Somos Convocados a Sofrer como Soldados.
 
Somos Convocados a Sofrer como Soldados.
 


·PASTOR GEORGE EMANUEL

·2 Tm 2:3 3 Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo.

Há uma imperiosa necessidade que Paulo acrescentou ao jovem Timóteo, porque aqueles que se submetem em obediência a Cristo devem estar preparados para "sofrer privações".Servir como soldado a Cristo não é tarefa nada fácil.A carta é intensamente pessoal para Timóteo, que é citado nominalmente uma vez (1:2) e também através das expressões "meu amado filho"(1:2) e "meu filho" (2:1). Paulo referiu-se a Timóteo vinte e cinco vezes como "tu" e duas como "ti mesmo", cinco vezes dizendo "teu/tua". Em cerca de trinta ocorrências, "tu" está oculto em orações imperativas. Paulo acrescentou "nós" seis vezes, "nos" seis vezes e "nosso/nossa" cinco vezes  totalizando mais de oitenta referências  diretas ou indiretas  a Timóteo, nos quatro capítulos! Embora a contagem de palavras seja uma tarefa tediosa e técnica, o resultado disso evidencia um desejo vigoroso de Paulo de comunicar - se intimamente com seu "amado filho" em Cristo.

Paulo usou muitas expressões ilustrativas no capítulo 2: "soldado" (2:3, 4); "atleta" (2:5), "lavrador" (2:6), "obreiro" (2:15), "utensílio para honra" (2:21) e "servo" (2:24). Em torno desses termos ele construiu um belo cenário de fidelidade da parte de um discípulo de Cristo. Timóteo precisava não só imitar esse estilo de vida descrito por Paulo, mas também ajudar outros cristãos a fazerem o mesmo. Certas porções deste capítulo apresentam tendências e características, pessoas e personalidades que podem nos fazer desviar. O alvo de Paulo era encorajar os filhos de Deus a seguir o Seu padrão (2:113), escapar de confusões (2:1418) e viver de modo a levar outros ao arrependimento (2:1926).

John Stott, disse: As experiências como prisioneiro deram a Paulo ampla oportunidade de observar os soldados romanos e de meditar no paralelo existente entre o soldado e o cristão. Em cartas anteriores, Paulo referiu-se à guerra com principados e potestades, na qual o cristão está envolvido; referiu-se à armadura que deve vestir e as armas que deve usar (Ef 6: 10ss; 1 Tm 1: 18; 6: 12; 2 Co 6: 7; 10: 3-5; cf. Rm 6: 13-14). Mas aqui o bom soldado de Jesus Cristo é assim chamado por ser um homem dedicado, que mostra sua dedicação por se achar sempre disposto a sofrer e estando permanentemente em guarda.

Os soldados em serviço não contam com segurança e facilidade. Pelo contrário, dureza, riscos e sofrimento são aceitos sem contestação. É como Tertuliano expressou em seu livro Address to Martyrs (Palavra aos Mártires): "Nenhum soldado vai à guerra cercado de luxúrias, nem vai à batalha deixando um quarto confortável, mas sim uma tenda estreita e provisória, em que há muita dureza, severidade e desconforto".De igual modo, o cristão não deve esperar dias fáceis. Se for fiel ao evangelho, certamente experimentará oposição e escárnio. Ele deverá sofrer em conjunto com seus companheiros de armas.

"É preciso, diz Paulo, "participar dos sofrimentos" como bom soldado (2:3; veja Hebreus 10:3234). Duas características estão implícitas aqui.

·O espírito de servir é visto em sua prontidão para "sofrer", ou suportar o sofrimento. A ênfase é em ficar ao lado de um bom soldado em situações de provação.

·Ele é seletivo no que faz e aonde vai, pois "nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida" (2:4).

Seu espírito é manifestado à medida que ele faz suas escolhas de modo à "satisfazer àquele que o arregimentou". Esse tipo de soldado é aquele que nega a si mesmo, tomando a sua cruz diariamente e permanecerá firme ao lado de outro (Lucas 9:23).O cristão, que deve viver neste mundo e não se alienar dele, não pode, certamente, esquivar-se das comuns obrigações de seu lar, de seu local de trabalho e de sua comunidade. É verdade que, como cristão, ele deve estar sobremodo consciente do seu dever de bem cumpri-las e não evadir-se delas. Nem deve esquecer-se também do que Paulo relembrou a Timóteo em sua primeira carta, ao dizer que "tudo o que Deus criou é bom e, recebido com ações de graça, nada é recusável..." e que "Deus tudo nos proporciona unicamente para nosso aprazimento" (1 Tm 4: 4; 6: 17). Assim, o que se proíbe ao bom soldado de Cristo não são as atividades "seculares", nem "os envolvimentos em negócios desta vida" que, mesmo sendo perfeitamente inocentes, o impeçam de lutar as batalhas de Cristo. Este conselho aplica-se especialmente ao pastor ou ministro cristão. Ele é chamado a dedicar-se ao ensino e ao cuidado do rebanho de Cristo; e há outras passagens, além desta, que o advertem a, se possível, não tomar a carga adicional de prover o seu sustento com algum emprego "secular".

É fato que o próprio Apóstolo proveu amiúde o seu próprio sustento, confeccionando tendas; não obstante, ele deixa claro que em seu caso a razão era pessoal e excepcional, ou seja, para que pudesse propor "de graça o evangelho", e assim não criar "qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo" (1 Co 9: 12, 18). Ele ainda vindicou o princípio, para si mesmo e para todo ministro, por ordem do Senhor, de que os que pregam o evangelho devem viver do evangelho (1 Co 9: 14).De fato, a sua óbvia expectativa era esta a regra geral, e isto precisa ser lembrado em dias como os nossos, quando ministérios "auxiliares", "suplementares" e de "tempo parcial" têm aumentado em número, ficando o pastor com seus negócios ou com sua profissão, exercendo o seu ministério com o tempo que sobra. Não se pode dizer que tais ministérios estejam em oposição às Escrituras; contudo é difícil conciliá-los com a determinação apostólica de evitar os envolvimentos em negócios desta vida.

As atividades civis que dividem o tempo e a energia do soldado cristão são letais para seu ministério e espiritualidade. O ministro de Jesus Cristo deve dedicar-se à única e grande missão de pregar o Evangelho. É verdadeiro que às vezes é necessário que se ocupe de alguma atividade secular, como foi o caso de Paulo quando fabricava suas tendas. Mas em casos tais a atividade secular não é senão um meio necessário para o grande fim de pregar com eficácia o Evangelho.

O saldado deve "satisfazer", "agradar" a Cristo. A primeira preocupação do ministro do Evangelho é que Jesus Cristo, Aquele que o chamou ao seu serviço, senta-se comprazido com seu labor. O soldado não tem o propósito de agradar aos mundanos, e se o fizesse interferiria na sua plena consagração ao Senhor. A palavra satisfazer (gr: arese)  O subjuntivo pressupõe um esforço empenhado para satisfazer; mas a questão não está definida, pois aquele que arregimenta estabelece o padrão para a aprovação. Todavia, o objetivo é sempre "satisfazer& Mateus 14:6; Marcos 6:22; Romanos 8:8; 15:2; 1 Tessalonicenses 2:15; 4:1; 1 Coríntios 7:3234; Gálatas 1:10; 2 Timóteo 2:4&e esforçar-se por agradar; acomodar-se às opiniões, aos desejos e interesses de outros" (Thayer, p. 72).

A liturgia para a ordenação de presbíteros da Igreja Anglicana exorta os candidatos com as seguintes palavras: "Atentai para o zelo que deveis ter na leitura e no ensino das Escrituras... e por esta mesma causa deveis renunciar e deixar de lado (tanto quanto possível) todos os cuidados e zelos mundanos... entregai-vos inteiramente a este ofício... aplicai-vos inteiramente a esta causa e dirigi todos os vossos esforços neste sentido".

William Barclay observou o uso freqüente que Paulo faz do termo "soldados" com fins de comparação (1 Timóteo 1:18; Filemom 2; Filipenses 2:25) e acrescentou as seguintes observações: "A figura de um homem como soldado e da vida como uma campanha era bem conhecida pelos romanos e gregos& 'A vida de cada homem', disse Epíteto, 'é um tipo de campanha e uma campanha que é longa e difersificada'& Quais eram então as qualidades do soldado que Paulo repetiria na vida cristã? (i) O serviço do soldado deve ser um serviço concentrado& Um soldado é um soldado e nada mais. Um cristão deve concentrar-se em seu cristianismo& deve usar qualquer tarefa em que esteja envolvido para viver e demonstrar seu cristianismo. (ii) O soldado está condicionado a obedecer& a obediência pronta e instintiva pode salvar-lhe a vida e a de outros& (iii) O soldado está condicionado ao sacrifício& O cristão deve estar sempre pronto para sacrificar-se, seus desejos, anseios, destino, por Deus e por seus companheiros. (iv) O soldado está condicionado à lealdade" (William Barclay, The Letters to Timothy, Titus and Philemon ["As Cartas a Timóteo, Tito e Filemom"], The Daily Study Bible Series, ed. rev. Filadélfia: Westminster Press, 1960, pp. 18284).

Cada cristão é, num certo grau, um soldado de Cristo, ainda que seja tímido como Timóteo. Não importando qual seja o nosso temperamento, não podemos evitar o conflito cristão. Se quisermos ser bons soldados de Cristo, devemos dedicar-nos à batalha, comprometendo-nos com uma vida de disciplina e de sofrimento, e evitando tudo o que nos possa "envolver" e assim nos desviar do seu propósito.

·Quantos jovens da nossa igreja, Deus irá chamar para o serviçocristão? Você está preparado para o serviço, para uma vida cristãútil? Você é um Timóteo que está preparado para oserviço do Senhor?

Wesley L. Duewel, disse: Quantos dos seus jovens não têm alvos adequados na vida? A quantos falta a orientação paternal adequada ou o encorajamento para que se preparem para ser mais úteis? Deus quer usar você para desafiá-los com a idéia de um possível chamado para alguma forma de serviço cristão. Se você tem olhos para ver os jovens ao seu redor e ouvidos para ouvir a orientação de Deus para você, pode vir a ser usado por Deus como Paulo e outros líderes foram, passando a fazer parte do processo divino de guiar muitos jovens para o serviço do reino. Onde quer que Paulo fosse, ele parecia descobrir membros de equipe em potencial, encontrar meios de envolvê-los e depois ajudá-los, mediante um período mais curto ou mais longo de treinamento no serviço. Descubra o seu Timóteo, Tito, Lucas, Onésimo, Aristarco, Sóstenes, Marcos, Silas, Priscila e Áqüila. Deus ajudará você a descobri-los e a guiá-los para cumprir a vontade de Deus para as suas vidas. Como líder, você é responsável por desafiar o seu povo com o chamado de Deus. Ensine-o a orar regularmente para que mais obreiros sejam enviados para a seara de Deus. Duas vezes durante o seu ministério Jesus ordenou aos Seus seguidores que orassem pedindo obreiros cristãos (Mt 9:37-38; Lc 10:2). Ele contou a parábola urgente dos trabalhadores que estavam à espera de trabalho (Mt 20:1-6). Quantas pessoas serão chamadas para o serviço do reino por sua causa? [Em Chamas para Deus; Título do original em inglês: Ablaze for God; pág. 159; Editora Candeia; 3a Edição: 1996]

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·Dicas Homiléticas:


·O Soldado de Cristo (vv. 3-4)

1.Ele sabe que está em guerra renhida contra os demônios. (Ef 6:11-12).

2.Ele sabe que está em guerra contra o mundanismo (II Co 10:3-5).

3.Ele sabe que está em guerra contra a incredulidade (II Co 4:4).

4.Ele sabe que está em guerra contra o pecado (I Ts 4:11).

5.Ele sabe que está em guerra contra o comodismo (II Tm 2:3).

6.Ele sabe que está em guerra contra o tempo (Ef 5:17).

7.Ele sabe que está em guerra contra Satanás (Ap 12:17).

Esboço:

·Timóteo é exortado a passar o ensino que recebeu a mestres fiéis.

·Os sofrimentos de um bom soldado (2:14)

·Competindo como um atleta (2:5)

·Vislumbrando a recompensa do Senhor como um lavrador vislumbra a colheita (2:613)

·Os ouvintes devem ser lembrados de que Deus permanece fiel (2:14)

·Timóteo deve evitar os falatórios Inúteis e profanos (2:15, 16)

·Timóteo deve repreender Himeneu e Fileto se Desviam (2:1719)

·Obreiros cristãos são utensílios na casa de Deus (2:20, 21)

·Seguindo a Justiça e a bondade para corrigir com eficácia os falsos mestres (2:2226)

 
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Sobre este autor(a)
George Emanuel Lira Ferreira nasceu em 8 de novembro de 1975 em Fortaleza, capital do Ceará. É Bacharel em Teologia pelo SeminárioTeológico Pentecostal do Ceará, Mestre em Bíblia pelo STF e Conferencista. Contato: [email protected]
Membro desde dezembro de 2008
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