O Perfil das Mulheres que Realizaram o Exame de Prevenção do Câncer de Colo do Útero PCCU e Não...
 
O Perfil das Mulheres que Realizaram o Exame de Prevenção do Câncer de Colo do Útero PCCU e Não Retornaram Para Pegar o Resultado, na Unidade Básica de Saúde Daniel Bueno
 


O PERFIL DAS MULHERES QUE REALIZARAM O EXAME DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO – PCCU E NÃO RETORNARAM PARA PEGAR O RESULTADO, NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DANIEL BUENO.


Pacheco,O.C. Érica ¹; Leite, X. M. Daisy ²; Barroso,A. Patricia³

¹[email protected]; ² [email protected];[email protected]³


INTRODUÇÃO


Devido ao grande número de exames deixados na unidade de saúde o presente estudo tem como objetivo esclarecer as mulheres sobre a importância de se realizar o exame que detecta precocemente o câncer de colo do útero e de retornarem para pegar os resultados, verificando idade, procedência e as principais patologias que deixaram de ser tratadas.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que no ano de 2008, as taxas brutas estimadas de incidência 100.000 mulheres, por câncer do colo do útero, serão na Bahia de 13,55 %. Vários são os fatores de risco que contribuirão para o grande aumento da taxa desse tipo de câncer, sendo que alguns dos principais estão associados às baixas condições sócio-econômicas, ao início precoce da atividade sexual, à multiplicidade de parceiros sexuais, ao tabagismo (diretamente relacionados à quantidade de cigarros fumados), à higiene íntima inadequada e ao uso prolongado de contraceptivos orais (BRASIL, 2008).

Segundo o autor citado, estudos recentes também mostram que o papiloma vírus humano (HPV) é responsável pelo desenvolvimento da neoplasia das células cervicais e na sua transformação em células cancerosas. Este vírus está presente em mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero.

Para Montenegro; Franco (2003), o exame de papanicolau ou citopatológico consiste no estudo das alterações morfológicas em células isoladas obtidas por raspado durante o exame. O diagnóstico citopatológico das lesões é baseado mais nas alterações celulares individuais.

Discorrendo sobre o assunto, para os autores mencionados, a citologia cervicovaginal destaca-se por sua importância na prevenção e diagnóstico do câncer do colo do útero. Este exame simples e barato quando realizado periodicamente, tem a capacidade de detectar lesões pré-neoplásicas e neoplásicas permite o diagnóstico de inúmeras infecções, entre elas, as produzidas por Herpes, Chlamydia, Trichomonas, Gardnerella, Gonorréia. Bem como, as anormalidades em células epiteliais escamosas, como: Lesão intraepitelial de baixo grau – (HPV, NIC I); Lesão intraepitelial de alto grau – (NIC II, NIC III).

Durante o período do estágio, percebe-se que várias mulheres marcam, esperam até dez dias para realização do exame e muitas não voltam para pegar o resultado. Em contato com algumas dessas mulheres de forma informal, elas alegaram a demora na entrega dos resultados e que sair do trabalho para realizar o exame de PCCU e ter de ir pegar o resultado.

Diante do exposto, justifica-se esta pesquisa de forma esclarecer as mulheres por meio de palestras educativas à importância de realizar o exame citopatológico e de retornarem para pegar o resultado, bem como, traçar a idade e as principais patologias que deixaram de tratadas. Conscientizar quanto à capacidade sobre si mesma e dando a devida importância do cuidado de se fazer o exame de prevenção do câncer do colo do útero – PCCU.


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


O Exame Preventivo (citopatológico)


O exame preventivo do câncer do colo do útero – PCCU (exame de Papanicolaou) consiste na coleta de material citológico do colo do útero, sendo coletada uma amostra da parte externa (ectocérvice) e outra da parte interna (endocérvice), no caso de gestantes colhem apenas a ectocérvice e fundo de saco, em mulheres que fizeram histerectomia com retirada do colo colhe fundo de saco (MONTENEGRO; FRANCO, 2003).

“Para a coleta do material, é introduzido um especulo vaginal e procede-se à escamação ou esfoliação da superfície externa e interna do colo através de uma espátula de madeira (Ayre) e de uma escova endocervical” (FREITAS; MENKE; RIVIORE, 2003 p.).

Segundo os atores citados a fim de garantir a eficácia dos resultados, a mulher deve evitar relações sexuais, uso de duchas ou medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores ao exame. Além disto, exame não deve ser feito no período menstrual, pois a presença de sangue pode alterar o resultado.


Quadro 1 - Dados epidemiológicos na Cidade de Barreiras – BA das DST


TIPOS DE PATOLOGIA Ano 2005 Ano 2006 Ano 2007
Síndrome do corrimento vagina (Gardnerella) 1812 2604 -
Candidía sp. 61 1426 158
Trichomonas 436 760 163
Condiloma acuminado (HPV) 46 46 10
Chlamydia tracomatis 05 31 01
Herpes genital 04 29 01
(Adaptado da VIEP – Vigilância Epidemiológica)


Muitas mulheres não sabem, mas em 2000 foi aprovado pela Câmara dos Deputados, e encaminhado ao Congresso Nacional o Projeto dá um dia para o Papanicolau – dá direito a um dia por ano para a trabalhadora da empresa pública ou privada fazer o exame PCCU e torna obrigatória a prevenção do câncer de colo do útero para a trabalhadora que ingressar no serviço público ou privado (Agência Estadão, apud. GREENWOOD; MACHADO; SAMPAIO, 2006).


PRINCIPAIS PATOLOGIAS QUE PODEM SER ENCONTRADAS NO EXAME CITOPATOLOGICO


Gonorréia


A gonorréia é a mais comum das DST esta relacionada ao agente Neisseria gonorrhoeae. Também é conhecida pelo nome de blenorragia, pingadeira, esquentamento. Nas mulheres, essa doença atinge principalmente o colo do útero (ROBBINS; COLLIINS; COTTRONS, 2000).

Segundo Robbins; Colliins; Cottrons, (2000), entre dois e oito dias após relação sexual desprotegida, a pessoa passa a sentir ardência e dificuldade para urinar. Às vezes, pode-se notar um corrimento amarelado ou esverdeado - até mesmo com sangue - que sai pela vagina, na mulher ou uretra no homem. A infecção das tubas uterinas (salpingite) pode gerar cicatrizes que aumentam a incidência de esterilidade e gravidez ectópica ou levam as infecções crônicas.

Citando Smeltzer; Bare (2006), a principal forma de transmissão da gonorréia é por meio de relação sexual com pessoa infectada, seja essa relação oral, vaginal ou anal, sem o uso de preservativo. Mesmo sem apresentar sintomas, as mulheres contaminadas transmitem a bactéria causadora da doença. Pode ocorrer também, durante o parto, transmissão da mãe contaminada para o bebê. Caso esse tipo de transmissão aconteça, corre-se o risco de o bebê ter os olhos gravemente afetados, podendo levar à cegueira. A prevenção se dar pelo uso de preservativos.


Chlamydia

A Chlamydia também é uma DST conhecida pelo nome de Linfogranuloma Venéreo (LVG) muito comum e apresenta sintomas parecidos com os da gonorréia, como, por exemplo, corrimento parecido com clara de ovo, tem um período de incubação de 7 a 30 dias. As mulheres contaminadas pela Chlamydia trachomatis podem não apresentar nenhum sintoma da doença, mas a infecção pode atingir o útero e as trompas, provocando uma grave infecção. Nesses casos, pode haver complicações como dor durante as relações sexuais (dispareunia), gravidez nas trompas (fora do útero), parto prematuro e até esterilidade (SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE, 1999).

A Chlamydia trachomatis pode acometer vários órgãos e tecidos, como, aparelho geniturinário, faringite, conjuntiva, etc. possui uma prevalência em climas quentes e secos e em mulheres com noções precárias de higiene, é transmitido principalmente por contato sexual (FOCCACIA, 2005).


Tricomoníase


Infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, que pode se hospedar no colo do útero, na vagina e/ou na uretra. Muitas mulheres infectadas pelo Trichomonas podem não sentir nenhuma alteração ou reação. Quando os sintomas surgem, esses são, principalmente, corrimentos amarelo-esverdeado, com mau cheiro, dor durante o ato sexual, ardor, dificuldade para urinar e coceira nos órgãos sexuais (VIANA; MARTINS; GEBER, 2001).

O contágio se dá através de secreções, durante contato sexual desprotegido com parceiro contaminado. Uso de preservativo em todas as relações sexuais, vaginais, orais ou anais (ROBBINS; COLLIINS; COTTRONS, 2000).


Herpes


É uma doença que aparece e desaparece sozinha, de tempos em tempos, dependendo de certos fatores como estresse, cansaço, esforço exagerado, febre, exposição ao sol, traumatismo e menstruação. Nas mulheres, o herpes pode também se localizar nas partes internas do corpo. Uma vez infectada pelo vírus do Herpes simples (HSV), tipos 1 e 2, a pessoa permanecerá com o vírus em seu organismo para sempre (SMELTZER; BARE, 2006).

Possui um período de incubação de 1 a 3 semanas, a manifestação ocorre através de pequenas bolhas localizadas principalmente na parte externa da vagina e na ponta do pênis. Essas bolhas podem arder e causam coceira intensa. Ao se coçar, a pessoa pode romper a bolha, causando uma ferida (VIANA; MARTINS; GEBER, 2001).

O herpes genital é transmitido por meio de relação sexual (oral, anal ou vaginal) desprotegida (sem uso da camisinha). Essa doença é bastante contagiosa e a transmissão ocorre quando as pequenas bolhas, que se formam durante a manifestação dos sintomas, se rompem, ocasionando uma ferida e eliminando o líquido do seu interior. Esse líquido, ao entrar em contato com mucosas da boca ou da região ano-genital do parceiro, pode transmitir o vírus. Raramente a contaminação se dá através de objetos contaminados (GOLDMAN; AUSIELLO, 2005).

As feridas desaparecem por si mesmas. Após algum tempo, porém, o herpes pode reaparecer no mesmo local, com os mesmos sintomas. Enquanto persistirem as bolhas e feridas, a pessoa infectada estará transmitindo a doença. Na presença dessas lesões, a pessoa deve abster-se de relações sexuais, até que o médico as autorize. Uso de preservativo em todas as relações sexuais, vaginais, orais e anais (SMELTZER; BARE, 2006).


HPV - Papiloma vírus humano


O condiloma acuminado é uma lesão na região genital, causada pelo Papilomavirus Humano (HPV). A doença é também conhecida como crista de galo, figueira ou cavalo de crista. O HPV provoca verrugas, com aspecto de couve-flor e de tamanhos variáveis, nos órgãos genitais (FOCACCIA, 2005).

Citando Focaccia, (2005), pode ainda estar relacionado ao aparecimento de alguns tipos de câncer, principalmente no colo do útero, ânus. Porém, nem todo caso de infecção pelo HPV irá causar câncer. A infecção pelo é muito comum. Esse vírus é transmitido pelo contato direto com a pele contaminada, mesmo quando essa não apresenta lesões visíveis. A transmissão também pode ocorrer durante o sexo oral. Há, ainda, a possibilidade de contaminação por meio de objetos como toalhas, roupas íntimas, vasos sanitários ou banheiras.

Não existe forma de prevenção 100% segura, já que o HPV pode ser transmitido até mesmo por meio de uma toalha ou outro objeto. Calcula-se que o uso da camisinha consiga barrar entre 70% e 80% das transmissões, e sua efetividade não é maior porque o vírus pode estar alojado em outro local, não necessariamente no pênis, mas também na pele da região pubiana, períneo e ânus. A novidade é a chegada, da primeira vacina capaz de prevenir a infecção pelos dois tipos mais comuns de HPV, o 6 e o 11, responsáveis por 90% das verrugas, e também dos dois tipos mais perigosos, o 16 e o 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero. Ainda em discussão os valores para dose (3 doses), para o mercado privado brasileiro (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2008).

Na maioria das vezes os homens não manifestam a doença. Ainda assim, são transmissores do vírus. Quanto às mulheres, é importante que elas façam o exame de prevenção do câncer do colo, conhecido como "papanicolau" ou preventivo, regularmente (SMELTZER; BARE, 2006).


Gardnerella/ Mobiluncus


A Gardnerella vaginalis/Mobiluncus é uma bactéria que faz parte da flora vaginal normal de 40 a 50% das mulheres sexualmente ativas. Quando, por um desequilíbrio dessa flora, ocorre um predomínio dessa bactéria temos um quadro que se convencionou chamar de vaginose bacteriana. Porem usa-se esse termo para diferenciá-lo da vaginite, na qual ocorre uma verdadeira infecção dos tecidos vaginais Período de Incubação é de 2 a 21. Na vaginose, por outro lado, as lesões dos tecidos não existem ou são muito discretas, caracterizando-se apenas pelo rompimento do equilíbrio microbiano vaginal normal (VIANA; MARTINS; GEBER, 2001).

Segundo os autores citadas a vaginose por Gardnerella pode não apresentar manifestações clínicas. Quando ocorrem, estas manifestações caracterizam-se por um corrimento amarelado ou acinzentado, com bolhas esparsas em sua superfície e com um odor ativo desagradável. Após uma relação sexual, com a presença do esperma (de pH básico) no ambiente vaginal, costuma ocorrer à liberação de odor semelhante ao de peixe podre.

Citando Smeltzer; Bare, (2006), o não tratamento pode acarretar em infertilidade, salpingite, endometriose, doença inflamatória pélvica (DIP), ruptura prematura de membranas, aborto. Durante a gestação pode ser causa de prematuridade ou RN de baixo peso. Geralmente primária na mulher. Sexual no homem. Pode ocorrer também transmissão pelo contato genital entre parceiras sexuais femininas. A prevenção é o uso de preservativos, evitar duchas vaginais, exceto sob recomendação médica. Limitar número de parceiros sexuais.


Candidíase


É uma infecção da vulva e vagina, causada por um fungo comensal que habita a mucosa vaginal e a mucosa digestiva, que cresce quando o meio torna-se favorável para o seu desenvolvimento; 80 a 90% dos casos são devidos à Candida albicans, e 10 a 20% a outras espécies chamadas não-albicans (C. tropicalis, C. glabrata, C. krusei, C. parapsilosis) (SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE, 1999).

Na relação sexual já não é considerada a principal forma de transmissão, visto que esses organismos podem fazer parte da flora endógena em até 50% das mulheres assintomáticas. Os sintomas mais comuns são: prurido vulvovaginal, ardor ou dor à micção, corrimento branco, grumoso, inodoro e com aspecto caseoso (leite coalhado), hiperemia, edema vulvar, fissuras e maceração da vulva, dispareunia, vagina e colo recobertos por placas brancas ou brancas acinzentadas, aderidas à mucosa (GOLDMAN; AUSIELLO, 2005).


Cocos


A infecção por cocos pode ser tanto Gram-positivo quanto negativo, apresentam densa reação inflamatória inespecífica. Acomete a vagina e a vulva. De uma forma simplificada, podemos dizer que um corrimento bacteriano é causado por um desequilíbrio na vagina de tal forma que bactérias que sempre aí estiveram presentes, aumentam. Isto tem a ver, sobretudo com os cocos (VIANA; MARTINS; GEBER, 2001).


Neoplasias Intraepiteliais Cervicais


• NIC I: ocorre quando o terço inferior do colo é comprometido. Displasia leve, indicando uma lesão de grau leve.
• NIC II: quando menos de dois terços do colo estiverem comprometidos. Displasia moderada, indicando uma lesão de grau leve a moderado.
• NIC III: quando o comprometimento for maior que dois terços do revestimento epitelial do colo. Displasia acentuada, indicando um carcinoma in situ e uma lesão de alto grau (VIANA; MARTINS; GEBER, 2001).


Quadro 2 – Patologias encontrada nos resultados deixados


PATOLOGIAS TOTAL
Cândida sp 41
Gardnerella vaginalis/Mobiluncus 56
Trichomonas vaginalis 24
Cocos 30
Chlamydia trachomatis 03
HPV 07
NIC I 06
NIC II 04
NIC III 02



FLORA BACTERIANA NORMAL


A flora bacteriana normal é predominantemente aeróbica, com uma média de seis espécies diferentes de bactérias, sendo as mais comuns os Lactobacillus sp. As células epiteliais vaginais decompõem o glicogênio que é convertido pelos lactobacilos em ácido láctico responsável por, manter a vagina em seu meio ácido (BEREK, 2005).

A vagina é protegida contra infecções por causa do seu pH que é ácido e deve esta entre 3,5 a 4, 5, é mantido por partes pela ação dos Lactobacillus sp, uma bactéria dominante na vagina saudável. O risco de infecção aumenta se a resistência da mulher é reduzida pela correria do cotidiano, estresse ou doenças, em decorrência disso o pH é alterado (SMELTZER; BARE, 2006).



Quadro 3 – Achado da flora bacteriana

ACHADOS TOTAL
Lactobacillus sp. 79
Bactérias 22
Bacilos 14


METODOLOGIA


No entender de Lakatos; Marconi, (2003) o método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, permite alcançar o objetivo, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões.

Este projeto de intervenção é de caráter descritivo e explicativo. A pesquisa descritiva tem como objetivo a descrição das características de determinada população, fenômenos ou estabelecendo relações entre variáveis. Uma das características mais marcantes é o tipo da técnica utilizada na coleta dos dados, como, questionários e observação sistemática (GIL, 2002).

De acordo com autor citado, a pesquisa explicativa se preocupa em identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. É o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, pois, explica a razão, o porquê das coisas.

A pesquisa qualitativa depende da observação, coleta dos dados analise e interpretação dos dados coletados. Como se vê, qualquer pesquisa, teórica ou experimental, depende de uma grande coleta de dados (ANDRADE, 2007).

Classificamos como pesquisa documental que se caracteriza pela fonte da coleta de dados está restrita a documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias. Estas podem ser feitas no momento em que o fato ou fenômeno ocorre, ou depois (LAKATOS; MARCONI, 2003).

A analise dos documentos depende da capacidade do pesquisador, exige apenas disponibilidade de tempo, o custo da pesquisa torna-se baixo. Outra vantagem da pesquisa documental é que não vai existir contato com os sujeitos da pesquisa. Em alguns casos esse contato é difícil ou até mesmo impossível e as informações proporcionadas podem ser prejudicadas pelas circunstâncias que envolvem o contato (GIL, 2002).

A cidade de Barreiras é o principal centro urbano, político, tecnológico e econômico da região oeste da Bahia, com uma área de 7.895,24 km2. É um importante entroncamento rodoviário entre o Norte, o Nordeste e o Centro-oeste do país. Distante 853 quilômetros de Salvador, capital da Bahia e 622 quilômetros de Brasília capital federal, sua posição estratégica e sua organização administrativa a concederam o título capital regional. Da década de 70 até hoje, o município passou de 20.864 mil habitantes para 120 mil (BARREIRAS, 2008).

A Unidade Básica de Saúde Drº. Daniel Bueno Teixeirense, foi inaugurada em 7 de novembro de 1995. Atendendo os seguintes programas: HIPERDIA, Pré-natal, Planejamento Familiar, Hanseníase, Tuberculose; e atuando em curativos, vacinação, distribuição de medicação, odontologia, consultas medicas, marcação de exames.

Abrange a população dos seguintes Bairros: Vila Brasil, Vila Dulce, Centro, São Miguel, Rio Grande, Morada Nova e JK. Possui 46 funcionários distribuídos nas seguintes categorias: 1 enfermeira, 5 técnicos em enfermagem, 1 gerente, 1 serviços gerais, 5 auxiliares administrativo, 2 assistente de consultório dentário, 1 porteiro, 5 dentistas, 2 pediatras, 1 obstetra, 4 clínicos, 18 agentes comunitários de saúde.

A coleta dos dados será realizada por meio de um questionário (em apêndice) preenchido pelo pesquisador com as descrições contidas nos exames das pacientes, contara dos seguintes itens: idade, procedência (município de Barreiras - BA zona urbana, rural), achados patológicos dos exames que foram deixados. Entrevistou uma profissional da Secretária de Saúde do município de Barreiras - Bahia, que trabalha na Vigilância Epidemiológica (VIEP) que nos forneceu informações documentais sobre as DST.

Depois de coletado e observado os resultados, o passo seguinte é a analise e interpretação dos dados, sendo organizados sob a forma de tabela, que será o núcleo principal da pesquisa. É através desses dados que nos proporcionarão respostas as investigações.

A pesquisa não envolver seres humanos diretamente, no entanto entraremos em contato com informações pessoais dos pacientes, por isso serão consideradas as normas éticas determinadas na Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde (Ministério da Saúde), apresenta as diretrizes regulamentadoras mais abrangentes acerca de pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil, na perspectiva de garantir o anonimato dos pacientes. Esta Resolução incorpora, sob a ótica do indivíduo e da coletividade, os quatros referenciais básicos da bioética: autonomia, não maleficência, beneficência e justiça, entre outros, e visa assegurar os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica, aos sujeitos da pesquisa e ao Estado (BRASIL, 2000).


ANALISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Por meio dos dados coletados pode-se verificar o perfil das mulheres desse estudo. No total foram 194 mulheres que colheram o exame de PCCU entre os anos de 2004 a 2007 e não pegaram os resultados na Unidade de Saúde Daniel Bueno, dessas173 tiveram alterações importantes, e as outras 21 apareceu apenas Lactobacillus sp. E bactérias, da flora bacteriana normal vaginal.

A faixa etária que menos se preocupou em pegar os resultados dos exames foi entre 21 e 30 anos totalizando 69 mulheres. Sendo que a maioria reside no perímetro urbano 171, apenas 23 pertencentes à zona rural.

Vários patógenos deixaram de ser tratados e dentre estes alguns podem causar riscos á saúde se não for diagnosticado e tomado providencias a fim de evitar problemas maiores no futuro. As patologias que mais apareceram nos exames deixados foram respectivamente, Gardnerella vaginalis/Mobiluncus, Cândida sp., cocos, Trichomonas vaginalis.
Infecções como a Chlamydia trachomatis, apareceu em 3 resultados se não for tratados pode levar a esterilidade. HPV, NIC II e NIC III que são sugestivos de lesão moderada a grave podem levar ao câncer de colo do útero, no entanto, deixaram de ser confirmada e tratada.


CONCLUSÕES


Mesmo existindo serviços específicos para o atendimento às mulheres, foi observada no decorrer do desenvolvimento desse projeto uma elevada incidência de algumas DST, tais como Trichomonas vaginalis, Gardnerella vaginalis, Candida albicans, entre outras. Doenças estas, que podem causar problemas futuros, como, a infertilidade e câncer de colo.

Segundo as circunstâncias evidenciadas, buscamos neste trabalho contribuir de forma humanizada através da educação em saúde com palestras e comunicados na rádio local, atuando sobre o conhecimento das pessoas, com relação à prevenção de doenças que a colposcópia pode oferecer.

Com este estudo, pretendemos conscientizar as mulheres, capacitando-a no entendimento da importância da prevenção do câncer de colo do útero. Quando há uma maior interação dos profissionais com as pacientes, estas, ao saírem bem informadas da unidade de saúde, retornarão para receber o resultado, bem como, se transformará em uma agente multiplicadora na comunidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, M. Maria. Redação Cientifica: elaboração de TCC passo a passo. São Paulo: Factash, 2007.

BEREK, S. Jonathan. Novak: tratado de ginecologia. 13 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

SOPER, E. D. infecções geniturinárias e doenças sexualmente transmitidas. In: BEREK, S. Jonathan. Novak: tratado de ginecologia. 13 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. Cap. 15, p. 423.
FOCACCIA, R. Veronesi: tratado de infectología. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2005. v. 1.
MELLES, H.; LIHARES, I. Doenças causadas por Chlamydia. In: FOCACCIA, R. Veronesi: tratado de infectología. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2005. v. 1. Cap. 37, p. 735.
FREITAS, F.; MENKE, C.; RAVOIRE, W.; et al. Rotinas em ginecologia. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
XAVIER, L. N.; SALGAZ, C. C. Consulta ginecológica. In: FREITAS, F.; MENKE, C.; RAVOIRE, W.; et al. Rotinas em ginecologia. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. Cap. 1, p. 25.

GIL, C. Antonio. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GOLDMAN, L.; AUSIELLO, D. Cecil: tratado de medicina interna. 22. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. v. 2.

LAKATOS, M. Eva; MARCONI, A. Marina. Fundamentos de metodologia científica. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2003.

MONTENEGRO R. Mario; FRANCO Marcelo. Patologia: processos gerais. 4 ed. São Paulo: Atheneu, 2003.

SCHMITT, C. Fernando. Autópsias, biópsias, citopatologia e outros métodos de investigação em patologia: o que são e como são utilizados. In: MONTENEGRO R. Mario; FRANCO Marcelo. Patologia: processos gerais. 4 ed. São Paulo: Atheneu, 2003. Cap. 16, p.279.

BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 196 de outubro de 1996. Brasília, 2000.
_________. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis DST: 4. ed. Brasília: 2006.

________. Prevenção do Câncer do Colo do Útero. Brasília: 2002.

________. Programa Nacional DST e AIDS. Brasília:2007.

________. INCA – Instituto Nacional de Câncer. Brasília, 2008.

OLIVEIRA, G. Reynaldo. Blackbook Clinica Médica. 1 ed. Belo Horizonte: Blackbook, 2007.

Prefeitura Municipal de Barreiras. Acessado em: 14 de março de 2008. Disponível em: www.barreiras.ba.gov.br.

ROBBINS, L. Stanley; COLLINS Tucker et al. Fundamentos de Robbins: patologia estrutural e funcional. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.

SAMUELSON, J. Doenças infecciosas. In: ROBBINS, L. Stanley; COLLINS Tucker et al. Fundamentos de Robbins: patologia estrutural e funcional. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. Cap. 9, p. 296.c

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Doenças Sexualmente Transmitidas Em Gestantes. Belém – Pará: 1999

SMELTZER, C. Suzanne; BARE, G. Brenda. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 10 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Tratamento de pacientes com distúrbios reprodutivos. In SMELTZER, C. Suzanne; BARE, G. Brenda. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 10 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. v. 3. Cap. 47, p. 1491.

VIANA, L. C.; MARTINS, M.; GEBER, S. Ginecologia. 2. ed. São Paulo: Medsi, 2001.

RIO, P. S. Vulvovaginites. In: VIANA, L. C.; MARTINS, M.; GEBER, S. Ginecologia. 2. ed. São Paulo: Medsi, 2001. Cap. 24, p. 317.

BORGES, C., V. S.; MARTOZA, G. Doenças sexualmente transmissíveis (DST). In: VIANA, L. C.; MARTINS, M.; GEBER, S. Ginecologia. 2. ed. São Paulo: Medsi, 2001. Cap. 23, p. 305.

ALVARENGA, J. R. Citologia cervicovaginal. In: VIANA, L. C.; MARTINS, M.; GEBER, S. Ginecologia. 2. ed. São Paulo: Medsi, 2001. Cap. 8, p. 112.

 
Avalie este artigo:
(3 de 5)
8 voto(s)
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Érica Pacheco
Talvez você goste destes artigos também
Sobre este autor(a)
Érica Carla Oliveira Pacheco, 8º período de Enfermagem da Faculdade São Francisco de Barreiras - BA.
Membro desde outubro de 2008
Facebook
Informativo Webartigos.com
Receba novidades do webartigos.com em seu
e-mail. Cadastre-se abaixo:
Nome:
E-mail: