Resenha crítica do documentário a história das coisas
 
Resenha crítica do documentário a história das coisas
 


Resenha Crítica do Documentário A História das Coisas

 

*Heráclito Ney Suiter

 

Resumo:

                          A presente resenha crítica é sobre o documentário de 20 minutos denominado A História das Coisas, de autoria da norte-americana Annie Leonnard. No vídeo a autora faz uma abordagem e um alerta sobre o sistema de produção atual, desde a extração e produção até o consumo final e seu descarte. Segundo Annie, há uma estreita relação entre os problemas ambientais e os sociais. Procuramos não nos alongar sobre algumas colocações da autora para não sermos muito extensos. Este trabalho faz parte da avaliação bimestral da disciplina de Gestão de Empreendimentos de Comunicação, ministrada pela professora e mestranda Sejane Brito Ribeiro.

Palavras-chave: Meio ambiente. Sustentabilidade. Sistema de produção.Consumismo.

 

Resumen:

                          Esta revisión crítica está en el documental de 20 minutos llamado La Historia de las Cosas, escrito por el estadounidense Annie Leonnard. En el video el autor hace un planteamiento y una advertencia sobre el sistema de producción actual, desde la extracción y la producción hasta el consumo final y la eliminación. De acuerdo con Annie, hay una estrecha relación entre los problemas ambientales y sociales. Tratamos de no pensar en algunas declaraciones del autor de no ser muy grande. Este trabajo es parte de la evaluación bimestral de la disciplina de la Comunicación Gestión de Proyectos, impartida por el profesora y maestra Sejane Brito Ribeiro.

 

Palabras clave: El medio ambiente. Sostenibilidad. Sistema de producción. El consumismo.

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* Pós-graduado em Direito Ambiental e MBA em Gestão Ambiental pela Facimab – PA; Environmental Auditing for the IEMA – UK; Pós-graduando em Comunicação em Crise de Instituições Públicas e Privadas pelo Instituto AVM – BSB – DF; Autor do livro O conflito entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental; Acadêmico do 5º período do curso de Comunicação Social – Jornalismo do Centro Universitário UnirG.

 

1 Contexto do vídeo

            O filme aborda sobre a rápida redução dos recursos naturais do planeta, a autora cita números instigantes alegando que os EUA, com apenas 5% da população mundial é responsável pelo uso de 30% dos recursos existente no planeta terra, e isso pode até parecer um exagero por parte de Annie L. se fizermos um comparação com os dados do PIB – Produto Interno Bruto mundial relacionado àquela nação, que é de 27% do montante mundial.

            No entanto, o crescimento da taxa do PIB demonstra segundo especialistas, tão somente uma parcela dessa realidade, pois as economias desenvolvidas de forma informal e as atividades voluntárias são fazem parte dessa métrica. Outro ponto importante a se levar em conta é que além de ser um índice altamente manipulável, em sua contabilidade é ocultada os passivos das crises da estrutura social e a destruição do meio ambiente.

            Ironicamente, efeitos desastrosos são pontuados com ganhos econômicos, um exemplo disso é o grande volume de negócios envolvendo a indústria relacionada com a segurança em face do assustador crescimento da criminalidade nos grandes centros urbanos (helicópteros, carros blindados, sistemas de segurança, etc.). No caso da degradação ambiental, onde as atividades de extração de recursos naturais como minério, hidroenergia e petróleo - produtos oriundos de depredação – são tidos como renda corrente ignorando os custos pela recuperação do meio ambiente e tratamento de saúde da população atingida por essas atividades.

            O PIB é uma forma ultrapassada de analisar conquistas econômicas, uma vez que vislumbra tão somente o dito crescimento econômico e não o desenvolvimento econômico; o primeiro limitado e esgotável, o segundo, avanço real, mais ilimitado do que o primeiro e com base na sustentabilidade.     

            Na parte que trata da contaminação de produtos tóxicos creio que deviria haver um pouco mais de estudo a respeito. Por uma rápida pesquisa na internet sobre o produto químico BRF, o pouco que encontrei foi que se trata de um produto utilizado para retardar chamas em caso de um incêndio. Um ponto que a autora não cita, e isso sim é preocupante e temos bastante referência de estudos a respeito é sobre os produtos agrícolas e veterinários utilizados no setor agropastoril.

            Em face de prazos para liquidar financiamentos agrícolas, uma maior produtividade por área plantada (defensivos contra pragas e fertilizantes), muitas são as substâncias que se pode encontrar em alguns vegetais, uma vez que fica difícil controlar o período de carência de tais elementos em milhares de toneladas de verduras e frutas produzidas em todo o país. Ademais temos a ganância das grandes produtores desses produtos que querem vender sempre mais, sem se preocupar com os consumidores e de olho nas altas margens de lucro, pouco se importando com os resultados em longo prazo, no caso da intoxicação cumulativa de alguns desses produtos no homem.

Segundo o Projeto de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), realizado pela Agência nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2.001, foi analisado diversos legumes, frutas e vegetais para ver o grau de contaminação.

Entre as amostragens, os alimentos que foram contaminados com uma frequência maior foram: pimentão (80,0%), uva (56,40%), pepino (54,80%), morango (50,80%), couve (44,20%), abacaxi (44,10%), mamão (38,80%), alface (38,40%), tomate (32,60%) e beterraba (32,00%). [http://www.ciclovivo.com.br/noticia.php/1058/os_10_alimentos_mais_contaminados_por_agrotoxicos/]

            A questão do sistema de produção e sua logística, tratado no documentário nada mais é do que a lógica de um capitalismo global moldado no consumismo sem limites. Particularmente nos EUA, um sistema político totalmente dependente e submisso as grandes corporações empresariais, e isso é fato incontestável.

            Ao suprir os custos para o desenvolvimento de produtos bem como o barateamento dos mesmos para que mais pessoas possam ter acesso aos bens de produção, tem-se uma lógica matemática pouco funcional, uma vez que não são mensurados os fluxos de resíduos, ou seja, do lixo gerado não só na fase de produção como também ao descartar esses bens, uma vez que, pelo baixo custo, tem período de vida bem menor do que um produto de qualidade e mais caro.

            Tanto a obsolescência planejada como a obsolescência percebida citada no documentário, é a dinâmica do atual sistema produtivo de bens, principalmente dos chamados ‘bens duráveis’ como uma estratégia de diminuição da vida útil do produto produzido, aumentando assim o consumo dessa classe de produtos. Evidentemente a velocidade nas inovações tecnológicas da contemporaneidade também acaba por ser responsável por esse fato. 

            Quanto a publicidade e outras ferramentas de marketing, eles simplesmente trabalham a mercê do mercado, e se o regime vigente está alicerçado no ‘ter ao invés do ser’, fica evidente que campanhas para implementação de hábitos de ‘consumir o máximo para ser o máximo’ seja a cartilha dos profissionais da área das comunicações. No que trata o vídeo de Annie Leonard com relação ao quesito ‘felicidade’, é um posicionamento muito relativo e teríamos que alongar em um estudo filosófico e psicológico aprofundado, uma vez se tratar de uma temática relativa e cheia de pormenores que não conviria destrincharmos no presente trabalho. 

            Em se tratando do descarte dos subprodutos e/ou resíduos de toda a cadeia de produção, chamo a atenção para o fato de que a reciclagem é uma forma de melhorar ‘um pouco’ o problema de lixo no mundo, mas não é o suficiente, basta imaginarmos que se, segundo pesquisas, os padrões de produção e consumo no mundo, atualmente, estão 20% acima da capacidade de reposição da biosfera, e que, existem mais de um milhão de pessoas passando fome; quando essa população sair da linha de pobreza em que se encontra será necessário cerca de dois ou três planetas terra para atender às necessidades de recursos naturais. Lembrando ainda que a maior parte dos produtos não são recicláveis ou a sua reciclagem acaba sendo onerosa tanto na quantidade de energia desprendida para o processamento como nos resíduos finais dessa transformação.

2 Conclusão

            Conclui após estudos que o documentário A História das Coisas da ativista Annie Leonad, embora um pouco extremista e ausente de alguns dados comprobatórios do que foi apresentado, é bastante válido para uma análise mais atenciosa ao que homem vem fazendo com o planeta terra.

            Em resumo, acredito que temos que começar a migrar para uma dinâmica de produção/consumo diferenciada da atual. Para que isso ocorra deve haver mudanças profundas no pensamento humano, devendo-se descartar o pensamento reducionista, cartesiano e linear, dando lugar a um pensamento mais integrador, holístico e não-linear.

            Porque a necessidade dessa mudança de pensamento? Por que ela é a base para quebrar alguns paradigmas presentes em nossos tempos que culminaram na atual degradação ambiental. São mudanças profundas, tenho plena consciência disso, mas é necessário começá-la logo, antes que seja tarde demais. Questões sobre ‘direito a vida’ não devem ser prerrogativas restritas somente a espécie humana, e o respeito (principalmente com relação a capacidade de resiliência do meio ambiente) deve estar presente em todas as ações do homem. Somos apenas parte de um todo maior e, enquanto persistirmos no antropocentrismo, não conseguiremos resolver problemas complexos como a relação entre crescimento econômico e desenvolvimento econômico, sustentabilidade e maximização de lucros, felicidade e autodestruição.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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