O Papel da Universidade
 
O Papel da Universidade
 


O Papel da Universidade

A educação atualmente, segundo Pimenta (2002) é o retrato e a reprodução da sociedade e, ao mesmo tempo se projeta a sociedade que se deseja. O ensino superior não é um ensino descontextualizado, mas busca os anseios da sociedade, visando responder aos questionamentos mais pertinentes, às dúvidas que mais surge às necessidades de trabalho que necessitam ser sanadas. É nesse sentido que se observa a projeção para o futuro, partindo deste princípio de pergunta e resposta. O ensino superior enxerga a importância e a urgência de se buscar a atualização, de olhar para os acadêmicos como futuros profissionais atuantes na sociedade.

Ainda para Pimenta (2002) o ensino universitário constitui um processo de busca, de construção científica e de crítica ao conhecimento produzido, ou seja, sua relevância para a sociedade.

Pimenta explicita que em sala de aula, o aprender e o ensinar caminham lado a lado, mediante o conhecimento o professor e o estudante são elementos primordiais, no entanto se faz necessário que ambos tenham consciência de que todo ato de ensinar na sala de aula ocorre o aprender para que tenha valido a pena aquele momento.

Genghini (2006) em sua obra argumenta a posição do ensino à luz da possibilidade do desenvolvimento do Brasil, e sendo, mais precisamente o Ensino Superior o responsável por este fenômeno, pois não é capaz de gerar e ao mesmo tempo aprimorar a qualificação profissional e tecnológica. É neste setor educacional que se encontram as possibilidades de mudança nos níveis básicos da educação, uma vez que as formações dos educadores atuantes naquele nível perpassam pelas universidades. É esperada do Ensino Superior uma formação de profissionais mais qualificados, no entanto estes devem ser flexíveis, ou seja, capazes de se adaptarem às novas tendências mercadológicas. Países da Europa, Estados Unidos e Japão desenvolvem ações visando esta modernização propiciando o crescimento dessas ações para uma maior adequação a esta realidade. Estas iniciativas dos paises desenvolvidos ocorrem tanto por parte governamental quanto das universidades. No quadro nacional esta prática está vinculada quase exclusivamente, por parte das universidades públicas.

A autora Genghini (2006) considera em sua obra quatro fatores que interferem significativamente no rendimento escolar a luz das dificuldades de aprendizagem. O primeiro se faz importante no âmbito pessoal, ao passo que a carência de serviços de apoio ao estudante universitário, deixando-o vulnerável às pressões inerentes ao Ensino Superior, o que os deixam incapacitados de vencer as dificuldades encontradas. No segundo momento as instituições são encaradas como contribuintes para o agravamento deste quadro, já que muitas vezes, as aulas recaem em uma rotina, gerando desmotivação parte do corpo discente.

Estes fenômenos para Genghini (2006) são prejudiciais ao processo de ensino-aprendizagem além de comprometer a articulação do corpo estudantil com o quadro docente. Sustentando a argumentação, a autora apresenta mais um aspecto corroborativo com suas idéias, que é no âmbito legal, inviabilizando que as instituições de ensino superior cumpram as pregorrativas legais sustentadas pela Constituição Federal de 1988, artigo 206, inciso II que reza pelo principio básico da ação educativa. Vale ressaltar o artigo 207 que atende ao disposto no artigo 52 da Lei de Diretrizes e Bases-LDB (9394/96), regulamentada pelo Decreto n° 2207 de 15 de Abril de 1997 no artigo 5° reza pelo princípio de que as universidades devem obedecer ao principio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. A LDB (9394/96) no Capítulo IV-Da Educação Superior, artigo 43, inciso I a VII trata da finalidade da educação superior.

E um último olhar, o social, defende a idéia de que deixar o fenômeno se expandir, significa recusar a política do Ensino Superior brasileiro no que tange os novos desafios, vinculando-se ao desenvolvimento econômico e social de uma nação, não só no campo do crescimento cultural, mas tambémno acompanhamento das evoluções tecnológicas, na percepção de Genghini (2006).

A autora considera um importante indicador de dificuldades de aprendizagem no Ensino Superior o fato do baixo rendimento escolar, e para elucidar este fato ela apresenta alguns elementos básicos tais como a leitura e interpretação de textos e a capacidade de raciocinar diante de cálculos aritméticos elementares estão associados ao indicador. No entanto, a autora pondera ainda os índices de Analfabetismo Funcional como situação marcante, concretizando ainda mais os insucessos nas avaliações, colocando o aluno em situação de dependência repetência ou desistência. Não obstante a aprendizagem pode ser definida da seguinte maneira:

Genghini (2006) configura as dificuldades de se aplicar os conhecimentos em suas graduações e na solução de conflitos oriundos em sala de aula sobressaltam as dificuldades dos profissionais do Ensino Superior. Este entrave é atribuído, muitas vezes, como responsabilidade do professor remetendo-se a uma formação deficiente deste profissional, podendo também, a dificuldade de aprendizagem ser deslocada para o aluno. Não obstante as universidades corroboram com o crescimento dos índices de dificuldade de aprendizagem do corpo discente, uma vez que parte dessas instituições de ensino protagonizam a rotina em suas atividades docentes, a falta de interesse dos alunos durante as aulas e a ausência de atendimento aos alunos com dificuldades de aprendizagem.

"Aaprendizagem reúne num só processo a educação e o pensamento. A condição cognitiva da aprendizagem pressupõe a presença de estruturas capazes de organizar estímulos do conhecimento, uma coordenação de esquemas num âmbito particular, prático, representativo, conceitual e concordante com um nível de equilibração particular, obtido através de regulações, descentralizações intuitivas ou operações lógicas e formais (PAIM, S 1985).

Ainda em sobre Genghini (2006)o baixo rendimento escolar no Ensino Superior pode ser constituído por quadro mais complexo, no que se refere aos fatores citados anteriormente. Fatores históricos, sociais, políticos, culturais e pedagógicos compõem o quadro de fatores que contribuem negativamente no rendimento individual do aluno do Ensino Superior. Este pode ser entendido sob olhar da oportunidade de se desenvolver no que tange a reflexão sobre a educação e o processo de construção do conhecimento em alunos adolescentes e alunos adultos.

Para Genghini (2006) se faz necessário a transparência no empenho de toda comunidade acadêmica incluindo de forma significativa, a participação da instituição no processo elaborativo das estratégias educacionais para que os reais objetivos pedagógicos sejam alcançados, não cabendo essa responsabilidade à atuação do educador como profissional.

A política pedagógica proposta por Genghini (2006) almeja o relacionamento interpessoal como força motriz na aprendizagem, possibilitando uma representatividade ativa dos interesses comuns, formando um corpo único; indivíduo/meio. Esta pedagogia proporcionaria ao aluno o desenvolvimento da personalidade, da capacidade de participar e influenciar o meio político-social gerando uma autonomia para moldar sua própria história.

Diante aos novos paradigmas educacionais juntamente às novas exigências do mercado de trabalho, não cabe a passividade a frente da existência do problema de aprendizagem no Ensino Superior. A este ponto, a autora defende a idéia de implementação de um Serviço de Atendimento ao Aluno Universitário, tendo este setor, a atuação voltada ao atendimento de alunos com dificuldade de aprendizagem e trabalhar eficientemente no corpo técnico-administrativo, concomitantemente com a direção, coordenação, corpo docente e os demais funcionários.

Freire (1996) discute em sua obra o desenvolvimento de uma prática pedagógica de maneira humanística, social e, principalmente posicionar o docente criticamente no sentido de orientar e incentivar os educandos quanto seus deveres e direitos quanto cidadãos. Neste sentido perpassa o papel da universidade.

Um antigo paradigma na educação era a divisão de funções caracterizada no qual o papel do professor era ensinar, obedecer ao currículo repassar todos os conteúdos pertinentes aos da sua disciplina; o professor era visto como o detentor do saber. Ao aluno cabia aprender, e descobrir por si só como aprender na universidade. Para Freire (1996) entanto atualmente este paradigma tem mudado, a educação mostra que ambos os personagens têm funções relevantes no processo ensino/aprendizagem. O aluno e o professor aprendem com o objeto do conhecimento.

Freire introduz em sua obra razões que tentam explicar e por conseqüência, analisar a prática pedagógica. Nesta vertente sua obra conduz à autonomia de sere de saber do educando, ressaltando que o docente não só deve respeitar, mas também se utilizar do saber do educando para desenvolver a prática pedagógica. O educando, para Freire (1996), é visto como um ser social, cultural e histórico, uma vez que este possui uma cultura da sociedade na qual é integrante. E ainda para o autor a prática docente lida com duas vertentes: a do docente no ponto de vista de capacitar-se e buscar inovações em que trabalhe a produção do conhecimento; o segundo de se respeitar à curiosidade do educando, conhecer seu gosto, a sua linguagem e o seu pensamento. É de extrema valia que tanto os docentes quantos os educandos apresentem espírito investigador, para tal torna-se inevitável que se promovam momentos para experiências, para buscas de respostas de suas inquietudes. O docente precisa estar disposto a ouvir, a dialogar, promover o debate, o diálogo, utilizando de momentos em aulas para a realização dessas atividades.

Zabalza (2004) aponta referencia alguns pontos á orientação da aprendizagem, sobre os quais o professor deve refletir para isso o autor argumenta que se faz necessário tornar o aprender constante conteúdo e propósito do ensino, pensar a sua disciplina tendo em vista o olhar do aluno considerando suas experiências anteriores e por fim aprofundar o conhecimento sobre como ocorre o processo de aprendizagem.

A universidade precisa modificar o olhar que tem sobre seus acadêmicos, passando de um olhar passivo para um ativo, percebendo e incentivando-os a serem agentes do processo, com a capacidade de agir autonomamente. Ainda como papel da universidade descrito por Bortolanza (2002), é preciso que a universidade torne-se ela mesma crítica para enxergar os resultados em seus acadêmicos a construção e uma prática transformadora. Ao passo que o docente precisa transformar seu aluno o mesmo deve respeitar a individualidade do educando, no entanto a prática docente envolve dedicação, pesquisa e auto-reflexão. A transformação acontece de maneira lenta e gradativa, porém é comumente que ocorram rompimentos, perdas e ganhos, mudanças de paradigmas.

Para Ferrari & Canci o conhecimento trabalhado vai além doadquirido em sala de aula, deve prever e fixar seu objetivo em estabelecer hábitos, estruturas mentais necessárias à apreensão do conhecimento e a vida social do educando. Uma vez que se trata de formação profissional,a educação não tem apenas por finalidade a delimitação e a absorção do conteúdo aprendido, mas sim perceber se o aluno será capaz de solucionar novos problemas e enfrentar situações diversas àquelas encontradas na academia.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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