O professor alfabetizador no contexto da alfabetização no Brasil
 
O professor alfabetizador no contexto da alfabetização no Brasil
 


O PROFESSOR ALFABETIZADOR NO CONTEXTO DA ALFABETIZAÇAO NO BRASIL

RESUMO

Por considerar-se que uma educação de qualidade depende principalmente da ação pedagógica desenvolvida em sala de aula e que essa ação, por sua vez, está diretamente ligada à formação do professor, propõe-se, neste texto, uma reflexão sobre o contexto de formação do professor alfabetizador, com base na Lei 9394/96  Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O estudo possibilitou a constatação de que, apesar de polêmica e de suscitar críticas, a LDB trouxe avanços à formação docente, abrindo espaço principalmente para a formação em serviço, na qual o professor amplia o seu "saber fazer" e passa a melhor compreender o "para que fazer".

Palavras-chave: formação do professor; alfabetizador; Lei de Diretrizes e Bases da

Educação Nacional  LDB.

1 INTRODUÇAO

Toda criança tem direito a uma educação de qualidade, a qual mostra não só o sucesso do aluno, como também o da própria escola.

Entretanto, apesar do reconhecimento desse direito e das muitas medidas que vêm sendo tomadas para garanti-lo, ainda existem elevados índices de evasão e repetência escolar. E, de modo geral, constata-se que o fracasso escolar se constitui, em última instância, no fracasso da alfabetização, hoje entendida como expressão e compreensão de significados através da linguagem escrita.

São velhos conhecidos de todos os entraves e as dificuldades existentes na escola, assim como seus mecanismos de produção do fracasso. Embora o assunto faça parte de um discurso já um tanto desgastado, não há como se iludir fechando os olhos e fazendo de conta que o problema não existe. Existe e é estrutural, sendo profundamente relacionado, em qualquer país, a fatores sociais, políticos, econômicos e culturais.

2 O PROFESSOR ALFABETIZADOR

O papel de professor foi mudando ao longo da história: daquele que professa uma crença, passou a ser o eterno aprendiz. A ação de ensinar e aprender são essenciais para o desenvolvimento e perpetuação da natureza humana.

Para alguns teóricos, o significado de papel é muito mais amplo. É toda a função, seguida de um conjunto mais ou menos característico de comportamento próprio para aquela função que se desempenha em um dado momento de sua vida.

A todo o instante estamos desempenhando diversos papéis; de pai, filho, esposo (a), vizinho, esportista, torcedor, professor, aluno, entre outros. Apesar de sermos sempre a mesma pessoa, em cada situação há uma característica, uma forma de ser que nos diferencia das demais. Embora haja algo de constante nas pessoas em diferentes situações, a forma de ser no papel de pai, não é a mesma quando se desempenha o papel de filho, e o mesmo ocorre com o papel de professor, que difere do papel de aluno ou, ainda, quando se assiste ao seu esporte favorito, e assim por diante.

Na formação dos professores/alfabetizadores de jovens e adultos e o conseqüente reflexo na administração de sua própria formação continuada e os objetivos específicos; analisar as políticas governamentais que anunciam oportunizar, às professoras, acompanhamento técnico e materiais, possibilitando-lhes condições reais de administrarem sua própria formação; identificar a dimensão das políticas públicas educacionais brasileiras em consonância com a política econômica e social do modelo de política neoliberal na formação dos professores.

Diante disso, cabe ao professor alfabetizador introspectivamente refletir sobre tão complexa e importante a tarefa de promover o uso comunicativo dos textos, e de todo o resto; reflexão, compreensão, automatização, enfim, da promoção de experiências educadoras de natureza distintas, invariavelmente segmentadas para os conteúdos observáveis e em conformidade com o planejamento. Emília Ferreiro aponta que; "Ao ingressar na série onde começa a ocorrer o ensino sistemático das letras a criança já detém uma grande competência lingüística que não é considerada." Construtivismo de Piaget a Emília Ferreiro- 3ª ed.1994. O que acontece, no âmbito do ensino de alfabetização e séries iniciais do Distrito de Barrgem Leste, comunidade aonde observamos durante alguns anos esta relação de trabalho em educação, é que temos definido proposições sem uma análise profunda relativa ao processo sistemático de alfabetização. Precisamos tornar ou eleger a alfabetização como uma base de sustentação para o prosseguimento de uma vida escolar. Parece ambicioso alocar recursos e direcioná-los as séries iniciais. Mas é um fato, que não estamos conseguindo atingir aos objetivos propostos nos planejamentos de ensino, para a alfabetização, e dói saber que estamos fomentando uma corrente de analfabetos. Em nossas escolas temos professores cada vez mais escravos da filosofia da "pedagogia do exemplo" ao contrário. Estamos incoerentemente tentando montar um quebra-cabeça faltando peças. Resta um compromisso maior de todos os educadores no sentido de restabelecer um redirecionamento para o entendimento da condução realista ao enfocar que o domínio da linguagem e escrita não são facilmente canalizáveis e, portanto precisamos enfrentar esta barreira.

3 A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇAO NACIONAL E A FORMAÇAO DE PROFESSORES

O Título VI da LDB, que trata dos profissionais da Educação, compõe-se de sete artigos, alguns dos quais estão mais diretamente ligados à formação do

professor alfabetizador, ou seja, daquele que atua nas séries iniciais (1º e 2º ciclos) do ensino fundamental. Em síntese, esses artigos estabelecem:

- os fundamentos da formação dos profissionais da educação;

- os níveis de formação docente exigidos para a atuação dos professores na educação básica;

- as competências dos Institutos Superiores de Educação;

- o tempo mínimo para a prática de ensino, na formação dos docentes da educação básica;

- as estratégias para valorização dos profissionais da educação (estatuto, planos e carreira, condições de trabalho).

Nos limites da presente reflexão, serão objeto de consideração os artigos 61, 61 e 67.

4 ALFABETIZAÇAO NO BRASIL

Dentro das instituições escolares, meninos e meninas têm crescido acreditando numa diferença natural entre os sexos, em suas limitações e habilidades. Ainda são insuficientes estudos que demonstram a ação governamental em confirmar, via educação, os sistemas de gênero. Muito se sabe sobre o estrito controle governamental sobre as práticas escolar via seleção de métodos, programas e currículos escolares, materiais didáticos e de orientação dos docentes. Arroyo (1988), por exemplo, descreve como a ação do governo, no caso de Getúlio Vargas, fez uso de estereótipos de gênero para a expansão do ensino. Aqui, a trilogia mulher-vocação-magistério foi amplamente defendida. Apesar de esclarecedores, nestes estudos, a questão de gênero ainda é abordada de forma acidental.

Noutras realidades, como na inglesa e americana, estudos na área de gênero (Taylor, 1980; Clarricoates, 1987; Evans, 1990) têm evidenciado o poder dos materiais didáticos em reproduzir uma lógica sexista. Como mencionado, no Brasil, tal análise ainda carece de maiores investigações. Neste esforço, o presente artigo buscou analisar as relações de gênero presentes nas práticas pedagógicas orientadas pelas políticas educacionais entre as décadas de 20 e 50, no Estado de Minas Gerais. Este período caracterizou-se pelos ideais do Movimento da Escola Nova, com a adoção obrigatória dos métodos de alfabetização analíticos (Método Global).

CONCLUSAO

Até o presente estágio da pesquisa percebemos a expressiva contribuição dos recursos didáticos na construção e legitimação de versões de uma natureza masculina ligada ao âmbito público (trabalho, aventuras, provedor, poder) e de uma natureza feminina afeita ao âmbito do privado (casa, cuidado-família). Entendendo que estes materiais eram comprados e distribuídos sob a tutela do Estado, pode-se afirmar que estes, certamente, se adequavam aos ideais de seus financiadores.

Não se quer dizer aqui que uma vez divulgados nos livros didáticos, estes estereótipos eram aceitos tranqüilamente pela população da época, sem resistências.

REFERÊNCIAS

ARROYO, M. (1985) Mestre, educador, trabalhador: Organização do trabalho e profissionalização. TeseTitular. Fac. Educação, UFMG.

CLARRICOATES, K. (1987) Dinosaurs in the classroom  the 'hidden' curriculum in primary schools. In: Arnot e Dewies (eds.) Gender, Power and Schools.

EVANS, T (1990) A gender agenda. A sociological study of teachers, parents and pupils in their primary schools. Allen e Unwin. Australia.

FERREIRO, Emília. Construtivismo de Piaget a Emília Ferreiro. 3ª ed.1994.

TAYLOR, S. (1980) "School experience and student perspectives: a study of some effects of secondary school organization". Educational Review 31:1.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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