Saberes Pedagógicos e Atividade Docente
 
Saberes Pedagógicos e Atividade Docente
 


A abordagem sobre a formação de professores tendo como ênfase a identidades e saberes da docência vem sendo refletido por vários autores, pelo fato, dessa problemática ser um dos principais assuntos para se buscar a melhoria da formação docente.

Um desses autores que questionam a temática é Selma Garrido Pimenta, a qual traz em seu bojo a discussão sobre como o professor em seu processo "decadente" de formação inicial e continuada constrói seus saberes de maneira falha, e por conseqüência disso vem sendo desvalorizado profissionalmente, ou seja, o mesmo passa a ser um técnico de conhecimentos ou até mesmo um monitor de programas que foram elaborados para serem seguidos sem nenhuma autonomia por parte desse docente.

Concordo com a problemática, pois a mesma busca salientar a importância de uma formação de educadores conscientes e críticos, isto é, que entendam o contexto histórico e social de seus educandos e com o intuito de valorizar a cidadania e a humanização das práticas escolares e superando assim o fracasso escolar, pois é através de professores bem formados que se obterão alunos conscientes.

A autora repensa a formação inicial e continuada, salientando que nas décadas de 70-80, houve uma acentuada perspectiva para as teorias reprodutivistas, as quais tiveram grandes contribuições para o fracasso escolar, pois os docentes eram formados de maneira técnica e burocrática e consequentemente seus alunos eram ensinados de maneira reprodutora e desigual e obedecendo a um currículo tradicional e fechado.

Considero pertinentes as afirmações de Selma Garrido, que aborda as "contribuições" do tecnicista para a formação curricular dos futuros docentes como uma formação inicial, que desenvolve os conteúdos, currículos, estágios distantes da realidade dos mesmos e pautados em perspectivas burocráticas que não se relacionam com a realidade das práticas sociais de educar, e para a construção de uma identidade emancipadora do profissional docente. Contudo, a formação continuada, a prática mais continua a ser utilizada segundo a autora é a realização de cursos de suplência ou de conteúdos de ensino. Esses cursos trazem pouca contribuição e alteração para a prática docente fazendo com que esses futuros professores tenham um ato formador individual.

Para a autora as técnicas reprodutivistas trouxeram inúmeras influências para o contexto da formação de professores influenciando em sua formação inicial e continuada que trás em seus currículos práticas desvinculadas da realidade e com pouca contribuição crítica para a construção de seus saberes e identidades.

No texto é apresentado pressupostos para que possa haver a construção da identidade do professor de maneira com que ele tenha uma formação dialética e critica em seu contexto formacional, pois isso se dá na medida em que os cursos de formação docente proporcionem uma ligação entre os diferentes discursos, linguagem e representações, ou seja, os graduandos possam interlacionar-se. Esses alunos que são originários dos cursos de Filosofia, Matemática, Ciências Sociais, Letras, Física, Artes e juntos possam fazer um trabalho interdisciplinar, aprendendo coletivamente, pois o professor é um ser histórico e com isso, ele poderá construir o seu saber-fazer através de parcerias, comunicação de conhecimentos e mobilização dos saberes didáticos adequados para compreender o ensino como realidade social.

Penso que a interdisciplinaridade que precisa está contida na formação docente tem o objetivo de trazer aos futuros professores em sua formação uma contribuição crítica e parcerias dos sujeitos envolvidos e o conhecimento da prática social e a construção de identidades de forma ativa e engajada no contexto escolar.

A identidade possui um grande significado no texto de Pimenta, pois se percebe que para a mesma ela é algo que se constrói ao longo do processo histórico e adquire significados no contexto social à autora relata que "Uma identidade profissional se constrói, pois, a partir da significação social da profissão; da revisão constante dos significados sociais da profissão; da revisão das tradições. Mas também da reafirmação de práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas" (p.19).

Acredito que a identidade é criada e sustentada através dos aspectos que estão compostos no cotidiano e na história de cada graduando, que precisa se valorizado e construído de forma crítica, para que esse futuros docentes possam ser sujeitos questionadores de sua prática.

O saberes da docência possui uma importância significação junto à formação de professores para um formar crítico, com isso existe três saberes que são: Os saberes da docência ? a experiência, Os saberes da docência ? o conhecimento e Os saberes da docência ? saberes pedagógicos.

O primeiro relata a construção por parte desse futuro docente de seus saberes através de suas experiências como alunos e no seu cotidiano. Ao chegar ao curso de formação inicial esse graduando já datem a idéia do que é ser um educador, pois trás esse foco de suas atividades ao logo de sua vida, além disso, trazem o pensamento de o quanto é difícil à profissão docente, que acarreta a não valorização social e financeira, a dificuldades de estarem em turmas que são turbulentas e problemáticas, escolas precárias e a desvalorização profissional e salarial. Outros saberes são os do cotidiano docente, na qual exige a permanente revisão e reflexão de sua prática, junto aos seus colegas de trabalho e estudo, os textos abordados por vários teóricos, buscando trazer a esses graduandos o desafio de aprender a repensar a sua prática.

Destaco as afirmações de Pimenta enquanto aos saberes da experiência, pois eles são de suma importância para retratar a idéia do que é ser um professor, que se dá através dos conhecimentos vividos socialmente, historicamente e politicamente pelos licenciados, que contribui para forma as suas vivencias.

O segundo saber para Selma Garrido Pimenta discute o conhecimento, pois para a mesma os graduandos quando estão na fase de estágio e de construção teórica de conhecimento eles detém a certeza que precisam dos conhecimentos específicos para proporcionar aos seus futuros alunos uma boa aula, mas não se questionam sobre os significados do conhecimento, a relação dos saberes com o mundo, a importância do ensinar, como são colocados o conhecimento da ciência na sociedade, como se colocam os conhecimentos históricos, matemáticos, biológicos, das artes, musicais, geográficas, das ciências sociais e da educação física, e a relação entre esses conhecimentos, a condições de trabalho nas escolas e como se poderá agir para a superação do fracasso escolar.

Com isso, para que possa existir a construção precisa se obter mais do que informação, mas é necessário contextualização e trabalho em conjunto, busca de reflexão, e acesso a informação de maneira igualitária entre os cidadãos, ou seja, não basta produzir conhecimento, mas é preciso produzir condições adequadas para o mesmo. O professor precisa trabalhar em sala de aula com o intuito de construir o conhecimento a partir de reflexão, isto é, fazendo com que seu aluno reflita o fato ocorrido em sala e na sociedade e torne este discente um ser humano humanizado e dialético que contribua para uma sociedade critica e coletiva. Porém, para que isso ocorra é necessário haver a valorização da formação dos educadores como um todo.

Considero importante o aspecto retratado pela autora sobre o segundo saber, o qual afirma que o conhecimento não pode ser pautado apenas nos saberes adquiridos na universidade, mas existe a necessidade de construir a contextualização entre o conhecer especifico e o de vida.

O terceiro saber relata os saberes pedagógicos que são compostos dos saberes da experiência, do conhecimento e pedagógico, didático, ou seja, para que os licenciados adquiram um saber articulados entre si, pois o que se percebe é que os mesmos são trabalhados na formação de professores de maneira desarticulada sendo necessária um reinventar desse saber através de uma prática engajada a partir dos conhecimentos sociais da educação. "Os profissionais da educação, em contato com os saberes sobre a educação e sobre a pedagogia, podem encontrar instrumentos para se interrogarem e alimentarem suas práticas confrontando-os" (p.26).

É nesse contexto que os saberes pedagógicos são construídos, onde ocorra a ação, pois para muitos docentes esse saber se reduz apenas no saber-fazer, ou seja, na "ilusão" do saber didática, mas o mesmo se realiza através da prática que confrota-os e problematizam buscado inserir a pesquisa e o diálogo.

Percebo que o terceiro saber trás em seu bojo grandes contribuições, pois tenta salientar a importância de se relacionar os sabres pedagógicos com a experiência e conhecimento criando professores engajados na discussão de sua prática.

A autora aborda a busca de refletir na ação, sobre a ação e a reflexão na ação com o objetivo de construir licenciados com uma identidade profissional crítica, pois essa tendência confirma-se na denominação de professor critico reflexivo, no qual se opõe a racionalidade técnica, cujo educador irá pensar e discutir continuamente a sua prática através de trocas de experiências coletivas, práticas autônomas e de pesquisas. Essa é uma tendência formadora do pensamento questionador e autoparticipada. "Opondo-se à racionalidade técnica do trabalho dos professores compreendidos como funcionários (ora da igreja ora do estado), mero aplicadores de valores, normas e diretrizes e decisões político-currículares, aponta para a importância do triplo movimento sugerido por Schön, da reflexão na ação, da reflexão sobre a ação e da reflexão sobre a reflexão na ação, enquanto constituinte do professor compreendido como profissional autônomo (relativamente autônomo)" (p.29).

Acho pertinente a afirmação da autora ao argumenta a reflexão com um dos aspectos principais para a formação de docentes pensantes, pois é através desse exercício dialético que o educador irá adquirir autonomia e criticidade para pensar a sua prática e mudar os aspectos negativos que as rodeiam.

Vários pensadores que utilizam essa abordagem de uma formação profissional que construa nos licenciados um conhecimento crítico-reflexiva, têm o objetivo de criar nessa formação um pensamento autônomo e valorizando o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Todavia, essas práticas de saberes críticos precisam se inseridas dentro prática educacional e ser confrontados com suas experiências do contexto escolar. "As investigações sobre o professor reflexivo, ao colocarem os nexos entre formação e profissão como constituintes dos saberes específicos da docência, bem como as condições materiais em que se realizam, valorizam o trabalho do professor como sujeito das transformações que se fazem necessárias na escola e na sociedade. O que sugere o tratamento indissociado entre formação, condições de trabalho, salário, jornada, gestão currículo" (p.30).

Além da necessidade do aspecto crítico-reflexivo na prática docente acredito que seja de extrema importância a valorização do magistério no seu aspecto profissional, abrangendo salário, jornada de trabalho e a autonomia dos docentes, criando profissionais políticos, críticos e transformadores.

A autora argumenta que existem novos paradigmas que visam muitas mudanças na formação docente com o intuito de criar práticas de reflexão e políticas educacionais que visem a problematização das práticas social, onde esse educador será sujeito do seu conhecimento. A formação inicial e continuada inclui uma política de valorização do pessoal-profissional, o qual implica em condições de trabalho, pessoal e de salários. Logo, esse profissional terá atributos para forma sua identidade de maneira autônoma e superar o fracasso escolar e diversas deficiências escolares.

Portanto, concordo com a autora quando utiliza como aspecto principal para a superação do fracasso escolar a valorização do magistério, pois é a partir da superação e realce do profissional da educação e da construção de uma identidade crítica e que iremos poder contar com um educar dialético e problematizador, ou seja, a construção de uma docência crítica e política e que se alcançará uma sociedade bem formada e intelectualizada como um todo.

 
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Sobre este autor(a)
Pedagoga, Especialista em docência no ensino superior, Filosofia da educação e mestranda em Ciências ambientais.Atua como docente.
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