PLANEJAMENTO: UM INSTRUMENTO PARA O COTIDIANO DA ESCOLA.
 
PLANEJAMENTO: UM INSTRUMENTO PARA O COTIDIANO DA ESCOLA.
 


PLANEJAMENTO: UM INSTRUMENTO PARA O COTIDIANO DA ESCOLA 

DAMACENO, Taiza Antonia Candido[1]

 RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo analisar e refletir sobre a importância do planejamento e do plano de ensino no desenvolvimento das ações pedagógicas. A pesquisa nos diferentes teóricos, a compreensão sobre os fatores relacionados com o planejamento, sua relação com ás áreas política, econômica, social e educacional na sua influência no desenvolvimento do ensino e aprendizagem. A metodologia foi leitura realizada em obras do (Luckesi, Menegolla e Gandim), entre outros.

  

Palavras chave: planejamento; gestão escolar; plano de ensino.

 

O homem sempre sonhou, pensou e imaginou algo para a sua vida. O planejamento foi uma realidade que acompanhou a trajetória da humanidade. Desde o homem primitivo, no seu modo e habilidade de pensar, imaginou como agir e vencer os obstáculos encontrados no seu cotidiano (MENENGOLLA, 1998).

Entende-se por planejamento um processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego dos meios materiais e dos recursos humanos disponíveis, a fim de alcançar objetivos concretos, em prazos determinados e em etapas definidas, a partir do conhecimento e avaliação científica da situação original. (MARTINEZ, 1977, p. 11).

 

Este trabalho é uma reflexão sobre o que é planejamento e plano de ensino. Não o planejamento burocrático, muitas vezes, sem sentido e sem utilidade na prática e no cotidiano escolar, mas uma ação que pode influenciar o desenvolvimento de um trabalho intencional, contribuindo na formação de cidadão com maior domínio do conhecimento que a escola pode e deve trabalhar. Com o objetivo de analisar e refletir a importância do planejamento.

Planejamento é um processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre recursos e objetivos, visando ao melhor funcionamento de empresas, instituições, setores de trabalho, organizações grupais e outras atividades humanas.

Desta forma, percebe-se que o planejamento está vinculado a uma determinada atividade que se pretende desenvolver. Assim, são organizados os procedimentos e as ações que permitirão alcançar os objetivos esperados e os propósitos a serem atingidos. A sua importância fica evidenciada pela possibilidade de prever em detalhes o conjunto de procedimentos que serão adotados na execução das atividades inerentes ao projeto.

Conforme Ferreira (2001, p.36) o “plano de ensino é o conjunto de métodos e medidas para a transmissão de conhecimentos e da instrução”.

Nota-se que o planejamento e o plano de ensino são ferramentas que podem contribuir na escolha de recursos, metodologias, procedimentos e objetivos que serão trabalhos no cotidiano da sala de aula. Verifica-se que podem contribuir para organizar os trabalhos docentes na busca de novos conhecimentos que serão aplicados na melhoria da prática docente.

O planejamento, no interior da escola, deve ser elaborado a partir da realidade do aluno, o que não parece ser nenhuma novidade.  Porém, torna-se uma atividade complexa quando chega a hora do professor planejar as suas aulas, que paralisa e assusta por quase todo o ano letivo.

Para que o planejamento contemple a realidade da criança é necessário que ele seja flexível. Muitas vezes, o planejamento rígido esquece a necessidade de adequar as ações planejadas à rotina já organizada de cada realidade escolar. Esta adequação, às vezes, parece ser impossível frente ao número diversificado de alunos, com experiências e vivências distintas.

Desta forma, o planejamento a partir da realidade deve assumir a perspectiva de que o conhecimento se transforma continuamente. Ele tornar-se-á uma possibilidade de fazer da rotina escolar um momento de continuidade de escolhas e decisões.

Segundo Lukesi (1994, p.168) “o planejamento não é uma ação neutra”. Isto porque, determina cada passo a ser desenvolvido, orienta como administrar tempo e recurso que leva a alcançar os objetivos propostos, mas torna-se desnecessário quando não é seguido. Quando o planejamento não é seguindo, seu valor é reduzido, perdendo a sua utilidade política e filosófica no processo de toma de decisão, distanciando-se do mundo e da realidade para qual foi idealizado.

Portanto, a capacidade de improvisar é, e pode ser utilizada no desenvolvimento de uma disciplina, de uma aula, mas não deve se torna em uma ação contínua, pois o improviso atende à quebra do assunto em pauta, um acontecimento inesperado e que dificilmente terá continuidade.

Ter um objetivo (rumo e destino) faz a diferença em qualquer situação, seja numa atividade social ou na organização do trabalho na busca de novos conhecimentos, ou mesmo, na aplicação prática deste conhecimento.

Tanto o planejamento, que é a distribuição do tempo para melhor controle do trabalho, organizando a rotina, quanto o plano de ensino que são os métodos que serão utilizados para esta organização, necessitam possibilitar novas escolhas com liberdade para mudanças, adequações e alterações das atividades que irão garantir a aquisição e a aplicação dos conhecimentos produzidos ou adquiridos.

Com o planejamento é possível avaliar e revisar o trabalho docente e visualizar a necessidade de alteração no plano de ensino. O ato de planejar faz parte das necessidades e das urgências que fazem do dia-a-dia das pessoas em suas ações sociais, familiares ou escolares.

Verifica-se que é impossível viver sem um planejamento ou plano. Assim, como é impossível enumerar todos os tipos e níveis de planejamento necessários à atividade humana. O homem, induzido por sua racionalidade está sempre planejando, organizando suas ações e ensaiando formas de transformar suas idéias e sonho em fatos reais. Na maioria das vezes, isto não ocorre de maneira consciente e eficaz. Mesmo assim, ele coloca em movimento toda a sua estrutura básica na busca do futuro desejado. Nesta busca, analisa a realidade e propõe ações e atitudes para transformá-la.

Portanto, pensar sobre o que existe, o que deseja alcançar, o meio que se pretende utilizar e avaliando o que se deseja conseguir é um plano que vem respaldado de conhecimentos prévios, aptos a serem colocados em prática, através de diretrizes que serão gerenciadas em prol de um indivíduo o de um grupo.

 Um planejamento bem organizado inclui também o ato e a ação avaliativa e deve estar presente no dia-a-dia social e escolar. Todos se avaliam mutuamente, se auto-avaliam mesmo sem perceber e a escola por si só é uma instituição antes de tudo avaliadora em todos os aspectos.

E é através do planejamento que podemos definir como e qual o grau de avaliação que queremos, para obter êxito esperado, organizando tarefas administrando recursos e facilitando o trabalho.

O ato de planejar serve de suporte para o entrelaçamento entre os conhecimentos prévios e aqueles que estão sendo desvendado no decorrer do processo de ensino e das decisões e atuações dos alunos e professores, no cotidiano do trabalho pedagógico, envolvendo ações e situações numa constante interação do grupo.

Planejar é um ato coletivo, que envolve a troca de informações entre professores e demais membros da unidade escolar. É uma das atividades mais importante, porque faz com que o professor possa refletir sobre sua prática diária, sobre os objetivos que deseja alcançar e como pretende alcançar, o professor ao planejar sua aula deve respeitar as características de seus alunos e também as necessidades dos mesmos.

Quando olhado a partir das políticas públicas, o planejamento foi contemplado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96). Nesta Lei ficou definido que os “docentes incumbir-se-ão de: [...] ministrar os dias letivos e as horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional” (artigo 13).

Os sistemas, ao definirem a composição da carga horária dos docentes, estabeleceram a hora atividade. Este tempo é reservado às ações docentes realizadas fora da sala de aula, podendo ser desenvolvidas através de atividades de reflexão, sobre o que o aluno está aprendendo, se os objetivos estão sendo alcançados, enfim, é a hora de avaliar o ensino e a aprendizagem. Em outras palavras: é um tempo reservado ao planejamento.

O trabalho docente não pode ser orientado por um documento rígido, já que uma das características do processo de ensino é estar sempre em movimento, sofrendo modificações que vão ao encontro das necessidades dos alunos.

Um planejamento é, acima de tudo, um plano em ação onde as experiências são trocadas entre professores e alunos. Pensar e planejar antes de agir é um ato de habilidades e sabedoria e nesse sentido deve-se trabalhar, com a idéia de um planejamento que possa atender os objetivos, as estratégias, mas, que também contemple os improvisos que possa surgir durante as atividades do cotidiano escolar.

Este instrumento de gestão ajuda o professor a agir com segurança, facilitando a integração e a continuidade do ensino e da aprendizagem. Evita a improvisação de conteúdos, a repetição e a rotina do ensino. Cada professor tem sua maneira de planejar. Planeja de acordo com a realidade de seus alunos, com os conhecimentos que no momento estão convivendo, e por isso, o professor não deve se apegar nas características de cada aluno, mas refletir sua prática diária, seus objetivos e a realidade existente.

O planejamento é, acima de tudo, a base de todas as atividades de ensino, é um meio para que os professores possam construir e orientar suas ações em sala de aula. Permite perceber os aspectos que envolvem a ação pedagógica, tarefa essencial no processo de ensino, quando voltado para a transformação da sociedade e à busca da justiça, igualdade e a tolerância das diversidades.

Segundo Luckesi (1994, p. 168):

O exercício do planejamento didático, normalmente, tem sido um modo de classificar superficialmente recursos disponíveis por uma possível ação que se vai realizar, deixando de assumir, conscientemente, seu papel político, para servir de instrumento de administração da escassez de recursos.

 

Para muitos, o planejamento é uma exigência burocrática de diretores e supervisores de ensino e reclamam do tempo que perdem, mas, para que haja um ensino e aprendizagem efetiva é necessário que haja uma organização de um programa que estabeleça um clima de liberdade democrática, com mecanismo de participação política onde as experiências de administração do orçamento escolar ou pessoal resgatem o direito de todos em participar da Gestão Escolar através dos Conselhos de Classe, Grêmio Estudantil, APM (Associação de Pais e Mestres) e outros grupos que possam fazer o que é possível em benefício da Educação.

Para a sociedade o que importa é que o diretor esteja preparado para junto com os demais servidores da instituição possam gerir os recursos que lhe são confiados de forma a obter o maior proveito social possível, tanto em quantidade como em qualidade, que atendam ás necessidades da população a ela ligada.

Essa consciência do que representa o planejamento escolar para a formação de novos cidadãos permitem que os membros da comunidade escolar atuem como agentes dessa nova realidade adequando e situando-se com ações que asseguram um espaço onde a educação esteja a serviço do povo e tenha um significado global.

Dessa forma, pensarem Gestão Democráticaimplica num planejamento que  amplie a participação política e cultural dos membros da instituição educacional, objetivando alcançar autonomia e produzindo suas condições de trabalho. Sendo que autonomia pressupõe liberdade de decidir, liberdade e responsabilidade. Elementos de gestão que caminham em interdependência no contexto do sistema educacional e que precisam ser cotidianamente construídos, avaliados e re-planejados.

No entanto, a gestão e a autonomia da escola são relativas, pois, os diversos agentes do poder público cerceiam e limitam a auto-gestão (em benefício da sociedade). Neste sentido, a gestão escolar não deve ser vista como obrigação, um dever e sim, como um caminho organizado. Pelo contrário, constitui-se em uma oportunidade de investir para o avanço e melhoria de condições para todos os elementos da comunidade escolar.

Para uma efetiva gestão democrática é essencial planejar com objetivo e autonomia, buscando a construção coletiva de projetos que atendam os anseios individuais e coletivos, permitindo a participação de todos. A integração da estrutura social com o ambiente escolar só é possível mediante um planejamento onde a reprodução das relações sociais no conjunto de funções possa organizar a cultura e administração de recursos para que supere as desigualdades sociais e ofereçam oportunidades iguais para todos que a freqüentam.

No processo educativo, o ser humano se manifesta na atuação de seus agentes pedagógicos, onde subsistir grupos com interesses e finalidades antagônicas, e, uma gestão democrática é antes de tudo um esforço de produzir aquilo que atenda as necessidades gerais, tais como: necessidades educacionais, meios necessários para realiza condições de infra-estrutura, recursos profissionais preparados.

Assim, planejar é repensar o uso do tempo do espaço e do processo de ensino e aprendizagem na escola, na busca da participação de todos os elementos da comunidade escolar: gestores, professores, alunos, pais e comunidade externa.

A pesquisa permitiu perceber uma relação entre o sistema de avaliação e o planejamento escolar. Sendo que a avaliação é um processo contínuo que visa interpretar os conhecimentos e habilidades dos alunos, tendo em vista mudanças propostas nos objetivos, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas do planejamento do professor e da escola.

Nas páginas anteriores, destacou-se que o planejamento se constitui de um vai-e- vem pedagógico. Afirmou-se que planejar é refletir, é voltar atrás, observar o que já foi feito o que existe e que se deve planejar a partir da realidade encontrada, tomando uma posição diante desta realidade para transformá-la. Assim sendo, o planejamento é um ato político, na busca da cidadania e da autonomia, pois permite decidir sobre o que se quer e quais os meios para conseguir o que se pretende.

Portanto, planejar não deve ocorrer só em um momento do ano (no início do ano letivo), mas passa por vários momentos, exige uma avaliação e monitoramento constante para se construir um processo.

Dessa forma, avaliação e planejamento estão fortemente interligados, uma vez que somente através da avaliação, o professor terá condições de planejar suas próximas atividades, se deverão retomar pontos que não ficariam totalmente esclarecidas ou seguir em frente com os conteúdos.

No cotidiano, observa-se que os procedimentos de ensino são selecionados a partir do plano definido para o ano letivo sem que se reflita claramente sobre seus significados ou com a articulação entre os procedimentos e a proposta pedagógica.

É importante lembrar que o planejamento da aprendizagem não se restringe á escola, prever e organizar as atividades que ocorrem fora do espaço escolar reflete a metodologia adotada. Por meio dos erros e acertos é que oportunizará a tomada de decisões, lembrando sempre que ao se planejar haverá diversos elementos envolvidos como pessoas indivíduos ou até grupos que terão por sua vez uma visão diferenciada dos objetivos e ações previstas.

Então, é preciso refletir seriamente sobre sua ação, seu planejamento a fim de atender as características locais, as necessidades individuais e da comunidade prevista no plano de ação.

 

Considerações Finais

 

Concluindo, é preciso considerar que planejamento e plano são ao mesmo tempo dois atos unos e distintos entre si. Um educador consciente deve estar preparado e disponível para rever pensar suas práticas, seus conceitos e suas atitudes perante o planejamento, utilizando-o em seu dia-a-dia, enquanto profissional da educação.

É preciso estar sempre presente e participante das ações educativas realizadas na escola. Sem uma participação ativa e reflexiva será impossível conhecer a realidade onde se encontra inserido. Desconhecendo esta realidade não há possibilidade de definir os objetivos realmente necessários e determinar que meios e recursos devam ser disponibilizados com critérios possíveis de execução.

Estabelecer como e quando executar um plano exige planejamento que contemple as aulas, a convivência, os recursos físicos, humanos e financeiros, pois estes elementos determinam a valorização de soluções contextualizadas e construção da autonomia da escola.

Faz-se necessário refletir acerca do processo de planejamento que se dá no contexto escolar e perceber que inúmeros fatores influenciam no processo de aprendizagem do aluno. Estes fatores, muitas vezes, intervêm para que a escola possa, realmente, desenvolver ações adequadas ao atendimento de todos.

O planejamento e o plano de ensino ainda mantêm lapsos com a realidade social vivenciada pelos alunos, a gestão democrática tenta atender e alcançar a todos, mas fica restrita aos recursos financeiros e sua aplicação geralmente fora da sala de aula com a participação e real compreensão de poucos.

O importante é que o professor garanta seu momento de docente e também o período de planejamento e avaliação, com isso estará se aperfeiçoando em sua prática, através de estudos bibliográficos, participação de formação continuada e, com isso vai adquirindo novos conhecimentos que repassará aos alunos. E a partir desse conhecimento o professor poderá planejar um direcionamento de seu trabalho, não para se impor autoritariamente, mas, para criar o suporte para o salto e a elevação cultural de todos.

 

Referências bibliográficas

 

BAFFI, Maria Adélia Teixeira. O planejamento em educação: revisando conceitos para mudar concepções e práticas. Bello, José Luiz de Paiva. Pedagogia em foco, Petrópolis, 2002. http/www.pedagogiaemfoco.pro.br/fundam.

BRASIL. Lei n° 9.394, de 1.996, Brasília-1997. que estabelece as Diretrizes E Bases Da Educação Nacional

GANDIN, Danilo, Planejamento Como Prática Educativa. Edições Loyola- 3º- ed. 1983.

LOPES, Antonia. Veiga, Ilma Passos, Repensando a didática, 18º_ed. Campinas, SP. Papirus, 1999.

LUCKESI, Cripiano Carlos, Filosofia da Educação/ Cripriano Carlos Luckesi.- São Paulo: Cortez, 1994 (Coleção magistério.2º- grau. Série formação do professor).

MENEGOLLA, Maxiliano, Sant´Anna, Ilza Martins. Por que planejar? Como planejar? Currículo -área - aula Ed Vozes. Petrópolis-RJ,1.992.

MEC. Ministério da Educação. Pró-Letramento: Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos/ Séries Iniciais do Ensino Fundamental: alfabetização e linguagem. Edição revisada e ampliada. Incluindo SAEB/Prova Brasil/ Secretaria de Educação Básica. Brasília: MEC. 2007.


[1]Trabalho realizado como requisito obrigatório para a conclusão do Curso de Licenciatura Plena Em Pedagogia em Modalidades á Distância, orientado pelo Prof. Célio Vieira Nogueira.

 
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