Sistematização da Assistencia de Enfermagem Perioperatória: Uma Revisão de Literatura
 
Sistematização da Assistencia de Enfermagem Perioperatória: Uma Revisão de Literatura
 


 INTRODUÇÃO

A Sistematização da Assistência de Enfermagem, desde janeiro de 2000, tornou-se obrigatória em todo Estado de São Paulo, de acordo com a decisão do Conselho Regional de Enfermagem (COREN - SP) (DIR/008/99). Obrigatoriamente trouxe novas responsabilidades para os hospitais, embora alguns não saibam como implantar este sistema (COREN-SP, 1999).

Lendo e relendo parte da poesia abaixo e refletindo, penso em respeito às diferenças e aos diferentes que sempre fará parte do nosso dia-dia a "PALAVRA" como principal suplemento de cada dia. "Palavra, mesmo dilatada num papel sem vida é capaz de encher outra vida quando a recebe. Palavra, quem é você? Que enlaça corações no altar, que extravasa de alegria num encontro, procura lágrimas na despedida e chega ao infinito num segundo. Palavra, várias vezes mal interpretada, causa grande tristeza que mesmo distante é parte de uma vida, traz recordações que chegam como um raio por telefone, acalma, entristece ou alegra. Palavra, quanto mais te tenho, menos a conheço e perco ao usá-la, pois és falada em diversas formas e expressada em várias línguas, é mudada, propagada, mas sempre palavra" (MAIA, 2007).

A Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória é um tema relevante na enfermagem, apesar da escassez de estudos na literatura nacional. A implantação de um método para sistematizar a assistência de enfermagem deve ter como premissa um processo individualizado, holístico, planejado, contínuo, documentado e avaliado. Esse método deve facilitar a prestação da assistência ao cliente como um ser único, com sentimentos e necessidades únicas, com a sua anestesia e sua cirurgia, permitindo uma participação ativa e tendo como objetivo principal à visão global do ser humano (PICCOLI; GALVÃO, 2001).

A Enfermagem é uma ciência, portanto se desenvolveu ao longo das décadas, numa estreita relação com a história. Constitui-se como uma profissão com um papel espetacular, na medida em que buscamos promover o bem-estar ao ser humano e uma melhor qualidade de vida (MAIA; NASCIMENTO; GERARDINI, 2006). A Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória é um processo planejado, sistematizado e contínuo, objetivando o atendimento às necessidades do cliente visto de modo global, individualizado, participativo, documentado e avaliado (CAMPOS; et al, 2000).

A assistência de enfermagem ao cliente no período perioperatório demanda do enfermeiro de Centro Cirúrgico uma visão integral e continuada das necessidades básicas afetadas dessa pessoa e de sua família, de modo que possa ajudá-los a satisfazer e a reequilibrar essas necessidades, preparando-os para o entendimento de seus problemas psicobiológicos, psicossociais e psicoespirituais, bem como minimizando sua ansiedade em relação à recepção no bloco cirúrgico (CAMPOS; et al, 2000).

OBJETIVO

O presente estudo foi realizado com o objetivo de levar ao conhecimento dos profissionais de enfermagem uma revisão de artigos a respeito da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória.

METODOLOGIA

Este estudo consiste em uma revisão literária, que visa contribuir e explicitar teoricamente sobre o assunto. Baseada em fontes como livros, periódicos, textos e artigos eletrônicos, expostos em bancos de dados como Lilacs e Scielo, escritos no período de agosto de 1998 a julho de 2006.

DESENVOLVIMENTO

A Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória deve ser realizada para todo cliente que for submetido a um procedimento anestésico-cirúrgico será avaliado pelo enfermeiro de centro cirúrgico com a aplicação da sistematização, que deverá ser desenvolvida dentro das regras da Sistematização da Assistência de Enfermagem, porém com um enfoque específico ao paciente cirúrgico (SOBECC, 2001).

A Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória é recomendada pela Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização. Esta Sociedade define que a enfermagem perioperatória é praticada nos períodos pré-operatório imediato, trans-operatório e pós-operatório imediato da experiência cirúrgica do cliente. Engloba coleta de dados, análise e priorização da ação a ser implementada no trans-operatório e no pós-operatório imediato e avaliação do alcance dos cuidados prestados ao cliente (SOBECC, 2001).

Levantar e analisar as necessidades individuais do cliente a ser submetido ao ato anestésico-cirúrgico; implementar uma assistência de enfermagem integral, individualizada, contínua, documentada, participativa e avaliada, tendo como centro da atenção o cliente cirúrgico; avaliar a assistência de enfermagem prestada no período perioperatório, diminuindo os riscos a que o cliente cirúrgico está sujeito (SOBECC, 2001).

As fases da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória compreendem a coleta de dados, planejamento e prescrição de assistência, prescrição e evolução de enfermagem; a implementação do plano de cuidados deve entrosar os elementos da equipe de enfermagem envolvidos na prestação de assistência ao cliente; prever, prover, controlar o uso adequado de artigos e equipamentos proporcionando ambiente seguro. A assistência prestada deve ser avaliada, tendo como base os conceitos de fisiologia, anatomia, humanização e a opinião manifestada pelo cliente e pela família, nesta avaliação permite-se à correção se necessária de deficiência na assistência prestada no período perioperatório (SOBECC, 2001).

Segundo a Resolução do Conselho Federal de Enfermagem, toda instituição de saúde deverá utilizar a Sistematização da Assistência de Enfermagem, sistema composto por uma série de passos integrados que guiam as ações da enfermagem. Vale ressaltar que nesta mesma resolução, fica esclarecido cabe ao enfermeiro, com exclusividade, a implantação, o planejamento, a organização, a execução e a avaliação do processo de enfermagem, que compreende as seguintes etapas: consulta de enfermagem, histórico, exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de enfermagem (SOBECC, 2005).

A Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória é, sem dúvida, o alicerce que dá sustentação às ações de enfermagem no Centro Cirúrgico atualmente, além de criar maior interação da assistência de enfermagem no pré, trans e pós-operatório. A Sistematização deve ser planejada rigorosamente pelos enfermeiros perioperatórios, com um instrumento adequado à realidade da instituição, para que realmente atenda a seus objetivos e não resulte em mais dificuldades para o desempenho das atividades do profissional (SOBECC, 2005).

Como o foco principal da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória está centrado no cliente e nas intervenções para atender as suas necessidades, esta metodologia permite, desde que respaldada por filosofia institucional, dar continuidade à assistência ao cliente mesmo após a alta, como é o caso daqueles submetidos às cirurgias ambulatoriais (SOBECC, 2003).

As intervenções cirúrgicas devem possibilitar o retorno do cliente à unidade de origem, na melhor condição possível em termos de integridade física, funcional e emocional. É função do enfermeiro de centro cirúrgico proporcionar estrutura física, recursos humanos e materiais para que o ato anestésico-cirúrgico seja realizado em condições ideais e visando assistência integral, ensino e pesquisa (FERRAZ; et al, 1998).

A atuação do enfermeiro na assistência perioperatória, até a década de 1960, era direcionada, predominantemente, para a área instrumental, atendimento às solicitações da equipe médica e às ações básicas para o desenvolvimento do ato anestésico-cirúrgico, resumindo-se nisto a assistência ao cliente cirúrgico. Portanto a Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória foi desenvolvida com o objetivo de subsidiar meios para uma assistência de enfermagem global, atendendo às necessidades do cliente (SOBECC, 2003). Tudo isso se torna um processo individualizado, planejado, avaliado e, principalmente, contínuo, ou seja, abrange os períodos pré, intra e pós-operatório da experiência cirúrgica do cliente (GALVÃO; et al, 2002).

A visita pré-operatória de enfermagem ao cliente cirúrgico é o início da sistematização da assistência de enfermagem perioperatória. Esse procedimento é indispensável para o preparo físico e emocional do cliente. Consiste em uma atividade do enfermeiro que possibilita uma interação efetiva, e esse profissional poderá detectar, solucionar e, quando necessário, encaminhar os problemas enfrentados pelo cliente (GALVÃO; et al, 2002).

A identificação dos diagnósticos de enfermagem na visita pré-operatória é fundamental para o enfermeiro elaborar e implementar o plano de cuidados de enfermagem para o período trans-operatório, pois vários são os aspectos que irão influenciar a resposta do paciente ao procedimento anestésico-cirúrgico (MAIA; NASCIMENTO; GERARDINI, 2006).

A assistência ao cliente no período trans-operatório, ou seja, o período que compreende a recepção do cliente no centro cirúrgico, até o seu encaminhamento para a sala de recuperação pós-anestésica. O enfermeiro, por meio de intervenções de enfermagem efetivas, poderá minimizar os riscos decorrentes do procedimento anestésico-cirúrgico. No período pós-operatório, e a equipe de enfermagem necessita estar preparada para possíveis complicações que possam ocorrer ao cliente nesse período. A complexidade de ações e a inter-relação das fases da experiência cirúrgica do cliente que justificam a importância da Sistematização e a utilização de conhecimento científico para esse embasamento. Nesse cenário, entendemos que o processo de enfermagem pode ser empregado como metodologia assistencial pelo enfermeiro para o planejamento e a implementação dos cuidados de enfermagem necessários ao cliente cirúrgico (GALVÃO; et al, 2002).

A  Assistência de Enfermagem ao cliente no período trans-operatório é relativa ao desenvolvimento das ações de enfermagem já planejadas e implementadas, desde a recepção do cliente na unidade de centro cirúrgico, até a saída deste para a sala de recuperação pós-anestésica. Esta fase compreende uma das etapas da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória e só pode ser realizada com a devida efetivação da primeira fase, o que consiste na visita pré-operatória, onde o enfermeiro coleta dados por meio da visita ao cliente, consulta no prontuário e também busca informações com outros profissionais da equipe de saúde. Ou seja, realiza a avaliação pré-operatória, identificação dos problemas ou diagnósticos de enfermagem e elaboração do plano de cuidados (MAIA; NASCIMENTO; GERARDINI, 2006).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Do enfermeiro perioperatório é esperado que seja competente tecnicamente, demonstre julgamentos independentes e tenha habilidade para a tomada de decisão. Assim, esse profissional deve ser capaz de analisar dados de pesquisa e utilizar os seus resultados para proporcionar assistência de enfermagem, com resultados positivos para o cliente, ou seja, necessita de conhecimento científico para empregar na prática profissional. Para tanto, esse profissional precisa compreender o processo de pesquisa e de investigação sistemática dos problemas da prática (GALVÃO; et al, 2002).

Os avanços tecnológicos também interferem no processo da sistematização da assistência de enfermagem e afastam o enfermeiro da prestação adequada de serviços, mas pode utilizar meios que promovam a interligação, favorecendo o calor humano em suas relações com o cliente, melhorando o processo da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória individualizando, planejando, avaliando de forma contínua abrangendo os períodos pré, intra e pós-operatório da experiência cirúrgica do cliente.

Salientamos que a assistência deve ser integral e individualizada para o cliente e sua família, proporcionando o planejamento da assistência de enfermagem perioperatória, minimizando os riscos inerentes ao procedimento e sua ansiedade durante o processo cirúrgico.

Ressaltamos que a visita pré-operatória de enfermagem é a melhor forma de identificar os fatores de risco, portanto a necessidade de instituir mudanças para que envolvam os profissionais enfermeiros promovendo melhor qualidade da assistência de enfermagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (COREN-SP). Decisão 008, de 19 de outubro de 1999 (DIR/008/1999). Normatiza a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) nas Instituições de Saúde no âmbito do Estado de São Paulo. São Paulo, Coren-SP, 1999.

2. Maia LFS. Confraria dos poetas, uma antologia. Confraria dos Poetas, São Paulo, 2007, maio; 1: 98-107.

3. Piccoli M, Galvão CM. Enfermagem perioperatória: identificação do diagnóstico de enfermagem risco para infecção fundamentada no modelo conceitual de Levine. Rev Latino-am. Enfermagem, Ribeirão Preto, 2001, 9 (4). 3

4. Maia LFS, Nascimento EB, Gerardini V. O avanço tecnológico e o cuidado humanizado em centro cirúrgico. Rev SOBECC, São Paulo, 2006, jul./set. 11 (3): 26-31.

5. Campos SMCL, Ayres JÁ, Olbrich SRLR, et al. Sistemática da assistência de enfermagem perioperatória - percepção de enfermeiros assistenciais. Rev SOBECC, São Paulo, 2000, out./dez. 5 (4): 21-25.

6. Práticas Recomendadas. SOBECC, São Paulo, 2001, 1ª ed. p. 34.

7. Práticas Recomendadas. SOBECC, São Paulo, 2005, 3ª ed. p. 96-102.

8. Práticas Recomendadas. SOBECC, São Paulo, 2003, 2ª ed. p. 59-60.

9. Ferraz SB, Takeshita CT, Azevedo OS, et al. Rev SOBECC, São Paulo, 1998, out./dez. 3 (4): 27-29.

10. Galvão CM, Sawada NO, Rossi LA. A prática baseada em evidências: considerações teóricas para sua implementação na enfermagem perioperatória. Rev Latino-am. Enfermagem, Ribeirão Preto, 2002, 10 (5). 

PARA CITAR ESTE TRABALHO:

MAIA, LFS. Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória: uma revisão de literatura. Enfermagem. São Paulo, outubro de 2008. Disponível em: http://www.webartigosos.com  Acesso em ____/____/_______.

 
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Sobre este autor(a)
Enfermeiro, Especialista em Saúde Coletiva e Saúde da Família; Gestão e Auditoria dos Serviços de Enfermagem; Programa Especial de Formação Pedagógica em Ciências Biológicas; Pós-graduando em Docência do Ensino Médio, Técnico e Superior na Área da Saúde. Eleito Conselheiro de Saúde Municipal da UBS ...
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