Relatório de estagio supervisionado em movimentos sociais
 
Relatório de estagio supervisionado em movimentos sociais
 


UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ-UVA

Centro de Filosofia, Letras e Educação-CENFLE

Disciplina: Estagio Supervisionado Movimentos sociais

Professoras: Neusita Tabosa

Aluna: Maria Eugênia Teixeira

 

Relatório de Estagio Supervisionado em Movimentos sociais

 

APRESENTAÇÃO

O presente relatório expõe as observações e as experiências obtidas no Estágio Supervisionado nos Movimentos Sociais realizado no Projovem Adolescente De Iratinga,lugar  mais conhecido por São Miguel, distrito do Município de Itapajé.O mesmo funciona no estabelecimento onde localiza-se também o CRAS, uma vez que é supervisionado por um profissional de nível superior do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), também encarregado de atender as famílias dos jovens por meio do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família.(PAIF).                                              

 

INTRODUÇÃO         

 

Durante o 8º período do curso de Pedagogia na Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA foi proposto pela disciplina Estágio Supervisionado nos Movimentos Sociais a realização do estágio que caracterizasse os movimentos sociais.Com esse propósito, paralelos as aulas na universidade e a leitura dos textos com referência bibliográfica relacionada ao tema, foram feitas observações no período de 03 a 24 de Outubro   e colocado em prática o projeto Esporte e Convivência Juvenil no período de 22 a 30 de Novembro com o objetivo de propiciar aos adolescentes,espaços alternativos de vivência  e convivência prazerosa em atividades relacionadas ao esporte, de forma orientada na perspectiva de participação, integração e lazer, combatendo a ociosidade juvenil, que pode levar o adolescente até a envolver-se em atividades ilícitas.A etapa de observação que antecedeu o estágio foi de máxima importância para o contato inicial com o grupo no qual seria efetivado o estágio, propiciando meios que subsidiariam a construção do projeto a se colocado em prática.O período de observação foi também um meio de refletir sobre as práticas existentes no lugar onde resido , no que diz respeito à educação não-formal.

 

O PROJOVEM ADOLESCENTE

O Projovem Adolescente é o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Adolescentes e Jovens com idade de 15 a 17 anos e tem como foco o fortalecimento da convivência familiar e comunitária, o retorno dos adolescentes à escola e sua permanência no sistema de ensino. Isso é feito por meio do desenvolvimento de atividades que estimulem a convivência social, a participação cidadã e uma formação geral para o mundo do trabalho.

O público-alvo constitui-se, em sua maioria, de jovens cujas famílias são beneficiárias do Bolsa Família, estendendo-se também aos jovens em situação de risco pessoal e social, encaminhados pelos serviços de Proteção Social Especial do Suas ou pelos órgãos do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente. Os jovens são organizados em grupos, denominados COLETIVOS, compostos por no mínimo 15 e no máximo 30 jovens. O coletivo é acompanhado por um orientador social e supervisionado por um profissional de nível superior do Centro de Referência de Assistência Social (Cras).O Projovem deve também possibilitar o desenvolvimento de habilidades gerais, tais como a capacidade comunicativa e a inclusão digital, de modo a orientar o jovem para a escolha profissional consciente, prevenindo a sua inserção precoce no mercado de trabalho.

A metodologia prevê a abordagem de temas que perpassam os eixos estruturantes, denominados temas transversais, abordando conteúdos necessários para compreensão da realidade e para a participação social. Por meio da arte-cultura e esporte-lazer, visa a sensibilizar os jovens para os desafios da realidade social, cultural, ambiental e política de seu meio social, bem como possibilitar o acesso aos direitos e a saúde, e ainda, o estímulo a práticas associativas e as diferentes formas de expressão dos interesses, posicionamentos e visões de mundo dos jovens no espaço público.                                                

 

 PERÍODO DE OBSERVAÇÕES E ESTUDOS DO ESTÁGIO (60 HORAS)

 

Esta etapa foi muito importante para que eu tivesse conhecimento do que se tratava o Projovem Adolescente,a sua finalidade e como funcionava, para que eu tivesse subsídios para elaborar o meu projeto Esporte e Convivência  Juvenil e criar laços com o coletivo para aplicar-lo.O tema do projeto foi escolhido, porque é de interesse de todos, e o esporte já é uma realidade no projeto.

Para aprofundar os conhecimentos sobre esse programa do governo, parte deste tempo foi dedicado ainda, à pesquisas na internet, leitura dos cadernos emitidos pelo MEC, que norteiam as orientadores, e leitura das referências bibliográficas relacionados aos movimentos sociais e à elaboração de projetos nessa área. Assim durante três semanas, durante o mês de Outubro no período de 03 a 24, às terças, quartas e quintas,dias  que acontecem os encontros do coletivo no projeto,foi dedicado as observações e as segundas e sextas ao estudo e pesquisas.

Durante a primeira semana foi observado o funcionamento e a rotina do projeto,pude perceber que não há atividades que,efetivamente, vise a qualificação profissional dos adolescentes,como determinam os cadernos.Mas em relação a educação básica há reforços escolar, estudos de textos com leitura reflexiva do texto.Existem atividades, ainda relacionadas a ação comunitária, como palestras e dinâmicas sobre temas como a dengue,drogas, desenvolvidas com ajuda dos profissionais do CRAS e pelo orientador Social,que se chama Fagner.Para tal fazem uso constantes das tecnologias de informação e de comunicação como a televisão, data show, som e outros.

Na segunda semana foi observado, especificamente, a função dos orientadores e a postura destes frente aos adolescentes e às atividades.É interessante citar que o orientador do coletivo Fagner e o facilitador das atividades Moisés não só procuram despertar os adolescentes para a participação , mas também mostrar a seus alunos que ter um ponto de vista, não é fazer com que essa sua verdade em que acredita seja imposta como única que deva prevalecer e nem a mais correta, a fim de apaziguar os conflitos que extrapolam as discussão saudáveis. Os educadores em questão, dão exemplos de fatos verídicos, em suas aulas de pontos de vistas que excluem, que se tornam ações que deixam marginalizados alguns seres humanos.Fazendo assim um elo entre os conteúdos a ser trabalhado e os valores éticos de indivíduos conscientes de sua condição humana.

Na terceira semana, por sua vez, foi observado a participação efetiva dos adolescentes na realização das atividades no projeto, e pode ser notado que,alguns deles, realizava as tarefas e os demais apenas acompanhavam passivamente, ou seja alguns, como diz Bordenave, estavam tomando parte do grupo e outros apenas fazendo parte do mesmo.Outras vezes pode-se ser notado que  em trabalhos em grupos menores, algumas pessoas trabalhavam para a execução das atividades, só que essas mesmas pessoas delegavam uma parte do trabalho ao restante dos membros.Tal situação revelava que alguns adolescentes tem pouca auto-estima.E isso serviu para nortear os rumos do projeto que eu apliquei.

 

APLICAÇÃO DO PROJETO.(20 HORAS)

A etapa que seguiu as observações e os estudos, foi a aplicação do projeto Esporte e Convivência Juvenil, que tinha como objetivos:

  • Oferecer aos adolescentes, oportunidade de envolver-se em atividades esportivas de ocupação prazerosa;
  • Realizar pequenos torneios de esportes nas seguintes modalidade: vôlei, futebol e handbol, bem como jogos de dama e de dominó;
  • Criar condições para que os jovens atendidos adquiram valores necessários à vida dos seres humanos para que seja possível uma convivência cidadã entre os mesmos, na sociedade;
  • Contribuir para que a auto-estima dos jovens seja fortalecida, mostrando a eles que podem ser protagonistas,trilhando seus próprios caminhos , em busca de melhores condições.

Assim as atividades no primeiro dia( 22/11) foram iniciadas com  um  momentos reflexivos e outro  dinâmico, onde houve uma roda de conversa que propiciou aos adolescentes pensarem sobre suas vidas,nas atitudes que tinham  para com eles próprios,puderam refletir ainda sobre sua auto-estima e  suas ações em relação ao próximo e uma brincadeira.No dia seguinte (23/11)  houve um  momento que puderam refletir sobre o esporte na formação, física, intelectual e social dos individuo e na vida dele,bem  como na dinâmica dos esportes coletivos e nos valores que são intrínseco a ele, como união, cooperação, respeito, disciplina, motivação, seguida da explanação das regras dos jogos que viriam a ser colocados em prática nos momentos posteriores às rodas de conversas.No terceiro e quarto dia(24 e 29 /11) apresentei um pequeno torneio de futebol e vôlei, para que eles se reunissem e disputassem.

A culminância do projeto aconteceu no dia 30/11 com a exibição do  filme, DESAFIANDO GIGANTE,que aborda a questão do desanimo frente as dificuldades no esporte e na vida.

Em todas as atividades pude contar com a boa vontade e participação dos adolescentes que formam o coletivo.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O estagio nos movimentos sociais foi uma experiência única e indispensável aos futuros licenciados em pedagogia, dito isso por termos conhecimento da realidade dos acadêmicos deste curso de graduação, que em sua maioria já são atuantes na área de educação em espaços formais como a escola ,mesmo sem o diploma em mãos, mas a maioria destes não está diretamente envolvidos em atividades que se relacionam com os movimentos sociais. Mas fazer-se conhecedor da realidade vivenciada em grupos que trabalham nesse campo foi de um aspecto inovador. O projeto que tive a oportunidade de fazer a leitura e análises dos trabalhos desenvolvidos retrata a preocupação em ajudar o jovem a sentir-se parte ativa na sociedade, numa dinâmica de educação que os cativa, atraindo o jovem a estabelecer vinculo com a comunidade de São Miguel(Iratinga), reconhecendo a sua responsabilidade com a mesma,no sentido de que vivendo nela deve ser um cidadão que se engaja na melhoria da mesma, ao invés de envolver-se em atividades que, além de não ser construtiva para o lugarejo é destrutiva para suas vidas. As trocas de experiências entre o educador educacional e os componentes do grupo são de um aproveitamento visivelmente significativo e satisfatório.

Tudo o que foi visto no projeto retrata um trabalho participativo e democrático, primeiro porque os adolescentes interagem com os educadores e segundo porque os educadores são muito carismáticos e ponderados quanto ao que se propõe fazer com os adolescentes, levando em consideração as opiniões daqueles, a fim de mostrar a eles que são protagonistas da sua vidas e devem assumir um postura ativa e decisória nos rumos de sua própria vida.

O que foi escrito neste relatório é fruto da observação no estágio e também do que vivenciado no dia a dia no projeto, pautado em conteúdos referenciais adquiridos em leituras. Assim o conhecimento teórico adquirido proporcionou condições de analisar profundamente o desenrolar dos acontecimentos e o cotidiano do Projovem adolescente.

 O aprendizado adquirido nos dias de estágio vai além do conhecimento técnico necessário para gerir atividades. É claro que, esses saberes não foram deixados em segundo plano, houve o desejo de absorvê–los também, no entanto foi marcante entender como é a postura de uma pessoa frente ao grupo de trabalho nesse projeto. Pode-se perceber o quanto é importante que, em tudo o  que formos realizar devemos mostrar confiança e procurar está preparados para todas as vicissitudes que podem vir a acontecer, sabendo nos articular bem, pois é necessário o diálogo com todos os envolvidos, procurando o apoio destes, pois é essencial ter pessoas ao lado apoiando.

      Pode-se compreender ainda que, uma pedagogo frente às mobilizações das atividades, tem muito de  si mesmo nas suas ações  e por isso mesmo, ele deve ser uma pessoa muito centrada no que faz ,para não usar de idiossincrasias para oprimir os outros e obrigá-los a concordar com suas ações. Quanto a confiança, é preciso ser firme também, pois um educador também é julgado e quando isso acontecer, ela precisa saber lidar com os julgamentos, sem a pretensão de impor que o outro saiba conviver com ele, mas trabalhar para que essa boa convivência aconteça ,fazendo a sua parte, saber ouvir e está disposto a ajudar.

 

O pedagogo torna-se, para aqueles com quem convive em seu trabalho no Projovem  ou qualquer outro local em que haja uma causa social, um alguém em que se espelhar,pois como possui formação acadêmica, esta transforma-o em um cidadão com conhecimento, que abstrai da sociedade, situações escondidas,que mascaram a realidade fazem com que as pessoas ignorantes quanto a essas questões, não tenham consciência de seus direitos e muito menos saibam quais os meios que ela pode usar para exigi-los.è exatamente neste ponto que um pedagogo consciente do seu papel, pode e deve atuar, fazendo com que estas pessoas passem também a ter conhecimento da própria realidade na qual estar inserido e que reflitam sobre a mesma.Outra contribuição que o pedagogo pode dar cumprindo sua função nos trabalhos sociais é auxiliá-las , para que sozinhas mais adiante, possam identificar as formas de manipulação e de autoritarismo disfarçados que impedem a participação efetiva delas na sociedade e que lhe tiram os seus benefícios, as quais têm direito.

Talvez, seja um papel difícil, mas o pedagogo precisa fazer com que esses indivíduos, reconheçam-se como seres com capacidades de lutar para que suas necessidades sejam supridas por aqueles que tem o dever de fazê-lo, mostrando-os ainda, que essa participação na sociedade é algo tão necessário para o individuo quanto o ato de alimentar-se e o de dormir,mas que essa participação não deve ser  de forma negativa, ela deve acontecer de tal maneira que esse sujeito encontre no ato de participar da sociedade, a sua essência de ser humano.

Por tudo o que já foi dito, podemos ver que o pedagogo deve não só, como um bom profissional, abrir os olhos das pessoas para uma releitura de mundo diferente da que estão acostumados, para que estes passem a identificar o que os oprimem e as várias maneiras como são excluídos da vida social e política e, principalmente, enxerguem as formas de reverter essa situação, mas também possui como papel moral, o dever de ser um cidadão, com postura ativa e engajada na luta por melhorias na qualidade de vida de todos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social. “Adolescências, juventudes e sócio-educativos:concepções e fundamentos.”1ª ed.. Brasília.2009.

 

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social. Traçado metodológico. 1ª ed.. Brasília.2009.

 

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social. Percusso socioeducativo I :criação do coletivo Ciclo  I. 1ª ed.. Brasília.2009.

 

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social. Percusso socioeducativo II :consolidação  do coletivo Ciclo  I. 1ª ed.. Brasília.2009.

 

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social. Percusso socioeducativo III : coletivo  pesquisador Ciclo  I. 1ª ed.. Brasília.2009.

 

 

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social. Percusso socioeducativo IV: coletivo  questionador. Ciclo I. 1ª ed.. Brasília.2009.

 

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social. Percusso socioeducativo V: coletivo articulador-realizador-FGT- formação técnica Geral. Ciclo II. 1ª ed.. Brasília.2009.

 

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social. Percusso socioeducativo VI : coletivo aticulador-realizador.Participação cidadã. Ciclo II. 1ª ed.. Brasília.2009.

 

BORDENAVE.Juan E. Díaz.O que é participação.8ªed..São Paulo:Editora brasiliense, 1994.

 

FREIRE,Paulo;BETTO,Frei.Essa escola chamada vida:depoimentos ao reporte Ricardo Kotscho.14ª Ed.São Paulo:editora ática,2007.

 

 ProJovemAdolescente.Disponível em:http://mds.gov.br/assistenciasocial/prote-

caobasica/servicos/projovem. acesso em: 10/10/2011.

 

 

 

 

 
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Sobre este autor(a)
Estudante do Curso de Pedagogia, na Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, em Sobral-Ce.
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