Recipiente de contenção temporária de águas pluvias
 
Recipiente de contenção temporária de águas pluvias
 






RECIPIENTE DE CONTENSÃO TEMPORÁRIA DE ÁGUAS PLUVIAIS










RECIPIENTE DE CONTENSÃO TEMPORÁRIA DE ÁGUAS PLUVIAIS
Esse plano, - que de tão simples e evidente pode até dar certo -, será dividido e apresentado em quatro partes distintas:-
1 ? GENERALIDADES;
2 ? ANTECEDENTES;
3 ? DADOS TÉCNICOS E,
4 ? CONSIDERAÇÕES FINAIS.
1 ? GENERALIDADES.
"BENDITO SEJAS, SENHOR MEU DEUS, PELA
IRMÃ ÁGUA DE TÃO GRANDE UTILIDADE;
HUMILDE
E PRECIOSA
E CASTA. "
São Francisco de Assis (1182 ? 1226).
Com efeito, muita razão teve aquele Santo Homem ao compor, 800 anos atrás, pouco mais ou menos, esse monumento poético chamado CANTICO DAS CRIATURAS, onde, além de tratar o SOL e a LUA como irmãos, cita também á ÁGUA, como se fora um ser vivo, perfeitamente integrado no conjunto da Suprema Criação, portanto, CRIATURA DIVINA, como de resto, também nós, enquanto obras do SUPREMO CRIADOR.
As três adjetivações (humilde, preciosa e casta), estão interligadas pela partícula conjuntiva E seguramente para não propor desníveis de importância entre elas com colocação de vírgulas.
Merece análise à parte, a aplicação desses três adjetivos da forma proposta. Começarei pelo derradeiro, pois, como já dito, não há classificação hierárquica de importância:-
a) A ÁGUA É CASTA porque ainda que a poluamos cotidianamente, em contato direto com a terra e por um processo natural, volta a ser casta e a cumprir sua missão de dar vida, purificar e alimentar;
b) A AGUA É PRECIOSA porque mesmo desprovida de cheiro, sabor ou cor, todos os seres vivos a consomem diariamente com grande prazer, por toda a vida, como se fosse o mais cheiroso, delicioso e belo dos manjares, circula internamente nos seres, condensa, retira toxinas, é expelida e retorna a seu estado natural, casto ou puro.
c) A AGUA É HUMILDE porque busca estar sempre nas partes mais baixas do espaço onde se apresenta, diferentemente do FOGO que no soberbo desejo de subir uma montanha, morre quando atinge o cume. A água nunca se eleva soberbamente acima dos demais elementos com os quais se encontra. E é nessa situação que obtém a paz do lago o seu equilíbrio ou nivelamento, situações que, até nós seres humanos, indistintamente, buscamos nesse maravilhoso Universo.
Caso fosse ainda necessário acrescentar algo mais a essas três qualidades, poder-se-ia dizer que a água é SÁBIA; é muito esperta quando lhe convém, disfarçando-se em segundos, ao adotar um dos três estados da matéria; SÓLIDO (em forma de gelo), GASOSO (em forma de nuvem ou fumaça), sem, contudo, perder sua condição intrínseca e precípua de LIQUIDO, retornando a esse estado, quando as condições se lhe são propícias.
Como se não bastasse, com relação aos três outros elementos restantes conhecidos pelos antigos (TERRA, AR e FOGO) tem também como qualquer ser vivo, lá sua SIMPATIA para com o primeiro elemento (terra), sua INDIFERENÇA para com o segundo (ar) e seu cósmico ANTAGONISMO para com o último (fogo).
É evidente a SIMPATIA da ÁGUA para com a TERRA, pois estando juntas e em repouso, esta purifica aquela que medrando por suas entranhas, permanece guardada em seus seio ou lençóis freáticos para oportunamente, por um processo de pressão automática que não conseguimos entender ou reproduzir, restituí-la as céu aberto, como Dádiva Divina, lá nas cabeceiras do rio Urubamba, nos Andes peruanos como um pequenino veio d?água que, ao final, transforma-se no colossal rio Amazonas.
Notória também é a INDIFERENÇA que a ÁGUA nutre pelo VENTO. Ainda que este a moleste, irrite e encrespe, na superfície dos rios em forma de banzeiros ou formando as ondas do mar, as ÁGUAS e as ondas sempre se acalmam em contato com a TERRA, na praia amiga.
Da mesma forma, claríssimo é o ANTAGONISMO, a luta perene e mortal existente entre a ÁGUA e o FOGO. São inimigos irreconciliáveis. Comportam-se de maneira diametralmente distintas; enquanto a ÁGUA na sua cósmica humildade busca os espaços mais simples o FOGO em sua também cósmica soberba, busca o cume e com isso sua própria morte na montanha. Em contato físico, aquela mata este, com algum sofrimento é bem verdade, eis que grita, chiando de dor e, no sacrifício da luta, transmuta-se em vapor, sobe aos céus, onde, refeita, retorna a sua amiga TERRA já na condição primária de liquido, após haver morto seu eterno rival, o vaidoso e temporariamente brilhante FOGO.
Contudo nós, enquanto seres civilizados e herdeiros de todas estas maravilhas estamos desrespeitando esse ser vivo, impedindo-lhe de seguir sua DIVINA predestinação natural e cósmica, ao impermeabilizarmos cidades e estradas. É o que acontece com quase todas nossas grandes cidades. As nefastas conseqüências não se fazem esperar; retornam sobre forma de terríveis inundações que prejudicam a todos, principalmente aos mais necessitados porque a natureza "cobra" indistintamente de todos e cada um de nós: e nessa cobrança, "QUEM PODE MAIS, CHORA MENOS". É a natureza voltando-se contra o seu "reformador"; inexoravelmente como bem equacionou, com claridade meridiana, o grande MONTEIRO LOBATO.

2 ? ANTECEDENTES.
No dia sete de dezembro de 2005, redigi e enviei uma carta ao então Prefeito de São Paulo, Dr. José Serra, onde de maneira pragmática, mas circunstanciada, apresentei o projeto de um equipamento por mim concebido e denominado RECIPIENTE DE CONTENÇÃO TEMPORÁRIA DE ÁGUAS PLUVIAIS, com desenhos, cálculos e sugestões. Sua Excia., de maneira muito cortês, por sua Assessoria, retornou-me agradecendo e comunicando que o projeto havia sido encaminhado à SIURB ? Secretaria Municipal de Infra Estrutura e Obras, para análise se parecer.
20 dias após, mercê do expediente 3928/Proj-G 2005, foi informado pelo Senhor Superintendente de Projetos Viários DA VIABILIDADE DO ESTUDO, com sugestão inclusive de imediata definição de uma bacia básica "piloto", na capital de São Paulo, para montagem, teste e aferição de resultados (DOC I). O Dr. José Serra deixou a Prefeitura no ano de 2006 a fim de se candidatar, com sucesso, ao governo do estado e o assunto foi preterido.
3 ? DADOS TÉCNICOS.
O Recipiente de Contenção Temporária de Águas Pluviais, nada mais é do que uma caixa d?água com pequenos orifícios na lateral e no fundo, instalado abaixo do solo sobre uma caixa de pedras britadas ou areia, e tem a finalidade de RETER, temporariamente água de chuva precipitada sobre o espaço físico em que se encontra o prédio em questão, permitindo assim que, por decantação, essa água retorne naturalmente ao solo em um prazo de duas ou três horas, depois de terminada a precipitação pluviométrica, estando assim, preparada para receber mais chuva, temporariamente no mesmo ou em outro período.
3.1 ? Essa caixa, projetada em plástico de boa densidade, com um metro de diâmetro e três metros de altura, teria pequenos orifícios na parte a ser enterrada no terreno da edificação, no lado externo e no fundo e seria instalada, como já dito, sobre uma caixa de brita ou areia grossa. Seria fechada na parte superior, com tampa removível com altura de 10 cm, sobre o nível do solo. Toda água precipitada sobre o prédio ou áreas cobertas seria direcionada para dois tubos de entrada de seis polegadas cada um, 20 centímetros abaixo da tampa hermeticamente fechada. 20 centímetros abaixo desses tubos, mais dois tubos também de seis polegadas para escoamento ou vazão da água excedente da capacidade de armazenamento, diretamente para a rua ou rede pluvial, se necessário, ficando, portanto, 40 centímetros de espaço interno inaproveitáveis.
3.2 ? Quanto à capacidade de armazenamento temporário, teríamos: - Raio de 50 centímetros do cilindro multiplicado por PI (3, 1416) multiplicado pela altura útil de 2,60 mts, resultaria em 2,04 metros cúbicos de água retida em momento de pico da precipitação em cada casa ou construção. Obviamente o dimensionamento do recipiente será definido em proporção com a área construída ou área comum cimentada de onde, por tubos de captação ou pequenos canais laterais, será todo o volume de água direcionado para os dois tubos de entrada. Importante também será um estudo estatístico de precipitações em milímetros para região específica, o que já vem sendo mensurado.
3.3 ? Para determinação da espessura do material plástico a ser empregado na relação PESO x VOLUME, é de se considerar que um centímetro cúbico de água destilada e a quatro graus de temperatura, condição bem próxima das situação de água de chuva, PESA UM GRAMO, tendo inclusive sido esse o paradigma para a determinação do quilo.
3.4 ? Obviamente, sendo esse um arcabouço de um projeto final, estaria sempre aberta á possibilidade de modificação a fim de diminuir custos e maximizar resultados, sempre e quando tais modificações não alterem substancialmente o projeto como um todo.
3.5 ? DESENHOS DOS MODELOS
a) ? DESENHO DO EQUIPAMENTO (DOC. II);
b) ? DESENHO DO EQUIPAMENTO INSTALADO (DOC. III).



























4 ? CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Da mesma maneira que toda construção, habitacional ou não necessita para liberação do HABITE-SE, de uma simples CAIXA DE GORDURA, a fim de reter dejetos gordurosos ou para ligação elétrica de uma unidade são necessários, postes de entrada, caixa para relógio de medição ou cabine de força, torna-se indispensável que cada unidade habitacional, comercial ou industrial, tenha um dispositivo no subsolo, destinado a reter temporariamente a água precipitada no próprio espaço físico da precipitação, (telhados e áreas cimentadas), ou RECIPIENTE DE CONTENÇÃO TEMPORÁRIA DE ÁGUAS PLUVIAIS, nos moldes aqui proposto.
Permitir que a precipitação pluviométrica se direcione, na medida do possível, ao lençol freático no mesmo espaço físico da precipitação é a "pedra angular" que permitirá resolver o problema ou pelo menos minimizá-lo em seus efeitos sobejamente já conhecidos de todos nós. Restariam ainda, COMPLEMENTALMENTE, outras providências que dependeriam da vontade e/ou gestões políticas municipais, estaduais e até federais (Departamentos de obras municipais, Secretarias de Obras Estaduais e Ministério das cidades). Sem isso, "é chover no molhado".
No âmbito estadual paulista, certo é que a SABESP, enquanto concessionária, será uma das maiores beneficiadas em virtude da recomposição do lençol freático que congrega, em ultima análise, seu principal "bem de venda". Por isso mesmo poderia arcar "a priori", com os custos de instalação e depois, a médio ou longo prazo, recuperar ditos custos, em parcelas, nas próprias faturas emitidas contra seus clientes-consumidores. Não há que se falar em reaproveitamento de águas pluviais, teoricamente poluídas, para uso humano ou mesmo para lavagem de calçadas e carros, por motivos óbvios.
Admitamos, por outro lado, que a providência não solucionasse integralmente o problema em face de sua magnitude; restaria ainda aproveitar-se a característica das água quanto ao item HUMILDADE, descrito no preâmbulo desse trabalho, ainda especificamente com relação a São Paulo.
Vindo do Jabaquara para a região central, pela DOMINGOS DE MORAIS e seguindo pela AVENIDA PAULISTA e DOUTOR ARNALDO, nota-se claramente que essas vias públicas foram projetadas como em um espigão de uma casa, com tomada d?água para os dois lados. Assim, as enxurradas que se formam à direita da DOMINGOS DE MORAIS, fluem naturalmente para a Avenida RICARDO JAFET, riacho do Ipiranga, Rio Tamanduateí e finalmente RIO TIETÊ. Já as enxurradas que se formam à esquerda da DOMINGOS DE MORAIS, fluem naturalmente para Moema, Ibirapuera e, sempre buscando a parte mais baixa topograficamente, para o RIO PINHEIROS, e esse finalmente deságua no RIO TIETÊ. Não é sem razão que os mais graves problemas estão concentrados do lado da cidade, até o encontro dos dois rios.
Na SENA MADUREIRA, a água verte naturalmente no sentido IBIRAPUERA e RIO PINHEIRO. Na LINS DE VASCONCELOS, NO SENTIDO Cambuci, e obviamente rios TAMANDUATEI e TIETÊ.
À esquerda da AVENIDA PAULISTA, pela BRIGADEIRO LUIZ ANTONIO, fluem as enxurradas para o rio PINHEIROS; a direita para o ANHANGABAÚ e rio TIETÊ. O mesmo ocorre com a RUA AUGUSTA e com o complexo viário CONSOLAÇÃO ? REBOUÇAS, tomando-se em conta esse "espigão" chamado AVENIDA PAULISTA. Sempre foi e sempre será assim inclusive em todos os ponto de alagamento já identificados, dada a PREVISIBILIDADE do elemento ÁGUA, caso não haja sua retenção temporária a meio caminho.
Seria o caso, então, complementando as providências tomadas em relação aos espaços residenciais, comerciais ou industriais edificados, DE SE CONSTRUIR POR BAIXO DO PASSEIO OU CALÇADAS DAS RUAS EM DECLIVE, recipientes de cimento com a parte inferior guarnecida de pequenos orifícios, a fim de receberem as águas que normalmente correm nas calçadas, comunicando-se tais recipientes uns com os outros pelas mesmas calçadas, a fim de permitir que, cheio o recipiente mais alto, esse descarregaria o excesso de água no recipiente mais abaixo. Essa água, temporariamente retida, MEDRARIA filtrando natural e demoradamente para o lençol freático, COMO É DA SUA NATUREZA, evitando-se obviamente que esses depósitos atrapalhassem as instalações elétricas e de esgotos eventualmente já existente no local.
"Regra de Ouro" em administração pública é a que prevê que administradores eleitos não gostam de obras que ficam enterradas, mas, no caso, em se tratando do elemento AGUA, NÃO HÁ OUTRA SOLUÇÃO e as autoridades que equacionarem e solucionarem este problema JAMAIS SERÃO ESQUECIDAS.
Privilegio-me da oportunidade para manifestar a todos e cada um dos senhores, meu maior apreço.

Emmanuel Luiz.

Para o envio dos desenhos, como deve ser o procedimento.
 
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