O que é Letramento
 
O que é Letramento
 


RESUMOMuito se tem dito sobre letramento, mas o que é letramento afinal, letrar é mais que alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno, o letramento tem como objeto de reflexão, de ensino, ou de aprendizagem os aspectos sociais da língua escrita. Assumir como objetivo o letramento no contexto do ciclo escolar implica adotar na alfabetização uma concepção social da escrita, em contraste com uma concepção tradicional que considera a aprendizagem de leitura e produção textual como a aprendizagem de habilidades individuais. Palavras chaves: Letramento. Alfabetizar. Aspectos Sociais. 1 INTRODUÇÃOO termo letramento foi escolhido por ser um termo novo que surgiu nos últimos anos entre os pensadores da educação. A princípio, o termo letramento se confundiu com alfabetização, no entanto o Ietramento está acima da alfabetização, pois ele não ocorre apenas durante determinado tempo da vida do individuo, ele acontece antes e durante a alfabetização e continua para todo o sempre. Sendo assim este artigo tem como objetivo esclarecer o que é letramento e qual a sua importância para a sociedade. Para realização do estudo foram utilizadas referencias bibliográficas de escritores que dissertam sobre o tema.2 O LETRAMENTO E A ALFABETIZAÇÃOO sentido ampliado da alfabetização, o letramento, de acordo com Magda Becker Soares (2003), designa práticas de leitura e escrita. A entrada da pessoa no mundo da escrita se dá pela aprendizagem de toda a complexa tecnologia envolvida no aprendizado do ato de ler e escrever. Além disso, o aluno precisa saber fazer uso e envolver-se nas atividades de leitura e escrita.A pergunta estruturadora/estruturante do planejamento das aulas tem que ser: quais os textos significativos para o aluno e para sua comunidade, em vez de: qual a seqüência mais adequada de apresentação dos conteúdos (geralmente, as letras para formarem sílabas, as sílabas para formarem palavras e das palavras para formarem frases).De acordo com Ângela kleiman (2005) Determinar o que é um texto significativo para a comunidade implica, por sua vez, partir da bagagem cultural diversificada dos alunos, que, antes de entrarem na escola, já são participantes de atividades corriqueiras de grupos sociais que, central ou perifericamente, com diferentes modos de participação (mais ou menos autônomos, mais ou menos diversificados, mais ou menos, prestigiados), já pertencem a uma cultura letrada.A atividade que envolve o uso da língua escrita (um evento de letramento) não se diferencia de outras atividades da vida social: é uma atividade coletiva e cooperativa, porque envolve vários participantes, com diferentes saberes, que são mobilizados segundo interesses, intenções e objetivos individuais e metas comuns.Já a prática de uso da escrita dentro da escola envolve prioritariamente a demonstração da capacidade individual de realizar todos os aspectos de todas as atividades, seja: soletrar, ler em voz alta, responder a perguntas oralmente ou por escrito, escrever uma redação ou um ditado.Magda Becker Soares (2003) defende que, para a adaptação adequada ao ato de ler e escrever, é preciso compreender, inserir se, avaliar, apreciar a escrita e a leitura. O letramento compreende tanto a apropriação das técnicas para a alfabetização quanto esse aspecto de convívio e hábito de utilização da leitura e da escrita.3 DIFERENÇAS ENTRE PESSOAS ALFABETIZADAS E LETRADASUma observação importante apontada pela escritora Magda Becker Soares (2003) diz respeito à possibilidade de uma pessoa ser alfabetizada e não ser letrada e vice-versa. No Brasil as pessoas não lêem. São indivíduos que sabem ler e escrever, mas não praticam essa habilidade e alguns não sabem sequer preencher um requerimento. Este é um exemplo de pessoas que são alfabetizadas e não são letradas. Há aqueles que sabem como deveria ser aplicada a escrita, porém não são alfabetizados. Como no filme Central do Brasil  alguns personagens conheciam a carta, mas não podiam escrevê-la por serem analfabetos. Eles ditavam a carta dentro do gênero, mesmo sem saber escrever. A personagem principal, a Dora (interpretada pela atriz Fernanda Montenegro), era um instrumento para essas pessoas letradas, mas não alfabetizadas, usarem a leitura e a escrita. No universo infantil há outro bom exemplo: a criança, sem ser alfabetizada, finge que lê um livro. Se ela vive em um ambiente literário, vai com o dedo na linha, e faz as entonações de narração da leitura, até com estilo. Ela é apropriada de funções e do uso da língua escrita. Essas são pessoas letradas sem ser alfabetizadas.4 O LETRAMENTO COMO OBJETIVO DA AÇÃO PEDAGÓGICASegundo Ângela Kleiman (2005) a partir do momento em que o letramento do aluno é definido como o objetivo da ação pedagógica, o movimento será da prática social para o conteúdo, nunca o contrário.A prática social é possível quando sabemos como agir discursivamente numa situação, ou seja, quando sabemos qual gênero do discurso usar; por isso é natural que essas representações ou modelos que viabilizam a comunicação na prática social  os gêneros  sejam unidades importantes no planejamento. Isso não significa, entretanto, que a atividade da aula deva ser organizada em função de qual gênero ensinar. Exemplificamos a diferença: se as crianças estão intrigadas pela extinção dos dinossauros, pode ser que seus interesses façam com que se aventurem pela Internet, leiam verbetes de enciclopédias, visitem um museu de ciências, entrevistem um cientista. Para realizar essas iniciativas, terão de adquirir familiaridade com a leitura de hipertextos, de verbetes, com a produção de questionários, pois é a familiaridade com esses gêneros o que permitirá que elas realizem essas atividades. E o professor poderá, ao guiá-las na leitura e produção de textos pertencentes a esses gêneros, chamar a atenção, explicar, exemplificar as características dos textos, ou da língua, ou das palavras que os formam. Tudo isso é bem diferente de definir, de antemão, que nesse ano, serão ensinados os textos interativos (blog, email, texto informativo em forma de hipertexto entre outros), verbete e entrevista.Apesar das práticas homogeneizadoras ensinadas/aprendidas na escola, é importante incentivarmos nossos alunos a aportarem suas compreensões diversas, provenientes exatamente das experiências e aprendizagens extremamente variadas por que passaram, antes mesmo de ocuparem os bancos escolares. A avaliação de todo esse processo abre um campo importante para o professor pesquisar as práticas próprias do grupo a que pertencem seus alunos e para refletir sobre o valor e a necessidade de algumas aprendizagens, que às vezes negam a cultura de um grupo ou entram em conflito com ela.5 A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR NA PRATICA SOCIALAinda de acordo com Ângela Kleiman (2005) É evidente que o papel do professor muda sob esta perspectiva de alfabetização e letramento como prática social. Uma grande vantagem do enfoque socialmente contextualizado é a autonomia que ele ganha no planejamento das unidades de ensino e na escolha de materiais didáticos.O professor volta a ser o profissional que decide sobre um curso de ação com base em sua observação e seu diagnóstico da situação. É ele que deverá decidir questões relativas à seleção dos materiais, saberes e práticas que se situam entre o local, o aplicado e o funcional à vida dos alunos e da comunidade e o socialmente relevante, que um dia poderá ser utilizado para melhorar o futuro do próprio aluno e de seu grupo.O professor precisa ter autonomia para decidir sobre a inclusão daquilo que pode e deve fazer parte do cotidiano da escola, porque é legítimo e/ou imediatamente necessário, e, por outro lado, sobre a exclusão daqueles conteúdos desnecessários e irrelevantes para a inserção do aluno nas práticas letradas que, parece-nos, persiste por inércia e tradição. Finalmente, é importante também que haja uma negociação daquilo que pode não interessar momentaneamente ao aluno, mas precisa ser ensinado pela sua real relevância em nossa cultura e sociedade.6 AS TRANSFORMAÇOES QUE PRECISAM ACONTECER NO CONTEXTO EM QUE SE DÁ A PRÁTICA SOCIALO contexto em que se dá a prática social, precisa ser transformado. Não é possível levar a sério a heterogeneidade se os alunos não têm como se reunir em pequenos grupos para desenvolver atividades diferenciadas. A sala de aula deve contemplar espaços bem equipados para as atividades de toda a turma, como as rodas de leitura, para a atividade individual, para as atividades em pequenos grupos.Suas paredes devem se constituir em murais atrativos, renováveis periodicamente segundo as necessidades e interesses do grupo. O acervo da biblioteca deve ser significativo e estar acessível à criança. Convivendo num ambiente enriquecido pela escrita  um ambiente letrado  mesmo o professor de formação tradicional poderá aos poucos refletir sobre como propiciar atividades que, de fato, contribuam para o letramento de seu aluno, sobre como fazer e registrar as observações avaliativas, tanto para diagnosticar como para mensurar aprendizagem. E ele virá talvez, nesse percurso reflexivo de letramento e auto-formação, a abandonar atividades que só lhe permitem preocupar-se com o tema da redação que seguirá a atividade de ler, ou com a entonação, postura correta e respeito à pontuação durante a leitura.É importante lembrar que ensinar a ler e escrever não é uma questão técnica, é uma questão política, conforme Paulo Freire sempre insistiu. Não atuamos no vácuo. Para finalizar, lembremos a dimensão política das questões mais importantes levantadas.a) Partir das funções da escrita na comunidade, o que significa, entre outras medidas, distanciar-se de crenças arraigadas sobre a escrita (como a superioridade de toda prática letrada sobre a prática oral); aprender e ensinar a conviver com a heterogeneidade; valorizar o singular.b) Funcionar como interlocutor privilegiado entre grupos com diferentes práticas letradas e planejar atividades que tenham por finalidade a organização de (e a efetiva participação em) eventos letrados próprios das instituições de prestígio: escrever um livrinho e, em função dessa produção, organizar seu lançamento para a comunidade escolar e do entorno, organizar uma noite de autógrafos, fazer uma exposição de artes (um vernissage), organizarem uma palestra sobre literatura (uma tertúlia), uma sessão de leitura de poemas (sarau); assistir a uma peça teatral; dialogar (oralmente e por escrito) com autores, editores.c) Lembrar que os usos da linguagem não são neutros em referência às relações de poder na sociedade, evitando contribuir para a desigualdade e a exclusão.7 CONSIDERAÇÕES FINAISPor muito tempo a escola alfabetizou utilizando a simples junção de letras como B com A, BA, B com E, BE e assim por diante, no entanto no decorrer do tempo viu-se a necessidade de alfabetizar utilizando conteúdos que fizessem parte da vida do individuo, surgiu assim o letramento, que nada mais é do que a preocupação com a inserção dos gêneros significativos que estão a todo tempo na vida do individuo.A inserção destes conteúdos se faz necessário, pois muitas pessoas não sabem sequer formular um currículo e este só é mais um dos exemplos da importância do letramento, além disso, neste trabalho buscou-se explicar que o professor é o principal articulador e mediador deste novo conceito, pois será ele quem decidira sobre quais os conteúdos importantes para que o individuo se transforme e transforme a sociedade na qual esta inserido.Portanto esta pesquisa alcançou seu objetivo que foi explicar o que é letramento e qual a sua importância para a sociedade. Vale ressaltar que o tema é amplo e que o conhecimento se faz necessário.8 ReferenciasKLEIMAN, Ângela B. (2005). Preciso ensinar o letramento? Não basta ensinar a ler e escrever? Cefiel/Unicamp & MEC.SOARES, Magda B.(29/08/2003) As diferenças entre letramento e alfabetização. Jornal Diário do Grande ABCFREIRE, Paulo (1976). Ação cultural para a liberdade. R.J.: Paz e Terra.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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