O Valor do Trabalho para o Trabalhador
 
O Valor do Trabalho para o Trabalhador
 


As representações que o trabalho distingue na vida de um trabalhador é, sobretudo sua simbolização social, no qual está sendo enfocada como um valor e um bem maior, no qual se dá um sentido de utilidade na sociedade. Porem esse trabalho por muitas vezes não vem representando apenas a satisfação de se manter empregável, pois, em muitas vezes o tão esperado trabalho se torna uma forma de opressão ao trabalhador o expondo de forma grosseira e desumana. O presente artigo tem por objetivo contextualizar a forma de opressões que um trabalhador vem sofrendo em uma sociedade de exclusão e com alto índice de desemprego, no qual o empregabilidade é uma questão ainda muito difícil de se conciliar com muitos desses trabalhadores surgida pela falta de qualificação e escolarização dos mesmo, para o ingresso no mercado de trabalho. Como recurso metodológico em nossa pesquisa será coletado informações através da literatura especifica na área, no qual possibilitará melhor compreensão acerca dos valores e representações do trabalho na sociedade. Concluindo que os trabalhadores com menos escolarização e com pouco ou nenhuma qualificação, fere seus direitos como pessoa humana, para conseguir a sobrevivência de si e de sua família, se expondo de maneira desumana ao trabalho. Palavras  chave: Trabalho.Trabalhador. desumana. Direitos.

Introdução:

O trabalho por sua vez, tende a ter representações ao trabalhador de forma que o mesmo veja o trabalho como forma de se edificar socialmente e tendo como validação a sua pessoa em meio a sociedade, construindo sua simbolização social, no qual está sendo enfocada como um valor e um bem maior e que vem como objeto de desejo e de conquista, no qual se dá um sentido de utilidade na sociedade, mesmo que por muitas vezes o mesmo não traga o prazer físico, mas o moral estará em alta segundo o trabalhador, pois sua dignidade depende exclusivamente de pertencer a classe trabalhadora . nesse contexto o trabalho por muitas vezes não vem representando apenas a satisfação de se manter empregável, pois, em muitas vezes o tão esperado trabalho se torna uma forma de opressão ao trabalhador o expondo de forma grosseira e desumana, no qual estará disposto a enfrentar e passar por cima de seus anseios na condição de pessoa humana em troca de sua dignidade social. O presente artigo tem por objetivo contextualizar a forma que o trabalho é visto como forma de sustentação e conquistas e por outro lado enfocar as opressões que o trabalhador vem sofrendo em uma sociedade de exclusão e com alto índice de desemprego, no qual o empregabilidade é uma questão ainda muito difícil de conciliar com muitos desses trabalhadores surgida pela falta de qualificação e escolarização dos mesmos, para o ingresso no mercado de trabalho, fazendo-o se expor de maneira inadequada as suas condições de pessoas humanas no qual o trabalho vem cada vez mais a agredi-los e ferindo seus direitos em troca da sobrevivência. O recurso metodológico em nossa pesquisa foi a coleta de informações através da literatura especifica na área do trabalho e do trabalhador na sociedade civil nos dias atuais , no qual possibilitará melhor compreensão acerca dos valores e representações do trabalho na sociedade. O presente trabalho visa a compreensão acerca da alienação do trabalhador quanto a sua sobrevivência, fazendo-o a se expor de forma que fira sua força física em troca do reconhecimento de cidadão honesto e digno da classe dos trabalhadores da sociedade. Visto que essa classe seria uma forma de simbolização da sociedade uma vez que seja mais razoável para o combate de crimes na mesma, orientar para essa classe. Fazendo do trabalho algo oposto a criminalidade e sequentimente a vadiagem. Ficando organizado da seguinte maneira para melhor compreensão do tema: no primeiro capitulo apresentaremos considerações acerca do trabalho na sociedade. No segundo capitulo abordaremos as questões fundamentais da cidadania e dos direitos humanos através do trabalho. No terceiro capitulo abordaremos a sobrevivência através do trabalho e seus valores acerca da de pertencer a classe de trabalhadores por fim faremos uma breve conclusão do tema abordado. Ficando concluindo que os trabalhadores de certa forma, vem o trabalho como forma de grandeza na sociedade mesmo se expondo a tantas humilhações e por muitas vezes ao desgaste físico e psíquico, depois de uma jornada exaustiva de trabalho, para que o mesmo possa ser considerado como o chefe de suas família e muito mais que isso, ser respeitado no meio em que vive com cidadão trabalhador.por outro lado a falta de escolarização e a pouca ou nenhuma qualificação que o mesmo adquire fica mais venerável ao desemprego e conseqüentemente a sua exposição a trabalhos desgastantes e com pouca remuneração gerando uma classe desigual na sociedade e ferindo seus direitos como pessoa humana, para conseguir a sobrevivência de si e de sua família, fazendo obrigado a se expor de maneira desumana ao trabalho.

A representação do trabalho na sociedade civil atual

Abordaremos aqui acerca da representação no sentido simbólico que o trabalho vem tomando na sociedade nos dias atuais, o qual vem causando maiores frustrações para a classe que não á pertence-la. Essa construção simbólica do trabalho na sociedade se deu através de um contexto histórico no qual viabilizava o trabalho no sentido de utilidade social, visto que os demais não trabalhadores eram vistos como vagabundos. Conforme Bezerra (2005, p.43) no qual impunha-se o rotulo de vadiagem aos que não estavam integrados a ordem do trabalho. Através disso o trabalho se tornou uma representação da classe honesta e útil a sociedade fazendo restrições aqueles que não se encaixavam nesse contexto. Nesse sentido o trabalho vem se tornando o valor do ser humano, no sentido que, no momento que o indivíduo se desapodera desse bem ( o trabalho), ele se torna sem valor, sem sua dignidade, principalmente na vida dos homens , no qual o trabalho é considerado como respeito, por ser o chefe de sua família, pois é dele segundo sua concepção de sustentar a sua casa e sua família, no entanto, as mulheres nesse contexto também vem tomando significados consideráveis enquanto trabalhadoras, pois as mesmas se sentem independentes em relação as despesas que causam aos seus esposos e quanto ao constrangimento de estar necessitando de materiais de uso continuo, e ter que ser sustentada pelo mesmo. Essa questão é bastante, contraditória, uma vez que o trabalho é visto por diferentes ângulos, e diferentes gêneros, pois o mesmo vem cada vez mais se tornando um bem eficaz na vida publica da sociedade. Essa construção simbólica da categoria do trabalho segundo Bezerra (2005,p.74) esteve sempre ligada a construção da noção de indivíduos úteis a sociedade. Nesse contexto são considerados os pobres trabalhadores em dignos e virtuoso, por serem trabalhadores na visão de Bezerra (2005,p.74), os pobres indignos, ou seja, que não pertencia a classe dos trabalhadores, eram considerados os que cedem aos vícios e a delinqüência, portanto os vagabundos de vida fácil, o avesso do trabalho. Como podemos ver o trabalho tomou a consciência da sociedade, legitimando aqueles que não se enquadram quanto trabalhadores, um titulo de vadios, ou seja, pessoas sem dignidade, que não merece nenhuma consideração quanto cidadões ativos na sociedade, tornando-os excluídos, já que:  O trabalho integra, o trabalho socializa, e o trabalho redime: estas máximas subjazem no pensamento social e forjam uma sociabilidade que ata trabalho e trabalhadores. O trabalho torna-se um poderoso instrumento de integração social . ( COSTA, da Candida, 2006, p.133) A integração social do indivíduo vem através do que ele se torna na sociedade, tal como trabalhador ou vadio, segundo os mesmos. A construção de sua identidade quanto trabalhadores na sociedade, torna-os confiantes e simbolicamente ativos, nos sentido de utilidade social. O trabalho se transformou sendo segundo COSTA, da Cândida (2006,p.133), em objeto de desejo e obrigação social, produzindo estigmas em relação aqueles que não conseguiam se inserir na sociedade enquanto trabalhadores. Dessa forma os indivíduos que por vario motivos não se inserir nesses quadro lhe é produzido estigmas, causando dor no seu ego. O trabalho no momento em que produz realizações, dessa forma também reproduz o sofrimento e frustração do trabalhador sem emprego, pois o cumprimento de trabalhar se confere a status, na participação do seio da sociedade, como um indivíduo responsável, já que:  E é em função disso que se espraia o sofrimento com fracasso, a sensação de desvalorização social e de inutilidade quando esse papel não é cumprido. Essa experiência de consternação que parece em vários relatos revela para os trabalhadores uma melancolia auto-imagem  marcada pelo malogro e pela frustação. (COSTA, da Candida, 2006, p.133) Essa face do trabalhador que se interpõe, diante do fracasso de não estar inserido no mercado de trabalho, no qual o mesmo, por muitas vezes pelo sentimento de inutilidade, se marca pela sua auto-imagem destruída do indivíduo na sociedade. O trabalho por sua vez segundo Ferreira ( p.01) pode representar, em muitas situações, uma atividade bastante penosa, que as pessoas cumprem apenas para sobreviver, sem nela obter nenhuma satisfação. Porem esse deveria e em muitas vezes é a idéias de cada trabalhador, porem, seu sofrimento físico não mais importa, pois o mesmo não dói tanto quanto seu ego abalado. Nessa perspectiva Bezerra ( 2006, p. 118) faz uma observação no qual o trabalho vem atribuindo valores nos quais se projetam numa imagem ideal de sujeito produtivo em função de ser essa imagem que corresponde á validez e utilidade. Com isso os trabalhadores como fuga ao desemprego, e como busca de realizações sociais, se submetem por muitas vezes a humilhação e longas jornadas exaustivas e cansativas e por conseqüência com baixo rendimento salarial em troca de um prestigio imaginário do mesmo.

Cidadania através do trabalho: utopia ou realidade?

O trabalho está ganhando espaço na sociedade atual de forma de quem não se enquadrar nesse contexto, estaria excluído de forma de não mais possuir simbolicamente o patamar de um a pessoa responsável e digna nesse caso um trabalhador, ou seja estaria ganhando tal dimensão no ponto de interferir em sua cidadania. Para que o trabalhador goze de seus direito será necessário que o mesmo esteja legitimado através de sua carteira de trabalho, pois nela constará seus direitos e seus deveres enquanto trabalhador, mas o que acontece com os trabalhadores em arteira assinada? Os mesmos vão reduzindo seus patamares em trabalhador em ser trabalhador, essas duas definições por mais simples e parecida que seja, expressa significados diferentes enquanto o trabalhador é o individuo que goza de seus direitos, mesmo que o trabalho não o agrade, enquanto ser um trabalhador estaria ligado a noção de estar disposto a trabalhar, já que: (...)para gozar dos direitos é preciso trabalhar formalmente com carteira assinada, a cidadania é limitada á condição de empregado (...) ser trabalhador passa a ser um atributo para ser cidadão ( BEZERRA, Ocicleide, 2006, p. 70) Outros fatores intervem na condição de ser trabalhador, ou seja a de possuir sua identificação de trabalhador através de sua carteira de trabalho, pois o que impede por muitas vezes essa concretização é sua falta de escolaridade que interfere no seu condicionamento quanto trabalhador pois interfere na noção de qualificação. Essa característica está sempre associado segundo Bezerra ( 2006, p.80) ao ingresso precoce no mercado de trabalho. Para isso torna-se ainda mais difícil ser reconhecido por suas aptidões. O trabalho informal alem de não trazer benefícios quanto cidadão de direitos, faz-se desse segmente de trabalho uma insegurança quanto a seus compromissos e até mesmo a sua sobrevivência. Essa forma de negação a cidadania também é exposto de forma que o ser trabalhador informal gera a pobreza que gera sua exclusão na sociedade, por se tratar se um bico. Os trabalhadores que não se inserem no mercado de trabalho através de sua carteira, os mesmo se tornam de certa forma representados pela sociedade como uma pessoa incerta e que não pode cumprir com seus compromissos ( aluguel, faturas e etc.), pois o mesmo trona-se um individuo duvidoso e pouco confiável.

Trabalhar sem qualificação: uma maneira de sobreviver através da dor

O trabalho é visto de maneira, no qual o trabalhador tende a manter sua família e conter sua própria sobrevivência no momento em que o desemprego fecharia as portas de uma vida digna e respeitada como vimos anteriormente. A percepção de trabalhar para sobreviver vem sendo muito difusa no momento em que o emprego daria ao trabalhador o direito de se manter dignamente, porem o que vem ocorrendo é a falta de recursos salariais para tal vida digna. A desestruturação do salário, por conta da falta de qualificação suficiente para que o trabalhador seja empregável faz do trabalhador uma peça de jogo nas mãos dos empresários, ficando a mercê da mão de obra barata já que: A percepção dos trabalhadores é de que trabalham mais, percebendo salários relativamente menores, em comparação com os anos anteriores. Nesse sentido, o medo é transformado em produtividade, já que se observa a intensificação do trabalho, tanto pela fusão de postos de trabalho, como pelas exigências decorrentes de programas de gestão, como por exemplo, de qualidade. Procuram a maximização dos resultados pela forma de dominação e controle que se faz pela organização, transformando medo em sujeição. (CASTELHANO, 2005, p. 16) Nesse sentido o trabalho se torna um instrumento muito poderoso, no momento em que o medo de desemprego se transforma em submissão. Esse medo só existe no momento em que o trabalhador se senti desqualificado para conseguir outro emprego, ou seja, a falta de qualificação profissional faz que o mesmo se submeta a tais explorações, pois sabe que não encontrará outra forma de sobreviver a não ser no trabalho atual. Segundo Barreto, o medo de perder o emprego aumenta a dependência à empresa, intregando-se (o sujeito) à produção e silenciando a própria dor (2000, p. 144) dessa forma ficando claro essa situação. A manipulação das empresas nos tempos atuais deve-se principalmente pelo fato da falta de qualificação profissional e da necessidade do trabalhador em sustentar sua família e sua própria existência nesse sentido segundo Ocicleide, trabalhar representa promover sua própria subsistência, a sua manutenção, o provimento de necessidades cotidianas ( 2005, p. 115). Nesse contexto o trabalho vem como forma de sofrimento e dor para o trabalhador, no qual estará submetido a qualquer emprego para não estar fora do quadro de empregados, segundo Tittoni essa situação de desempregado é compreendida através da experiência como empregado (1999, p.99), ou seja, uma vez empregado sempre empregado mesmo que isso custe muito mais que se possa suportar. O medo de não poder manter sua casa, e de não ser respeitado na condição de ser o individuo no qual dará subsídios de sobrevivências para seus filhos ou até mesmo para su própria sobrevivência faz que: O medo torna-se um poderoso instrumento de manipulação. Nesse tipo de manipulação, muito comum dentro das empresas hoje, o medo não é da violência, embutida na repressão explícita, o medo é de perder o prestígio, de fracassar, de perder seu posto. A nova gestão do trabalho, que .vende. a idéia de ser mais adaptada ao ser humano, administra agora sob um aparato mais abstrato, mexendo muito mais com a subjetividade do sujeito e exigindo do profissional mais responsabilidade, adaptabilidade e perfeição. (CASTELHANO, 2005, p. 18) A responsabilidade de manter sua casa e a si mesmo, traz suas conseqüências no sentido de vender suas forças para quaisquer condições sejam elas boas ou ruins. Nesse contexto onde o individuo tende-se a manter empregável, se torna necessário que o mesmo busque alternativas de qualificação para que se torne um trabalhador com outros meios, de busca de empregos sustentáveis e com melhores remunerações para que no mínimo amenizem o sofrimento e a dor de se sentir responsável pela a sobrevivência de sua família. Porem nesse sentido torna-se muito difícil para que o mesmo depois de uma exaustiva jornada de trabalho se submeta a outra para a educação profissional, concluindo que o mesmo infelizmente continuará nessa situação caso não consigo prosseguir e persistir em sua qualificação. Considerações Finais: Como vimos o trabalho se tornou um objeto de desejo para a sociedade no qual todos devem almejar e conseqüentemente se encaixar no quadro de trabalhadores um vez que, os que não se situarem nessa condição estaria excluído de forma de serem rotulados como vadios e mais vulneráveis a criminalidade, nesse sentido a falta de emprego faz relações com a criminalidade, como se a falta de emprego estivesse interligada ao mesmo. A falta de emprego no momento que exclui também gera sofrimento e frustração no momento em que a falta do mesmo gera o sentimento de inutilidade e de fracasso. Essa condição que a sociedade determina , faz com que o trabalhador se submeta a uma realidade dolorosa, no intuito de manter sua família e sua honra, fazendo que o mesmo não gere a credibilidade esperada pelos empregadores, custeando sua mão de obra com baixos rendimentos salariais nos quais por muitas vezes não efetivam sua vida com dignidade.

Referências:

BEZERRA, Ocicleide de Lima. Vai Trabalhar, Vagabundo: volores e representações sobre o trabalho  Natal, RN ,2005. BARRETO, Margarida Maria Silveira. Uma jornada de humilhações. Dissertação de Mestrado do Departamento de Psicologia Social, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2000. CASTELHANO, Laura Marques: O medo de desemprego e a(s) nova(s) organizações do trabalho. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2005 Qualificar para quê? Qualificação para quem? Do global ao local: o que se espera da qualificação profissional hoje / Roberto Veras ( Organizador)  São Paulo : Fundação UNITRABALHO; Campina Grande : EDUFCG, 2006. TITTONI, Jaqueline. Trabalho e sujeição: trajetórias e experiências de trabalhadores demitidos no setor petroquímico. Tese de doutorado, Departamento de Sociologia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 1999.
 
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Pedagoga pela UFPB e posgraduada em Mediaçao de conflitos em ambitos educativos.
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