RESENHA CRÍTICA do livro o que faz o Brasil, Brasil?
 
RESENHA CRÍTICA do livro o que faz o Brasil, Brasil?
 


RESENHA CRÍTICA

 

DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Rio de Janeiro: Editora Rocco. 2001

 

1  CREDENCIAIS DO AUTOR

            Graduação e Licenciatura em História pela Universidade Federal Fluminense (1959 e 1962). Curso de Especialização em Antropologia Social do Museu Nacional (1960); M.A e Ph.D em, respectivamente, 1969 e 1971 pelo Peabody Museum da Universidade de Harvard. Foi Chefe do Dept. de Antropologia do Museu Nacional e Coordenador do seu Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (de 1972 a 1976). É Professor Emérito da Universidade de Notre Dame, USA, onde ocupou a Cátedra Rev. Edmund Joyce, c.s.c., de Antropologia de 1987 a 2004. Atualmente é Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Realizou pesquisas Etnologicas entre os índios Gaviões e Apinayé. Foi pioneiro no estudo de rituais e festivais em sociedade industriais, tendo investigado o Brasil como sociedade e sistema cultural por meio do carnaval, do futebol, da música, da cidadania, da mulher, da morte, do jogo do bicho entre outras categorias.

            Obras; Índios e castanheiros (com Roque de Barros Laraia) – 1967 ,Ensaios de antropologia cultural – 1975, Um mundo dividido: a estrutura social dos índios Apinayé - 1976 (em inglês, 1982) , Carnavais, malandros e heróis - 1979 (em francês, 1983; em inglês, 1991) Universo do carnaval: imagens e reflexões – 1981 Relativizando: uma introdução à antropologia social, 1981 O que faz o brasil, Brasil? – 1984 A casa e a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil - 1984 (em 2000, foi lançada a 11ª edição) Explorações: ensaios de sociologia interpretativa – 1986 Conta de mentiroso: sete ensaios de antropologia brasileira – 1993 Torre de Babel: ensaios, crônicas, críticas, interpretações e fantasias – 1996 Águias, burros e borboletas: um ensaio antropológico sobre o jogo do bicho – 1999 Profissões industriais na vida brasileira – 2003 Tocquevilleanas, notícias da América – 2005 A bola corre mais que os homens: duas Copas – 2006 O que é Brasil? – 2007 Crônicas da vida e da morte – 2009 Fé em Deus e pé na tábua – 2010, Além de sua obra em livro, DaMatta tem centenas de artigos e ensaios em revistas científicas e coletâneas, bem como verbetes em dicionários e enciclopédias, no Brasil e no exterior, publicados a partir de 1963. Mantém uma coluna semanal no O Globo, do Rio de Janeiro.

 

2  RESUMO DA OBRA

            Roberto Damatta é um estudioso que há alguns anos vem discutindo assuntos de interesse nacional. Antropólogo como tal, levanta a bandeira de um Brasil sob a visão antropológica mostrando as suas características e comparando-as com outros países. Aqui ele faz uma indagação, O que faz desse país Brasil? De fato, trata-se de uma questão de identidade, ou melhor, de uma construção de identidade permeada pela história desde o descobrimento do Brasil até os dias de hoje, com nossas particularidades e características ímpares. Em uma pesquisa da identidade nacional, DaMatta revela o Brasil, os brasileiros e sua cultura através de suas festas populares, manifestações religiosas, literatura e arte, desfiles carnavalescos e paradas militares, leis e regras (quando respeitadas e quando desobedecidas), costumes e esportes.

 No primeiro capitulo (p.11-20), o autor trata da questão da identidade mostrando por que escreveu no titulo do livro brasil com b minúsculo e Brasil com B maiúsculo. O Brasil com “B” maiúsculo: É uma combinação especial das possibilidades humanas. Tem um padrão, tem valores e julgam as ações humanas. É complexo e tem história. É país, tem cultura, tem local geográfico, memória e consciência de um lugar que se tem ligação especial, afetiva. O brasil com “b” minúsculo: É o país das possibilidades humanas. Fadado à degeneração e à morte biológica, psicológica e social. È objeto sem vida, autoconsciência ou pulsação interior. È pequeno e defasado das potências mundiais. É auto-flagelado e desanimado. O Brasil que não sabe conjugar lei com grei; indivíduo com pessoa; evento com estrutura; comida farta com pobreza estrutural; carnaval com comício político. É um paradoxo, mas não fica no meio termo, é, e não é. Com estas palavras ele tenta explicar a questão da identidade social brasileira e afirma que a construção desta identidade possui pontos negativos e positivos.

 

            No segundo capitulo (p. 21-33), Damata define como é a casa, a rua e o trabalho no Brasil comparando com outros países. Na casa estão presentes a relações familiares e nelas estão contidos os mais diversos sentimentos oriundos das intimidades compartilhados, assim não importa como ela seja feita, o teto, as paredes, pois o que se quer expressar e o sentido de lar. O homem ou a mulher quando vão para o trabalho se deparam com o amigo da casa, a rua, no final da jornada fica a ansiedade de chegar nela adentrar e tomar aquele banho e ficar a vontade. Assim sendo a casa e a rua se misturam e se completam, caracterizando não apenas lugares comuns ou espaços geográficos, mas modos de ler, explicar e falar do mundo,porque ali encontra historia e construção de vida.Trabalhar é uma rotina,algumas pessoas se deslocam a pé, de trem, metrô ou de ônibus e de carro, isto no intuito de realizar suas tarefas cotidianas. Para Damatta a idéia de residência é um fato social totalizante, na casa há tranqüilidade, calma,harmonia, na rua há luta, batalha, perigo, no trabalho tem concorrência, reclamação, chefe, batente. No entanto,essas três idéias se correlacionam, e fazem parte da vidado individuo.O autor retrata o sentido antigo da palavra Tralho que significava instrumento de tortura e afaz uma comparação ao do trabalho no Brasil com o Americano. O trabalho é o castigo no Brasil. Para os calvinistas americanos, leva à salvação. Como trabalhadores, se tem, o Malandro que trabalho pouco e ganha muito

No terceiro capitulo (p.34-47) “A ilusão das relações raciais”, DaMatta analisa a mistura de miscigenação das “raças”,que alguns autores vêem como problema para o construção da identidade nacional brasileira, procura entender aposição de liderança do branco ocidental. A teoria racista via no mulato a degeneração das raças. Em seguida compara a relação racial entre Brasil e Estados unidos, enquanto no Brasil não tem uma classificação formalizada como nos EUA, pois lá há varias divisões, por exemplo, tem escola de negro e escola do branco, ônibus do negro e ônibus do branco, bairro do negro e bairro do branco, diferente do que acontece no Brasil.

            Já em relação à comida, presente no quarto capitulo (p. 48-64) distingue o que é “cru e cozido”, enquanto o cozido permite a relação e a mistura de coisas do mundo que estavam separados, o cru é o oposto do mundo da casa, como uma área cruel e dura do mundo social. . Para DaMatta a comida define as pessoas: “dize-me o que comes e dirte-ei quem és”! (p.58). Diferenciar comida e comidas é importante para entender tal capitulo, o primeiro já foi discutido, mas vale salientar que se correlaciona com homem e mulher, pois comidas associam à sexualidade (“não cuspa no prato em que comeu”).

     No quito capitulo (p. 65-78), ele faz uma análise acerca  do carnaval, tratando como teatro ou prazer, procurando resposta sobre deque forma o carnaval ou mundo serve de teatro e prazer,afirmando que: No caso do Brasil, a maior e mais importante, mais livre e mais criativa, mais irreverente e mais popular de todas,sem duvida, o carnaval... (p.71). Assim pode-se compreender que o carnaval cria situações onde varias coisas são possíveis outras podem ser evitadas. Ele é definido como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres. É a distribuição teórica do prazer sensual para todos. Trocamos a noite pelo dia, não se fala em mascaras, mas em fantasias, esta permite passar de ninguém a alguém, as pessoas mudam deposição social.

No sexto capitulo (p. 79-91) “As festas da Ordem” DaMatta compara o carnaval com tais festas. A festa carnavalesca requer tudo de mim: meu corpo eminha alma, minha vontade e minha energia. Mas as festas de ordem parecem dispensar essa motivação totalizada. Daí, talvez, essas regras rígidas de contenção corporal, verbal e gestual nos ritos da ordem. (p.84). Tudo isso é sacrificado com precisão em todos os ritmos da ordem (p.85). Aqui ele busca a idéia de igualdade das imposições sociais.

No sétimo capitulo (p. 92-105) “O modo de navegação social; A malandragem e o jeitinho”, o autor retrata algumas condutas que são peculiares ao brasileiro como a malandragem, o jeitinho, o despachante. O jeito é um modo pacífico e ate mesmo legitimo de resolver tais problemas, provocando essa junção inteiramente casuística de lei coma pessoa que a está utilizando. Jeito esse que se configura no jeitinho brasileiro- “você sabe com quem você está falando?”. A malandragem faz parte desse jeitinho, é uma de cinismo e gosto pelo grosseiro e pelo desonesto, o despachante, só pode ser visto quando damos conta da dificuldade de juntar a lei com realidade social diária.

No ultimo capitulo, o oitavo (p. 106-118) ele faz referencia aos caminhos para se chegar a Deus, tendo como foco a religião, que segundo DaMatta é um modo de ordenar o mundo, facultando nossa compreensão para coisas muito complexas, como a idéia de tempo, a idéia de eterno e a idéia de perda e desaparecimento, esses mistérios parentes da experiência humana... (p.113) Completa ainda: A igreja..., é uma forma básica de religião, marca do talvez o lado impessoal de nossas relações com Deus. Um lado de fato, onde a intimidade eventualmente pode ceder lugar às regras fixas que conduzem a uma impessoalidade nos cultos que legitimam de qualquer modo as crises de vida

3 CONCLUSÃO  DO AUTOR

            Fazer uma leitura do Brasil, como sugere a obra, não pode ser tão simples como construir um livro, ela é mais ampla do que parece, o que se configura na certeza de que este breve ensaio do que é Brasil é apenas o primeiro passo para a descoberta de nossa identidade. Aqui apenas se busca tirar algumas lições do modo de ensinar, tentando mostra que a sociedade brasileira não é homogênea, mas sim heterogênea.

QUADRO DE REFERÊNCIAS DO AUTOR

            O autor utiliza em suas argumentações técnicas bem claras de pesquisa na tentativa de um aprofundamento no tocante a questão da identidade do Brasil, assim a obra possui o método comparativo de investigação cientifica buscando também na dialética a explicação de suas idéias.

            Para a construção deste trabalho, o autor utilizou como referencial teórico as idéias de Franz Boas e Malinowik no tocante ao trabalho de campo do antropólogo, como intuito de argumentar sobre as comparações dos costumes brasileiros com os costumes americanos e também com os dos povos primitivos locais.

5 APRECIAÇÃO

            O autor faz uma analise perfeita da sociedade brasileira, intensificando os costumes de seu povo junto às inúmeras manifestações de uma cultura rica e que pode ser comparada a qualquer país desenvolvido, sem ser inferiorizada no tocante aos traços culturais, para isto se vê a utilização de exemplos categóricos referentes ao tema tratado o que acaba proporcionando maior dinamismo e identificação no momento da leitura, visto que a identificação do leitor com o que está sendo retratado no livro os leva a um sentimento de nacionalidade extrema  

             O referente ensaio de Roberto Damata foi publicado pela primeira vez em pleno período ditatorial, com isto ele pôde nos mostrar a complexidade da sociedade vigente e assim direcionar a obra a um Brasil que sofria os traumas do período em que foi suspensa a liberdade da sociedade brasileira.

            A presente obra contribuiu para um maior entendimento e compreensão por parte dos leitores no que diz respeito a nossa identidade e a nossa formação sócio-cultural, principalmente no que refere a uma sociedade que, segundo o autor, segue uma lógica relacional, que a faz moderna e tradicional.

Para fomentar suas idéias o autor utilizou uma linguagem concisa, objetiva, simples, clara, precisa, coerente, correta e de fácil entendimento com palavras que ajudaram ao leitor a ter uma melhor compreensão dos fatos e que dispensaram a utilização de dicionários.

 

O parágrafo mais importante foi, sem duvida, o primeiro, pois foi a chave para desvendar o enigma proposto pelo autor no titulo, “O que faz o brasil, Brasil” . Este título acaba sendo um questionamento com várias respostas que no fundo afirma que os dois tipos de Brasil formam a sociedade complexa que existe hoje e que é aquilo que chamamos de pátria.

6 INDICAÇOES DO RESENHISTA

            O livro é especifico no tocante a sua estrutura, a qual compreende a sua configuração direcionada a área acadêmica, mais precisamente a cursos de diversas especificidades que estejam ligadas direta ou indiretamente ao âmbito social e a cursos da área humana ou ainda os demais cursos, pois a antropologia cobre diversas áreas de estudo. Tem o intuito de propiciar aos acadêmicos um questionamento mais abrangente sobre a sociedade com uma visão critica no que diz respeito a nossa identidade. È direcionado também para todos os professores de atropologia que ministram aula no ensino superior e ao público geral que se enteresse no referido tema.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Francisco Waleison dos Santos, Acadêmico do curso de Serviço Social, Faculdade Leão Sampaio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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