Resenha sobre o Livro Choque do Futuro
 
Resenha sobre o Livro Choque do Futuro
 


Resenha:

TOFFLER, ALVIN. O choque do Futuro. 4ª ed. Tradução: Marcos Aurélio de Moura Matos. Editora Arte Nova, 1972. 406 p.

O choque do Futuro

Thiago Pires Santana*

O livro Choque do Futuro estabelece uma abordagem sobre as tendências futuristas, o seu autor Alvin Toffler descreve o que ele acredita poder acontecer no futuro, analisando as tendências através do método histórico-comparativo. O autor estabelece uma corrente evolucionista do homem, apreendido pela suas caracterizações do futuro, em termos tecnológicos, institucionais, organizacionais e sociais. Por esta abordagem humanística tão global e generalizante e ao mesmo tempo tão singular e específica, é que se considera este livro como um clássico da leitura mundial.

Nos primeiros capítulos o autor quer estabelecer conceito de tempo e transitoriedade ao choque do futuro. "O choque do futuro é um fenômeno relacionado com o tempo, um produto do ritmo grandemente acelerado das transformações que ocorrem na sociedade" (p.5).

"A aceleração da mudança altera radicalmente o equilíbrio entre as situações que nos são familiares e as situações novas. [...] O índice crescente em que o fluxo das situações novas passam por nós, complica grandemente a estrutura integral da vida" (p.23-24), fator que o autor diz ser responsável pelo sentido atordoante de complexidade em relação à vida contemporânea.

Como foi dito por Toffler o ritmo da vida está intrinsecamente ligado ao conceito de transitoriedade, que neste contexto quer dizer rotatividade entre as relações que estabelecemos na vida, um rompimento ao apego as conexões do passado e a efemeridade das situações emergentes. O autor corrobora com o afirmado acima dizendo "a transitoriedade é uma nova 'temporalidade' da nossa vida cotidiana" (p.34).

"O movimento do fluxo das coisas nas nossas vidas cresce de maneira mais frenética, defronte a uma onda de itens de usar e jogar fora, de arquitetura impermanente, de produtos móveis e modulares, de mercadorias para alugar e itens desenhados e elaborados quase para que uma morte instantânea" (p.58). Estas palavras vêm nos direcionar a uma incontornável transitoriedade na relação homem-coisa.

A transitoriedade para Toffler não estar relacionado somente na relação homem-coisa, mas em todas as relações existentes associadas ao homem, as organizações e aos lugares. "[...] Devemos iniciar e terminar os relacionamentos com as coisas, com os lugares, com as pessoas e com as organizações a um ritmo até mais veloz, assim também precisamos atentar para as nossas concepções da realidade, para as nossas imagens mentais de mundo em intervalos cada vez menores" (p. 149).

Na sociedade do futuro chamada também pelo autor de superindustrial, uma enxurrada de novas situações e novas coisas aparecem constantemente, alavancadas por uma grande revolução tecnológica. A intensa diversidade e fluxo de coisas novas estarão-nos "forçando todos aos problemas de adaptação para o novo, porquanto a transitoriedade e as coisas novas é uma mistura explosiva" (p.155).

É possível perceber na obra que todas estas mudanças inferirão diretamente na família, com o surgimento da sociedade marcada pela transitoriedade, pela diversidade e pelas novidades. Toffler evidencia este pensamento dizendo que "a família pode muito bem dar-se que nem desaparecerá nem entrará numa nova idade de ouro, pode acontecer que a família se esfacele, se estilhace, se abale, apenas para ressurgir outra vez sob formas novas e extraordinárias" (p.198).

Percebe-se durante a leitura do livro que paralelamente a rotatividade de coisas que passam na vida do homem do futuro virá momentos em que ele terá que fazer escolhas ou super-escolhas. As pessoas do futuro passarão a sofrer uma paralisadora abundância destas "opções", podendo passar a ser vítima desse dilema das superescolhas. As superescolhas tornarão a raça humana e a sociedade cada vez mais diversificada e de uma maneira nunca vista na história, as pessoas serão levadas a uma fragmentação e a uma diversificação de valores passageiros, a diversidade de escolhas e de estilos de vida encaminhará as pessoas a um grande problema de adaptação, que poderá levar a sociedade superindustrial ao caos.

O caos de adaptabilidade vem se iniciar quando convergimos à diversidade para a transitoriedade e a novidade, "criando uma ambiência tão efêmera, tão estranha e tão complexa que passa a ameaçar milhões de seres humanos com um fracasso de adaptação: Este colapso é o choque do futuro" (p.268).

A mudança dos hábitos de vida de uma pessoa, o rompimento com os relacionamentos com as coisas, com os lugares ou com as pessoas, acaba por forçar o corpo a um nível intenso de adaptação. Há limites constatáveis quanto à carga de mudanças que o organismo pode absorver e tolerar, diferentes pessoas reagem as mudanças de maneiras diferentes, seus sintomas também variam de acordo com o estágio e a intensidade da moléstia, em que vão desde a ansiedade até as doenças físicas. Mas o choque do futuro não é apenas um problema de doença física, e sim também, uma doença que ataca o psíquico, o corpo sucumbe sob o esforço causado pela superestimulação ambiental e a mente aos processos decisórios.

Toffler nos adverte quanto ao choque do futuro afirmando que "passaremos por um período tão traumático quando a evolução dos predecessores do homem, de criaturas do mar para criaturas da terra... Os que puderem adaptar-se, o farão, os que não puderem adaptar-se continuarão a sobreviver de algum modo, a um nível mais baixo de desenvolvimento ou morrerão atirados na vastidão das praias" (p.271).

A resposta ao choque do futuro não é a não-mudança das coisas, mas uma diferente espécie de mudança. Deve-se, por conseguinte, experimentar uma série nova de medidas reguladoras de mudanças, inventando e abandonando esses meios, à medida que avançamos no nosso roteiro. O autor nos diz que devemos estabelecer táticas pessoais rumo às estratégias sociais na intenção de amortecer as alterações na sociedade do amanhã, introduzindo a mudança em uma cadeia de acontecimentos previsíveis, em lugar de aleatórios.

Alvin Toffler deseja com este livro fazer com que as pessoas passem a pensar sobre o futuro e possam controlar o poder acelerativo e violento das mudanças, estabelecendo estratégias que venham a suprir as necessidades que teremos no amanhã, com escolas, igrejas, cultos e organizações que pensem no futuro juntamente com novas maneiras para controle da tecnologia e das mudanças sociais.

Toda a obra para o autor tende a alertar o homem dos enormes traumas causados pelo choque futuro, objetivando de alguma maneira ajudar a criar uma consciência necessária para o homem assumir o controle das mudanças. Isto porque, ao fazer uso imaginativo da mudança, poderemos não só poupar-nos o trauma do choque do futuro, mas também nos adiantar para humanizar os distantes amanhãs.

CRÍTICA DO RESENHISTA

A obra fornece subsídios coerentes para uma análise científica, à medida que aborda seus temas, (morte da permanência, a transitoriedade, as coisas novas, a diversidade, os limites da capacidade de adaptação, as estratégias de sobrevivência) a partir de uma construção/discussão histórico-comparativo da evolução humana, fundamentando e estabelecendo relações projeções não-lineares da sua visão de futuro, reportando-se a esclarecimentos sempre que necessários.

Com sólidos conhecimentos acerca do desenrolar histórico, o autor apresenta de forma clara e detalhada as circunstâncias que fundamentam o seu discusso sobre o choque do futuro. Levando-nos a compreender as idéias básicas das várias linhas da evolução contemporânea do homem, bem como a descobrir uma nova maneira de ver o que já foi visto.

É uma leitura que não exige conhecimentos prévios para ser entendida, porquanto foi escrita numa linguagem acessível e abordada em diversos contextos comuns. É também uma leitura não específica, fechada em uma área de conhecimento, pois trata de uma diversidade muito rica de fenômenos.

A análise dos conceitos de transitoriedade, diversidade e rotatividade, entre outros, impulsionam a reflexão crítica e a discussão teórica sobre os fundamentos filosóficos. Com isso auxiliam o entendimento da sua linha de raciocínio e compreensão dos futuros exemplos do amanhã.

A obra é notória de grandes méritos, já que apresenta idéias novas, verdadeiras e criativas abordadas de maneira muito original até então pouco discutidas. A sua amplitude inclusive é merecedora de várias análises críticas, de diversas áreas, a fim de contribuir e enriquecer a discussão da obra. A mesma tem o objetivo de discutir sobre os problemas que teremos no futuro e oferecer sugestões para reverter e controlar os impulsos das mudanças em nossas vidas, a fim de sermos os agentes ativos da nossa própria existência. Por isso esta obra pode ser indicada para todas as pessoas que queiram fazer uma leitura interessante e reflexiva, desde um padeiro, um empresário até a um estudante secundarista.

Não se trata de um simples livro, mas de uma obra prima que deve ser discutida nas escolas, no trabalho, em casa, em todos os ambientes onde haja interação humana e convivência social.

* Thiago Pires Santana, licenciado em matemática e especialista em matemática e estatística. Aluno dos seminários preparatórios para mestrado em Educação na área de Inovação Pedagógica da UMA. Professor do ensino superior, médio e fundamental.

 
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