O TRABALHO DE LEITURA COM DIVERSOS GÊNEROS TEXTUAIS: VERDADE OU UTOPIA
 
O TRABALHO DE LEITURA COM DIVERSOS GÊNEROS TEXTUAIS: VERDADE OU UTOPIA
 


O TRABALHO DE LEITURA COM DIVERSOS GÊNEROS TEXTUAIS: VERDADE OU UTOPIA?

                                                    Eronice Rodrigues Francisco

                                           [email protected]

                                                                                    

RESUMO

Nesta pesquisa trabalhou-se a questão da diversidade textual na escola. Objetivando verificar se os professores do Ensino Fundamental das séries iniciais, de duas escolas de Alto Araguaia-MT  estão colocando em prática a proposta dos PCNs no que se refere ao trabalho com leitura em diversos gêneros textuais. Para tanto, realizou-se uma pesquisa de campo em duas escolas.

Depois desta coleta analisou-se o material, para posteriormente catalogar todos os tipos de textos trabalhados nas escolas  pesquisadas.

Para tanto, realizou-se uma pesquisa de campo em duas escolas.

 Notou-se que as atividades de leitura se apresentavam ancoradas nos livros didáticos, o que parece ao professor  um facilitador, sem que ele precise pesquisar ou buscar fora desse material didático.

Mesmo conhecendo os PCNs de Língua Portuguesa (2001) os quais abordam a respeito da importância da leitura e de seu trabalho utilizando diversos gêneros textuais, a maioria dos professores não dá crédito ao que leem neste material teórico.

Percebe-se que a escola não tem considerado a existência da escrita diversificada e a evolução das diversas modalidades de leitura. Porém, ainda continua valorizando o conceito tradicional de leitura, ou seja, um modelo voltado somente para textos literários e os presentes nos livros didáticos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

O processo sobre o aprendizado inicial da leitura deverá transcorrer de maneira mais natural e tranqüila possível, pois a criança é uma observadora do mundo que a cerca e, a todo o momento, realiza descobertas. Por isso faz-se necessário que a escola ofereça momentos e ambientes agradáveis possibilitando à criança um melhor desenvolvimento do processo de aprendizagem da leitura.

O conhecimento disponível a respeito do processo de leitura indica que não se deve ensinar a ler por meio de práticas voltadas somente à decodificação. Ao contrário, é importante que se ofereça aos alunos vários gêneros textuais. É preciso que esses alunos antecipem, que façam inferências a partir do contexto ou do conhecimento prévio que possuem, que verifiquem suas suposições, tanto em relação à escrita propriamente, quanto aos sentidos.

            Segundo os PCNs- Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental de 1ª  a 4ª  séries (2001) para aprender a ler é preciso que o aluno se defronte com os diversos gêneros textuais mesmo antes do processo de leitura funcional. Os PCNs ainda ressaltam que os materiais feitos exclusivamente para ensinar a ler têm servido apenas para ensinar a decodificar, contribuindo para que o aluno construa uma visão distorcida da leitura.

MATERIAL E MÉTODOS

Para tanto, realizou-se uma pesquisa de campo em duas escolas.

Nessas escolas, por meio de questionários, foi analisado o trabalho sete professores de Língua Portuguesa.

            Depois desta coleta analisou-se o material, para posteriormente catalogar todos os tipos de textos trabalhados nas escolas  pesquisadas. O presente trabalho justifica-se pela dúvida que inevitavelmente surge quando se descobre a enorme dificuldade que os alunos sentem em ler e produzir textos escritos. Dessa dificuldade, advém a formulação do problema, os professores trabalham com leitura e incitam a produção textual de diversos gêneros? Através da pesquisa teórica, acredita-se, à luz dos PCNs,  que a diversidade de textos que circulam na sociedade é um ótimo recurso a ser utilizado na escola e ainda, que, a leitura obrigatória no modelo tradicional nada auxilia no despertar o hábito da leitura na criança. A leitura para a maioria dos alunos representa uma atividade mecânica, que em nada contribui para seu  desenvolvimento integral, devido a forma que sempre foi imposta tanto pelo educador quanto pelos pais.

             

Para tanto, realizou-se uma pesquisa de campo em duas escolas.

Nessas escolas, por meio de questionários, foi analisado o trabalho sete professores de Língua Portuguesa.

            Depois desta coleta analisou-se o material, para posteriormente catalogar todos os tipos de textos trabalhados nas escolas  pesquisadas. O presente trabalho justifica-se pela dúvida que inevitavelmente surge quando se descobre a enorme dificuldade que os alunos sentem em ler e produzir textos escritos

RESULTADO E DISCUSSÃO

 

            As exigências referentes à leitura são cada vez mais crescentes no nosso cotidiano, pois sabe-se que proporcionar o contato do aluno com os diferentes textos que circulam socialmente, amplia também, sua visão cultural e sua reflexão social. Desta forma, a criança desenvolverá a capacidade de expressão tendo em vista o uso social que fará da linguagem.

            O  interesse em desenvolver um trabalho acerca dos diversos gêneros textuais se deu porque se acredita que um dos princípios norteadores do trabalho de leitura seja a diversidade textual, pois o mesmo tem como finalidade mobilizar os alunos para as práticas interativas da leitura, com os diversos gêneros em linguagem verbal, não-verbal e multimodal.

            É importante ressaltar que o contato com a diversidade textual é essencial para que o aluno vivencie a realidade e interaja por meio do universo de textos que circulam nos contextos sociais reais.

            Sendo assim, acredita-se que a escola pode contribuir para a formação de leitores mais proficientes, entendendo que a ferramenta básica para o trabalho pedagógico se trata da diversidade textual que circula socialmente, possibilitando ao aluno ampliar a compreensão da realidade, apontando-lhe formas concretas de participação social como cidadão.

            O objetivo principal deste trabalho é verificar se os professores utilizam em sua prática pedagógica os diversos gêneros textuais e, também, investigar quais foram os gêneros mais abordados em sala, nas aulas de Língua Portuguesa, tendo como parâmetro um questionário entregue aos respectivos professores a respeito do conceito de leitura e como esta se apresenta no trabalho em sala. 

            O estudo foi feito em duas escolas  denominadas neste estudo respectivamente como Escola A e Escola B. Participaram deste estudo professores do Ensino Fundamental da primeira a quinta série totalizando oito professores. 

Nos meses de setembro e outubro  de 2009, referentes ao quarto bimestre, em cada série foram coletados sete textos para a catalogação, respeitando a ordem das séries de cada escola separadamente. Após a catalogação, foram observados os tipos de textos utilizados no trabalho de leitura, atentando aos gêneros pertencentes.

Para cada série de cada escola, o trabalho está voltado a demonstrar, por meio dos quadros, alguns gêneros mais conhecidos pelos leitores assíduos. Vale ressaltar que estes quadros expõem também os gêneros trabalhados e os não trabalhados em sala de aula. Seguem-se os quadros e comentários a respeito. Os números nos quadros são referentes à quantidade de textos trabalhados nos respectivos gêneros e os traços correspondem aos gêneros não trabalhados.

ESCOLA A

GÊNEROS TEXTUAIS

 1ª série

2ª série

3ª série

4ª série

Conto

1

1

1

-

Carta

-

-

-

-

História

1

-

3

4

Propaganda

-

-

-

-

Bilhete

-

-

-

-

Poema

-

2

1

2

Receita

-

-

-

-

Fábula

3

-

1

-

Notícia

-

-

-

-

Adivinhação

-

-

-

-

Aviso

-

-

-

-

Lista

-

-

-

-

Mensagem

-

-

-

-

E-mail

-

-

-

-

Cartaz

-

-

-

-

Música

-

2

1

1

Anúncio

1

-

-

-

Reportagem

-

1

-

-

Cartum

-

-

-

-

Charge

-

-

-

-

História em Quadrinhos

1

-

-

-

Fotografia

-

-

-

-

Lenda

-

1

-

-

                        Fonte: Pesquisa de campo

Observando o trabalho de leitura e os textos que os professores apresentaram aos seus alunos da primeira série do Ensino Fundamental da Escola A, pode-se perceber que os gêneros textuais mais trabalhados foram três fábulas, um conto, uma história, um anúncio e uma históriaem quadrinhos. Otrabalho com fábulas deve-se ao fato de que se acredita que as crianças sentem maior interesse por esse gênero, o que não justifica deixar de trabalhar outros textos. Esses respectivos textos, os quais estão inseridos no livro didático, demonstram uma certa diversidade. No entanto, o professor da respectiva turma se ateve somente aos gêneros existentes no livro didático, não se interessando em buscar no contexto social de escrita outros gêneros a serem trabalhados, ou mesmo, apenas, para um maior contato dos alunos com a variedade de gêneros textuais, necessário para aquisição de novos conhecimentos e do trabalho com a linguagem.                        

Observando o trabalho de leitura e os textos que os professores apresentaram aos seus alunos da segunda série do Ensino Fundamental da Escola A, verificou-se que os gêneros textuais mais trabalhados foram dois poemas, um conto, uma música, uma reportagem e uma lenda. Alguns desses textos se apresentam inseridos no livro didático, porém, o professor não se atém somente a eles, busca no cotidiano, outros textos para  ampliação dos conhecimentos pelos alunos, inserindo a diversidade. Para esse professor, a leitura possibilita aquisição de conhecimentos e distração, ajudando o indivíduo a melhorar a produção de texto, num trabalho constante.

No trabalho de leitura com a terceira série, o professor fez uso de vários gêneros, como histórias, música, poema e fábulas, dando ênfase às histórias infantis. Para a seleção dos textos foi utilizado o livro didático, demonstrando um trabalho voltado apenas ao materialem mãos. Nota-se, com isso, que não houve uma procura de textos presentes no contexto social dos alunos enquanto uma maior diversidade de gêneros textuais. Quanto ao conceito de leitura, para esse professor trata-se da possibilidade de adquirir conhecimentos através da linguagem escrita.

Na quarta série da Escola A, pode-se observar uma menor diversidade textual no trabalho de leitura. Assim como na terceira série, o professor, nesta turma, apresentou uma certa quantidade significativa de histórias infantis, referentes às expectativas desta série. O que se espera,  é que a diversidade de gêneros a serem trabalhados seja maior, no entanto, isso não ocorreu. Considerando que nessa série os alunos já estejam com um grau maior de conhecimento sobre a escrita e, também, a respeito do mundo que os cerca, talvez, seria interessante oferecer a eles uma quantidade e uma diversidade maior de gêneros textuais, oportunizando um conhecimento ainda mais amplo e significativo no que se refere à compreensão do jogo da linguagem nos diferentes gêneros. Para o professor da respectiva turma, a leitura é a possibilidade de aquisição de conhecimento através da linguagem escrita,  revelando um interesse voltado apenas à informação.

            Dando seqüência às observações realizadas e levando em consideração os textos das aulas de leitura, em se tratando da segunda escola pública municipal, denominada por nós como Escola B, seguem-se os quadros abaixo, como anteriormente, separados por séries, constando sete textos para cada uma delas.

           

ESCOLA B

GÊNEROS TEXTUAIS

 1ª série

2ª série

3ª série

4ª série

Conto

-

-

-

1

Carta

-

-

-

1

História

2

2

1

3

Propaganda

-

1

-

-

Bilhete

-

-

1

-

Poema

-

1

1

2

Receita

-

-

-

-

Fábula

-

-

1

-

Notícia

-

-

-

-

Adivinhação

-

-

-

-

Aviso

-

-

1

-

Lista

-

-

-

-

Mensagem

-

-

-

-

E-mail

-

-

-

-

Cartaz

-

1

1

-

Música

1

-

1

-

Anúncio

-

-

-

-

Reportagem

-

-

-

-

Cartum

-

-

-

-

Charge

-

-

-

-

História em Quadrinhos

-

2

-

-

Fotografia

-

-

-

-

Lenda

-

-

-

-

Fonte: Pesquisa de campo

Na primeira série da Escola B, percebe-se que não houve um trabalho com a diversidade textual. O professor apresentou aos alunos duas histórias infantis e uma música, não proporcionando um conhecimento acerca de outros gêneros textuais, o que seria importante para o crescimento deles como leitores. Vale ressaltar que as historinhas infantis utilizadas para leitura foram retiradas dos livros da biblioteca escolar, um local propício a leitura, o qual não se apresentou utilizado para atividades de leitura. Conforme o exposto a respeito do conceito de leitura do professor da respectiva turma, nota-se uma definição pronta e acabada, ou seja, como algo retirado de um dicionário, um conceito tradicional apresentado pela gramática.

            Principalmente nas primeiras séries faz-se necessário um trabalho significativo com a diversidade textual, pois, segundo os PCNs (2001), “uma prática intensa de leitura na escola é, sobretudo, necessária, porque ler ensina a ler e a escrever”.

Nesta turma, nota-se que o professor não está ciente da importância de se trabalhar a leitura por meio da diversidade de gêneros, sem permitir um contato dos alunos com textos que desenvolveriam, além de tudo, a ampliação de conhecimentos de si mesmo e do mundo. Seria interessante que, ao propor uma quebra na rotina, criando aulas diferenciadas e trabalhos com outras leituras, o professor poderia mostrar que a leitura trata-se de um momento prazeroso.

Ao contrário da primeira série exposta acima, nota-se que o professor se preocupou em apresentar aos seus alunos uma variedade de textos, trabalhando com duas histórias em quadrinhos, duas histórias infantis, um poema, uma propaganda e um cartaz. Verificou-se um conhecimento por parte do professor e sua preocupação em demonstrar aos alunos a importância da leitura de diferentes gêneros textuais.

            Em se tratando do conceito de leitura, o professor desta turma expôs que se trata do reconhecimento e da compreensão dos sinais gráficos de uma língua, o desvendar, compreender e reconhecer informações e também uma forma de lazer. Segundo a resposta do professor em questão, a preparação acadêmica do profissional auxilia no trabalho com a leitura, no conhecimento de sua importância, juntamente com o gosto que o próprio professor possui e transmite ao seu aluno.

[...] Como se trata de uma prática social complexa, se a escola pretende converter a leitura como objeto de aprendizagem deve preservar sua natureza e sua complexidade, sem descaracterizá-la. Isso significa trabalhar com a diversidade de textos e de combinações entre eles [...] (PCNs, 2001, p. 54).

            Na terceira série da Escola B, do Ensino Fundamental, como pode ser percebido, no trabalho de leitura foi utilizado diversos gêneros textuais, como uma história, um poema, uma fábula, uma música, um bilhete, um aviso e um cartaz. Dando importância ao trabalho de leitura por meio da diversidade textual, o professor proporcionou condições para o desenvolvimento da capacidade de uso da linguagem, nos diferentes gêneros do cotidiano.

            Assim como o professor da série anterior, este conceitua leitura como compreensão daquilo que está escrito, e também acrescenta que não só o que está nas linhas, mas o que está por detrás delas, demonstrando a importância da atividade de leitura.

            Conforme os PCNs:

[...] Não se formam bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos, justamente no momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita. As pessoas aprendem a gostar de ler quando, de alguma forma, a qualidade de suas vidas melhora com a leitura (PCNs, 2001, p. 36).

Prosseguindo a análise, neste momento cabe comentar a respeito da quarta série da Escola B, indicado no quadro acima. Nota-se que foram trabalhadas três histórias infantis, um conto, dois poemas e uma carta, demonstrando a diversidade textual. Em se tratando da Escola B,  os textos selecionados para as leituras em sala de aula foram retirados de diferentes livros didáticos.

Quanto ao conceito de leitura, o professor da referida turma expôs que se trata de algo que serve para a transmissão de conhecimentos, informações, distração, lazer, confirmação de idéias, etc. revelando um conhecimento acerca da importância de se trabalhar a leitura por meio da diversidade, para a formação de leitores capazes de dar opiniões, criticar, concordar ou discordar sobre aquilo que se lê.

Em se tratando dos livros didáticos, por meio dos textos catalogados, percebemos que eles ainda são utilizados como material em sala, nas aulas de leitura, ou seja, um “mal-necessário”, uma tradição tão forte dentro da educação brasileira, que relaciona aprendizagem com atendimento às liturgias dos livros, segundo  Silva (1998). Então, nota-se que os professores estão ancorados nos livros didáticos para realizarem as atividades de leitura com seus alunos.

Nesta série, como se acredita que os alunos se apresentam mais preparados no que se refere à leitura, o professor poderá criar oportunidades de estímulos para os alunos ampliarem seus campos de conhecimento e manifestarem suas opiniões. Os textos trabalhados se apresentaram mais abrangentes e trouxeram um universo mais complexo.

É verdade, e não se pode ignorar, que existem educadores que são merecedores de elogios e que se comportam como verdadeiros exemplos, abrindo-lhes as portas ao prazer mágico e ao mundo da cultura escrita, de uma forma tal que encanta e educa ao mesmo tempo. Ao contrário de muitos, quem realmente se sente comprometido com a educação e com a importância da leitura não se limita a aulas rotineiras com atividades monótonas, as quais não fazem sentido e se figuram na rejeição do ato de ler.

Trabalhos que possuem boa repercussão entre os alunos, envolvendo-os nas atividades de diálogo com aquilo que se lê, desperta e incentiva-os ao encantamento da leitura. É necessário comentar que a leitura é um processo contínuo de aprendizagem e a escola deverá trabalhar com o intuito de criar esse hábito por prazer.

A leitura, de forma decisiva preenche a lacuna na formação do ser humano. Ela desenvolve a reflexão e o espírito crítico. É fonte inesgotável de assuntos para melhor compreender a si e ao mundo. Proporcionando o crescimento interior, leva-nos a viver as mais diferentes emoções, possibilitando a formação de parâmetros individuais para medir e codificar nossos próprios sentimentos (CAGNETI, 1986, p. 23).

Desse modo, cabe ao professor incentivar seus alunos para a liberdade de escolha de suas próprias leituras, fazendo um trabalho produtivo e significativo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao conhecer as teorias que tratam da leitura e de sua importância, percebe-se que essa prática se faz necessária, voltada ao resgate do “ler por prazer”, e não por obrigação.

Sabe-se que, ao ingressar nos primeiros anos de escolarização, a criança demonstra um desejo, uma curiosidade ligada ao ato de ler, o que muitas vezes, é ignorado ou desconsiderado pelo professor.

Verifica-se, por meio deste estudo , que o trabalho em sala, no que se refere à leitura,  comumente está voltado apenas a atividades mecânicas, com exercícios que enfocam questões estruturais. Há pouco exercício de leitura, com a diversidade textual.

            Notou-se que as atividades de leitura se apresentavam ancoradas nos livros didáticos, o que parece ao professor  um facilitador, sem que ele precise pesquisar ou buscar fora desse material didático.

            Mesmo conhecendo os PCNs de Língua Portuguesa (2001) os quais abordam a respeito da importância da leitura e de seu trabalho utilizando diversos gêneros textuais, a maioria dos professores não dá crédito ao que lêem neste material teórico.

            Percebe-se que a escola não tem considerado a existência da escrita diversificada e a evolução das diversas modalidades de leitura. Porém, ainda continua valorizando o conceito tradicional de leitura, ou seja, um modelo voltado somente para textos literários e os presentes nos livros didáticos.

            Seria mais interessante e proveitoso  ao trabalho com leitura em sala de aula, se o professor aproveitasse a escrita do cotidiano, como cartazes, placas, outdoors, faixas, jornais da comunidade, revistas em geral, bilhetes, cartas de familiares, convites de datas comemorativas, considerando a realidade dos alunos e de seu conhecimento de mundo, para ampliar seu conhecimento de leitura.

            Resgatando a leitura da diversidade de gêneros textuais e trabalhando com eles em sala, o professor insere na consciência do leitor uma nova visão do conceito de leitura e de que se trata de um trabalho constante, não apenas nas aulas de leitura. È algo essencial para inserção no mundo. Compreendendo o que lê, o indivíduo é capaz de não aceitar o que está pronto e acabado.

            A escola precisa organizar um trabalho educativo tendo como meta a formação de leitores capazes de compreender os diferentes textos com os quais se encontram no dia-a-dia, oferecendo materiais de qualidade, modelos de leitores proficientes e práticas de leituras significativas. A sala de aula, para muitos alunos, tem sido o único ambiente em que têm o contato de interação proveitosa com os textos, cuja finalidade deve estar relacionada à leitura nas entrelinhas, ou seja, ler de verdade.

Acredita-se que é necessário oferecer aos alunos oportunidades variadas de leituras, sob os mais diversos tipos textuais. Percebe-se que a escola desconsidera a diversidade de textos que circulam na sociedade, e também que estes textos se tornam excelentes recursos didático-metodológicos.

REFERENCIAS

BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e Leitura. Coleção Magistério – 2º grau. Série Formação do Professor. São Paulo: Cortez, 1994. volume 16.

BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa, 1ª a 4ª séries. 3 ed. Brasília. MEC – Secretaria de Ensino Fundamental, 2001.

FULGÊNCIO, Lúcia & LIBERATO, Iara. Como facilitar a leitura. 4 ed. São Paulo: Contexto, 2000.

FREIRE, Paulo. A Importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 45 ed. São Paulo: Cortez, 2003.

JOLIBERT, Josette. Formando crianças leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

KATO, Mary Aizawa. O aprendizado da leitura. 5 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria e prática. 10 ed. Campinas: São Paulo: Pontes, 2004.

KOCH, Ingedore Villaça. Lingüística Textual e PCNs de Língua Portuguesa. São Paulo, 2005. Disponível em www.unb.br/abralin. Acesso em 18 de novembro de 2006.

 
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