Os processos de independência na América Latina
 
Os processos de independência na América Latina
 


RESUMO

Neste trabalho, como parte da disciplina da América colonial, ministrada pelo Professor Vlademir José Luft, trataremos do processo de independência política da América Latina, a formação dos Estados nacionais e os caudilhos, a partir do texto “Os Processos de Independência da América Latina” de Eliane Aguirre, Mestranda em História pela Universidade de Passo Fundo.

APRESENTAÇÃO

No texto de Eliane Aguirre, ela apresenta uma análise do processo de colonização da América Latina, assim como dos fatos que ocasionaram a independência dos países latino-americanos e do Brasil. De acordo com a autora, a luta pela independência política da América resultou da organização de pequenos grupos, porém, fortes e poderosos, que passaram a estruturar os novos países com interesses próprios.

No caso das colônias espanholas, que permaneceram sob domínio espanhol, por mais de trezentos anos, deu início do século XIX. Essas colônias começaram sua luta pela independência, fato este que ocorreu ao mesmo tempo em diversas colônias, porém com processos distintos. Entretanto, podemos dizer que alguns elementos comuns contribuíram para as luta pela independência. Eliane descreve que, apesar da distancia entre Europa e América, os fatos que ocorriam, na primeira influenciavam diretamente a segunda.

O pensamento Iluminista, que teve grande influência na independência dos EUA, assim como a Revolução Francesa e a invasão napoleônica na península ibérica, também influenciou a independência. Os ideais antiabsolutistas do liberalismo, e a consciência das elites coloniais de que a Espanha dificultava seu domínio sobre a América, justificativa a luta contra o domínio espanhol. Algumas medidas tomadas pela Espanha contribuíram para descontentamento dessa elite, como: a dificuldade do acesso dos criollos aos cargos do governo e administração colonial, a cobrança de tributos sobre produtos de exportação, a restrição ao desenvolvimento de produtos manufaturados que concorriam com a produção metropolitana. Essa elite era formada por grandes proprietários de terras, comerciantes e donos de minas, que lutavam por direito ao livre comércio, e desejavam o afastamento da coroa espanhola que vinha dificultando seus interesses. Numa primeira etapa (1810-1815), ocorreu a independência da Argentina, do Paraguai, da Venezuela, do Equador e do Chile. Na segunda fase (1816-1828), Bolívia, do México, do Peru e da América Central. O Uruguai iniciou a luta pela libertação em 1825, conseguindo-a, em 1828.

O processo de formação dos Estados Nacionais na América Latina foi marcado pela instabilidade política e por uma dupla limitação: economicamente, pela inserção na nova divisão internacional do trabalho, na condição de área periférica, o que garantia a manutenção do latifúndio e do trabalho escravo; politicamente, pelas limitações democráticas, que excluíam a maior parte da população até mesmo do elementar direito ao voto.. A substituição das antigas colônias espanholas por nações independentes apresentou dois problemas básicos: constituir Estados soberanos e organizá-los em meio às mais variadas tendências políticas. Além disso, o antigo império espanhol, agora fragmentado em repúblicas independentes, continuou a conhecer uma realidade socioeconômica e cultural dividida. Na maior parte da América Latina, onde predominava uma estrutura latifundiária e as mais variadas formas de servidão, a independência pouco ou nada veio alterar.

Nesse contexto, marcados por tantas diferenças surgem as oposições regionais entre as lideranças do processo de emancipação, com os mais variados interesses. Quanto à forma de organização dos Estados nacionais, o republicanismo foi o princípio político geral que norteou a formação dos Estados nacionais latino-americano. Entretanto, a monarquia tinha seus defensores entre muitos membros da elite criolla. Além do Brasil, só seria viabilizada no México e, assim mesmo, por um curto espaço de tempo. Com a opção pela república, impõem-se também os interesses e as ambições relativas ao mando local, transformando as disputas políticas em violentas e sangrentas lutas. 

Com a falta de organização política e administrativa surgem os caudilhos, na grande maioria proprietários de terra que se tornam líderes político-militar, com capacidade ideológica e discursos filosóficos capazes de formar exércitos. Sua origem, explica-se através do vazio institucional surgido das invasões napoleônicas e das guerras de independência no alvorecer do século XIX.  Com a quebra do estado espanhol, personagens locais, na maioria das vezes criollos até então separados do poder político por medidas discriminadoras, alcançam o poder. O caudilhismo surge num espaço de vazio institucional e burocrático, onde muitas vezes a única esperança de justiça, proteção ou de distribuição de favores, residia na casa do senhor. Assim, frente a um estado incapaz ou desinteressado em dar auxílio ou qualquer assistência, o cacique (caudilho ou coronel) surge como aquele que protege, socorre, sustenta materialmente seus agregados; por sua vez exige deles a vida, a obediência e a fidelidade

REFERÊNCIAS:

AGUIRRE, Eliane. Os processos de Independência da América Latina. Disponível em: http://www.semina.clio.pro.br/4-1-2006/Eliane%20Aguirre.pdf. Acesso em: 23-09-2012.

DA SILVA, Francisco Carlos Teixeira. Caudilhismo e caciquismo: as ditaduras sul-americanas. Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/francisco-carlos-teixeira. Acesso em: 20-09-2012.

 
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