O PAPEL DA ENFERMAGEM NA SAÚDE DO IDOSO DENTRO DA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE
 
O PAPEL DA ENFERMAGEM NA SAÚDE DO IDOSO DENTRO DA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE
 


Hemelyni Cecília Gonçalves Lima 1Fabiana Paulino Alves 2

Resumo: O envelhecimento acarreta mudanças no organismo do indivíduo e, geralmente, traz consigo algumas doenças como a Osteoporose, Hipertensão Arterial, Incontinência Urinaria, Diabetes, Alzheimer, Câncer, entre outras. O cuidado de idosos por parte da enfermagem foi durante muitos anos uma prática quase que esquecida. As enfermeiras geriátricas por muito tempo foram consideradas de capacidade inferior às demais enfermeiras de outros ramos da profissão, no entanto a enfermagem sempre esteve entre as poucas profissões envolvidas com os idosos. Ações de promoção da saúde antes da criação do Programa Saúde da Família (PSF) estavam quase que limitadas exclusivamente ao âmbito hospitalar, atualmente essas ações migraram para os ambientes comunitários. Os idosos podem beneficiar-se ao máximo das ações de promoção da saúde desenvolvidas pelos enfermeiros do PSF, que os ajudam a manter a sua independência e um envelhecimento saudável, melhorando assim sua qualidade de vida. Palavras-chave: Enfermeiro; idoso; atenção básica.

Problemática do Envelhecimento no Brasil

A longevidade adquirida por meio de melhor qualidade de vida da população, urbanização adequada das cidades, melhoria alimentar e da higiene pessoal, melhores condições sanitárias em geral e, particularmente, condições ambientais no trabalho e nas moradias muito melhores que antigamente, vem proporcionando o envelhecimento da população brasileira (ARAÚJO et al., 2003).

A queda da fecundidade e da mortalidade registrados nas ultimas décadas no Brasil, também são fatores que proporcionam o envelhecimento, pois, isso vem causando o declínio dos jovens fazendo com que o resto da população passe a viver por mais tempo (BRASIL, 2002).Envelhecer antes era um privilegio de poucos, hoje passou a ser uma experiência que pode ser vivida por um número cada vez maior de pessoas não só no Brasil como no mundo, contudo envelhecer com qualidade de vida e bem estar é uma dádiva ainda de poucos idosos.Somente envelhecer não é suficiente, diante disso VERAS, 2003, p. 708,afirma que: "o envelhecimento da população é uma aspiração natural de qualquer sociedade, mas não basta por se só. Viver mais é importante desde que se consiga agregar qualidade aos anos adicionais de vida.

O Brasil antes era conhecido como um país jovem, e se pensava que a problemática do envelhecimento era uma coisa distante, pertencente apenas em países desenvolvidos. Contudo, desde 1970, a população de idosos cresce, em termos proporcionais, mais do que qualquer outra faixa etária no Brasil (BRASIL, 2002).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) entre 1950 a 2025 a população brasileira de idosos crescerá 16 vezes, enquanto que a população total crescerá cinco vezes, com isso é provável que em 2025 o Brasil tenha a sexta maior população idosa do mundo, com aproximadamente 32 milhões de pessoas pertencentes a esse grupo etário, a partir disso surge a necessidade de os profissionais de saúde colocarem em pratica as políticas públicas voltadas a pessoa idosa (BRASIL, 2002).

Essa conjuntura acarreta um grande desafio para a sociedade e principalmente, para o setor saúde que sofreu um grande impacto, porque esse envelhecimento vem acontecendo muito rápido e sem que tenha ocorrido previamente, uma sustentável melhoria das condições de vida da população (VERAS, 2004). Contudo, envelhecer não necessariamente tem que estar associado a doenças e incapacidades, mas infelizmente doenças crônico-degenerativas freqüentemente são encontradas nessa faixa etária (ALVES, 2004).

Estudos mostram que mais de 85% de nossos idosos apresentam pelo menos uma enfermidade crônica, e que cerca de 15%, apresentam pelo menos cinco. Alguns indivíduos podem atingir idades avançadas em excelente estado de saúde e sem nenhuma doença crônica, mas infelizmente isso acontece com um número muito pequeno de idosos. Contudo, ter uma doença crônica não significa dizer que os idosos percam suas capacidades funcionais, como também não necessariamente idosos independentes não tenham algum tipo de doença, pois, 4 a 6% dos idosos apresentam formas graves de dependência funcional, 7 a 10% formas intermediarias, 25 a 30% formas leves e 50 a 60% são completamente independentes, isso implica dizer que a maioria dos nossos idosos é capaz de tomar decisões e viver sem nenhuma necessidade de ajuda (BRASIL, 2002).

No ano de 2001, com as internações hospitalares de idosos pelo SUS, foram gastos um bilhão, duzentos e dezessete milhões de reais, enquanto que a população de 0 a 14 anos consumiu 922 milhões e representava 29,6% da população total brasileira, uma vez que os idosos representavam 8,6%, trazendo um grande impacto para a saúde e principalmente para o sistema hospitalar que nem sempre oferece aos idosos uma abordagem médica e psicossocial adequada (DATASUS, 2000).

Muitos problemas encontrados nos idosos poderiam ser facilmente identificados precocemente, retardando ao máximo suas conseqüências, sendo que estas muitas vezes passam despercebidas pelos médicos no hospital que se guiam em uma queixa principal e encaixam todos os sinais e queixas em uma única doença (BRASIL, 2002).

Políticas Públicas Brasileiras Voltadas a População Idosa

Programas de promoção da saúde do idoso são cada vez mais necessários, devido ao crescente aumento dessa faixa etária em todo o país. Do ponto de vista gerontológico, ações de promoção da saúde aos idosos têm como pilar, a promoção do envelhecimento ativo e saudável, preservando ao máximo sua capacidade funcional. Promover a saúde não é tão fácil, é necessário mais do que o acesso a serviços médico-assistenciais de qualidade, é preciso enfrentar os determinantes da saúde em toda a sua amplitude, o que requer políticas públicas saudáveis, uma efetiva articulação intersetorial do poder público e a mobilização da população, ou seja, é necessário trabalhar com a idéia de que promover a saúde é um dever de todos (ASSIS, HARTZ, VALLA, 2004).

Em 1999 surgiu a Política Nacional de Saúde do Idoso que tem como principais diretrizes, a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção da capacidade funcional, a assistência às necessidades de saúde do idoso, a capacitação de recursos humanos especializados, a reabilitação e apoio a pesquisa e estudos nessa área (MS. PORTARIA Nº 1395/1999).

O Pacto pela Vida de 2006 determina que devam ser seguidas, algumas diretrizes norteadoras de suas ações em relação aos idosos como: estimulo as ações intersetoriais, implantação de serviços de atenção domiciliária, promoção do envelhecimento saudável, atenção integrada e integral a saúde da pessoa idosa, fortalecimento da participação social, acolhimento preferencial em unidades de saúde, provimento de recursos capazes de assegurar a qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa e divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS (MS. PORTARIA Nº 399/2006).

Importância da Enfermagem Para os Idosos na Atenção Básica

Através do Programa de Saúde da Família criado em 1994, o Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS) enfoca a atenção básica voltada à comunidade. Nesse contexto, a enfermagem tem implantado e desenvolvido políticas e programas de saúde, para isso o enfermeiro tem que ter conhecimentos interdisciplinares, atuar com outros profissionais alem de competências e habilidades exclusivas da profissão. Lugares geograficamente distantes dos grandes centros urbanos estão cada vez mais se integrando aos programas de atenção básica de saúde, levando com isso o deslocamento de profissionais de enfermagem para regiões cada vez mais distantes, e é justamente na atenção básica que os enfermeiros do Brasil estão mostrando sua força, compromisso e competência, dando sustentação as ações de promoção a saúde e prevenção de doenças (SANTOS, 2007).

Segundo as normas de operacionalização da assistência a saúde (NOAS), a principal função dos enfermeiros na atenção básica é:

Prestar assistência individual e coletiva, levando em conta as necessidades da população, aliando a atuação clínica à prática de saúde coletiva, realizando cuidados diretos de enfermagem nas urgências e emergências clínicas, realizando consulta de enfermagem, solicitando exames complementares, prescrevendo ou transcrevendo medicações. Executa as ações de assistência integral a criança, a mulher, ao adolescente, ao adulto e ao idoso. (SANTOS, 2007, p. 403-404).

Segundo Brunnes & Sudtarth (2005) ações de promoção da saúde antes da criação do PSF estavam quase que limitadas exclusivamente ao âmbito hospitalar, atualmente essas ações migraram para os ambientes comunitários. Tornar o próprio indivíduo responsável sobre se mesmo é fundamental para uma promoção de saúde bem sucedida, pois cada indivíduo é responsável pelas escolhas que determinam o seu estilo de vida. O enfermeiro deve promover a saúde dos indivíduos pertencentes a qualquer faixa etária, pode-se afirmar que a promoção da saúde começa antes do nascimento estendo-se até a velhice, uma vez que a saúde da criança pode sofre alterações tanto positivas como negativas dependendo das práticas de saúde da mãe no pré-natal.

O Programa Saúde da Família (PSF) é hoje dito como estratégia principal de organização da atenção básica no Brasil. Ações de proteção, promoção, recuperação da saúde e prevenção de doenças são desenvolvidas com enfoque multiprofissional, entre os integrantes da equipe está o profissional de enfermagem, que tem uma grande responsabilidade na promoção da saúde do idoso.

Para os idosos a promoção da saúde é tão importante quanto para as outras faixas etárias, apesar de um grande número de idosos apresentarem uma ou mais doenças crônicas e exibirem limitações em suas atividades; a promoção da saúde apresenta-se de forma positiva, uma vez que os idosos apresentam ganhos significativos para sua saúde, essas limitações e incapacidades não podem ser eliminadas, contudo, os idosos podem beneficiar-se ao máximo das ações de promoção da saúde desenvolvidas pelos enfermeiros do PSF, que os ajudam a manter a sua independência e um envelhecimento saudável, melhorando assim sua qualidade de vida.

Como as projeções futuras é que a população idosa brasileira aumente cada vez mais, fica evidente a necessidade de se abrir às portas da atenção básica, por meio dos profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) para os nossos idosos. A enfermagem como parte essencial do PSF e como fonte desse estudo, deve prestar aos idosos de sua área de cobertura, uma assistência integral e isso só é possível quando se conhece as particularidades da pessoa idosa.

Referências:

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ASSIS, Mônica de; HARTZ, Zulmira M. A. and VALLA, Victor Vincent. Programas de promoção da saúde do idoso: uma revisão da literatura científica no período de 1990 a 2002. Rev: Ciênc. saúde coletiva. 2004, v. 9, n. 3. Disponível em:<http://www.scielosp.org/pdf/csc/v9n3/a05v09n3.pdf> Acesso em: 21 de Nov. 2008.

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1 Enfermeiranda pela Faculdade de Ciencias Medicas de Campina Grande - PB 2 Graduada em Enfermagem pela Universidade Estadual da Paraíba; Especialista em Saúde Pública; Professora da Faculdade de Ciências Médicas de Campina grande-PB.

 
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