QUALIDADE DE VIDA DO ENFERMEIRO NO CENTRO CIRÚRGICO: REVISÃO DE LITERATURA
 
QUALIDADE DE VIDA DO ENFERMEIRO NO CENTRO CIRÚRGICO: REVISÃO DE LITERATURA
 


Honorato, Maria Ilma Alves Ramalho Oliveira, Lucia Araujo de Pinto, Denise da Silva Rego Porto, Maria José da Silva Viana, Joelma Matos Resumo Este trabalho é uma pesquisa bibliográfica, que tem como objetivo o conhecimento sobre o tema qualidade de vida do enfermeiro em centro cirúrgico, o termo Qualidade de Vida não é novo, foi mencionado pela primeira vez em 1920, por Pingou, a partir da década de 1950, o uso desse termo, foi gradualmente ampliado. Qualidade de vida foi incluída como noção importante no relatório da Comissão dos objetivos Nacionais do Presidente Eisenhower, em 1960. Atualmente passou a ser uma preocupação mundial, foi e permanece sendo um desafio para estudiosos que se interessa em buscar mecanismos que possam ser implantados no cotidiano. Qualidade de vida significa a valorização que o indivíduo faz sob vários aspectos, do que considera importante na sua vida atual e em termos globais. Em consonância à problemática discriminada, percebe-se que o profissional de enfermagem que atua em centro cirúrgico, encontra-se exposto aos fatores intrínsecos e extrínsecos, decorrentes do cotidiano que pode promover repercussão negativa na sua qualidade de vida. A preocupação com o estresse ocupacional, particularmente com a equipe de enfermagem de centro cirúrgico, tornou-se notável pela demanda e fluxo de profissionais acometidos por esta doença, o estudo de stress entre enfermeiros teve início por volta dos anos sessenta, quando na realidade estrangeira surgiu a preocupação com o profissional irritado, desapontado e culpado por não conseguir lidar com esses sentimentos. Acredita-se, ainda, que investigações sobre esse assunto não devam ficar restritas ao profissional enfermeiro, mas passem a abranger todos os membros da equipe de enfermagem de forma que revele a realidade que envolve esses trabalhadores em seu universo de trabalho. PALAVRAS-CHAVE: Qualidade de Vida, Enfermagem, Centro Cirúrgico.

1.0 Introdução

Segundo França (1996), a busca da produtividade e qualidade tem se constituído no fator principal para as instituições proporcionarem a qualidade de vida dentro das organizações e não fora delas como mecanismos compensatórios, visto que ao promover a saúde e o bem estar de seus funcionários, observando tarefas, desempenhos, desenvolvendo elementos condizentes com a qualidade de vida no trabalho, obtém-se aumento da motivação, da satisfação e do desempenho dos trabalhadores no ambiente de trabalho.

O serviço hospitalar se caracteriza por trabalho intensivo, onde exige dos funcionários alta produtividade em tempo limitado, porém em condições inadequadas; com problemas de ambiente, equipamentos entre outros fatores que interferem no processo. Tais condições culminam com a insatisfação, cansaço excessivo com conseqüente queda da produtividade, problemas de saúde e acidentes de trabalho. (NÓIA et al., 2000).

Nesta compreensão, Arruda et al. (2001) enfatiza a dinâmica no trabalho de centro cirúrgico, pois as atividades são estressantes com características que condizem e contribuem para um grau de responsabilidade acentuada por parte dos profissionais ali inseridos e com regras a serem cumpridas, predispondo todas as categorias ao estresse.

O profissional de enfermagem que atua em centro cirúrgico, em conseqüência aos inúmeros problemas enfrentados no ambiente de trabalho, encontra-se susceptível ao estresse, uma vez que ele permanece nas salas de cirurgias acompanhando e atuando nos diversos procedimentos cirúrgicos, de várias patologias e com graus de complexidade variados, desde os mais simples aos mais graves. Neste contexto, lidar com o risco ou não de vida faz a diferença do comportamento do profissional ali atuando (HELMAM, 1994).

Mediante o conjunto, é necessário que os materiais usados no bloco cirúrgico estejam em conformidade com as especificações técnicas, que os profissionais sejam capacitados físicos e emocionalmente para o desenvolvimento das tarefas ali desenvolvidas, (MIRANDA, 2006).

Miranda, (2006) insere que se as condições de trabalho não forem adequadas, se o profissional estiver desmotivado, ou com a saúde comprometida, as possibilidades de erros tornam-se evidentes. Não é possível dissociar a condição humana do processo. Logo, a qualidade da atividade desenvolvida no bloco cirúrgico, depende da qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas com o desempenho de tarefas relacionadas com o serviço do setor, tornando o gerenciamento de qualidade de vida no trabalho, um instrumento importante para alcançar os objetivos da qualidade de vida do trabalhador não só no bloco cirúrgico, mas em todos os setores do hospital.

Para conseguir uma boa qualidade de vida no trabalho de enfermagem, torna-se necessário propiciar melhores condições de trabalho, principalmente no que tange a sua forma de organização. Neste sentido, deveria considerar as necessidades individuais destes trabalhadores bem como sua capacidade de enfretamento, adaptação e reação nas diferentes dimensões da vida. (HADDAD, 2000 eSILVA,MASSAROLLO, 1998).

Nesses setores a equipe médica e de enfermagem deve atuar de forma harmônica, humanizada, integralizada apresentando conhecimento técnico científico, para que possam operacionalizar as ações junto ao paciente no período intra-operatório sendo este contexto ora enfatizado, imprescindível para o sucesso do procedimento (MIRANDA, 2006).

Sendo assim, analisou-se que a equipe de enfermagem do centro cirúrgico, depara-se com fatores merecedores de conhecimento de um modo geral para que possa exigir cuidados diretamente ligados à vida. Assim surge a necessidade de desenvolver este estudo, para que, se possa reafirmar a importância de um cuidado mais minucioso com a saúde e a qualidade de vida e de trabalho dos profissionais da equipe de enfermagem do Centro Cirúrgico.

Esta pesquisa tem por objetivo a realização de uma revisão bibliográfica no que diz respeito à qualidade de vida da equipe de enfermagem do centro cirúrgico, de forma a compreender melhor todo o processo vivenciado pela equipe, buscando cada vez mais um equilíbrio entre o ambiente, trabalho e trabalhador, para um atendimento mais humanizado ao cliente cirúrgico.

2.0 Método

Este trabalho concerne uma pesquisa bibliográfica. Esse tipo de pesquisa trará subsídios para o conhecimento sobre o que foi pesquisado, como e sob que enfoque e/ou perspectivas foi tratado o assunto apresentado na literatura científica, (SALOMON, 2004).

Assim, trabalhamos com tema qualidade de vida do enfermeiro no centro cirúrgico de maneira que estão sendo apresentados dados científicos já publicados em revistas, periódicos e livros.

3.0 Fundamentação Teórica

3.1 Aspectos Históricos e Conceituais do Termo Qualidade de Vida

O termo Qualidade de Vida não é novo, foi mencionado pela primeira vez em 1920, por Pingou, em livro sobre economia e bem estar material denominado "The Economics of Nelfare".

Após a Segunda Guerra Mundial a saúde incorporou a noção de bem estar físico, emocional e social, desencadeando desta forma uma discussão considerável a respeito da possibilidade de medir o bem estar dos indivíduos (MIRANDA, 2006).

A partir da década de 1950, o uso do termo qualidade de vida, foi gradualmente ampliado. Qualidade de vida foi incluída como noção importante no relatório da Comissão dos objetivos Nacionais do Presidente Eisenhower, em 1960 (FARQUHAR, 1995 apud MIRANDA, 2006). O conceito de qualidade de vida então foi sendo incorporado às políticas sociais, como: indicador de resultados, em adição ou substituição a outros significados tais como boa vida, felicidade e bem-estar. Na década de 1960, nos Estados Unidos, surgiram movimentos sociais e iniciativas políticas, cuja finalidade era melhorar a vida de todos os cidadãos, minimizando a desigualdade social. Neste período surgiu a mensuração da qualidade de vida com o objetivo de oferecer aos políticos, dados que os ajudassem a formular políticas sociais efetivas. (PASCHOAL, 2000 apud MIRANDA, 2006).

Em seguida o conceito se ampliou, para significar, além do crescimento econômico, desenvolvimento social expresso em boas condições de saúde, educação, moradia, transporte, lazer, trabalho e crescimento individual. Os indicadores também se ampliaram, tendo sido incluídos: mortalidade infantil esperança de vida, taxa de evasão escolar, nível de escolaridade, taxa de violência (suicídios, homicídios, acidentes), saneamento básico, nível de poluição, condições de moradia e trabalho, qualidade do transporte e lazer, dentre outros (MIRANDA, 2006).

Com o passar dos anos e o crescente desenvolvimento tecnológico da Medicina e ciências afins, trouxe como uma conseqüência negativa a sua progressiva desumanização. Assim, a preocupação com o conceito de "qualidade de vida" refere-se a um movimento dentro das ciências humanas e biológicas no sentido de valorizar parâmetros mais amplos que o controle de sintomas, a diminuição da mortalidade ou aumento da expectativa de vida (OMS, 1998).

Silva , 2001, apud Miranda, (2006), ainda refere que a partir da década de 60, percebeu-se que, embora todos os meios (aplicadores) fossem importantes para se avaliar e comparar a Qualidade de Vida entre países, regiões e cidades, não eram suficientes para medir a Qualidade de Vida das pessoas, pois os indivíduos que se inseriram diferentemente naquela sociedade, podiam distanciar-se de forma importante do índice médio da população como um todo. Era necessário e fundamental avaliar a Qualidade de Vida percebida pela pessoa, quanto ela está satisfeita ou insatisfeita com a qualidade de sua Vida (Qualidade de Vida Subjetiva). Passou-se a valorizar, então, a opinião dos indivíduos. O dono da vida é quem deveria avaliar sua própria vida. Não caberia ao pesquisador construir um modelo que julgasse ser boa qualidade de vida; sendo necessário ouvir os indivíduos e obter deles a própria percepção (MIRANDA, 2006).

Atualmente a qualidade de vida passou a ser uma preocupação mundial, foi e permanece sendo um desafio para estudiosos que se interessa em buscar mecanismos que possam ser implantados no cotidiano, objetivando apontar sugestões em busca de resultados satisfatórios onde o bem-estar do profissional, do paciente e da família, torna-se primordial nos aspectos éticos, sociais, culturais e financeiros. Pensando nesta temática, um grupo de especialistas em qualidade de vida da Organização Mundial de Saúde, elaborou um instrumento genérico de avaliação de qualidade de vida, usando um enfoque transcultural (WHOQOL 100) (OMS, 1998).

De acordo com Couvreur (2001), a qualidade de vida compreende simultaneamente um aspecto subjetivo e objetivo. Porém, para se demarcarem de uma concepção que apenas seria objetiva, alguns autores preferem substituir a expressão qualidade de vida por bem estar subjetivo, dizendo este respeito à forma como cada indivíduo se sente física e psicologicamente e nas relações com o meio (MIRANDA, 2006).

Considerando-se a qualidade de vida dos indivíduos há um consenso em que à saúde parece ser um domínio considerado de especial relevo, o qual parece estar também relacionado com noção de bem estar, satisfação ou felicidade (MIRANDA, 2006).

A qualidade de vida tem como principais dimensões deste conceito a saúde, o funcionamento físico, o conforto a reação emocional e o padrão de vida econômica; está permeada de outros aspectos como privacidade, liberdade de escolha, respeito pelo individuo e dignidade; qualidade de vida é um conceito dinâmico e complexo, refletindo a reação da pessoa aos defeitos físicos psicológicos e sociais da doença, incluindo o grau de satisfação pessoal face às circunstâncias que o rodeiam. (MIRANDA, apud ABRAMS, et al., FARQUHAR, 1995).

3.2 Aspectos Físico e Funcional do Centro Cirúrgico

Este setor representa lugar de grande importância no contexto hospitalar, pois atende a pacientes que necessitam de tratamento cirúrgico decorrente das mais diversas afecções, seja em caráter eletivo ou emergencial (BRASIL, 2002).

Conforme Miranda, (2006), estas relações interpessoais entre os profissionais, paciente e família, podem ser conflituosas em conseqüência do desgaste emocional. A cirurgia em si é um evento estressante para todas as partes envolvidas e pode repercutir negativamente na qualidade de vida dos profissionais que ali desenvolvem atividades, haja vista, que a família deposita toda confiança nesses profissionais e apostam no sucesso do procedimento.

De acordo com Krahl, 2001 apud Miranda (2006), nos centros cirúrgicos, esses conflitos parecem acentuar-se, pois o ambiente é crítico, o convívio é mais intenso e as relações parecem ser mais fortes. Neste sentido, as questões éticas relacionadas à profissão devem ser respeitadas bem como as normas reguladoras, assistenciais e administrativas que promovem diretrizes no gerenciamento de enfermagem setorial, assegurando as ações desenvolvidas no centro cirúrgico.

Entretanto, sabemos que no nosso país o profissional de saúde onde se insere o profissional de Enfermagem não percebe vencimentos que lhe assegurem seu sustento e o mesmo recorre a outros empregos para complementar o salário fato este que acarreta sobrecarga de trabalho e conseqüentemente estresse. Este acúmulo de tarefas pode ocasionar perdas como sono e repouso, laser e outros. Vale salientar, que o local de trabalho é a continuidade do lar e uma boa qualidade de vida repercute positivamente no desempenho profissional, elevando a auto-estima, tornando este profissional tão produtivo quanto possível (MIRANDA, 2006).

Percebe-se na prática, que os profissionais que desenvolvem atividades laborais nos centros cirúrgicos, encontram-se expostos a vários fatores tais como: sobrecarga de atividades e tensão excessiva no cuidar intensivo ao enfermo. As condições de trabalho precárias com escassez de pessoal e/ou inexistência de material para desenvolverem as técnicas dentro dos padrões preconizados pela literatura é outro fator desencadeante de estresse. Somado a esses fatores, a antecipação das cirurgias do turno da tarde para o turno da manhã, promovendo excesso de cirurgias por turno, são fatos que agravam a condição de trabalho do profissional de Enfermagem e implica diretamente na qualidade de vida destes (MIRANDA, 2006).

Um fato que merece atenção é o descumprimento à Resolução COFEN 240/00 do Conselho Federal de Enfermagem (2002), com relação ao repouso para a equipe de enfermagem que muitas vezes encontra-se precário e ou inexistente. A alimentação sem acompanhamento nutricional ou instituições que muitas vezes não disponibilizam dietas para as equipes, constitui-se por parte dos gestores das instituições ao profissional, outro fator não contribuinte para o bom desempenho da equipe de saúde (BRASIL, 2002).

Outros aspectos, que podem incidir sobre o estresse e conseqüentemente na qualidade de vida do pessoal de enfermagem, relacionam-se ao quantitativo mínimo de pessoal para efetividade dos serviços na unidade de centro cirúrgico conforme disposto na Resolução COFEN 293/04, ferindo o os princípios da Lei 7.498/86, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e estabelece outras providências (BRASIL, 2002).

Somado a este fator, a falta de compreensão por parte da equipe cirúrgica no que se refere à ausência de determinados materiais responsabilizando injustamente os componentes de enfermagem desta unidade, também proporciona desgaste emocional para o profissional que ali desenvolve suas atividades.

Conforme Helmam, (1994) em consonância à problemática discriminada, percebe-se que o profissional de enfermagem que atua em centro cirúrgico, encontra-se exposto aos fatores intrínsecos e extrínsecos, decorrentes do cotidiano que pode promover repercussão negativa na sua qualidade de vida.

Qualidade de vida significa a valorização que o indivíduo faz sob vários aspectos, do que considera importante na sua vida atual e em termos globais. Para este autor a qualidade de vida estaria relacionada com o bem-estar em dimensões como: saúde, situação econômica, relações familiares e sociais, metas, objetivos que se pretende atingir a vida, a auto-estima, e o grau de desenvolvimento pessoal e profissional, (MARQUES, 2004).

No centro cirúrgico, as atividades são desenvolvidas por diversas categorias na equipe de enfermagem onde o enfermeiro administrativo e assistencial organiza, supervisiona, provê e prevê materiais, equipamentos, elabora os instrumentos organizacionais em enfermagem como as normas, as rotinas e os procedimentos, confecciona escalas, supervisiona as salas cirúrgicas e demais elementos constituintes da unidade e é responsável pela realização do planejamento da assistência, do controle de gastos diários e dos entorpecentes. Os enfermeiros do Centro cirúrgico cumprem outras atividades estabelecidas na Lei 7.486/86. (BRASIL, 2002).

Brunner, Suddarth, (2004), referem que a equipe cirúrgica inclui o paciente, anestesiologista ou anestesista, cirurgião e enfermeiras de sala de operação. Com a participação destes profissionais e do próprio paciente, inicia-se o ato operatório. Vale ressaltar a participação do enfermeiro no desempenho de tarefas administrativas e assistenciais. A enfermeira posiciona o paciente na mesa de operação, monitoriza e gerencia as condições físicas do paciente ao longo da cirurgia. O cirurgião e o assistente paramentam-se e realizam a cirurgia, as enfermeiras do centro cirúrgico gerenciam a sala de operação e os técnicos de enfermagem desenvolvem ações de nível médio sob supervisão como referenciado anteriormente. No que diz respeito aos recursos materiais, pode-se citar uma gama de equipamentos para monitorizar o paciente, além de diversos materiais para curativos, administração de medicações e soluções, materiais para procedimentos, que requerem maior complexidade das ações. Portanto o controle emocional e raciocínio rápido por parte da equipe, tornam-se necessário.

3.3 Qualidade de Vida e Estresse

Desde os tempos mais primitivos da civilização humana, o homem está exposto a estímulos que colocam em perigo sua própria sobrevivência. O estresse está presente na vida cotidiana desde os primeiros relatos da época pré-histórica, período que se caracterizava pela necessidade de o homem sair à caça para garantir sua alimentação e sobrevivência, até a época atual, em que o homem se depara com as mais diferentes exigências (tecnológicas, atualização de conhecimentos e outras) e com a competitividade da sociedade moderna. Todos se deparam com situações nas quais são exigidos, e vivenciam a sensação de estar no limite ou de ultrapassar o limite de resistência até a total exaustão. Comumente, quando se está no limite físico ou psíquico, rotula-se como estresse (DANTAS, 2004).

Os primeiros estudos sobre estresse foram desenvolvidos pelo medico e estudioso do tema Hans Selye, considerado então o "pai da teoria do estresse". Em seus estudos, Selye constatou que o estresse produzia alterações orgânicas importantes, com, extrapolação dos paramentos normais, na estrutura e na composição química do corpo, que poderiam ser avaliadas. Tais manifestações foram denominadas pelo autor como síndrome da adaptação geral (SAG), que se desenvolve em três fases: reação de alarme; reação de resistência; e reação de exaustão (CARVALHO; BIANCHI, 2007).

Lazarus e Launier (1978) definem stress, no modelo interacionista, como qualquer evento que demande do ambiente externo ou interno e que taxe ou exceda as fontes de adaptação de um indivíduo ou sistema social. Tem como etapas a avaliação primária, realizada quando o indivíduo se confronta com o evento e o avalia como irrelevante, e não provocador de stress ou como um desfio (positivo) ou uma ameaça (negativo) e ambos desencadeadores das manifestações biológicas da síndrome de adaptação geral SAG. Descrevem a avaliação secundária, quando o indivíduo avalia seus potenciais para enfrentar a situação estressante e como pode usar os mecanismos de coping.

O estudo de stress entre enfermeiros teve início por volta dos anos sessenta, quando na realidade estrangeira surgiu a preocupação com o profissional irritado, desapontado e culpado por não conseguir lidar com esses sentimentos, descritos por Menzies (1960). Observa-se que houve um predomínio de trabalhos realizados primordialmente com enfermeiros que atuavam em unidades de terapia intensiva, pois coincidiu com o início da conquista de novos espaços e novas tecnologias por esses profissionais. Outros trabalhos de comparação entre unidades foram realizados e uma tentativa de delinear um modelo de repercussão de stress na atuação do enfermeiro. Entretanto, depara-se com a diversificação de metodologias usadas e de referenciais teórico-práticos, que ocorre nos estudos realizados no campo de stress.

No Brasil, encontram-se publicações voltadas para o stress na década de noventa, com o trabalho realizado por Bianchi (1990) junto a enfermeiros de centro cirúrgico, Silva; Bianchi (1992) com enfermeiros de centro de material, Candeias et al (1992) que pesquisaram o stress numa equipe de enfermagem atuante num hospital de cardiologia; Chaves (1994) que estudou a influência do stress no trabalho do turno noturno; Lautert (1997) que verificou o desgaste físico e emocional entre enfermeiros; Ferreira ( 1998) que pesquisou stress junto à equipe de enfermagem atuante em terapia intensiva; Stacciarini (1999) que estudou stress dos enfermeiros e a proposta de um modelo.

4.0 Conclusão

A qualidade de vida por ser um assunto de grande valia em todas as áreas, não só da saúde, desperta nos interessados a temática forte tendência à pesquisa com o intuito de correlacionar indicadores de qualidade as condições de trabalho dos profissionais.

O conceito de qualidade de vida tem conotações muito importantes, ser ou estar saudável, está associado à satisfação das necessidades humanas básicas, que o trabalho é um elemento fundamental para a saúde das pessoas desde que seja realizado em condições saudáveis, promove sensação de bem-estar, refletindo na melhoria das condições de trabalho e na assistência de enfermagem prestada e conseqüentemente na qualidade de vida de seus trabalhadores.

A preocupação com o estresse ocupacional, particularmente com a equipe de enfermagem de centro cirúrgico, tornou-se notável pela demanda e fluxo de profissionais acometidos por esta doença.

O ambiente cirúrgico exige dos profissionais que atuam nele, principalmente da enfermagem, atenção constante, técnicas específicas, agilidade e concentração no procedimento.

Tendo em vista este risco psicológico constante, o estresse ocupacional vem de encontro a responder inúmeros problemas enfrentados pela equipe de enfermagem.

O sucesso da prestação da assistência ao paciente e família se faz com profissionais que estejam preparados globalmente, isto é, no sentido de conhecimentos, emoções e atuação com estrutura adequada.

O entendimento, aqui, do tema investigado é de fundamental importância para a Enfermagem, uma vez que bem-estar e qualidade de vida no trabalho são fatores que influenciam a qualidade final da assistência de enfermagem. Acredita-se, ainda, que investigações sobre esse assunto não devam ficar restritas ao profissional enfermeiro e passem a abranger todos os membros da equipe de enfermagem de forma que revele a realidade que envolve esses trabalhadores em seu universo de trabalho.

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Tenho 33 anos, sou estudante do 8º semestre de Enfermagem, da Faculdade São Francisco de Barreiras- FASB.
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