A propósito do provérbio alemão sobre como são feitos os pães e as linguiças (ou salsichas), é uma incógnita a garantia da qualidade desses produtos e qualquer outro que depende da vontade humana. Todos conhecem histórias sobre objetos estranhos em pães, bolos, refrigerantes, doces etc. Como isso acontece? Será que um funcionário mal intencionado pode fazer isso para punir o patrão?

A primeira vez que ouvi uma história desse tipo foi na casa dos meus pais.  Minha mãe sempre contava que nos anos 1940, em Araçatuba, interior de São Paulo, onde morava, minha avó encontrou um dente podre dentro do pão. Ela não teve dúvidas. Embrulhou o pão e o levou imediatamente para o estabelecimento. Lá fez um escândalo de deixar registrado nos anais das crônicas da cidade.  O dono da padaria ficou tão envergonhado que encerrou o expediente mais cedo. Soube-se depois que um funcionário jogou o dente na massa para se vingar do patrão. Por causa disso, minha mãe sempre cortava o pão com cuidado para não ter surpresas.

Isso coloca em cheque a segurança quanto à qualidade dos produtos alimentícios processados e mesmo os de outra natureza.  Assim, todos nós dependemos dos humores dos funcionários depois de uma bronca ou discussão com os chefes, salários baixos, descontos etc para ter um alimento saudável à mesa ou mesmo para ter uma peça segura em um veículo.

Como o preparo de muitos produtos são realizados em pequenos negócios, ficamos também sujeitos à ganância de alguns empresários, que não hesitam em utilizar produtos deteriorados para aumentar os seus lucros. Mas isso também pode ocorrer em grandes empresas, cujos sócios, ávidos por ganhos cada vez maiores, não pensam duas vezes em utilizar insumos de baixa qualidade ou deteriorados no processamento de alimentos. A operação “carne fraca” é a comprovação cabal disso.

Contou-me um parente do interior que um fazendeiro das redondezas colocou urina de vaca no leite durante muito tempo.  Diante de minha surpresa com a história, ele explicou que a urina e o leite têm a mesma densidade e assim o laticínio não percebia a fraude. Ao retirar os latões leite é colocado um densímetro para checar a densidade e evitar que produtores misturem água para melhorar os ganhos e como a densidade estava dentro dos padrões, recolhiam o leite com urina sem problemas. A história somente veio a público quando vizinhos o denunciaram, pois estava vendendo mais leite do que as suas vacas eram capazes de produzir.  Com esse relato podemos ter certeza de que já tomamos leite incrementado com ácido úrico, nada próprio para alimentos e muitos produtores já devem ter praticado a fraude por esse Brasil adentro.  Outra história ouvi de um fazendeiro de Descalvado, que soube horrorizado que os laticínios adicionam soda cáustica no leite para neutralizar a acidez, quando estava muito calor. Dessa forma, o leite chega à usina em condições de ser processado. A revelação pode ser assustadora para os leigos, mas os químicos explicam que não há problema, pois a soda reage com o cálcio do leite e se deposita no fundo do tanque como cloreto de sódio, o popular sal. Todavia, com relação ao leite já tivemos histórias mais escabrosas que inundaram as páginas dos jornais o que sempre coloca esse alimento sob muitas suspeições.

Já que estamos falando de leite, aproveito para recontar uma historinha folclórica sobre o leite.  Um fazendeiro foi acusado de colocar água do riacho no leite. Ele contestou o fiscal dizendo que não havia provas de que ele estava adulterando o produto.  Mas se nós encontramos até umas piabinhas no seu leite como o senhor pode negar, disse o fiscal. Bom... respondeu o fazendeiro: pelo preço que vocês pagam pelo leite queriam o quê? Peixe graúdo?

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