro depende do acaso ou da providência divina. Sua tarefa é viabilizar um ensino que prepare seus alunos para que possam desenvolver todas as suas potencialidades.
A utilização do teatro como ferramenta pedagógica pode ser vista como forma de expressão, criação, análise e reflexão, contribuindo para uma nova forma de educação.
Em sua prática pedagógica, o professor deve organizar as aulas numa seqüência, oferecendo estímulos por meio de jogos preparatórios, com o intuito de desenvolver habilidades necessárias para o teatro, como atenção, observação, concentração e preparar temas que instiguem a criação do aluno em vista de um progresso na aquisição e domínio da linguagem teatral. É importante que o professor esteja consciente do teatro como um elemento fundamental na aprendizagem e desenvolvimento da criança e não como transmissão de uma técnica.

"O que importa deixar bem explícito é que qualquer aprendiz precisa ser estimulado, incentivado, encorajado; afinal, aprender é aproximar-se do novo, do desconhecido, e é muito importante nesse caminho ter alguém em quem confiar, alguém que nos diga: "vai; vá"; alguém que nos diga: "vem"; ou alguém que seja capaz de dizer: "vamos" (...)." (TRINDADE, 2001, p.13).

Levar para o aluno textos dramáticos e fatos da evolução do teatro são importantes para que ele adquira uma visão histórica e contextualizada em que possa referenciar o seu próprio fazer. É preciso estar consciente da qualidade estética e cultural da sua ação no teatro. Os textos devem ser lidos ou recontados para os alunos como estímulo na criação de situações e palavras.
No ensino fundamental o aluno deve desenvolver um maior domínio do corpo, tornando-o expressivo, um melhor desempenho na verbalização, uma melhor capacidade para responder às situações emergentes e uma maior capacidade de organização e domínio de tempo.


3.1 ARTE E EDUCAÇÃO

A arte é um bem mundial considerado patrimônio cultural da humanidade, pois, através da comunicação e expressão plástica, musical, dramática e literária, o homem deixou a sua história registrada através dos tempos. A arte também é uma linguagem e, como tal, tem uma simbologia própria. Esta linguagem simbólica comunica significados a respeito do mundo. São representações materiais, intelectuais e emocionais que caracterizam uma sociedade ou um grupo social. Ao decodificar e entender esta linguagem pode-se compreender o modo de vida, o sistema de valores, as tradições e crenças de um povo.
O ser humano se expressa através da fala, dos gestos e da escrita. Por estes mecanismos ele diz o que quer, o que gosta, o que não gosta e o que sente.
A criança fala antes de desenhar, pois a fala é a primeira coisa que lhe é dado a conhecer. Quanto mais cedo lhe forem oferecidos os materiais e símbolos da linguagem artística, mais cedo, certamente, ela dominará esta linguagem. Cabe à escola, desde a Educação Infantil, oferecer mecanismos que agucem a percepção, a imaginação e a criatividade, como também, criar um ambiente acolhedor e rico em materiais que envolvam as técnicas de desenho, pintura, modelagem e dramatização, propiciando experiências com as cores e formas para iniciação da leitura de imagens visuais, fortalecendo, assim, uma educação artística.
O ensino das artes plásticas na escola passou por vários movimentos e destes surgiram enfoques distintos; entre eles pode-se destacar a arte como passatempo, ornamento, reforço a outras disciplinas e livre expressão até chegar nos anos 80, do século passado, quando aconteceu um grande movimento nacional em favor da valorização artística na escola brasileira. Deste movimento surgiu a mudança de rumo do ensino da arte.
A legislação e os aportes teóricos, atualmente, defendem a arte na escola com a mesma seriedade que qualquer outra disciplina curricular, seguindo, portanto, os mesmos processos e teorias de aprendizagem. Entretanto, torna-se necessário uma intervenção do professor como mediador do processo educativo, e sua dinâmica precisa ter intencionalidade e sistematização.
Trabalhar com artes na escola não significa apenas desenvolver atividades que liberam as emoções, mas também enfocar a arte como construção do conhecimento, propiciando à criança os meios para a realização de experiências no fazer artístico, na apreciação da obra de arte e na reflexão sobre seu produto. Isto significa que a criança deve ter a oportunidade de ler e produzir imagens. Este enfoque muda completamente a prática da arte na educação e enfatiza que a criança, desde muito cedo, já é capaz, embora de forma rudimentar, de se expressar, apreciar e refletir sobre arte (SANTOS, 2006, p. 08).
É necessário "alfabetizar" as pessoas em arte, isto é, fazer com que elas possam decodificar as diferentes linguagens, criando oportunidade à compreensão do sentido e dos significados que permeiam o mundo simbólico das imagens visuais. No entanto, a área que trata da relação entre arte e educação escolar tem um percurso relativamente recente e coincide com as transformações educacionais que caracterizaram o século XX em várias partes do mundo.
O impacto do modelo histórico-cultural do desenvolvimento sobre as práticas pedagógicas formais e não-formais no Brasil se fez sentir com especial vigor a partir dos anos oitenta com o incremento da divulgação do pensamento vigotskiano no meio educacional brasileiro. Conseqüentemente, os estudos sobre a dimensão pedagógica do Teatro não poderiam ficar indiferentes nem fugirem à discussão desse novo paradigma do funcionamento mental humano. Conhecer a abordagem histórico-cultural do desenvolvimento e incorporá-la ao exame de questões que dizem respeito ao ensino do Teatro deve contribuir para o esclarecimento das inter-relações entre Teatro e Educação, surgindo assim os conceitos de jogos teatrais como parte pedagógica na construção do conhecimento (SPOLIN, 1992).
A sistematização de uma proposta para o ensino da arte, em especial do Teatro, em contextos formais e não-formais de educação, através de jogos teatrais, foi elaborada pioneiramente por Viola Spolin ao longo de quase três décadas de pesquisas junto a crianças, pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos e idosos nos Estados Unidos da América.
Viola Spolin foi autora e diretora de teatro e é considerada por muitos como a avó norte-americana do teatro improvisacional. Ela influenciou a primeira geração de artistas da improvisação, na preparação do Second City, importante grupo teatral de Chicago. O sistema de jogos teatrais foi por ela sistematizado. A base de sua proposta pedagógica em procedimentos do teatro improvisacional interagiu com o movimento de renovação cênica do Teatro, repercutindo intensamente no meio educacional brasileiro sobretudo a partir dos anos setenta (KOUDELA, 1992).
Spolin ambicionava libertar a criança e o ator amador de comportamentos de palco mecânicos e rígidos. Seus esforços resultaram no oferecimento de um detalhado programa de oficina de trabalho com a linguagem teatral destinado a escolas, centros comunitários, grupos amadores e companhias teatrais. A partir de seus estudos, princípio da livre expressão enraizou-se e espalhou-se pelas escolas, acompanhado pelo "imprescindível" conceito de criatividade, curioso fenômeno de consenso pedagógico, presença obrigatória em qualquer planejamento.
O objetivo fundamental era o de facilitar o desenvolvimento criador da criança. Assim, a aprendizagem artística passou a ser vista como conseqüência automática do processo de maturação da criança.
Atualmente, professores de todos os cantos do mundo se preocupam em responder perguntas básicas que fundamentam sua atividade pedagógica: "Que tipo de conhecimento caracteriza a arte?", "Qual a função da arte na sociedade?", "Qual a contribuição específica que a arte traz para a educação do ser humano?", "Como as contribuições da arte podem ser significativas e vivas dentro da escola?" e "Como se aprende a criar, experimentar e entender a arte e qual a função do professor nesse processo?".
A partir desse novo foco de atenção, desenvolveram-se muitas pesquisas, dentre as quais se ressaltaram as que investigam o modo de aprender dos artistas. Tais trabalhos trouxeram dados importantes para as propostas pedagógicas, que consideram tanto os conteúdos a serem ensinados quanto os processos de aprendizagem dos alunos.

3.2 O TEATRO NA ESCOLA


O teatro, como arte, foi formalizado pelos gregos, passando dos rituais primitivos das concepções religiosas que eram simbolizadas, para o espaço cênico organizado, como demonstração de cultura e conhecimento. É, por excelência, a arte do homem exigindo a sua presença de forma completa: seu corpo, sua fala, seu gesto, manifestando a necessidade de expressão e comunicação (PCN: Arte).
O teatro tem como fundamento a experiência de vida: idéias, conhecimentos e sentimento. A sua ação é a ordenação desses conteúdos individuais e grupais.
A criança, ao começar a freqüentar a escola, possui a capacidade da teatralidade como um potencial e como uma prática espontânea vivenciada nos jogos de faz-de-conta. Cabe à escola estar atenta ao desenvolvimento no jogo dramatizado oferecendo condições para o exercício consciente e eficaz, para aquisição e ordenação progressiva da linguagem dramática. Deve tornar conscientes as suas possibilidades, sem a perda da espontaneidade lúdica e criativa que é característica da criança ao ingressar na escola (PCN: Arte, p. 84).
O teatro, no processo de formação da criança, cumpre não só função integradora e inclusiva, mas dá oportunidade para que ela se aproprie crítica e construtivamente dos conteúdos sociais e culturais de sua comunidade mediante trocas com os seus grupos. No dinamismo da experimentação, da fluência criativa propiciada pela liberdade e segurança, a criança pode transitar livremente por todas as emergências internas integrando imaginação, percepção, emoção, intuição, memória e raciocínio.
A escola deve viabilizar o acesso do aluno à literatura especializada, aos vídeos, às atividades de teatro de sua comunidade. Saber ver, apreciar, comentar e fazer juízo crítico deve ser igualmente fomentado na experiência escolar.
O teatro no ensino fundamental proporciona experiências que contribuem para o crescimento integrado da criança sob vários aspectos. No plano individual, o desenvolvimento de suas capacidades expressivas e artísticas. No plano do coletivo, o teatro oferece, por ser uma atividade grupal, o exercício das relações de cooperação, diálogo, respeito mútuo, reflexão sobre como agir com os colegas, flexibilidade de aceitação das diferenças e aquisição de sua autonomia como resultado do poder agir e pensar sem coerção. No plano físico e motor, o teatro explora a capacidade individual do aluno, considerando todas as limitações que por ventura tenha, igualando o indivíduo a todo o grupo.
A criança, ao iniciar o ciclo básico, está na idade de vivenciar o companheirismo como um processo de socialização, de estabelecimento de amizades. Compartilhar uma atividade lúdica e criativa baseada na experimentação e na compreensão é um estímulo para a aprendizagem.


3.3 O JOGO TEATRAL NA EDUCAÇÃO


Os jogos teatrais são procedimentos lúdicos com regras explícitas. No jogo dramático entre sujeitos (Faz-de-conta) todos são "fazedores" da situação imaginária, todos são "atores". Nos jogos teatrais o grupo de sujeitos que joga pode se dividir em "times" que se alternam nas funções de "atores" e de "público", isto é, os sujeitos "jogam" para outros que os "observam" e "observam" outros que "jogam" (SLADE, 1978).
Os jogos teatrais são intencionalmente dirigidos para o outro. O processo em que se engajam os sujeitos que "jogam" se desenvolve a partir da ação improvisada e os papéis de cada jogador não são estabelecidos a priori mas emergem a partir das interações que ocorrem durante o jogo.
A finalidade do processo é o desenvolvimento cultural e o crescimento pessoal dos jogadores através do domínio e uso inter-ativo da linguagem teatral, sem nenhuma preocupação com resultados estéticos cênicos pré-concebidos ou artisticamente planejados e ensaiados.
O princípio do jogo teatral é o mesmo da improvisação teatral e do teatro improvisacional, isto é, a comunicação que emerge a partir da criatividade e espontaneidade das interações entre sujeitos mediados pela linguagem teatral, que se encontram engajados na solução cênica de um problema de atuação. A união do jogo e da arte na escola enriquece as atividades e ambos podem fazer parte das aventuras, sonhos, frustrações, medos e angústias, com os quais as crianças têm que conviver para uma base sólida para a sua personalidade em formação.
Aos professores cabe a missão de serem mediadores e intérpretes ativos das culturas, dos valores e do saber em transformação. Considera-se que a escola é a única instituição formal de educação, sendo assim, é o lugar propício para permitir o acesso à informação e ao conhecimento atualizado dos alunos.
No teatro há a variação quantitativa e qualitativa, que juntas formam a própria ação dramática, que envolvem conflitos psicológicos dos personagens e movimentos físicos dos atores, que se concretiza nos exercícios dos jogos teatrais. Relacionamos alguns exemplos de jogos teatrais, utilizados pelos atores do teatro Arena, de São Paulo, citados por Olga Reverbel (1990).

Relacionamento com Mundo Exterior

? Cego com Bomba - Um ator (aluno) com os olhos tapados imagina, que rebentará uma bomba se permanecer mais de um segundo em contato com alguém. Os restantes atores (alunos) rodeiam-no. Quando toca em alguém, o "cego" deve afastar-se o mais rapidamente possível. Este exercício desenvolve extraordinariamente os sentidos.
? Descobrir a Alteração - Duas filas, cada ator (aluno) frente a outro, observando-se; viram-se de costas um para o outro e alteram um determinado detalhe nas suas próprias pessoas; voltam-se a olhar-se e cada um deve descobrir a alteração do outro.
? Contar a sua Própria História - Um ator (aluno) conta qualquer coisa que realmente lhe aconteceu: ao mesmo tempo os seus companheiros ilustram a história que ele vai desenvolvendo. O ator (aluno) que narra não pode interferir, nem fazer correções, durante o exercício. No fim se discutirão as diferenças. O narrador terá a oportunidade de comparar as suas reações com as dos seus companheiros.

Exercícios de Sensibilização

? Nascimento - Os atores (alunos) deitam-se no chão e procuram sentir-se como crianças que nascem. Procuram sentir como a criança pela primeira vez, desordenadamente, articula os pés e as mãos, o movimento da cabeça, do tórax. Procura sentir as articulações interiores do corpo e as sensações do corpo em contato com as coisas exteriores: com o chão (ver os detalhes da superfície do chão, as ranhuras, procurar senti-las), a dureza de um ferro, a brandura de um tecido, os cabelos do companheiro, a aridez do tecido da própria roupa, etc.
? Ritual Mudo - Os atores (alunos) realizam rituais bem conhecidos porém só em mímica, procurando analisá-los exagerando ou não: casamento, enterro, concerto para piano e orquestra, assembléias, etc.

Exercícios de Aquecimento Físico

? Marionete - Exatamente ao mesmo tempo, com a diferença de que o líder esculpe simultaneamente dois, três ou mais companheiros, fazendo uma série de esculturas, ou uma escultura complexa.
? Roda de animais - Os atores (alunos) andam em círculo e lentamente começam a transformar-se em animais, segundo uma seqüência preestabelecida: macaco, cegonha, canguru, girafa, cobra, gato, leão, tigre, etc. a transformação começa pelas pernas, depois o tronco, as mãos, a cabeça, a cara e a voz.









4 O PMTE E O PROJETO TEATRO DA ESCOLA MONSENHOR MIGUEL DE SANCTIS


4.1 O PROGRAMA MAIS TEMPO NA ESCOLA

O Programa "Mais Tempo na Escola" (PMTE) implementado pelo governo do estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Estado da Educação, é um dos projetos estruturantes com prioridade de ação 2007 ? 2010, alinhado às diretrizes do Plano de Desenvolvimento do ES 2025.
O PMTE procura ampliar o período de permanência do aluno na unidade escolar, tornando possíveis novas oportunidades de aprendizagem, visando à ampliação do desempenho escolar e à ampliação do universo de experiências artísticas, culturais e esportivas, contribuindo para a redução dos índices de evasão, de repetência e de distorção idade/série (PMTE, 2007).
Tem na Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional ? 9394/96, artigo 34, sua sustentação legal: "A jornada escolar incluirá o mínimo de quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola".
O PMTE é viabilizado através de projetos com diferentes desenhos que vão da ampliação da carga horária do aluno na escola de 5 até 15 horas semanais.
Na modalidade 25 horas semanais, amplia a permanência do aluno na escola por mais uma hora diária, no mesmo turno ou em turno diferente, viabilizado por meio do enriquecimento curricular fortalecendo atividades especialmente na leitura, escrita e interpretação, bem como raciocínio lógico e cálculo;
A modalidade de 30 horas semanais oferece ao aluno a permanência na escola por mais 10 horas semanais, também com ênfase no desenvolvimento da leitura e do raciocínio lógico.
A modalidade de 40 horas semanais, complementar à modalidade de 25 horas, amplia a permanência do aluno na escola por mais 15 horas semanais, ou seja, aluno em tempo integral e se dá pelo desenvolvimento do Programa de Enriquecimento Curricular ? PEC, composto por núcleos de atividades com projetos integradores e escolares.
O desenho pedagógico do PEC prevê o currículo como o conjunto de conhecimentos sistematizados na forma de disciplinas ou áreas de estudos. As atividades do currículo oficial ou do núcleo comum são desenvolvidas no turno regular de estudos. Com o Programa "mais Tempo na Escola" na modalidade de 25 horas, estas atividades deverão ser aprofundadas, dinamizadas e ressignificadas, ampliando as oportunidades de aprendizagem dos alunos.
O modelo PEC de jornadas de 30 e 40 horas, organiza-se em núcleos estruturados, que vêm ao encontro dos objetivos que incrementam a proposta de desenvolvimento integral do educando.
Nesta proposta, as atividades de leitura, escrita, raciocínio lógico e pesquisa conjugam-se às atividades artísticas, culturais e esportivas como ferramentas curriculares complementares.
Os conhecimentos trabalhados nos núcleos são compostos por saberes disciplinares que mais facilmente se comunicam ou têm afinidades, criando condições para que se desenvolva, internamente, uma aproximação de saberes, proporcionando uma inter-relação entre a teoria e a prática.
A divisão interna dos núcleos em Projetos Didáticos possibilita enfocar temas como: língua e literatura, cultura, valorização étnica/racial, ética e cidadania, desenvolvimento pessoal e social, esportes, artes, iniciação à pesquisa, saúde e sexualidade, educação ambiental, dentre outros.
Dentro do Projeto Integrador, comum a todas as escolas, são desenvolvidos projetos didáticos que visam fortalecer os conhecimentos do currículo oficial como, por exemplo, de Língua Portuguesa, de Matemática e de Ciências, principalmente, com o objetivo de ampliar as competências leitora e escritora e o desenvolvimento do raciocínio lógico/científico. Dentro do mesmo projeto, a escola pode desenvolver outras formas de estímulo à leitura e às linguagens, tais como: artes visuais ? escultura, pintura, vídeo, fotografia, cinema, e ainda outras linguagens artísticas ? música, teatro, dança pintura, desenho, cinema, etc.
O PMTE alicerça-se em cinco princípios: ênfase nas pessoas; ênfase na aprendizagem; a escola como organização aprendente; formação da subjetividade; e ênfase na diversidade, no respeito mútuo e na ética.
Com esse Programa, a Secretaria de Estado da Educação (SEDU) espera que gradativamente as escolas se comprometam com o bom desempenho escolar dos estudantes.
Organizar uma escola com carga horária ampliada não pode ser apenas reproduzir, por mais tempo os procedimentos pedagógicos tradicionalmente praticados, pois, neste caso, a permanência na escola não se traduziria em novas possibilidades de desenvolvimento para os alunos (PMTE, 2007).

O PMTE tem como objetivo ampliar o tempo de permanência do aluno na escola, criando novas oportunidades de aprendizagem, contribuindo para a melhoria do desempenho escolar e ampliação do universo de experiências socioculturais, esportivas e de iniciação cientifica.
Especificamente, o Programa espera:
? possibilitar, ao aluno, conhecimentos e vivencias contextualizadas que ampliem sua aprendizagem, em especial, em português e matemática;
? oportunizar o acesso a experiências de aprendizagem, por meio da cultura, da arte e do esporte;
? construir uma nova identidade da escola, incrementando os tempos e espaços escolares, as dimensões curriculares, a metodologia e a prática pedagógica;
? contribuir para a redução do índice de evasão e repetência dos alunos da educação básica da rede pública estadual; e
? contribuir para minimizar o risco de vulnerabilidade social (PMTE, 2007).
.
O PMTE tem como metas:
? ampliar progressivamente, a jornada escolar, visando expandir a escola de tempo integral, que abranja um período de pelo menos sete horas diárias, com previsão de professores e funcionários em numero suficiente;
? prover, nas escolas de tempo integral, preferencialmente para as crianças das famílias de menor renda, no mínimo duas refeições, apoio às tarefas escolares, à prática de esportes e atividades artísticas nos modelos do Programa Renda Mínima Associado a Ações Sócioeducativas (PMTE, 2007).
A participação da escola no Programa se efetiva com um Termo de Adesão e o recebimento do Selo de Identificação do Programa.
Com esse Programa, a SEDU espera o desenvolvimento de atividades culturais e esportivas, articuladas a projetos de leitura e escrita e raciocínio lógico-matemático com vistas à melhoria da aprendizagem dos alunos; o desenvolvimento de atividades significativas e prazerosas, garantindo a freqüência e a permanência do aluno na escola; contribuição na redução dos índices de evasão e repetência dos alunos da Rede Pública Estadual de Ensino; contribuição na melhoria do desempenho escolar em leitura escrita e cálculo matemático.


4.2 O PMTE/TEATRO DA ESCOLA MONSENHOR MIGUEL DA SANCTIS

A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio "Monsenhor Miguel de Sanctis", universo desse estudo, situa-se na Rodovia BR 482, km 2, na cidade de Guaçui, ES.
Um dos projetos integradores ao PMTE idealizado e executado pela Escola tem como foco o Teatro na modalidade PEC ? 35 horas, agregando à carga horária do aluno mais 10 horas semanais, em turno alternado, com o tema: "O Teatro como Fonte de Formação e Informação".
A Escola Monsenhor Miguel de Sanctis oferta ensino fundamental e médio e educação profissional, contando em 2008 com 1790 alunos, distribuídos em três turnos, como segue:

TABELA I ? Alunos matriculados na EEEFM-MSMS em 2008.
Matutino Ensino Médio Regular 394
Curso Técnico Informática 30
Vespertino Ensino Médio Regular 258
Curso Técnico Informática 30
Noturno Ensino Médio Regular 188
Ed. de Jovens e Adultos - EJA 789
Curso Técnico Informática 30
Curso Técnico Gestão Empresarial 71
Total de alunos atendidos 1790
Fonte: Secretaria da Escola.

O Projeto Teatro/PMTE - "O Teatro como Fonte de Formação e Informação" - contempla 50 alunos do Ensino Médio Regular, distribuídos em duas turmas de 25 alunos, funcionando uma turma de 25 alunos das 13:30 às 15:30 e outra turma das 16:00 às 18:00, com um professor para cada turma, tendo iniciado em abril de 2008.

O projeto "O Teatro como Fonte de Formação e Informação" executado pela Escola apresenta como justificativa:

O teatro é uma das mais antigas expressões artísticas da humanidade e uma das mais completas também, pois envolve a música, a dança, a literatura, as artes plásticas, a moda e, mais recentemente, até mesmo o cinema, pois são inúmeras montagens que utilizam a projeção. Diante de toda a complexidade, é instrumento que contribui para uma formação sócio educacional, levando o aluno a ter novas posturas diante da vida, sendo mais reflexivo, ativo nas suas participações sociais, e mais criativo em seus trabalhos. O teatro desenvolve o corpo, a mente, a voz e instiga a participação e a integração. (PT-PMTE, 2008)


A implantação de oficinas de formação e informação em artes cênicas na Escola, propondo uma mudança na prática do aprendizado de Língua Portuguesa e artes, em conjunto com outras disciplinas, desenvolvendo experiências que contribuam para o crescimento integrado dos alunos na construção de uma escola diferenciada, elevando o nível cultural da clientela estudantil e formando novos artistas no cenário do município, e por que não dizer, do estado, constitui o objetivo geral do projeto.
Os objetivos específicos contemplam os núcleos de Linguagem, Matemática, apoio Pedagógico e Formação Humana, guardando consonância com os objetivos do PMTE:
? reconhecer que o teatro acrescenta um fator lúdico para a aprendizagem, devendo ser um elemento que contribua para sua formação educacional e cidadã;
? valorização das questões básicas de emoção, do corpo e da motricidade;
? figuras geométricas; ângulos; graus; propagação da luz; velocidade; ritmo;
? história da humanidade; geografia humana e física; problemas sociais.

As atividades propostas pelo PMTE/Teatro estão sintetizadas no quadro a seguir, transcrito do projeto original da Escola.


QUADRO REFERENCIAL
PROJETO DE ENRIQUECIMENTO CURRICULAR ?PEC
MODALIDADE 35 HORAS
Núcleo da Linguagem Atividades Escolares
Leitura, produção de textos, Literatura, Estudo de períodos literários, linguagem verbal e não verbal, gênero dramático, artes de forma geral.

Atividades Integradoras
História do Teatro, jogos de expressão verbal e não verbal, uso de voz, jogos de exercícios corporais, improvisação, pesquisas para composição de cenas e personagens, confecção de cenários, estudos de época, técnicas de sonosplatia e iluminação, mímicas, laboratórios e jogos

Núcleo das Ciências e Matemática Atividades Escolares
Estudo de ângulos, graus, formas geométricas, posições, ritmos, velocidade e cálculos matemáticos.

Atividades Integradoras
Montagem de cenas e cenários, propagação da luz, velocidade, ritmo.

Núcleo de Apoio Pedagógico e Formação Humana Atividades Escolares
História da Humanidade, Geografia Humana e Física, problemas sociais, inclusão.

Atividades Integradoras
Estudos de épocas, questões político-sociais que embasam a construção de personagens, comprometimento, reflexão, criticidade, desenvoltura, perda da inibição através de jogos e trabalhos em grupo, conviver e saber lidar com as diferenças.



De acordo com o projeto, os alunos retornam à instituição em horário alternado ao das aulas regulares, participando assim de atividades extra-curriculares que venham possibilitar conhecimentos e vivências do teatro, desde a sua história até a prática de montagem. Isso contribui para a sua formação sócio-educacional e ele pode adquirir novas posturas diante da vida, sendo mais reflexivo, ativo, e mais criativo em seus trabalhos. Também lhe é oportunizado o aprendizado da Língua Portuguesa e Artes, em conjunto com outras disciplinas o que favorecem a elevação do nível cultural dos mesmos.


4.2.1 O projeto Teatro e os objetivos do PMTE
Um dos objetivos deste estudo foi verificar a consonância do Projeto Teatro desenvolvido pela Escola Monsenhor Miguel de Sanctis com os objetivos do PMTE, com base nos resultados apresentados em 2008, na visão da Escola.
Foram utilizados como procedimentos metodológicos, entrevista semi-estruturada com a Diretora da Escola, depoimento dos professores envolvidos, observação in loco e consulta documental. Também serviram de base para esta análise os relatórios formalizados pela Escola à Secretaria de Estado da Educação, referentes aos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro.
Os relatórios mensais apresentados pela escola, contem uma síntese das atividades realizadas a partir do mês de maio até setembro.
No primeiro mês de atividades," as aulas concentraram-se no estudo do que é teatro? Como surgiu? Seus elementos principais: o ator, o público e o texto. Foram também abordadas em exercícios as questões do corpo e da voz, instrumentos essenciais do ator.
?No tocante a exercícios, foram ministradas dinâmicas como: aquecimento, percepção corporal, jogo do espelho, criação e montagem de textos.
?Também os alunos visitaram o Teatro Municipal, assistiram a um espetáculo sobre Rubem Braga, seguido de debate".
No segundo mês de atividades, "as aulas concentraram-se no estudo do texto Auto do Brasil 500 Anos, falando sobre a diversidade étnica. Foram também abordadas em exercícios as questões do corpo e da voz, instrumentos essenciais do ator.
?Prosseguiram exercícios corporais através de dinâmicas como: aquecimento, percepção corporal, jogo do espelho, criação e montagem de textos; mímicas e composição de quatros com jogos de estátuas.
?Os alunos ainda acompanharam as atividades do Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, assistindo e debatendo sobre os trabalhos".
No terceiro mês, "as aulas concentraram-se na leitura de novos textos para trabalhos posteriores. Mantiveram-se os exercícios para as questões do corpo e da voz, instrumentos essenciais do ator, e execuções com base em textos de jornais e revistas.
?Prosseguiram exercícios corporais através de dinâmicas como: aquecimento, percepção corporal, jogo do espelho, criação e montagem de textos; mímicas e composição de quatros com jogos de estátuas.
?Os alunos também produziram textos dissertativos, com avaliações".




No quarto mês, "as aulas concentraram-se na leitura da peça "Por essa Shakespeare não esperava", (de João Batista de Morais), e nos ensaios de "Lição de Botânica", (de Machado de Assis). Foram também abordadas em exercícios as questões do corpo e da voz, criação de personagens, e execuções com base em textos de jornais e revistas.
?Prosseguiram exercícios corporais através de dinâmicas como: aquecimento, percepção corporal, jogo do espelho, criação e montagem de textos; mímicas e composição de quatros com jogos de estátuas, cama
de gato e jogo de bastão.
No mês de setembro "priorizou-se trabalhos de improvisação, pesquisa de texto e linguagem de Gil Vicente, construção de personagens e início da montagem (marca-ção).














A Escola informa nos relatórios as estratégias pedagógicas utilizadas para garantir o caráter interdisciplinar do Projeto promovendo enriquecimento curricular integrado aos núcleos de Linguagem; Ciências e Matemática; Apoio Pedagógico e Formação Humana.

O olhar da Diretora da Escola
A diretora relatou que "o programa precisa avançar no sentido de ampliar a aprendizagem dos alunos, porque vê nos participantes um grande potencial e satisfação, além de apresentarem melhorias na convivência dentro da escola e no rendimento escolar".

Depoimento dos professores envolvidos
De acordo com o depoimento dos professores, "os alunos estão adquirindo também maior preocupação com horários, respeito aos companheiros, num processo amplo de inclusão (onde se trabalha as diferenças em seus variados sentidos) tendo no grupo um aluno portador de necessidades especiais".
Segundo os professores, houve evasão em função de alunos que começaram estágios ou foram transferidos de turnos; "porém os que estão participando têm uma freqüência regular, garantindo assim o sucesso do programa, tanto que fizeram encenações de textos de Shakespeare e Gil Vicente, além do trabalho de Machado de Assis realizado em julho e agosto, que rendeu à peça Lição de Botânica: o "Troféu Especial do Júri" pela qualidade do trabalho e incentivo à leitura no XIII FESTIL ? FESTIVAL DE TETRO DE PINDAMONHANGABA ? SP".
O professor responsável pelo grupo de teatro resultante do PMTE, relata que "o corpo de jurados elogiou a escolha do texto e o trabalho desenvolvido pelos atores. Quiseram informes sobre a pesquisa realizada pelos alunos, bem como sobre o funcionamento do programa "Mais Tempo na Escola".
O Festival estudantil de Pindamonhangaba é um dos mais conceituados nessa categoria no país, recebendo espetáculos de todo o Brasil, principalmente do Estado de São Paulo, que tem a formação no teatro estudantil como fator principal para atores em busca de profissionalização. Desse festival vão se revelando grandes valores nas artes cênicas, hoje disputando categorias mais elevadas, entre amadoras e profissionais.
Com relação à influência do teatro no comportamento dos alunos e no desempenho escolar, os professores declaram:
"Observa-se um maior rendimento e interesse nas áreas de português, nas discussões filosóficas e na pesquisa histórica.
?Com relação a integração com outros núcleos, os professores se propuseram a integrar literatura, gramática, produção de textos, estudos matemáticos, discussões filosóficas e sociológicas, pesquisa histórica e observações de física, como cores, velocidade, ritmo, entre outros aspectos.
?Os alunos estão adquirindo também maior preocupação com horários, respeito aos companheiros, num processo amplo de inclusão (onde se trabalha as diferenças em seus variados sentidos) tendo no grupo um aluno portador de necessidades especiais".

Estabelecendo um paralelo entre os relatórios, os depoimentos colhidos dos professores e da diretora e o PMTE, evidencia-se estreita consonância entre os resultados apresentados pela Escola e os objetivos do Programa.
O projeto Teatro/PMTE tem possibilitado aos alunos participantes:
? novos conhecimentos e vivências contextualizadas que ampliam sua aprendizagem;
? oportuniza acesso a experiências de aprendizagem, por meio da cultura, da arte e do esporte;
? canaliza a construção de uma nova identidade da escola, incrementando os tempos e espaços escolares, as dimensões curriculares, a metodologia e a prática pedagógica;
? contribui para minimizar o risco de vulnerabilidade social.

Com relação ao objetivo de reduzir o índice de evasão e repetência dos alunos da educação básica, e melhorar o desempenho escolar, conforme define o objetivo geral do PMTE, não foi possível verificar. A Escola não possui dados estatísticos com relação a evasão. Com referência ao rendimento escolar, a diretora afirma que a participação dos alunos no PMTE tem influenciado positivamente o rendimento dos alunos. Entretanto, não foi possível comprovar tal fato porque a Escola não apresentou os dados necessários, justificando que essa avaliação ainda não foi feita devido ao pouco tempo de funcionamento do projeto.












5 INFLUÊNCIA DO TEATRO NA VIDA ESCOLAR DOS ALUNOS DO PMTE


A fim de perceber a visão do aluno integrante do Projeto TeatroPMTE da Escola "Monsenhor Miguel de Sanctis", sobre a influência do projeto em sua vida escolar, utilizamos a técnica de entrevista através de questionário estruturado, com questões objetivas onde o aluno emitia sua opinião a partir das alternativas propostas, e questões abertas, de modo a evitar a estimulação do aluno mediante opções previamente estabelecidas
Dos 50 (cinqüenta) alunos participantes 45 (quarenta e cinco ? noventa por cento) responderam o questionário.
Foram consideradas como variáveis dependentes nesse estudo:
? a motivação para participação no projeto;
? reflexos na vida pessoal (aqui considerados aspectos como relações interpessoais, capacidade de aprendizagem, participação em grupo, controle da timidez, desenvolvimento do espírito crítico, importância da cultura e interesse por literatura);
? reflexos na vida escolar;
? reflexos positivos no rendimento escolar;
? interesse pela escola;
.
De acordo com a Tabela II, abaixo, o principal fator que atraiu os alunos ao projeto foi o "gosto pelo teatro", com 34,4% das indicações, seguido dos motivos "desenvolvimento de habilidades/comunicabilidade e curiosidade com 17,2% cada.
A influência dos professores aparece em último lugar, com 5,7%, o que denota pequeno envolvimento dos professores na fase de implantação do projeto. As demais, controle da timidez, influência dos colegas e gosto pela leitura, receberam igualmente 8,5% de indicações como sendo motivadoras da adesão do aluno ao projeto.

TABELA II ? Motivação do aluno para participar do projeto MTEM/teatro.
Motivo %
Gostar de teatro. 34,4
Desenvolver habilidades/comunicabilidade. 17,2
Curiosidade. 17,2
Controlar a timidez. 8,5
Influência dos colegas 8,5
Gosto pela leitura. 8,5
Influência dos professores. 5,7

Os reflexos do Projeto Teatro/PMTE na vida pessoal dos alunos foram verificados através de sete requisitos considerados válidos para esta avaliação. Conforme Tabela III, das alternativas apresentadas como possíveis influências, evidenciou-se como o mais importante "tornar uma pessoa melhor com o outro", com 28% das indicações. Em segundo lugar, os alunos afirmam que "ampliou a capacidade de aprender", 22,8% das respostas. 20,4% apontaram a "melhoria da capacidade de aprender", seguido do "controle da timidez", com 14,2%. 8,5% disseram que melhorou o espírito crítico e em último lugar aparece, com 2,8% o sentimento do aluno com relação às aulas de Literatura e a importância do enriquecimento cultural.
A influência do Projeto na vida escolar do aluno participante foi avaliada a partir das variáveis "relacionamento com os colegas e com os professores" e o "rendimento escolar em Língua Portuguesa, Matemática, Química, Física, História e Geografia". Também foi avaliado o nível de interesse do aluno pela escola, por um procedimento auto-avaliativo, a partir da atribuição de notas pelos alunos ao seu interesse antes e após o Projeto.

TABELA III ? Reflexos do TEM/teatro na vida pessoal do aluno participante.
Reflexos %
Tornou uma pessoa melhor com o outro. 28,5
Ampliou a capacidade de aprender. 22,8
Melhorou minha participação em grupo. 20,4
Controlou a timidez. 14,2
Desenvolveu o espírito crítico. 8,5
As aulas de literatura tornaram-se mais interessantes. 2,8
Mostrou a importância da cultura para a vida. 2,8

A fim de verificarmos o nível de influência do Projeto na vida escolar dos alunos, pedimos a eles essa avaliação para cada item proposto, com base na seguinte classificação: Não influenciou; Influenciou negativamente; Pequena influência positiva; Melhorou muito.
Conforme demonstra a Tabela IV, com relação ao quesito "Relacionamento com os colegas", 31,5% afirmaram que foram influenciados positivamente, considerando, porém, pequena essa influência, enquanto 62,8% disseram que melhorou muito o relacionamento com os colegas. Apenas 5,7% disseram que não sofreram influência alguma. Em relação ao relacionamento com os professores, um maior contingente, em relação ao anterior, afirmou que essa relação não foi influenciada pelo teatro (14,2%), enquanto 57,2% disseram que melhorou muito; 28,5% afirmam que tem recebido uma pequena influência positiva. Embora pequena em relação às demais opções, aparece a influência negativa com 2,8%.

TABELA IV ? Influência do PME/teatro na vida escolar do aluno participante.
Área influenciada Não influenciou Influência negativa Pequena influência positiva Melhorou muito
Relacionamento com os colegas. 5,7 - 31,5 62,8
Relacionamento com os professores. 14,2 - 28,5 57,2
Rendimento escolar. 17,2 2,8 28,5 51,4


Aos alunos que assinalaram terem recebido pequena influência positiva ou terem melhorado muito no rendimento escolar, solicitamos apontar a disciplina em que mais se evidenciou essa melhoria, tomando por base o rendimento ocorrido até então em relação ao ano anterior. A Tabela V demonstra que Língua Portuguesa foi a disciplina que apontou a maior melhoria do desempenho dos alunos, com 48,5% das indicações, seguido da Matemática, com 34,2%, e História, 20%. Química e Física empataram com 8,5% e em último lugar aparece Geografia, 2,8%.

TABELA V ? Reflexos positivos do TEM/teatro no rendimento escolar, por disciplina.
Disciplina %
Língua Portuguesa 48,5
Matemática 34,2
História 20
Química 8,5
Física 8,5
Geografia 2,8

A melhoria do rendimento em relação ao ano anterior, apontado pelos alunos, especialmente em Língua Portuguesa e Matemática, confirma a declaração da direção da Escola, demonstrando que o PMTE tem influenciado positivamente o rendimento escolar. Rendimento é aqui considerado como o resultado obtido através das avaliações da aprendizagem.

Com o objetivo de, através da auto-avaliação, verificar como o aluno avalia seu interesse pela escola, solicitamos efetuar uma comparação desse interesse antes e após integrar-se ao Projeto. O procedimento adotado foi o de atribuir-se uma nota dentre três faixas (0 a 3, 4 a 7, 8 a 10), Tabela VI.

TABELA VI ? Avaliação do aluno com relação ao seu interesse pela escola antes e após sua adesão ao PMTE, numa escala de notas de zero a dez, divididos em três faixas.
Antes do PMTE Após o PMTE
Nota %
0 a 3 (%) 4 a 7(%) 8 a 10 (%)
0 a 3 14,2 25 50 25
4 a 7 31,4 8,4 - 91,6
8 a 10 54,4 - 5,5 94,5

Dos alunos que antes do projeto se consideravam na faixa 0 a 3, 25% permaneceram; 50% afirmam terem subido para a faixa 4 a 7 e 25% elevaram seu conceito em relação ao interesse pela escola, para a faixa 8 a 10.
Dos alunos que se avaliaram na faixa conceitual de 4 a 7 (31,4%), 8,4% afirmam terem continuado, enquanto 91,6% disseram ter subido para a faixa 8 a 10. Os alunos que se conceituam dentro da faixa 8 a 10 em nível de interesse pela escola antes do Projeto, são os que também apresentam o maior interesse, 94,5%. Desses alunos, 5,5% afirmam ter diminuído o interesse pela escola, caindo para a faixa 4 a 7.


Depreendemos do olhar dos alunos que:
? A escola deve diversificar a oferta de oportunidades e enriquecimento curricular, uma vez que a opção do aluno é definida, preliminarmente, pelo seu gosto pessoal ou identidade com a proposta.
? O Teatro tem um forte poder de influência sobre o comportamento do aluno configurando-se como eficiente ferramenta para desenvolvimento da sociabilidade e da capacidade de aprendizagem.
? A construção de conhecimento em Língua Portuguesa é a mais influenciada pelo Teatro.
? O Teatro influencia positivamente o interesse do aluno pela escola.

Os resultados demonstram que o projeto Teatro/PMTE da Escola Monsenhor Miguel de Sanctis coaduna com a visão do PMTE de:
? ampliar o desempenho escolar;
? ampliar o universo de experiências artísticas, culturais e esportivas; e
? conjugar atividades de leitura, escrita, raciocínio lógico e pesquisa às atividades artísticas, culturais e esportivas como ferramentas curriculares.









6 O PMTE E A MELHORIA DO ENSINO NA VISÃO DOS ALUNOS

A realização deste estudo não poderia prescindir da opinião do aluno do PMTE sobre o ensino na escola pública e da relação que este aluno estabelece entre "mais tempo na escola" e "melhoria do ensino".
Esta averiguação visa atender à seguinte questão? Quais as três medidas que o aluno considera prioritárias para promover a melhoria da qualidade do ensino na escola pública?
Apresentamos aos alunos uma relação com seis alternativas e solicitamos que indicassem as três que considerassem prioritárias.
Os alunos pontuaram de 1 (um) a 3 (três) os opções apresentadas, em ordem decrescente, da mais indicada para a menos indicada.
Conforme podemos observar na Tabela VII, a seguir, o resultado refuta uma das hipóteses deste estudo, ao apontar como última opção, dentre as apresentadas, a ampliação do tempo de permanência na escola para todos os alunos.
Foi considerada ação prioritária, com 41% das indicações, "investimento em projetos de arte e cultura". Em segundo lugar (29%), os alunos acham que "os professores devem ministrar mais aulas práticas" e em terceiro lugar (12,9%), "dar aos alunos mais oportunidades de pesquisa".



TABELA VII ? Opinião do aluno sobre melhorias que devem ser implementadas na escola pública, numa escala decrescente de notas de um a três em três alternativas.
Alternativa proposta Opção( %)
Nº 1 Nº 2 Nº 3
Investir em projetos de arte e cultura. 41,9 16,1 3,5
Os professores devem ministrar mais aulas práticas. 29 32,2 25
Dar aos alunos mais oportunidades de pesquisa. 12,9 19,3 35,7
Adequar o currículo ao contexto escolar e do aluno. 6,4 12,9 3,5
Tornar as aulas interdisciplinares. 6,4 16,1 21,4
Aumentar o tempo na escola para todos os alunos (PMTE). 3,2 3,2 10,7

Adequação do currículo ao contexto escolar e à realidade do aluno e tornar as aulas indisciplinares, aparecem em quarto lugar com 6,4%. Em último lugar, como prioridade, os alunos apontaram "aumentar o tempo na escola para todos os alunos", com apenas 3,2% das indicações.
Conforme se observa na Tabela VII, os alunos indicaram como prioridade para a melhoria do ensino, mais investimentos em arte e cultura (41,9%) mas, ao mesmo tempo, não concordam com a ampliação do tempo do aluno na escola. Podemos inferir que os alunos desejam mudanças no currículo e na prática pedagógica. Tal fato também se evidencia na sugestão dos alunos de que a melhoria do ensino depende de mais aulas práticas e mais pesquisa e não, de mais tempo na escola.
Com relação ao investimento intermediário, aquele considerado em segundo lugar pelos alunos, aumentar as aulas práticas aparece em 1º lugar com 32,2%, seguido de mais pesquisas, com 19,3%. Investimento em cultura e aulas indisciplinares aprece nesse nível com 16,1 %. Em último lugar, também como alternativa intermediária, aparece o PMTE com 3,2% que sobe para 10,7% das indicações como alternativa complementar, ou seja em terceiro lugar dentre três ações.
Vale ressaltar a alternativa apontada pelos alunos como a segunda mais importante para a melhoria do ensino: mais aulas práticas.
Não se trata aqui de experiência em busca de algo novo, mas, de experimentação que permite ao aluno produzir conclusões, elaborar conceitos a partir da observação.
Os alunos manifestaram aqui, a necessidade de satisfação da curiosidade, potencial latente que deve ser aproveitado e explorado pela escola. Ao alimentar a curiosidade do aluno o professor investe na sua capacidade de questionar o mundo à sua volta. Através da prática, ele vai encontrando respostas para os tantos "porquês" que foram ficando ao longo do caminho. O aluno aprende porque a aula tem um sentido para ele (SILVEIRA, 2006).
Ao apontar a pesquisa como o terceiro mais importante meio para a melhoria do ensino, os alunos revelam sua necessidade de exercício do espírito crítico e do raciocínio lógico.
Essa atitude dos alunos encontra eco em Pedro Demo. Para este autor, a pesquisa é o caminho dos mais profícuos para se chegar ao "aprender a aprender". Ela "introduz a face metodológica e teórica da produção do conhecimento, constituindo-se em expediente formativo por excelência, porque cultiva a autonomia e o saber pensar crítico e criativo" (DEMO, 2004, 18).











7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo evidenciou a importância da arte teatral como ferramenta pedagógica na escola necessária à formação do cidadão para a sociedade futura, demonstrando sua influência positiva no desenvolvimento de novos conhecimentos e vivências contextualizadas que ampliam a aprendizagem.
Os resultados do estudo efetuado junto a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio "Monsenhor Miguel de Sanctis", comprovou as hipóteses preliminares de que a sociedade do futuro exige uma escola que invista na formação do ser humano, não podendo, nesse caminho, excluir a estética da sensibilidade. Nesse cenário, o teatro como instrumento pedagógico no PMTE cumpre esse papel desenvolvendo características fundamentais à formação do indivíduo para a cidadania e refletindo positivamente no desempenho escolar.
Refuta uma das hipóteses deste estudo, ao apontar como última opção, dentre as apresentadas para a melhoria da qualidade do ensino, a ampliação do tempo de permanência na escola para todos os alunos. Na visão do aluno, a arte e a cultura são essenciais na melhoria da qualidade do ensino, mas o PMTE não está diretamente relacionado com a melhoria da escola pública.







8 REFERÊNCIAS


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Sobre este autor(a)
Pedagoga; Pós-graduada em Planejamento Educacional; Mestre em Ciências da Educação.
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