PLANEJAMENTO SOCIAL
 
PLANEJAMENTO SOCIAL
 


PLANEJAMENTO SOCIAL

Raliana Carneiro de Oliveira

O planejamento é basicamente um processo de racionalidade. Ele nada mais é do que o exercício de racionalidade e ordenação das ações, inerente ao desenvolvimento do ser humano. Sendo assim, cotidianamente o utilizamos como processo de prospecção do futuro, a partir da nossa realidade.
Quanto ao planejamento em Serviço Social, BARBOSA apresenta em seu trabalho, apontamentos históricos pertinentes a esta questão, diz ele: "o planejamento sempre esteve presente no Serviço Social, desde sua primeira sistematização em 1917 por Mary E. Richmond" (BARBOSA, 1980, p.121).
Sendo assim a racionalidade como "atributo essencial do processo de ação planejada do Serviço Social foi fator desencadeador para a conformação e o reconhecimento da profissão." (BARBOSA, 1980, p.61).
Inicia-se então o ensino da disciplina de Planejamento na formação do assistente social, variando sua inclusão nos currículos de país para país, conforme foi ocorrendo a preocupação de rever o próprio Serviço Social e a conseqüente instrumentalização de seus profissionais. (BARBOSA, 1980, p.121)
O planejamento social proporciona maior interação entre profissionais e sociedade tendo como objetivo as singularidades.
Ele é um processo contínuo e dinâmico, devendo ser analisado constantemente,
O planejamento necessita dos atos de reflexão-decisão-ação-reflexão, o que explica o planejamento social como uma "decisão a planejar".
O planejamento se realiza por aproximações segundo Baptista (2007,p.79). São elas:
1ª ? Construção do objeto;
2ª ? Estudo de situação;
3ª-Construção de referenciais teóricos
4ª-Levantamento de pressupostos;
5ª-Coleta de dados
6ª-Organização e análise;
7ª-Identificação de propriedade de intervenção;
8ª- Definição de objetivos e estabelecimentos de metas;
9ª-Analise de alternativas de intervenção;
10ª-Planificação;
11ª-Implementação;
12ª-Implantação e execução;
13ª-Controle;
14ª-Avaliação;
15ª-Retomada do processo.

Mesmo se estas aproximações se apresentarem nesta sequencia lógica, continua e dinâmica, na pratica este processo nem sempre é identificado desta ordenação.( Baptista, 2007).

O processo de planejamento é cíclico, que começa com a reflexão da situação e, concomitante ao processo,Max denomina este processo de união do pensamento e da ação como práxis social.
Apresentando e contextualizado as aproximações divido-as em: Reflexão da1ª a 5ª, decisão da 6ª a 8ª e ação da 9ª a 15ª.
A primeira fase é a da reflexão que engloba da primeira a quinta etapa, Na primeira é elaborada a construção do objeto, delimitar o objeto, saber o que planejar, qual o seguimento da realidade lhe é proposto como desafio.

Perfeitamente delineado e delimitado, o objeto de intervenção vai se construindo e reconstruindo permanentemente no decorrer de toda ação planejada, em função de suas relações com o contexto eu o produziu,sendo modificado e modificando-o permanentemente (Baptista,2007,p.31).

Na segunda etapa é feito o estudo da situação, surge a aproximação.
O estudo de situação consiste na caracterização (descrição interpretativa), na compreensão e na explicação de uma determinada situação tomada como problema para o planejamento e na determinação da natureza da magnitude de suas limitações e possibilidades ( Baptista 2007, p.40).

Define-se estudo da situação em um conjunto de informações, freqüentemente alimentadas e processadas que resultam em contribuições para tomadas de decisões e para ampliar o conhecimento das realidades concretas. " O processo de reflexão sobre a realidade, deste modo,vai incorporando novos elementos, alcançando novas descobertas".(BAPTISTA 2007, P.40).
O objeto do planejamento não pode ser tratado de maneira isolada da conjuntura.
Na terceira etapa é feita a construção de referenciais teóricos-prático.São os conhecimentos que vão alimentar o estudo de situações para o planejamento.
O principal objetivo é analisar e fazer a explicitação da realidade a ser planejada.
O desafio posto para apropriar-se destes conhecimentos, a partir de uma crítica teórica, superando seus limites e estabelecendo uma nova matriz teórica, significa termos sempre uma matriz teórica orientando o "recorte profissional"; em outras palavras, o modo como este delineia sua ação.(BAPTISTA, 2007 ).
É essa teoria que lhe possibilita formular seu esquema de análise trazendo-lhe referências, supostos, concepção amplas,fornecendo-lhes a chave explicativa que lhe vai permitir apreender a realidade e instrumentalizar o seu diálogo com ela (BAPTISTA, 2007,P.47).

Na quarta fase é feito o levantamento de hipóteses preliminares, O emprego das hipóteses podem ser variados e,assim a opção de analisar o conteúdo é diferenciada de acordo com os elementos obtidos e da natureza dos estudos.
Essas hipóteses preliminares de compreensão e de explicação da situação e as possibilidades de intervenção são freqüentemente, levantadas a partir de um referencial já existente, relacionado à situação abordada, ainda que ao senso comum a respeito da realidade e ás informações relativas ao âmbito, ao nível e a estratégia interventiva da instituição promotora do planejamento (BAPTISTA,2007,P.45).

Na quinta e ultima desta fase, faz-se a coleta de dados, Esta coleta busca levantar informações, sendo assim o planejador relaciona as informações, programa as investigações e faz pesquisas de situações que julga necessárias para maior aprofundamento para iniciar as primeiras tomadas de decisão.
Esta analise inicial tem como função aproximar ou identificar área que demandem pesquisas que devem ser aprofundadas. No planejamento social,é extremamente importante a realização prévia de estudos de todos os aspectos relevantes para a situação abordada.
No momento da coleta de dados,estes devem referir-se aos seguintes aspectos: dados de situação; dados da instituição; dados das políticas públicas; da legislação; do equipamento jurídico; de rede de apoio existente e dados de prática(BAPTISTA, 2007, P.52).
As aproximações nos aproximam do objeto proposto e esta primeira fase é a fase da reflexão,
O planejamento existe para mudar uma certa realidade, ele transforma algo de uma realidade existente, mas para se transformar é necessário primeiro conhecer a problemática saber o que se quer mudar, o se deve ser transformado, em um caso em um asilo, um objeto pode ser a depressão nos idosos .
Deseja-se transformar este quadro,como eu vou trabalhar para mudar esta realidade, para que diminua esse índice de portadores de depressão.
O que é depressão, quais as causas e conseqüências, quais os profissionais necessários para o tratamento,precisa-se de uma reflexão critica e neutra da situação,conhecer o território todos os aspectos e todos os aparatos de como se trabalhar com esse problema.
Essencial para o trabalho de todo assistente social é o seu referencial teórico-pratico, ter definido a metodologia a ser utilizada a ação a ser aplicada é necessário primeiro conhecer para depois executar.
Questionar esta é uma forma de se fazer um levantamento da questão, no caso da depressão no asilo, O problema é somente do idoso? , A família tem uma parcela de culpa? , É necessário palestras de conscientização para os idosos e para família? . Estes questionamentos podem aparecer de formas implícitas ou explicitas .
E para concluir estas fase o levantamento de pressupostos estuda a situação ele levanta dados para buscar informações empíricas,estes dados podem ser coletados com entrevistas,estatísticas ... estes dados são coletados para se partir para uma ação para transformar a realidade, voltando a depressão nos idosos, 90 % dos idosos possuem capacidade para tomar decisões, com estes dados é possível criar passeios a locais públicos escolhidos por eles através de votação, eles passam a se sentir mais útil eleva a alto estima deles, o que ajuda e muito no tratamento, sendo que um grande problema para o idoso é ser discriminado e tratado por muitos como invalido tendo consciência destes fatos, o que gera um grande fator para desenvolver a depressão.
A segunda fase é denominada como fase da decisão, ela é composta da sexta à oitava etapa.
A sexta chama-se aproximação-organização e análise, ela é totalmente dependente das outras, nela observa-se se os dados obtidos no decorrer da investigação são suficientes para dar resposta aos objetivos propostos, caso contrário deve-se redefinir a fase reflexiva do planejamento.
O enfrentamento e a superação de uma determinada situação passam pela identificação das políticas públicas, das políticas específicas à área de intervenção, da legislação pertinente, do equipamento jurídico e do equipamento social (BAPTISTA, 2007,P.57).
A sétima denomina-se identificação de prioridade de intervenção, Elabora a matriz de cruzamento objetivos/processos, identifica as prioridades para intervenção nos processos, define as prioridades dos projetos e ações.
A oitava e ultima desta fase de decisões chama-se definição de objetivos e estabelecimento de metas.Os objetivos servem para fundamentar o processo de planejamento. Sem ele,os esforços poderiam estar em qualquer direção,o objetivo estão em posicionar a organização, orientar a ação, definir ritmos de planejamento,motivar pessoas, facilitar a avaliação do desempenho e incorporar intuição e racionalidade.Podem ainda,ser classificados em três aspectos:a abrangência (objetos gerais e específicos), o prazo (objeto de longo, médio e curto prazo) e a forma( quantitativos e qualitativos).
Refere-se aos alvos que deverão ser conquistados para transformar a visão em realidade, através de canalização de esforços e recursos ao longo do período predefinido.Os objetivos buscam alcançar resultados especificados em um horizonte de tempo pré-estipulado (TAVARES, 2005,P. 312) .
Sendo assim esta fase de decisão inicia-se depois que o profissional conhece bem o campo a qual ele vai trabalhar, a partir daí se observa os dados a qual foram coletados se eles foram o suficiente pode-se reformular o questionamento, com o objetivo definido pode-se partir para as metas, sendo que metas são desafios que traçam um rumo para cumprir os objetivos.
No caso fictício do asilo com idosos com depressão, com os dados coletados verificou baixa auto estima por conta dos idosos se sentirem excluídos pelos seus familiares, tendo conhecimento deste problema foram coletados mais dados a respeito dos idosos, foram criadas oficinas baseadas nas habilidades deles o que supriu as expectativas de todos,os idosos aumentaram sua alto estima e os familiares vendo eles em atuação conscientizaram que estes ainda são capazes de realizar tarefas.

A terceira e ultima fase é compostas das etapas nona à décima quinta é a fase da ação, Após uma realidade determinada. Inicia-se, então o trabalho de sistematização das atividades e dos procedimentos necessários para o alcance dos resultados previstos. Essas decisões são explicitadas, sistematizadas,interpretadas e detalhadas em documentos que representaram graus decrescentes de neveis de decisão: planos,programas e projetos.
O plano delineia as decisões de caráter geral do sistema, suas grandes linhas políticas, suas estratégias, suas diretrizes e precisa de responsabilidade.No plano,são sistematizados e compatibilizado objetivos e metas,procurando otimizar o uso dos recursos de organização planejadora.
"Programa é o documento que detalha por setor apolítica, diretrizes,metas e medidas instrumentais. É a setorização do plano." ( PINTO apud BAPTISTA,2008,p.100).É um desdobramento do plano. Permite projeções mais detalhadas é base de coeficientes e de informações mais especificas com relação aos diferentes níveis, modalidade e especificações de alcance setorial e regional. O programa estabelece o quadro de referencias do projeto.
O projeto é o documento que sistematiza e estabelece o traçado prévio da operação de um conjunto de ações.
Como planificação de ação ,o projeto pressupõe a indicação ao resultado perseguido, è o instrumental mais próximo da execução,devendo detalhar as atividades a serem desenvolvidas ,estabelecer prazos e especificar recursos
A décima primeira refere-se a implementação, a implementação so se deve ocorrer após formulações de etapas anteriores,prepara-se internamente para neutralizar ou minimizar as etapas existentes e explorar as oportunidades.Quanto maior o conhecimento dos ambientes internos e externos ,menores são as chances da empresa cometer na formulação de suas estratégias.
Estratégia é um conjunto de ações e providencias de uma corporação, instituição,setor ou região,destinado a viabilizar o seu avanço com a maior segurança possível,num universo de incertezas não só no futuro como no próprio presente. Mobilizando, motivando e condicionando colaboradores para atingir um elenco de objetivos previamente estabelecidos (PINTO, 2004,P.37).
Á décima segunda etapa; Implantação e execução, Esta coloca em pratica as ações planejadas para possibilitar o cumprimento dos objetivos anteriores,
Certos fatores apresentam certas resistências no planejamento.
Entre esses fatores apontados estão as resistências a mudanças, nos níveis individual e grupal, e sua expressão na cultura. No nível individual, a resistência a mudança se dá-se pelo desejo de não perderem algo que valorizam,pela incompreensão de suas implicações,pela descrença em sua necessidade,pela pouca tolerância, pelas experiências anteriores de mudanças mal sucedidas e pelo risco envolvido no processo de mudanças (TAVARES,2005,P.432).
A décima terceira e a décima quarta são as definições de parâmetros de avaliação e controle, ele é o meio técnico que poderá medir a efetividade de suas ações e o impacto das decisões estabelecidas.
Para que á avaliação ocorra é necessário que haja um controle,este é um instrumento que pode verificar o que exatamente foi previsto e o que exatamente foi previsto e o que efetivamente está ocorrendo.
A décima quinta e ultima é a retomada do processo. É o momento em que são constatados os desvios e os erros e definidas novas ações para a retomada do planejamento,ela é feita de forma continua no processo e será retomada a partir das constatações do percurso do processo.
A retomada do processo é particularmente dinâmica em sistema de planejamento cuja organização torne possível localizar desvios na programação e no comportamento técnico em face da intencionalidade da ação(BAPTISTA,2007,P.122).
O acionamento da retomada do processo vai permitir ao planejador o permanente confronto coma realidade, por ocasião de novas tomadas de decisões.
Esta fase se caracteriza pela ação, depois de se conhecer o "território" em que se trabalhar tomar as decisões a respeito das ações a serem executadas agora é a vez das ações,estas podem ser realizadas através de planos, projetos e programas, quando estabelecido o método parte-se para estabelecer as estratégias para implementar o trabalho, implementar primeiro depois implantar, comum controle permanente é possível ter a certeza se o que esta ocorrendo foi o que foi previsto, o controle pode ser realizado para controlar as datas prazos,orçamentos entre outras com a reflexão e o pensamento critico é possível executar o controle.
Ao se refletir constantemente verifica-se que o que antes era um problema foi transformado, surgiu uma nova realidade e nesta nova realidade pode haver uma nova necessidade de intervenção,sendo que o processo é histórico mutável.
Retomando ao exemplo do asilo, as oficinas deram certo, a partir deste fato foi feito o processo de implementação do projeto para depois se fazer a implantação deste, o que difere a implementação da implantação do projeto é que implementação é uma fase antes a de apresentação primeiro apresenta-se,depois implanta-se ao implantar observou que a auto estima aumentou, com as oficinas mas estas estavam coma presença de poucos familiares, o espaço não comportava o numero de familiares que desejam participar, a partir deste novo problema se fez necessário, planejar um novo espaço, mais matérias,mais funcionários para manutenção,como aumento da auto estima verificou também a diminuição no uso dos antidepressivos o que diminuiu o orçamento dos medicamentos. Deve se manter as oficinas, mais surgiram novos dados novas problemas e soluções de antigos o objeto de intervenção foi negado, e surgiu outro o processo é mutável .




REFERÊNCIAS



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Disponível em: www.cereja.org.br/arquivos_upload/planej_projetossociais_janeiro2006.pdf
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VIDGAL,L. Sistemas de Informação da Administração Pública. Disponível em:
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Acesso em : 6 abril 2009.


ZANONI,E e TOSCAN,B,F. Planejamento social.SãoPaulo: Pearson Education do Brasil, 2009

 
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