Resumo do Livro Viagem Incompleta
 
Resumo do Livro Viagem Incompleta
 


MOTA, Carlos Guilherme. Viagem incompleta  A experiência brasileira (1500-2000) Formação da História. 2 ed. São Paulo: SENAC/1999.

A Obra citada é uma coletânea de ensaios produzidos por historiadores diversos, organizados em dois volumes pelo historiador Carlos Guilherme Mota, os quais tratam sobre diversos aspectos e períodos da História. No capítulo "Por que o Brasil foi diferente? O contexto da independência", que faz parte do primeiro volume, o historiador Kenneth Maxwell, discorre sobre a Independência do Brasil no contexto comparativo atlântico. Na primeira parte do texto, o autor trata sobre os aspectos e pressupostos que envolvem a emancipação de uma nova nação, os quais são: a democratização da política interna - a manifestação da expressão popular; o reconhecimento do novo status de nação por outras nações, o que naturalmente segundo ele, é de fundamental importância na história de sua identidade como nação independente; a assinatura de um tratado internacional com a antiga metrópole e outras obrigações e decisões comuns a uma nação emancipada, o que para ele, se constituem em temas fascinantes para a investigação histórica. O autor ainda destaca a subjetividade com que encaramos o movimento de independência,, pois raramente o consideramos uma coisa ruim, negativa e assevera que, no caso da independência das nações independentes da América Latina, inclusive o Brasil, a persistência da herança colonial se tornou premente pelo fato de terem sido por mais de três séculos de dominação ibérica. O impacto causado pela dominação portuguesa e espanhola foi muito mais profundo na América pré-colombiana, pois em seus territórios as populações, religiões, estruturas sociais e padrões de comportamentos foram aviltados, desenraizados e destruídos de maneira catastrófica. Para ele, a América Latina não pode ser compreendida totalmente se vista apenas pela ótica do contexto das nações do Terceiro Mundo, pois o impacto da colonização espanhola e portuguesa terminou por gerar nações, cujos traços e características peculiares foram tão miscigenados, que ficou difícil segregá-los. No ponto seguinte Maxwell, fala sobre o processo de descolonização no Brasil, que na década de 1820 negociava seu relacionamento com o mundo externo dentro das limitações histórica, geográfica e de experiência. Ele chama a atenção para a influencia da teoria da dependência sobre a construção teórica desse período por parte de estudiosos brasileiros, dentre os quais a professora Emília Viotti da Costa e Fernando Novais, que desempenharam um papel importante em sua evolução. Esses estudiosos colocam a emergência do Brasil enquanto nação independente no contexto da passagem do capitalismo mercantil para o capitalismo industrial na Europa, e as conseqüentes mudanças ocorridas no sistema econômico internacional; ressaltam ainda os interesses britânicos em Portugal e no Brasil, os quais foram largamente satisfeitos, sendo levados a efeito pela abertura dos portos do Brasil, em 1808 e com o Tratado Anglo-Brasileiro em 1810. Maxwell destaca que o preço pago pela independência por Portugal e Brasil à Grã Bretanha foi de certa forma sacrificar, abrir mão de suas perspectivas econômicas, cedendo à pressão comercial britânica, inclusive na questão do tráfico de escravos. Citando Sidney Minz ele afirma que a revolução industrial na Inglaterra e nos estados do nordeste da América do Norte ajudou a reavivar o escravismo nas Américas, o qual era financiado por comerciantes do Rio de Janeiro e da Bahia, mas também por comerciantes de Nova York, Londres e Liverpool. O autor conclui a segunda parte do texto mencionando o argumento de Nathaniel Leff que indica que o motivo principal das baixas taxas de crescimento econômico do Brasil durante o século XIX era o setor agrícola, onde as baixas rendas e a demanda relativa ao trabalho escravo, restringiam o ritmo do crescimento do resto da economia, o que, segundo Maxwell, foi o que advertiu José Bonifácio de Andrada e Silva aos seus contemporâneos, logo no início do processo da independência do Brasil quanto aos efeitos negativos da manutenção da escravidão a longo prazo. Na terceira parte do capítulo, o autor aborda aspectos característicos do contexto internacional onde se desenrolou a independência, destacando a pessoa de D. Pedro e as opiniões controvertidas da historiografia portuguesa e da historiografia brasileira a seu respeito. Para o autor, quando ele, no dia 7 de setembro de 1822, às margens do Ipiranga, gritou "Independência ou morte", estava exagerando, pois a questão na época não era certamente a 'morte', mas apenas indiretamente a 'independência'. Ele declara ainda que a questão importante a respeito do Brasil é que ele se tornou econômica e politicamente independente entre 1808 e 1820, enquanto desempenhava o papel de centro do Império Luso-Brasileiro. Maxwell encerra a terceira parte do artigo citando um trecho do manifesto do Porto promulgado por rebeldes de uma cidade da Europa e não por rebeldes de algum porto colonial da América, causado, sobretudo pelo descontentamento dos portugueses que vivam na Metrópole.

PALAVRAS-CHAVE:INDEPENDÊNCIA;DESCOLONIZAÇÃO; COLÔNIA.

 
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Sobre este autor(a)
Sou Antonia L. N. Rodrigues. Desde a infância sinto-me atraida pelos livros. Utilizá-los pra mim é o equivalente a um delicioso mergulho no mundo da imaginação e a possibilidade de crescer enquanto ser humano. Sou formada em Teologia desde 1990; ministrei em algumas instituições teológicas e trabalh...
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