O PEDAGOGO EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES: A experiência no NASF
 
O PEDAGOGO EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES: A experiência no NASF
 


O PEDAGOGO EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES: A experiência no NASF

 

Perpétua Eloísa Urbieta1

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Resumo

O presente artigo tem como objetivo descrever um relato de experiência da atuação do pedagogo em ambiente não escolar, através do projeto “Posto da Alegria” que montou como recurso principal uma brinquedoteca na Unidade de Saúde pública “Ronam Marques”, no município de Naviraí/MS em função do estágio no NASF (Núcleo de Apoio da Saúde Familiar). A realização dessa experiência se deu por exigência do Estágio Obrigatório em Trabalho e Educação do curso de Pedagogia da UFMS/Câmpus de Naviraí/MS. Foram atendidas crianças que estavam na espera por atendimento na Unidade de Saúde, sendo realizadas atividades lúdicas, e utilizados diversos recursos, como: livros infantis, cama elástica, brinquedos diversos, tapetes, almofadas, papel, giz de cera, tesoura, cola, entre outros. A brinquedoteca propiciou acolhimento aos pacientes e acompanhantes, além de lazer, incentivo a fantasia, imaginação e criatividade favorecendo seu restabelecimento físico e emocional, amenizando o trauma de uma doença, a ansiedade na espera por uma consulta ambulatorial, procedimentos evasivos, afastamento de suas atividades diárias, auxiliando no seu desenvolvimento físico/psíquico e emocional.

Palavras chaves: Pedagogia. Ambientes Não Escolares. Brinquedoteca.

Introdução

No campo das práticas que ampliam o conceito de educação, são encontradas muitas experiências sistematizadas no âmbito das instituições, porém ainda são poucas publicações que reflexionam ou expõe as práticas sobre a educação que vão além do espaço escolar, a educação não escolar é co-extensiva à escola, apesar de dispor de objetivos e finalidades diversos, demandando, portanto, reflexões que são complementares, porém de natureza distintas.

1. Discente do 8º semestre do Curso de Pedagogia da UFMS/Câmpus de Naviraí/MS. Sob a orientação da professora Drª. Maria das Graças Fernandes de Amorim dos Reis.

As atividades de pedagogia em ambiente não escolares como a apresentada no presente relato de experiência, demonstra novos conceitos de espaços de aprendizagem, ampliando os horizontes da prática pedagógica, e de acordo com Tavares e Santos (2010) ultrapassando os limites das instituições escolares formais, passando a incluir um largo espectro de instituições escolares (empresas, sindicatos, meios de comunicação) e também os movimentos sociais organizados. 

Como educação não escolar, utilizou-se a definição de Moura e Zuchetti (2006, p. 231), proposta como a simples denominação “educação não escolar” para distinguir todas as práticas educativas que ocorrem no campo social daquelas que ocorrem no interior da escola. Os autores entendem que a nomeação “escolar” e “não escolar” permite referenciar a educação mais pelas suas práticas pedagógicas (eixo que baliza a utilização da expressão proposta) do que pela ênfase nos sujeitos a elas afetos. A partir desta distinção primeira e mais geral, pode-se acolher a expressão “formal” para designar qualquer tipo de prática educativa que, a despeito de situar-se, ou não, no espaço escolar, seja desenvolvida segundo marcadores “institucionalmente” legitimados, tais como legislações, metas, tempos, princípios, obrigatoriedade, entre outros. “Entendemos que [...] faz-se necessário firmar e afirmar a existência de uma prática de educação não escolar, de caráter social, com toda a ambiguidade que esta expressão pode significar”.

Quando se pensou em um projeto de Brinquedoteca, a intenção era proporcionar aos pais e as crianças um ambiente acolhedor e aconchegante, em espaços onde os pacientes aprendem e compartilham brinquedos, histórias, emoções, alegrias e tristezas sob condições de espera em consulta e hospitalização. Ela também permitiu uma aproximação entre pais e filhos, e possui várias representações: é um espaço lúdico, terapêutico e político, pois além de garantir o direito da criança poder brincar, divertir-se, também é um espaço de formação de cidadania.

Já que as crianças quando ficam doentes são mais sensíveis aos eventos que ocorrem no ambiente em que se encontra, por apresentarem medo e temor aos estranhos, e em ambiente rodeado de profissionais e pessoas desconhecidas, associam também esses ambientes à dor e desconforto, passando a provocar uma resposta específica de desconforto. A brinquedoteca pode atuar positivamente "O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O brincar é uma experiência humana, rica e complexa." (ALMEIDA, 2004). 

            A ideia foi de que a educação pode ocorrer em vários espaços, onde o Pedagogo tem seu lugar de atuação desde que compreendida sua intervenção pedagógica, garantindo sua identidade profissional e seu fazer dentro da variedade de atividades voltadas para o processo educacional. Entende-se que o Pedagogo pode atuar intencionalmente, analisando, discutindo, colaborando e efetivando uma educação instituída como campo próprio, porém nesse sentido, volta-se a ser coadjuvante de uma situação conflituosa e crítica. Assim o Pedagogo tem seu espaço de contribuição, sempre tendo o cuidado e “atenção para a especificidade da prática pedagógica, sem perder-se nas entranhas produzidas pelo mercado de trabalho que determina interesses e intenções” (CAVALCANTE et al., 2009).

O presente artigo propõe relatar a experiência com o Projeto “Posto da Alegria” através da implantação de uma brinquedoteca na Unidade de Saúde Ronam Marques no Município de Naviraí/MS, em virtude do cumprimento do Estágio Obrigatório em Trabalho e Educação do curso de Pedagogia da UFMS/Câmpus de Naviraí, tendo a carga horária de 102 horas e desenvolvido no NASF (Núcleo de Apoio da Saúde Familiar) do município de Naviraí, sendo ainda resposta a uma demanda manifestada pela Unidade de Saúde Ronam Marques pela falta de um espaço para as crianças que são atendidas na Unidade. E também das experiências de estágio realizadas no NASF de Naviraí.

Caracterização da Instituição de Estágio não Escolar: NASF

 

            O projeto foi desenvolvido no PSF Ronam Marques que faz parte do Sistema Municipal de Naviraí, integrando à Atenção Primária à Saúde, a brinquedoteca foi montada no pátio descoberto nos fundos da Unidade de Saúde, com calçamento, banheiros disponíveis. As áreas foram montadas, com tapetes, almofadas, brinquedos, estante com livros, e cama elástica.  

            O NASf é uma instituição mantida pela Prefeitura Municipal de Naviraí (Gerência Municipal de saúde) ramo hospitalar, localizada na Avenida Amélia Fukuda, n. 776 centro da cidade de NAVIRAÍ-MS.

A instituição foi criada sob a legislação Portaria n. 154 de 24/01/2008, com o objetivo de ampliar a abrangências e o escopo das atenções básicas, em como sua resolubilidade, apoiando a inserção da estratégia de Saúde da Família na rede de serviço e o processo de território e região a partir dessa atenção básica, de acordo com as Diretrizes do NASF (BRASIL, 2009):

NASF 1: no mínimo cinco profissionais de nível superior - vinculado de 08 a 20 Equipes de Saúde da Família;

NASF 2: três profissionais de nível superior - vinculado a, no mínimo, 03 Equipes de Saúde da Família.

O NASF está dividido em oito áreas estratégicas: atividade físico-práticas corporais, práticas integrativas e complementares, reabilitação, alimentação e nutrição, saúde mental, serviço social, saúde da criança/adolescente/adulto jovem, saúde da mulher e assistência farmacêutica.

O NASF deve ser constituído por equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, para atuarem em conjunto com os profissionais das Equipes Saúde da Família, compartilhando as práticas em saúde nos territórios sob-responsabilidade das Equipes de Saúde da Família no qual o NASF está cadastrado.

Podem compor as equipes: Assistente Social; Educador Físico; Farmacêutico; Fisioterapeuta; Fonoaudiólogo; Médico Acupunturista; Médico Ginecologista; Médico Homeopata; Médico Pediatra; Médico Psiquiatra; Nutricionista; Psicólogo e Terapeuta Ocupacional. Os profissionais médicos podem compor apenas as equipes de modalidade.

 A definição da composição do NASF é de responsabilidade dos gestores municipais, seguindo os critérios de prioridade identificados a partir das necessidades locais. Tendo em vista a magnitude epidemiológica dos transtornos mentais, recomenda-se que cada NASF conte com pelo menos 01 (um) profissional da área de saúde mental (BRASIL, 2009).

Os NASF devem funcionar em horário de trabalho coincidente com o das equipes de Saúde da Família, portanto, carga horária de 40 horas semanais.

Critérios para a implantação:

-NASF I: ter no mínimo 8 ESF(Estratégia de Saúde da Família).

-NASF II: 3 ESF, possuir densidade demográfica menor do que 10 hab/KM², sendo financiado apenas (um) NASF 2.

Aqueles municípios que não se encaixam nos critérios de implantação, poderão optar pela conformação de consócios intermunicipais com municípios que fazem limite geográfico.

Há incentivo para implantação, parcela única, e custeio, mensal. Os valores serão repassados Fundo a Fundo, de acordo com a modalidade de NASF:

NASF I: implantação- R$ 20.000,00 - custeio – R$ 20.000,00

NASF II: implantação – R$ 6.000,00 - custeio - R$ 6.000,00

1-Construir um Projeto

Solicitar apoio para as DIRES (Diretorias Regionais de Saúde) e Apoiadores Institucionais da DAB (Atenção Básica Saúde da Família) e construir o projeto de credenciamento.

2- Credenciar o NASF

De posse do projeto, o município o submeterá ao Conselho Municipal de Saúde - CMS para avaliação e aprovação. Solicita parecer à Diretoria Regional de Saúde – que seguirá o fluxo de credenciamento (também disponível na resolução CIB 49/2008).

Público: Alvo Famílias atendidas pelo PSF-Programa Saúde da Família.

Em Naviraí o NASF atua dentro de algumas diretrizes relativas à Atenção Primária de Saúde (APS) é uma empresa especializada em Gerenciamento de Riscos para a Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA).

O NASF tem uma equipe que é composta por uma Fonoaudióloga, Psicóloga e Nutricionista. Onde busca atender interdisciplinar e intersetorial, educação permanente em saúde dos profissionais e da população. Participação social, educação popular, promoção da saúde e humanização. Para isso sua Equipe de Saúde da Família (ESF) cria espaços de discussão internos e externos, visando o aprendizado coletivo (BRASIL, 2009).

Dentro de tal perspectiva, o NASF busca superar a lógica fragmentada da saúde para a Estratégia da Saúde da Família construção de redes de atenção e cuidado, de forma corresponsabilidade com a ESF, é uma situação desejável, mas que não acontecerá de forma espontânea e natural. Sendo necessário que os profissionais do NASF assumam suas responsabilidades em regime de cogestão com as equipes de Saúde da Família e sob a coordenação do gestor local, em processo de constante construção (BRASIL, 2009).

Dessa forma começa a mudar e o programa tem como ponto positivo a valorização dos aspectos que influenciam a saúde das pessoas fora do ambiente hospitalar (BRASIL, 2009).

 

Atividades desenvolvidas

Foram desenvolvidas atividades de Estágio de Observação e Coparticipação, com carga horária de 30 horas, onde foi verificada a realidade de funcionamento do NASF.

No primeiro momento foi realizada reunião de apresentação do NASF e os profissionais que trabalham, na instituição, entre eles a Fonoaudióloga e a Psicóloga (a supervisora do estágio). Foi verificado como funcionam os projetos, tanto aqueles que já estão em andamento como os que irão acontecer.

Existiu acolhimento por parte destes com relação aos estagiários, este momento foi de muitas descobertas profissionais, o NASF constitui um conjunto de ações em saúde desempenhadas pela saúde da família, é algo complexo e que demanda intervenções amplas em múltiplas facetas da realidade, para que possa obter efeito positivo sobre a saúde e a qualidade de vida da população, o que é comprovada por meio de evidências em diversos países do mundo.

As ações desenvolvidas utilizam saberes de variadas origens para que a Atenção Primária à Saúde (APS) possa ser eficaz e resolutiva, saberes tanto específicos da saúde como de outros campos de conhecimento, como cultura, assistência social, gestão, esporte, lazer etc., compreendendo um exercício permanente de interdisciplinaridade e de intersetorialidade.

Foram realizadas diversas atividades, assim como vários encontros: Encontro com as Gestantes no clube de mães, Grupo de emagrecimento PSF Jd. Paraíso, na sede do projeto Bom Samaritano; PSF Koreman (Harry Amorim), no salão comunitário do bairro; PSF Maria de Lourdes no CRAS; PSF Jd. Paraíso. Reunião com fonoaudióloga no NASF entrevista com a Assistente Social que é coordenadora do Programa DST/HIV de Naviraí. Reunião com parte do grupo gestor (SPE - Saúde e Prevenção nas Escolas) e coordenadores de várias escolas de Naviraí. E ainda acompanhamento das atividades da Psicóloga e da Fonoaudióloga.

Participamos de uma palestra sobre Humanização que aconteceu com toda equipe do NASF e a equipe da Saúde. Onde o gestor nos explicou que “humanizar a relação com o doente, realmente, exige que o trabalhador valorize a afetividade e a sensibilidade como elementos necessários ao cuidar”. Porém, compreendemos que tal relação não supõe um ato de caridade exercido por profissionais abnegados e já portadores de qualidades humanas essenciais, mas um encontro entre sujeitos, pessoas humanas, que podem construir uma relação saudável, compartilhando saber, poder e experiência vivida.

Para Casate e Corrêa (2005) ter sensibilidade para a escuta e o diálogo, mantendo relações éticas e solidárias, envolve um aprendizado contínuo e vivencial, pouco enfatizado no ambiente de trabalho, levando-se em conta, ainda, o predomínio de estruturas administrativas tradicionais, rígidas e burocratizadas.

As propostas de humanização em saúde também envolvem repensar o processo de formação dos profissionais ainda centrados, predominantemente, no aprendizado técnico, racional e individualizado, com tentativas muitas vezes isoladas de exercício da crítica, criatividade e sensibilidade.

Ressaltamos, contudo, que não basta a inclusão desses conteúdos, mas repensar a maneira como são articulados à prática para que façam sentido ao profissional da saúde no processo de humanização do atendimento em saúde/enfermagem, compreendemos que, diferentemente da perspectiva caritativa que aponta o trabalhador como possuidor de determinadas características previamente definidas e até idealizadas, é fundamental a sua participação como sujeito que, sendo também humano, pode ser capaz de atitudes humanas e “desumanas” construídas nas relações com o outro no cotidiano. Nesse contexto, são fundamentais não perder de vista a reflexão e o senso crítico que nos auxiliem no questionamento de nossas ações, no sentido de desenvolver a solidariedade e o compromisso.

Foram realizadas leituras orientadas com a supervisão, sendo a primeira dos Cadernos de Atenção Básica Diretrizes do NASF, sendo verificado que o NASF deve atuar dentro de algumas diretrizes relativas à APS, interdisciplinar e intersetorial.

Assim, a organização dos processos de trabalho dos NASF, tendo sempre como foco o território sob sua responsabilidade, deve ser estruturada priorizando o atendimento compartilhado e interdisciplinar, com troca de saberes, capacitação e responsabilidades mútuas, gerando experiências para todos os profissionais envolvidos, mediante amplas metodologias, tais como estudo e discussão de casos e situações, projetos terapêuticos, orientações e atendimento conjunto etc.

A segunda leitura realizada foi um artigo de Gerson Cezar Bassani, como, título: O Programa Saúde da Família como Estratégia de Atenção Primária para o Sistema Único de Saúde. O autor tem por finalidade atender as demandas de saúde da população que necessite de um tipo de cuidado menos complexo.

Trata-se de uma pesquisa descritiva, do tipo bibliográfico, que objetivou descrever o desenvolvimento das políticas de saúde do Brasil e elucidar a importância do Programa Saúde Família como estratégia para atenção primária que atua na comunidade e no domicilio do cliente, facilitando assim o plano de cuidados e assistência.

Outra leitura realizada foi de uma Cartilha de Acolhimento, que têm uma função multiplicadora, com ela espera disseminar algumas tecnologias de humanização da atenção e da gestão no campo da saúde. Muitas são as dimensões com quais estamos comprometidos no trabalho em saúde: prevenir, cuidar, proteger, tratar, recuperar, promover, enfim, produzir saúde. Muitos são os desafios que aceitamos enfrentar quando estamos lidando com a defesa da vida e com a garantia do direito da saúde.

 Durante a observação do funcionamento do NASF, verificou-se avanços na área da humanização, e estes proporcionam alegria, mas também verificou-se a existência de problemas e desafios que persistem, impondo a necessidade de aperfeiçoamento do sistema e mudança de rumos.

O acolhimento como postura e práticas nas ações de atenção e gestão nas unidades de saúde, a partir da análise dos processos de trabalho. A ideia de acolhimento já acumula uma farta experiência em diversos serviços de saúde oferecidos pelo SUS. Esta experiência é heterogênea como o próprio SUS e tem acúmulos positivos e negativos. Reconhecer esta longa trajetória ao falar do acolhimento significa legitimar que grande parte do que sabemos hoje se deve a este acúmulo prático (BRASIL, 2009).

O Projeto Desenvolvido

O projeto intitulou-se Posto da Alegria, e surgiu diante da observação da realidade do PSF, verificou-se a demanda manifestada pela Unidade de Saúde “Ronam Marques”, onde se observou a falta de um espaço para as crianças que são atendidas naquela Unidade, assim como pelas experiências de estágio realizadas no NASF de Naviraí/MS.

O projeto foi desenvolvido através da implantação de uma brinquedoteca, já que este tipo de trabalho se volta a chamar atenção das crianças ao frequentarem o posto de saúde, atraindo-as com brinquedos comprados, reciclados, livros, cama elástica. As atividades visavam diminuir a ansiedade da criança atendida diante de um ambiente lúdico, um espaço alegre, e voltado a brincadeira, pintura, atividades em brinquedos como a cama elástica entre outras.

O período de realização foi de 12 horas nos dias 16/06/2012 e 21/06/2012. As atividades foram divididas em três etapas, a recepção das crianças e acompanhantes e convite para após a triagem ou vacinação ou enquanto esperava para participarem do cantinho lúdico.

Seguiu-se a fase de manuseio dos brinquedos, e junto com o cantinho da leitura, a leitura dos livros, conforme o fluxo das crianças as atividades lúdicas e recreativas. E a terceira e última, da cama elástica, onde estipulou-se quantos minutos cada criança brincou e também dispensou-se cuidado para nenhuma se machucasse.

Este estudo apresentou as utilizações da brinquedoteca na área da saúde, como espaço de aprendizagem em educação e saúde, visando subsidiar aos profissionais com mais uma ferramenta para a promoção de saúde na comunidade.

O contato com diferentes realidades, crianças e seus familiares de diversos bairros, condições sociais, econômicas e diversas culturas e etnias nos revela um ambiente multicultural repleto de histórias de vida, diferentes saberes, sonhos e esperanças de dias melhores, da cura das doenças, das condições de estágio, do conforto para as crianças.

Foi feita a observação da participação das crianças, onde se verificou que participaram ativamente, com fluxo contínuo de crianças, com ações diárias da brinquedoteca, isso ajudou as crianças a passarem pelo processo traumático, sendo experiência prazerosa, a próxima vez que visitaram o posto para tomar a vacina, vai ser algo menos traumático.

Análise da experiência: reflexões e sentimentos.

O estágio proporcionou a compreensão de como o pedagogo em espaços não escolares pode ter um resultado da experiência como positiva. Buscou-se trabalhar de forma diferenciada, respeitando o espaço e a diversidade de vários espaços educativos e que pode contribuir para mudar a situação. Estabeleceu uma conexão entre a teoria e a prática, verificou-se ao longo do tempo muitas mudanças significativas, desde a estrutura física e administrativa até sua concepção na atualidade.

 A observação e coparticipação nos mostra como são realizados os projetos de melhoria e desenvolvidas as práticas de aprendizagem e a interação que deve ocorrer entre o Pedagogo e a comunidade que busca esse ambiente. É sabido que esses avanços têm sido dados e conquistas na busca da reorientação do sistema de saúde, aproximando os serviços da população, cumprindo os princípios e garantir ao cidadão o seu direito de receber atenção integral a saúde.

O estágio foi um momento de aprendizado na prática, em meio a gama de conhecimentos teóricos vivenciados nesse meio até então desconhecidos para nós futuros pedagogos, que conhecemos somente a outra forma da saúde, somente como usuário, sendo fundamental para que tivéssemos a oportunidade de estar nos preparando e analisando que tipo de trabalho podemos desenvolver em espaços não escolares.

É importante ressaltar que não se pretende aqui criar normas ou estabelecer regras, sendo que as considerações e propostas devem ser adaptadas, repensadas e recriadas de acordo com as diferentes demandas e situação, local.

A Pedagogia na área hospitalar é uma nova pedagogia em que os pacientes, alunos e professores são conceituados como educando e educadores, portanto o ato pedagógico neste contexto pode proporcionar a continuidade da escolaridade.

Quando se pensou em um projeto da Brinquedoteca, o objetivo era proporcionar aos pais e as crianças um ambiente acolhedor e aconchegante, em espaços onde os pacientes aprendem e compartilham brinquedos, histórias, emoções, alegrias e tristezas sob condições de espera em consulta e hospitalização. Ela também permitiu uma aproximação entre pais e filhos, e possui várias representações: é um espaço lúdico, terapêutico e político, pois além de garantir o direito da criança poder brincar, divertir-se, também é um espaço de formação de cidadania.

 Através do aprendizado do cuidado com o acervo de brinquedos, com a preservação do patrimônio e do aprendizado do desprendimento e da posse dos brinquedos, seus frequentadores puderam adquirir noções de democracia e de direitos sociais.

A atuação no estágio durante a realização do projeto foi de suma importância para a concretização dos objetivos propostos, tanto na inserção do brincar na rotina diária das crianças que esperavam a consulta, quanto na elaboração de suporte para o funcionamento da brinquedoteca.

Usou-se um cantinho da leitura, brinquedos comprados e feitos de materiais recicláveis, desenhos imprimidos para as crianças pintar e uma cama elástica onde as crianças se encantavam, através das brincadeiras, de contação de histórias infantis, de lendas, de mitos, de atividades artísticas realizadas na brinquedoteca.

Outro aspecto observado de aceitação e de reconhecimento do trabalho é que, as crianças e as famílias colaboravam assiduamente, cuidando e preservando o acervo. As estagiarias, em muitas situações, emprestavam brinquedos para as crianças permanecessem com eles brincando até a hora da consulta.

A manipulação dos brinquedos era um fato interessante neste projeto, demonstrando que a brinquedoteca na Unidade de Saúde Ronam Marques além de trabalhar com a reabilitação da saúde, suscitava a socialização, criando também é um espaço de exercício de cidadania e descuidado do patrimônio público infantil, os brinquedos, pois o público era preservado para atender a outras crianças.

Considerações finais

É importante enfatizar que a criança, por meio das brincadeiras, demonstra seu próprio modo de ver e de pensar o mundo. Sendo assim, as instituições de saúde devem proporcionar à criança a oportunidade de explorar o seu brincar com liberdade, considerando esse mesmo ato como parte iminente do processo educacional.

Não há uma forma única, nem um modelo único de educação, a escola não é o único lugar em que ela acontece e talvez nem o melhor, o ensino escolar não é a única prática de transformação contemporânea que contribui para consolidar o entendimento da educação, ocorrendo em muitos lugares institucionalizados ou não.

Nesse sentido, o trabalho pedagógico em ambientes não escolares, como o caso da unidade de saúde, resgata a situação de continuidade ao trabalho escolar.

A presença do professor, dos objetos de ensino e outros profissionais envolvidos fazem com que o paciente se sociabilize e encontre a oportunidade nestes momentos de ensino, de resgatar a linguagem escolar, ampliar a socialização com outros profissionais e família a fim de favorecer a continuidade da vida e o sentir-se humanamente vivo.

Dentro de tal perspectiva, a atuação do NASF implica, portanto, a necessidade de estabelecer espaços rotineiros de reunião de planejamentos, o que incluiria discussão de casos, estabelecimentos de contratos, definição de objetivos, critérios de prioridade, critérios de encaminhamento ou compartilhamento de casos, critérios de avaliação, resolução de conflitos etc. Tudo isso não acontece automaticamente, tornando-se assim necessário que os profissionais assumam sua responsabilidade na cogestão e os gestores coordenem estes processos, em constante construção.

 Enfim, é nesta perspectiva que precisamos mostrar a importância que o lúdico traz para a construção do desenvolvimento infantil, uma vez que se faz necessário a atuação mediadora do profissional, isto é, para que a prática lúdica traga satisfação no desenvolvimento integral da criança.

Enquanto pedagogo, precisamos estar dispostos a causar situações em que nossas crianças possam, em seu cotidiano, construir, imaginar, criar, ou seja, que elas possam ter momentos de alegria, prazer e diversão por meio das brincadeiras.

            O contato com as práticas profissionais proporcionadas pelo estágio aproxima o profissional da realidade da sua profissão, dá novas perspectivas de atuação, proporcionam novas visões e possibilidades de atuação do pedagogo, novos mercados de trabalho, a realização do estágio possibilitou a aproximação de novos campos que ainda não havia visualizado.

           

 

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, M. T. P. Jogos divertidos e brinquedos criativos. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2004.

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CAVALCANTE, Rafael et alA Pedagogia além da Educação Formal. Disponível em <www.quadernsanimacio.net>.  n. 10, Jul., 2009.

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MEIRELES, Tatiane de Fátima Wanzeler. O desafio do pedagogo nos espaços de educação não formal. Revista Múltiplas Leituras. v. 4, n. 2, 2011.

MOURA, Eliane; ZUCHETTI, Dinora Thereza. Explorando outros cenários: educação não escolar e pedagogia social. Educação Unisinos. v. 10, n. 3, p. 228-236, setembro/dezembro, 2006.

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